A elegância de um álbum acústico e intimista muitas vezes consegue superar a gravação de um grupo com bateria, guitarra, sax e trompete. Somado a isto, imagine um disco gravado ao vivo em um pequeno clube de jazz com dois músicos exímios em plena sintonia e uma qualidade de gravação impecável. Provavelmente você dirá que tem pelo menos uma dezena de discos com estas características em sua discoteca. Pois bem, mas a pergunta chave vem agora: Por acaso você tem Night and The City, do pianista Kenny Barron e do baixista Charlie Haden?
Se a resposta for negativa, tudo bem, não é o fim do mundo, mas uma coleção de jazz nunca estará completa sem este disco. Em resumo, vá comprá-lo. Por que comprá-lo? Além de tudo que já foi dito no início deste texto, não é todo dia que uma apresentação desta magnitude, gravada na casa nova-iorquina Iridium, em setembro de 1996, acontece e, além disso, é lançada em CD.
Vamos aos fatos. Kenny Barron é um dois principais pianistas em atividade. Ele tocou com músicos como Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Stan Getz e tem em sua discografia álbuns como Scratch e Spirit Song. Charlie Haden dispensa apresentação. Ao lado de Ron Carter e Dave Holland, o veterano músico completa a tríplice aliança do jazz acústico. Além disso, o jovem Haden, na época com 23 anos, participou da gravação do álbum Free Jazz, do saxofonista Ornette Coleman, em 1960, considerado um dos mais importantes discos da história do jazz.
Para terminar, algumas informações sobre o álbum em questão. No repertório, clássicos como “Body and Soul”, “Spring Is Here” e “The Very Thought Of You”, tudo muito bem alinhado e com extrema delicadeza. Destaque também para “Twilight Song”, com um solo impecável de Barron, e “You Don’t Know What Love Is”, com Haden dedilhando seu talento e sensibilidade como poucos. Quer mais? Só ouvindo para entender o significado da expressão “lavar a alma”
|