No encarte desse disco há um aviso um tanto estranho: 'Não seja enganado pelo o que o seus ouvidos estão escutando. Apenas um guitarrista está tocando. Não há efeitos especiais. É difícil entender isso na primeira audição, mas há duas guitarras independentes em todas as faixas.'
Essa introdução deixa bem claro sobre o que esse disco representa para o jazz e a guitarra. Stanley Jordan tocava nas ruas de Nova York quando foi descoberto. Sua técnica de tocar duas guitarras ao mesmo tempo, uma base e outra solo, deve-se muito aos anos que estudou piano. Todo esse talento pode ser conferido no primeiro disco do guitarrista, Magic Touch. O álbum foi produzido por Al DiMeola, outra fera da guitarra.
Jordan aparece com quatro composições próprias. Entre elas, a bela melodia de 'All The Children', a funk 'Fundance' e 'New Love', que lembra as composições de Pat Metheny no início dos anos 80, mas são nas versões que o guitarrista surpreende. O disco começa com uma versão arrasadora de 'Eleanor Rigby' dos Beatles. Depois passa pelo blues em 'Freddie Freeloader', originalmente composta por Miles Davis. Para fechar a área jazz, ele recria a obra-prima de Thelonious Monk, 'Round Midnight'.
Na música pop ou rock, o guitarrista não faz feio também. É claro que, em um disco de guitarrista, não poderia faltar uma música de Jimi Hendrix. A escolhida foi a balada 'Angel'. Para completar, o maior sucesso comercial de Jordan até hoje, 'The Lady in My Life', que faz parte do álbum Thriller de Michael Jackson.
Se você está cansado de ouvir sempre as mesmas coisas e da mesma maneira, experimente esse disco. Stanley Jordan é certeza de boa música. Não é por acaso que ele grava pela gravadora mais tradicional de jazz, a Blue Note.
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