O trompetista Lee Morgan foi um desses músicos de jazz que nunca chamou muita a atenção do público. Mas para quem quer conhecer toda a genialidade do jazz é preciso escutar Morgan. Depois de ter iniciado sua carreira profissional com 15 anos, tocando com Dizzie Gilespie e Art Blakey, nos anos 50, este garoto prodígio resolveu sair em carreira-solo. Um dos discos mais aplaudidos é "The Sidewinder", de 1963, lançado pela Blue Note.
Aqui, Morgan recrutou um quarteto de respeito para acompanha-lo: Billy Higgins (bateria), Barry Harris (Piano), Bob Cranshaw (baixo) e um novato no sax tenor, a legendário Joe Henderson. Com um time desses, o trompetista deixou fluir um hard bop de primeira.
Na faixa-título, a integração do sax de Henderson e o trompete de Morgan já valeriam cada centavo do disco, mas a música ainda traz todo o swing e habilidade de Higgins na bateria. Em "Totem Pole", mais uma vez, Henderson rouba cena em uma melodia que mistura o jazz e alguns elementos da música latina. Já em "Hocus Pocus", é a junção do piano de Harris com Morgan que prende o ouvinte com uma levada que lembra "Cantaloupe Island", de Herbie Hanconck.
Lee Morgan pode ser "responsabilizado" como um dos primeiros músicos de jazz a tocar o que hoje conhecemos como acid jazz. As notas de seu trompete e o ritmo do piano têm uma característica de vanguarda. Hoje em dia, apesar de não tocarem trompete, um dos seguidores do estilo de Morgan é o trio Medeski, Martin & Wood, que produzem seus discos com um toque de nostalgia e modernidade ao mesmo tempo.
Apesar de ter morrido prematuramente aos 33 anos (morto a tiros pela namorada), Morgan marcou seu nome entre os grandes do jazz. Só para situar o leitor, ele é considerado até hoje como o sucessor do também trompetista Clifford Brown. O CD só foi lançado no exterior, mas há coletâneas nacionais que servirão de aperitivo antes de encarar "Sidewinder".
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