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Emerson Marques Lopes
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MARSALIS STANDARD TIME - VOLUME 1


Muito já se falou sobre o trompetista Wynton Marsalis. Ele já foi acusado de ser responsável pela suposta falta de inventividade do jazz atual e de se apegar demais aos jazzistas do passado. Por outro lado, foi festejado como a salvação do ritmo e figura central no renascimento do jazz como música acessível a uma nova geração de ouvintes. 

Apesar de todo este tiroteio, Marsalis continuou fazendo o que mais gosta, tocar jazz. Ele nunca se importou com as críticas e sempre deixou claro suas convicções artísticas e pessoais. Sua serenidade e tranqüilidade são reflexo de sua base familiar. Nascido em Nova Orleans, o jovem Wynton teve no pai, o pianista Ellis Marsalis, o mentor ideal para lhe mostrar o que mestres como Miles, Gillepie, Parker, Monk e Ellington fizeram décadas antes de seu nascimento.  

Wynton foi descoberto pelo baterista Art Blakey, que logo percebeu o talento do jovem músico e o convidou a integrar os Jazz Messengers, no início da década de 80. Em seguida, excursionou com o quarteto de Herbie Hancock, que o acompanhou em seu primeiro disco solo. Desde então, o trompetista tornou-se figura emblemática de uma geração chamada de Young Lions, que nada mais é do que um grupo de jovens músicos de jazz com forte influência do bebop e do hard bop. O “novo” som foi rotulado como neo bop. 

Essa longa introdução nos traz até o disco Marsalis Standard Time. Este é o primeiro volume de uma série de seis discos dedicados aos grandes clássicos da música norte-americana. Neste CD, Marsalis tem a companhia do pianista Marcus Roberts, do baixista Robert Leslie Hurst III e do baterista Jeff “Tain” Watts. 

Logo de saída, o ouvinte é arrebatado por uma versão de 8 minutos da obra-prima “Caravan”, composta por Duke Ellington, e da clássica “April In Paris”. O virtuosismo de Marsalis é escancarado na ótima releitura de “Cherokee”. O ritmo diminui em “Goodbye” e “New Orleans”. O lado autoral do trompetista aparece em dois temas, “Soon All Will Know” e a balada “In The Afterglow”, dueto entre Marsalis e Roberts. O pianista ainda é protagonista na faixa solo “Memories Of You” e rouba a cena na sensual “Foggy Day”. 

Para fechar, dois temas que vão tirar o fôlego do ouvinte, ”The Song Is You”, de Jerome Kern, e a manjada, mas sempre arrebatadora, “Autumn Leaves”, com direito a solo de piano, baixo e trompete, tudo regado ao ritmo alucinante e imprescindível da bateria de Watts. 

Depois de ouvir este disco, você não ficará indiferente a Wynton Marsalis e deverá ter duas percepções distintas. A primeira é de se apaixonar pela técnica apurada do trompetista e torna-se um fervoroso aliado do músico em sua jornada por um jazz puro e limpo, mas sem abrir da criatividade e ousadia. Na segunda possibilidade, você vai ponderar sobre a real necessidade de existir mais um músico de jazz tocando temas já imortalizados por grandes mestres como Dexter Gordon Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Miles Davis e John Coltrane e questionar se não seria mais saudável um jovem jazzista criar algo novo e em sintonia com as novas gerações.



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