Poucos artistas conseguem manter uma integridade artística de um disco para o outro, imagine então após cinco décadas na estrada. Esse é um bom prefácio para introduzir a cantora Abbey Lincoln, de 75 anos, e até hoje é comparada a Billie Holiday. Nos últimos anos, ela tem lançado discos pela gravadora Verve, mas mesmo assim continuou sendo uma cantora para poucos.
Felizmente a falta de notoriedade nunca ofuscou seu trabalho ou a levou a caminhos que pudessem ferir seu bem mais importante, a sinceridade. Para você entender melhor a importância da cantora, procure o CD It’s Me, décimo disco lançado por Abbey pela gravadora Verve, Aqui, ela deixa claro, mais uma vez, que seu compromisso é com a música e não com o quanto ela vai render.
Depois de alguns discos mais jazzísticos, Abbey voltou ao seu habitat preferido, as canções românticas. Para ajudá-la a criar um clima mais soberbo, ela recrutou os arranjadores Alan Broadbent e Laurent Cugny, que conseguiram com sucesso casar uma orquestra de cordas à voz delicada de Abbey. A personificação desta parceria está em canções como “Chateaux De Joux”, que apesar do nome é cantada em inglês, “The Search”, “Through The Years”, na qual a fusão entre cordas, piano e o baixo acústico não poderia ter sido mais feliz, e a clássica “Sky Lark”, que lembra as baladas cantadas por Chet Baker.
Além de interprete, Abbey também é compositora. Neste disco, o ouvinte vai perceber a diversidade da cantora na hora de compor. Isso fica claro em “Can You Dig It”, um jazz swingado, “Love is Made’, uma balada de cortar o coração, e em “They Call It Jazz”. Outro destaque do disco é a contribuição do experiente pianista Kenny Barron em canções como a irada “Runnin Wild”, “The Maestro”, composta por Cedor Watson, e “It’s Me, O’Lord, com Abbey levando um spirituals.
Este CD só confirma o que os ouvintes da cantora já sabem há várias décadas. Não importa como está a sua vida – boa ou ruim, com ou sem dinheiro - mas escutar um disco de Abbey Lincoln sempre valerá a pena. Comece agora mesmo. |