Quem acompanha o jazz sabe que o gênero tem se mostrado com mais vitalidade a cada ano. Novos e antigos ouvintes são testemunhas de uma nova revolução musical dentro do jazz. Quem tem mais de 30 anos passou por isto na década de 70, com o aparecimento do fusion. No início dos anos 90 foi a vez do acid jazz mostrar suas garras. Agora, em pleno século XXI, é a vez do nu jazz, mistura entre música eletrônica e jazz.
Como acontece com as novidades, sempre há alguém que se diz pai da criança. Atualmente, há dezenas de grupos fazendo exame de DNA para garantir que é o provedor do nu jazz. Para o ouvinte, como sempre, fica a oportunidade de filtrar estes grupos e decidir quem vai tocar no seu aparelho de CD ou no iPod. Entre os expoentes deste novo jeito de tocar jazz está o Metropolitan Jazz Affair (MJA), grupo liderado pelo multiinstrumentista francês Bruno Hovart. Ao seu lado está o pianista Benjamin Devigne e o trompetista Stephane Ronget.
À primeira vista, o disco parece uma cópia do grupo britânico US3, que apareceu no início dos anos 90 na onda acid jazz. É inegável a semelhança sonora, mas o MJA vai mais longe. A inclusão de samples, característica principal do US3, é pouco usada pelo MJA. Apesar disto, é impossível não lembrar dos britânicos ao ouvir “Le Grand Saut”, com destaque para o saxofone de David Prez, e “Night In Tunisia”.
O clima fica mais dançante nas ótimas “Navarone”, com um trompete com surdina da pesada, e “Singe”, sem dúvida nenhuma a música mais contagiante do CD. É impossível ficar parado ao ouvir o casamento da linha de baixo, do trompete de Ronget e do piano de Devigne. Outra música poderosa é “Bleu Dune”, faixa mais jazzística do álbum. A mistura entre jazz e drum‘n’bass acontece em “Don’t Try This At Home” e “Chasing Places”, uma das duas músicas cantadas no CD Para quem ainda estranha o casamento entre jazz e música eletrônica, uma boa pedida é começar pela música “The Lost Syndicate”, uma levada meio funk que lembra bandas de acid jazz como Incognito e Count Basic.
Assim como aconteceu com o be bop, free jazz, fusion e acid jazz, o nu jazz também terá sem tempo de maturação e sua importância no desenvolvimento do jazz. Não sou fã desses rótulos, mas eles ajudam o ouvinte a diferenciar as distintas vertentes dentro de cada ritmo. Mas é preciso deixar bem claro que o mais importante é que todas as vertentes se relacionem entre si e que o ouvinte tenha a mente aberta para, pelo menos, experimentar as novidades que ainda estão por vi
|