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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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AT THE LIGHTHOUSE


Todos sabem que o mundo não é perfeito e muito menos justo do que ele deveria ser, mas, às vezes, acontecem coisas que nos fazem continuar acreditando e sonhando que um dia tudo poderá ficar melhor e mais justo. Uma dessas "coisas", no mundo do jazz, foi o reconhecimento tardio do saxofonista Joe Henderson.

O experiente saxofonista tenor precisou gravar pelo selo Verve, no início dos nos 90, para ser notado pela maioria do público. Mas poucos sabem do passado de quatro décadas a serviço do velho hard bop e seu trabalho ao lado de Horace Silver, Herbie Hancock, Kenny Dorham e muitos outros.

Uma das fases mais talentosas da carreira de Henderson foram os anos 70, esquecida pela era do CD. Felizmente, um dos poucos álbuns editados em CD desta época é um dos melhores, Joe Henderson Quintet At The Lighthouse, gravado ao vivo no clube californiano, em setembro de 1970. Ao lado do saxofonista estão Woody Shaw (trompete), George Cables (órgão), Ron McClure (baixo), Lenny White (bateria) e Tony Waters (percussão).

A química entre Henderson e Shaw é de tirar o fôlego. É difícil acreditar que tudo está acontecendo de verdade, a poucos passos dos espectadores que tiveram o privilégio de assistiram a esse encontro. O negócio pega fogo logo no começo, com “Caribbean Fire Dance”, que coloca qualquer um para dançar. Em seguida vem a singela “Recorda-me”, que para muitos é a melhor composição de Henderson.

A tranqüilidade é deixada de lado em outros três temas, “A Shade Of Jade”, com destaque para o solo de Cables, e “Isotope”, na qual o improviso está em todos os lados, e “Mode For Joe”, de Cedar Walton. Destaque também para a versão de quase 10 minutos do clássico “Round Midnight”, na qual o sax reina sem a participação do trompete de Shaw, e “Blue Bossa”, de Kenny Dorham.

Para fechar, “If Your’re Not Parto of the Solution, You’re Part of the Problem”, provavelmente o maior nome de música da história. Mas o nome é o de menos, o que interessa é o tema em si, que traz uma linha de baixo matadora, a percussão de Waters em seu estado mais puro e, claro, Joe Henderson e Woody Shaw arrebentando. Infelizmente, ambos não estão mais entre nós, Shaw morreu em 1989 e Henderson em 2001, mas seus legados estão aí para serem descobertos e apreciados.


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