Certa vez li uma frase do cantor Marcelo Nova que me marcou profundamente e ao mesmo tempo me proporcionou um grande alívio, já que penso exatamente como o ex-vocalista do grupo Camisa de Vênus. “A vida é boa, mas não é justa”. Está introdução vem a calhar quando lembramos da cantora norte-americana Irene Kral.
O raciocínio é simples. A vida tem coisas maravilhosas, como por exemplos uma cantora do porte de Irene Kral. Por outro lado, a vida é injusta, já que Irene é completamente desconhecida e porque não dizer injustiçada pelo consumidor de jazz.
Ela começou a cantar no meio da década de 50 em pequenas orquestras, entre elas a do trompetista Maynard Ferguson. Com uma voz suave e forte ao mesmo tempo, a cantora conquistou um pequeno público e o respeito da crítica. Suas principais gravações aconteceram no fim de sua curta carreira, em meados dos anos 70.
Entre os discos mais importantes está Kral Space, de1977. Aqui, ela é acompanhada de Emil Richards (vibrafone), Fred Atwood (baixo), Nick Ceroli (bateria) e Alan Broabent (piano). O CD traz Irene em seu principal habitat, as baladas. Entre elas, “Star Eyes”, “Some Time Ago” e “Once Upon Another Time”. O ouvinte também encontrará jazz swingado como “The Song Is You“, “Experiment” e “Wheelers and Dealers”.
Para terminar dois grandes momentos. O primeiro é a versão do clássico de Cole Porter, “Everytime We Say Goodbye” e em seguida a deliciosa “Small Day Tomorrow”, que para os ouvintes mais novos lembrará a canadense Diana Krall, ou seria melhor dizer que Diana Krall parece Irene Kral?
O anonimato de Irene Kral, que morreu em 1978, aos 46 anos, vítima de câncer, diminuiu um pouco em 1995, quando o ator e diretor Clint Eastwood colocou na trilha sonora do filme As Pontes de Madison duas músicas com Irene e o trio de Junior Mance. Saudações a Eastwood, que, mais uma vez, prestou um importante serviço ao jazz e a todos nós. |