Pat Metheny apareceu nos anos 70 com uma maneira diferente de tocar. Seus fraseados e a habilidade de improvisar levou o guitarrista americano ao estrelato nos anos 80. Quase 30 anos depois, ele é uns dos músicos mais respeitados do mundo e participa dos maiores festivais de jazz do planeta. Metheny tem uma relação de amor com o Brasil. Além de já ter namorado a atriz Sônia Braga, ele tem na música brasileira sua maior influência. No disco "Offramp", de 81, Metheny convidou o percussionista brasileiro Naná Vasconcelos para se juntar com o Pat Metheny Group, formado pelo baixista Steve Rodby, pelo baterista Danny Gottlieb e pelo seu fiel escudeiro, o pianista Lyle Mays.
O disco traz pela primeira vez Metheny tocando algumas faixas com a guitarra sintetizada, o que futuramente seria a sua marca registrada. Logo na primeira música, "Barcarole", é possível ouvir o que a guitarra sintetizada é capaz. Em "Are You Going With Me", o destaque é para a marcação da bateria, com uma atmosfera bossa nova. O pianista Lyle Mays dá o tom suave em "Lait", que traz também Nana Vasconcelos abusando de seus apitos e instrumentos peculiares. Para quem gosta dos discos do final dos 80 de Metheny, a música "James", uma homenagem ao cantor James Taylor, é perfeita. Tem um arranjo relaxante e de fácil assimilação. Para fechar o disco, a faixa título vem com experimentações e influências de Ornette Coleman e seu free jazz.
Apesar de não ser o disco mais popular de Pat Metheny, Offramp é um dos álbuns mais inventivos do músico. Vale lembrar que foi lançado pela gravadora alemã ECM, que tem como principal característica editar discos e músicos de vanguarda. E é exatamente isto que Metheny faz aqui, um disco de guitarra de jazz com a ajuda da tecnologia e, acima de tudo, com o talento e a criatividade de Metheny e seu grupo.
|