Apesar de quatro décadas de carreira, a norte-americana Carmen McRae, que morreu em 1994, é mais uma grande cantora esquecida pelo público brasileiro. Nascida em 1922, na cidade de Nova York, ela começou a carreira cantando em orquestras como a Benny Carter e Count Basie.
Outro fato marcante na carreira da cantora foi ter uma música sua, composta aos 16 anos de idade, gravada por Billie Holiday, a maior influência de McRae. A admiração por Billie teve seu momento mais forte em 1961, com o lançamento de Carmen McRae Sings Lover Man and other Billie Holiday Classic. Com as canções de Holiday nas mãos, aconteceu o que se esperava, um dos melhores discos da carreira de Carmen. Acompanhada por um trio - baixo, bateria e piano - , o disco abre com a suingada “Them There Eyes”, na qual a voz de Carmem lembra Ella Fitzgerald. No mesmo clima aparecem “What a Little Moonlight Can Do”, destaque para o piano de Norman Simmons, “I'm Gonna Lock My Heart” e Miss Brown to You”, capitaneado pelo trompete de Nat Adderley. Mas o grande momento acontece quando McRae começa a cantar as baladas. É aqui que o ouvinte vai “agradecer” o Guia de Jazz pela preciosa dica. Entre as canções estão “Some Other Spring”, “Yesterday” e as melancólicas “My Man” e “Lover Man”. Para completar, o disco traz duas das mais famosas canções do repertório de Billie, “Strange Fruit”, na qual é acompanhada apenas pela guitarra de Mundell Lowe, e a clássica “God Bless the Child”, com o sax de Eddie Davis. O disco já seria indispensável em qualquer discoteca apenas por ser um CD de Carmen McRae. Mas, além disso, ainda há um repertório impecável e a junta homenagem para a maior de todas as cantoras que o jazz apresentou, Billie Holiday. |