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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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WHO NEEDS LOVE


Para os mais tradicionais o acid jazz continua sendo um sacrilégio contra o jazz e todos os seus representantes do passado. Infelizmente, os puristas não conseguem perceber que o aparecimento do acid jazz é sadio e que a mistura entre os ritmos serve para abrir novos horizontes aos ouvintes.

Dito isso, para quem ainda tem dúvida sobre a autenticidade do acid jazz, vale a pena conhecer os discos do grupo Incognito, Who Needs Love . O Incognito foi criado no início dos anos 80 pelo guitarrista inglês Jean-Paul “Bluey” Maunick, cérebro e dono do grupo, com a idéia de reunir músicos que cresceram ouvindo jazz, r&b, soul e funk. A liberdade que impera nesses encontros, registrados nos oito discos lançados pelo grupo, é que torna o som da banda quase irresistível.

O ouvinte saberá do potencial do grupo ao ouvir a faixa-título do novo álbum, com o brasileiro Ed Motta no vocal, aliás, em um território que ele conhece muito bem. Com um baixo marcante e um ritmo contagiante, a música é uma viagem aos anos 70, quando Barry White e Isaac Hayes eram os reis do swing. O clima continua quente em “People At The Top” e ‘Where Loves Shines”. As duas canções são capitaneadas pela cantora Kelli Sae, que já trabalhou com o grupo austríaco Count Basic e tem uma voz que fica entre Lisa Stansfield e Chaka Khan.

Outros destaques do CD são as cantoras Joy Rose e Joy Malcolm. Rose e sua voz aguda são escaladas em “Morning Sun”, música mais dançante e moderna do disco, e na tranqüila “Did We Really Ever”. Já Malcolm está na linha de frente em “Stone Cold Heart”. Aqui, Maunick cria um clima meio bossa nova ao convidar Paul Weller - ex-Jam e Style Council - para comandar a guitarra e o órgão Fender.

Além de freqüentar as pistas de dança, o novo CD do Incognito também poderá ser ouvido nas salas de descanso das danceterias. Pelo menos é esse o clima que a música instrumental “Fly” cria ao colocar em destaque o trompete de Dominic Glover.

Para quem está disposto a deixar de lado os dogmas e tem como principal objetivo se divertir e apreciar boa música, o novo CD do Incognito não tem contra indicação. Mas para quem acredita que após a morte de Miles Davis, Chet Baker e Dizzy Gillespie nada que apareceu é interessante, é melhor ficar em casa ouvindo as velhas bolachas de vinil.


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