Com quase 30 discos lançados, uma carreira de três décadas e gravações ao lado de George Benson, Bob James e Al Jarreau, o violonista norte-americano Earl Klugh é referência dentro do smooth jazz. Quando começou sua carreira, no meio dos anos 70, o que hoje é rotulado como jazz contemporâneo ainda não tinha este nome. Na época, a música de Klugh foi um desdobramento natural do fusion jazz, que mais seria a base para o smooth jazz.
Ao lado de músicos como Lee Ritenour, Dave Grusin, Bob James e David Sanborn, Earl Klugh foi responsável pela popularização da música instrumental e pela aproximação de uma nova geração de ouvintes para o jazz. Nos últimos 20 anos, é cada vez maior o espaço ocupado por músicos de smooth jazz em rádios e festivais. Apesar disso, este gênero ainda é visto como uma música menor e, muitas vezes, é hostilizado pelos ouvintes do jazz tradicional.
Para quem tem certa antipatia pelo smooth jazz, o disco indicado aqui pode ser um bom começo para entender o movimento e, quem sabe, uma ponte segura para caminhar em direção a este rico universo. Lançado em 1991, The Earl Klugh Trio, Volume 1, traz o violonista ao lado do baixista Ralph Armstrong e do baterista Gene Dunlap recriando grandes temas do século XX.
Pela primeira vez, Klugh grava um disco sem nenhuma composição própria e com a formação de trio. O resultado é simplesmente o melhor disco da carreira do violonista. No repertório, clássicos como “Night and Day” (Cole Porter), “Days of Wine and Roses” (Henry Mancini), “What Are You Doing the Rest of Your Life?” (Michel Legrand) e I Say a Little Prayer” (Burt Bacharach) são recriados com arranjos caprichados e tocados com propriedade pelo trio.
É impossível ficar indiferente diante das versões de dois clássicos da bossa nova: “Insensatez” e “Samba de Uma Nota Só”, que aqui recebem os nomes de “How Insensitive” e “One Note Samba”, respectivamente. O disco ainda traz o tema da série A Feiticeira, uma composição do filme Spartacus e “I’ll Remember April”, com destaque para o baixo de Armstrong.
Em 1993, Klugh repetiu esta mesma formação no disco Two Sounds and Visions, no qual regravou temas de grandes clássicos do cinema das décadas de 50 e 60. Outro disco que vale a pena ser procurado é Cool. Lançado em 1992, o violonista repete a parceria dos anos 70 com pianista Bob James.
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