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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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CITY NIGHTS: LIVE AT THE JAZZ STANDARD


Grandes músicos de jazz, assim como os roqueiros, tiveram sua vida abreviada por causa das drogas e da bebida. Entre elas estão nomes como Bud Powell, Billie Holiday e Charlie Parker. Todos dominavam a arte do jazz, mas não conseguiram controlar o vício. Essa também seria a história do saxofonista norte-americano Frank Morgan caso o final não tivesse um desfecho bem diferente.

 

Morgan teve como mentor o saxofonista Charlie Parker. Por causa de Parker, ele escolheu o sax alto para tocar. Mas a convivência com o gênio do sax lhe trouxe, além da musicalidade, o vício da heroína. Por cerca de 30 anos, a promissora carreira de Morgan foi interrompida por tratamentos contra a droga e longas temporadas em prisões. Mas o que parecia inevitável – um fim trágico e prematuro - se tornou um caso a ser copiado e aplaudido.

 

Para não deixar dúvida sobre a sobriedade e o talento do saxofonista, basta escutar o CD City Nights: Live at the Jazz Standard, gravado ao vivo em 2003, em Nova York, e lançado pela gravadora High Note. Com um repertório de primeira e um trio de apoio da pesada, entre eles o pianista George Cables e o baterista Billy Hart, Morgan consegue encantar sem fazer malabarismos no sax. Seu toque é conciso e completo. Basta ouvir as versões de “All Blues”, de Miles Davis, “Round Midnight”, composta por Thelonious Monk, e “Georgia On My Mind” para constatar isso.

 

Apesar de imperar os temas mais tranqüilos, Morgan, cria do movimento bebop, também abre espaço para o ritmo nas interpretações de “Impressions”, de John Coltrane, e “Cherokee”, uma das mais importantes músicas do repertório de Parker. Assim como a maioria dos músicos de jazz, ele também incorporou em seu repertório peças de grandes compositor dos EUA, como Gershwin, representado aqui pela famosa “Summertime”.

 

Como de costume quando o assunto é jazz, o CD não tem previsão de ser lançado no mercado brasileiro. Mas isso não será um empecilho para descobrir um músico que, aos 70 anos de idade, prova que nunca é tarde para recomeçar algo que ficou adormecido por tanto tempo.


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