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Emerson Marques Lopes
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THE GREAT SUMMIT - THE MASTER TAKES


Certa vez, recebi um e-mail de um universitário que estava fazendo um trabalho sobre jazz. Ele queria uma relação com os cinco mais importantes músicos de toda a história do jazz. Lembro bem que respondi que era impossível citar apenas cinco nomes dentro de um universo que tem pelo menos um século de história para contar. Obviamente que o jovem estudante não se contentou com a minha resposta e insistiu para que eu o ajudasse.

Diante disso, não tive escolha e fui “obrigado” a reduzir a minha lista com as 20 pessoas mais importantes e influentes do jazz para apenas cinco nomes. Foi uma tarefa árdua, já que eu sabia que nomes essenciais ficariam de fora, mas precisava ser feita. Depois de muito tira este, coloca aquele e volta este, cheguei a tal lista. Os nomes que passei para o aflito estudante foram: Duke Ellington, Louis Armstrong, Miles Davis, Charlie Parker e Count Basie. Não sei como ficou o trabalho do universitário, mas sabia que eu o tinha deixado em muito boa companhia.

Essa breve história serve para introduzir dois músicos que são sinônimos de jazz: Louis Armstrong e Duke Ellington. As carreiras desses dois gênios da música correram paralelamente durante quatro décadas até que um dia, mais especificamente nos dia 3 e 4 de abril de 1961, nos estúdios da RCA, na cidade de Nova York, eles se encontraram.

Na ocasião, Ellington estava às vésperas de completar 62 anos e Armstrong faria 60 no mês de agosto. Tanto um como o outro eram aclamados entre o público e a crítica como patrimônios da música norte-americana e do jazz. Ninguém duvidava da importância e da influencia que ambos exerceram sobre as gerações seguintes e sobre o legado que eles deixariam para o jazz.

O resultado do encontro histórico foi o disco The Great Summit - The Master Takes. Ao lado do piano de Ellington e do trompete de Armstrong estavam os músicos Trummy Young (trombone), Barney Bigard (clarinete), Mort Herbert (baixo) e Danny Barcelona (bateria), todos instrumentistas que tocavam na banda de Armstrong. No repertório “apenas” músicas compostas por Ellington.

O disco abre com a contagiante “Duke’s Place”, com Armstrong cantando e se divertindo ao mesmo tempo. O mesmo clima impera em “Just Squeeze Me”, “Drop Me Off In Harlem”, “I'm Beginning To See The Light” e “Black And Tan Fantasy”, com Armstrong solando com e sem a surdina. O sexteto diminui o ritmo em “I Got It Bad (And That Ain't Good)”, “Do Nothin' Till You Hear From Me” e na clássica “Solitude”, com direito a solos de trompete, clarinete e trombone.

Outros três standards de Ellington também foram incluídos: “In A Mellow Tone”, “Mood Indigo” e “Cottontail”, no qual Armstrong mostra toda a sua técnica de scat (vocalização das notas), marca registrada do cantor. Os destaque são “Don't Get Around Much Anymore” e a delicada “Azálea”. Vale lembrar que uma versão dupla deste disco, com ensaios e “restos” de gravações, também foi lançada.

Dizer que este disco é obrigatório em qualquer discoteca de jazz é óbvio e não é o suficiente. Esse encontro, assim como outras parcerias na história do jazz (Parker e Gillespie, Miles e Coltrane, Brubeck e Desmond, Chet e Mulligan, Getz e Gilbertto e Monk e Coltrane), deve ser lembrado como um daqueles momentos em que desejamos que o tempo pare para podermos desfrutar infinitamente de uma sensação de prazer e êxtase.



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