Tom Jobim foi e ainda é o mais conhecido músico brasileiro no exterior. Nos últimos 40 anos, sua obra foi reverência e gravada pelos maiores nomes do jazz do planeta como Sarah Vaughan, Miles Davis, Dizzy Gillespie, entre outros. Jobim foi o porta-voz da bossa nova ao lado de João Gilberto e dedicou sua vida ao que mais sabia fazer, música.
Em 1993, um ano antes da morte de Jobim, o público brasileiro teve a oportunidade de assistir ao último concerto de Jobim no País. Gravado em São Paulo, durante o Free Jazz Festival, várias feras do jazz como Herbie Hancock, Shirley Horn e Joe Henderson se juntaram para prestar uma homenagem ao amigo Antonio Carlos Jobim, que também participou do tributo. O resultado foi o disco “Antonio Carlos Jobim and Friends”. Capitaneado pelo violonista Oscar Castro-Neves e o pianista Herbie Hancock, a platéia ouviu clássicos da bossa nova como “Ela é Carioca”, “Chega de Saudade” e “Garota de Ipanema”. O disco abre com Hancock sozinho ao piano interpretando ‘Inútil Paisagem” e “Triste”. Logo depois, Hancock tem a companhia de Ron Carter (baixo), Harvey Mason (bateria) e Alex Acuña (percussão) em Ela é Carioca, de Jobim e Vinicius de Moraes. A pianista e cantora norte-americana Shirley Horn ataca com a versão feminina de “Garota de Ipanema” e a versão em inglês ( Once I Loved), de “Amor em Paz”. O jazz aparece pra valer em “O Grande Amor”, liderado pelo saxofonista tenor Joe Henderson, e em “Água de Beber”, com um arranjo sublime do pianista cubano Gonzalo Rubalcaba. Gal Costa e Jon Hendricks são responsáveis pelos momentos cantados do show. Gal interpreta, acompanhada apenas de Hancok, “A Felicida” e ainda, ao lado de todos músicos, incluindo o Castro-Neves e Paulo Jobim nos violões, ela recriar clássicos como “Se Todos Fossem Iguais A Você”, e “Caminhos Cruzados”, este com a participação de Jobim no piano. Hendricks é responsável por um dos melhores momentos do show quando canta “Chega de Saudade”, que nos EUA se chama “No More Blues”. Jobim tem seu momento intimista em “Luiza” e comanda as feras na música “Wave”, uma das canções mais belas escrita pelo maestro. Mais um show em tributo a Tom Jobim e a bossa nova não poderia terminar sem que todos entonassem o maior de todos os clássicos composto por Jobim e Vinicius de Morais, ‘Garota de Ipanema”. Gal Costa no vocal e Jobim no piano dão o tom e, logo depois, todos os músicos se integram em clima de total devoção e reverência. O disco não é histórico apenas por ser a última aparição de Jobim no Brasil, mas também pela homenagem a um dos maiores compositores do século XX e ao maior patrimônio da Música Popular Brasileira de todos os tempos, o inesquecível Tom Jobim. O show também está disponível de DVD. |