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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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HEROES


Nos dias de hoje, não é muito comum encontrar trios de jazz tocando por aí. Quando você acha algum, na sua maioria, é composto por piano, bateria e baixo ou piano, trompete - ou sax - e bateria. É claro que em todo grupo de jazz, seja ele trio ou não, sempre há esta ou aquela característica que o faz ser mais interessante para cada tipo de ouvinte. A diversidade musical apresentada dentro do jazz nos últimos tempos é a prova de que muita coisa ainda está por vir.

Apesar da importância dos novos temperos degustados no jazz, antigos ouvintes sentem falta de uma formação cada vez mais rara de encontrar, o trio formado por piano, guitarra e baixo. É difícil esquecer dos famosos trios de Nat King Cole e Oscar Peterson. Foi pensando nisto que o pianista norte-americano Roger Kellaway gravou o disco Heroes, um tributo a Cole e, em especial, a Peterson, que ao lado do baixista Ray Brown e do guitarrista Herb Ellis brilhou nos anos 50. Vale aqui uma menção justa ao guitarrista John Pizzarelli, que no início dos anos 90 gravou bons discos com esta formação.

Acompanhado de Bruce Forman (guitarra) e Dan Lutz (baixo), Kellaway leva o ouvinte a uma viagem cheia de curvas sinuosas e paisagens incríveis. Logo de saída, o trio ataca com “Killer Joe”, obra-prima do saxofonista Benny Golson, e em seguida “Cotton Tail”, clássico de Duke Ellington, com destaque para o solo de Forman, que é protagonista em “Nuages”, de Django Reinhardt.

Em um clima de happy hour, você vai relaxar ao som de clássicos como “Moten Swing”, “Midnight Sun” e “I Was Doing All Right”, esta última de Gershwin, “I’m Smiling Again”, única música composta por Kellaway, e a versão impecável da singela “Hymn To Freedom”, de Peterson. A viagem chega ao fim com a releitura de “Night Train” e a versão eletrizante de “52nd Street Theme”, de Thelonious Monk, sinalizando assim uma estrada sem limites e rumo predestinado.


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