Quando dois dos maiores saxofonistas de todos os tempos se encontram não poderia acontecer outra coisa a não ser mágica e momentos de pura genialidade. É isso que você vai encontra no disco "Two Of a Mind", com os saxofonistas Gerry Mulligan e Paul Desmond, ambos já falecidos.
Mulligan e Desmond têm uma sintonia perfeita neste disco, como o título do disco diz, os dois músicos se completam. Parece um único músico tocando. O entrosamento é total. Logo de saída dois clássicos, o primeiro de Jerome Kern, "All the Things You Are", e depois "Stardust", de Hoagy Carmichael. O improviso do sax barítono de Mulligan e o alto de Desmond é quase o nirvana. O ouvinte percebe que tudo flui de maneira espontânea. Não há limite ou amarras nas notas tocadas aqui.
Os saxofonistas preferiram neste disco, ambos já fizeram outras parcerias no decorrer da carreira, investir em músicas lentas. Não há momentos de fervor, mas sim frases que emocionam e hipnotizam o público. Ambos vêm da escola do cool jazz, que mobilizou o gênero na década de 40 e 50. Além das músicas citadas, o álbum traz ainda duas composições autorais , uma de Mulligan, "Blight of the Fumble Bee", e outra de Desmond "Two of a Mind". Na clássica "The Way You Look Tonight", composta por Kern e com letra de Dorothy Fields, eles demonstram que uma música imortalizada nas vozes de Frank Sinatra e Fred Astaire pode ser igual ou superior quando tocada por dois gênios do jazz.
É claro que há outros encontros memoráveis na história do jazz, mas poucos conseguem o que Mulligan e Desmond fizeram neste disco. O casamento do sax grave de Mulligan e do agudo de Desmond não poderia ter sido mais feliz. Fora isso, na retaguarda, músicos com muita tarimba como os baixistas John Beal e Wendell Marshall e os bateristas Mel Lewis e Connie Kay, que tocou no Modern Jazz Quartet. O disco não tem edição nacional. Que novidade.
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