Depois de quase 20 anos de carreira, a cantora norte-americana Nnenna Freelon virou sinônimo de carisma e talento. As comparações iniciais com a diva Sarah Vaughan foram deixadas de lado e ela conseguiu arrebanhar milhares de fãs com sua forte presença no palco e coragem na hora de escolher o repertório de seus discos.
Apesar de ter lançado no ano passado um disco só com músicas de Stevie Wonder, o que foge dos trabalhos mais conceituais da cantora, ouvi-la é sempre uma viagem ao não convencional. Um bom exemplo disso é o disco “Live”, de 2003. A maioria das cantoras aproveita o lançamento de um disco ao vivo para colocar canções e arranjos manchados. Já Nnenna preferiu trilhar outro caminho. Isso fica claro logo na primeira música, “Nothing Will Be As It Was”, composta por Milton Nascimento e gravada por Sarah Vaughan nos anos 80. Essa foi a maneira da cantora homenagear Sassy, sua maior influência. Outro exemplo acontece no clássico “Body and Soul”, imortalizado no sax de Coleman Hawkins. Nnnenna subverte a composição de Johnny Green, misturando o clima intimista dos trios de jazz com o reggae. Outro destaque do disco é o piano de Takana Miyamoto, que acompanha a cantora há dez anos. A conexão entre ambos cria momentos únicos como “If I Only Had a Brain”, do filme O Mágico de Oz, e em “Meaning Of the Blues”. O CD ainda abre espaço para Nnenna mostrar seu lado mais pop nas versões de “My Cherie Amour” e “Tears Of a Clown”, de Stevie Wonder, e em “Circle Song”, única canção do disco composta pela cantora. O novo trabalho de Nnenna Freelon não mudará a opinião dos fãs das cantoras Diana Krall e Jane Monheit, que acreditam terem descoberto a mina de ouro. Isso parece compreensível, já que o quilate de um diamante perfeito – Nnenna Freelon - tem valor insuperável e está ao alcance de poucos.
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