Poucos
são os jovens músicos de jazz
que se arriscam a encarar o sax alto, um instrumento
imortalizado pelas performances inimagináveis
de Charlie “Bird” Parker. Mas, também por causa
de Parker, o norte-americano Donald Harrison resolveu
aceitar o desafio e se tornar um dos mais importantes
saxofonistas alto da atualidade.
Nascido
em Nova Orleans, Harrison faz parte da geração
que deu ao mundo feras como Wynton Marsalis e Banford
Marsalis, ambos de Nova Orleans e colegas de Harrison
durante sua formação musical. Logo depois,
o músico tocou dois anos com o baterista Roy
Hayndes e, durante os anos de 1982 e 86, com o lendário
Art Blakey. Foi nesta época que Harrison conheceu
o trompetista Terence Blanchard, com quem gravou alguns
CDs após deixar o grupo de Blakey.
Após essa bagagem, Harrison resolveu caminhar
sozinho, lançando alguns bons trabalhos, entre
eles, Nouveau Swing , lançado pelo
selo Impulse, em 1997. Neste CD, é possível
ouvir toda a personalidade e a influência do
soul e funk nas composições de Harrison.
Ao seu lado, o músico tem feras como o baterista
Carl Allen, o pianista Anthony Wonsey e o baixista
Christian McBride.
O
swing começa na faixa-título, com
destaque para o piano de Wonsey, e nas funkeadas “Come
Back Jack” e “Dance Hall”. O jazz mais tradicional
acontece em”One Of A Kind”, “Little Flowers” e na versão
da música de Miles Davis, “Eighty-One”. Harrison
mostra ainda que em melodias mais calmas é possível
colocar belas frases, como em “Sincerely Yours” e “New
Hope”.
Como
acontece com a maioria dos músicos de
jazz, a música brasileira é uma forte
influência, em especial Ivan Lins. Aqui, Harrison
interpreta “Setembro”, composta por Lins e o arranjador
Gilson Peranzzetta. Para terminar, “Christopher Jr.”,
uma homenagem a Charlie Parker, com destaque para os
solos de McBride.
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