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 Jazz
Emerson Marques Lopes
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INNER CIRCLE


A chamada nova geração do jazz conseguiu, em um pequeno espaço de tempo, se consolidar entre os consumidores que se preocupam com uma única coisa, a música. Não importa que este ou aquele músico esteja reescrevendo um grande clássico de jazz sem se preocupar com o arranjo original. Não interessa se, muitas vezes, tudo parece estranho e sem nexo no início, mas que no final tudo se encaixará da maneira como você previa e não acreditava que poderia acontecer.

 

Senão, vejamos. Nos últimos anos, o jazz vem passando por várias modificações e expandindo seu horizonte e seus ouvintes. É nesta estrada que músicos como o saxofonista Greg Osby tem trilhado em companhia do pianista Jason Moran e do vibrafonista Stefon Harris. Os três instrumentistas são o que o antigo dicionário de jazz chamaria de avant-garde ou free jazz. Mas isto não interessa muito, o que vale mesmo é a música. A melhor maneira para entender um pouco melhor o que parece ser complexo é ouvi-los em ação e de preferência juntos. Vale lembrar que todos os três têm suas carreiras e discos solos.

 

É isto que o disco, Inner Circle, lançado por Osby em 1999, proporciona. Ao lado do quinteto formado por Harris, Moran, Eric Harland (bateria) e Tarus Mateen (baixo), Osby mostra mais uma vez que é possível arriscar sem medo no universo musical do jazz. Logo na primeira música – “Entruption” - fica claro até onde eles podem ir. O dedilhado de Moran brilha no início e abre caminho para o sax alto de Osby bater um papo com o piano. O mesmo acontece em “Stride Long”. Para recuperar o fôlego do ouvinte, o quinteto embala “All Neon Like”, composta pela cantora Bjork, e “Diary Of The Same Dream”, na qual Harris começa a aparecer.

 

O vibrafone brilha de verdade na estonteante “Fragmatic Deconding”, que traz uma conversa franca e sem limite entre Harris e Osby. Outra composição que vai mexer com o ouvinte é “Equalatogram”, com solos marcantes de sax, vibrafone e piano. Esta é uma daquelas faixas que é melhor ver ao vivo para ter certeza que eles realmente estão tocando o que você está ouvindo. Neste tipo de composição que é possível entender porque o jazz nunca vai morrer. Para fechar, uma composição do mestre Charles Mingus, “Self-Portrait In Three Colors”, do famoso álbum Mingus Ah Um, de 1959.

 

Com este álbum, Osby, ao lado de Stefon Harris e Jason Moran, reafirma toda a vitalidade que o jazz e seus novos músicos têm a oferecer. Não esqueça que craques como Miles Davis, Ornette Coleman, Dizzy Gillespie, Charlie Parker e Dave Brubeck fizeram isto há cinco décadas. Já é hora de esquecer as picuinhas e preconceitos e abrir a cabeça para entender e apreciar esta nova maneira de tocar e pensar o jazz.


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