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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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LIVE IN MONTREUX 1991-97


 O mercado de música é um mistério. Às vezes nos perguntamos por que este ou aquele cantor não é conhecido, já que há tanto talento. Mas sabemos que a vida não é racional ou lógica, muito menos o show business. Esta introdução é a ideal para falar sobre a cantora norte-americana Rachelle Ferrell.

Formada pela renomada escola Berklee College of Music, de Boston, ela gravou seu primeiro disco em 89. Na época, apenas a crítica prestou alguma atenção. Felizmente, Rachelle teve dois padrinhos de peso, o trompetista Dizzy Gillespie e o produtor e arranjador George Duke. Com isso, ela conseguiu seu espaço e um pequeno, mas fiel fã-clube.

Para conhecer um pouco seu universo, um bom começo é o disco “Live At Montreux 1991-97”, lançado em 2002. Ele traz uma compilação das três apresentações da cantora, em diferentes anos, no mais charmoso festival de jazz do planeta, o Montreux, da Suíça.

O disco abre com uma versão de “You Send Me”, do cantor soul Sam Cooke. Acompanhada de um trio afiado, o pianista Eddie Green, o baixista Tyrone Brown e o baterista John Roberts, Rachelle cria um arranjo jazzístico da pesada e mostra seus dotes musicais. A mesma atmosfera com o trio de jazz acontece em “You Don’t Know What Love Is” e “Don’t Waste My Time”, de autoria da própria cantora. Para completar a primeira parte do disco, a intimista “My Funny Valentine”, com destaque para o baixo acústico de Brown.


Na parte mais pop do disco, a voz de Rachelle lembra muito o da cantora inglesa de r & b, Des’ree. Aqui, a presença de George Duke é vital nas canções autorais de Rachelle, “I Can Explain” e “I’m Special”. O jazz volta a reinar em “Bye-Bye Blackbird”. Para agraciar o público suíço, a cantora canta duas canções na língua local, o francês. São elas “Me Voila Sol” e “On Se Reveillera”.


Após ouvir este disco, o leitor entenderá bem o significado da introdução deste texto. Rachelle domina sua voz com muita competência. Ela se dá bem no jazz, no pop e no soul. Com suas peripécias vocais, que caminham entre Betty Carter, Sarah Vaughan, Diane Schuur e Dianne Reeves, esta americana nascida na Pensilvânia ainda será descoberta para o bem do jazz e para a alegria do público.




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