É sempre bom saber que o jazz ainda tem um longo caminho a percorrer e que aquela velha questão sobre o jazz estar morto é apenas comentário de quem não entende este ritmo tão rico. A cada ano novos artistas aparecem para confirmar a longevidade do jazz e trazer novas nuanças e desafios. Para exemplificar isto basta ouvir o guitarrista norueguês Jacob Young.
Sua jornada musical começou aos 12 anos de idade. Young estudou em Oslo e depois completou sua formação em Nova York, onde estudou com os guitarristas John Abercrombie e Jim Hall. Em seguida, ele voltou para a Noruega e gravou seu primeiro álbum, This Is You (94). Desde então, Young tem atraído a atenção da crítica musical com sua criatividade e técnica, mas ainda é desconhecido do grande público.
As coisas começaram a mudar em 2002, quando o guitarrista foi descoberto pelo selo ECM e lançou o álbum Evening Falls. Com distribuição nos principais mercados de música, a ECM colou nas lojas o quinto trabalho do guitarrista e o apresentou para os ouvintes de jazz. Neste CD, Young escalou um quarteto para acompanhá-lo, destaque para o trompetista Mathias Eick e o baixista Mats Eilertsen.
O clima que impera no disco é suave e ousado ao mesmo tempo. As notas tiradas da guitarra de Young caem na medida certa com o trompete de Eick, que brilha soberano em quase todo álbum. Em “Blue”, uma homenagem à cantora Joni Mitchell, Young dedilha seu violão enquanto Eick sola seu trompete. É um daqueles momentos de pura inspiração e interação. O mesmo acontece com “Formerly”, quando o violão dá espaço para a guitarra acompanhar o trompete.
É quase impossível ouvir Jacob Young e não lembrar de Pat Metheny. O timbre é muito parecido, apesar de Metheny preferir as guitarras sintetizadas. Claro que Young tem sua personalidade, mas quem escutar a música “Sky” poderá achar que Metheny está fazendo, no mínimo, uma participação especial. Outro destaque é o baixista Mats Eilertsen, que brilha na balada “Falling”.
O CD ainda tem espaço para o dueto entre o trompete de Eick e o sax tenor de Vidar Johansen, em “Presence Of Descant”, e para o ritmo quebrado da bateria de Jon Christensen, em “Looking For Jon”. Vale dizer que o CD foi lançado na Europa em 2002 e só foi editado nos Estados Unidos no fim de 2004. |