O pianista francês Michel Petrucciani conseguiu sair da Europa e mostrar sua técnica deste lado do Atlântico. Em quase 20 anos de carreira, ele deixou claro que sua deficiência física, Petrucciani tinha problemas de ossos e não cresceu, não seria um empecilho para se tornar um grande pianista. Entre suas maiores influências estão Keith Jarrett e Bill Evans.
Ele gravou vários discos ao vivo, alguns deles acompanhado de bateria e baixo, mas suas grandes apresentações aconteciam solo. Era aí que o ouvinte tinha a oportunidade de vê-lo por inteiro. Este é o caso do disco "Solo Live", gravado em Frankfurt, na Alemanha, em 1997.
Aqui, o pianista dá uma geral em seu repertório e ainda mostra versões de consagrados compositores. Nas composições autorais, Petrucciani abre com a delicada "Looking Up", com um arranjo à Jarrett. Já em "Chloee Meets Gershwin", a improvisação e criatividade do músico estão em todas as notas.
Nos momentos não autorais, é possível confrontar sua performance com as versões originais. Escute "Caravan" de Duke Ellington e perceba como ele consegue dilacerar as notas do grande maestro. Em "Besame Mucho", apesar de uma pequena modificação, as notas soltas e fortes de seu piano encantam. Para terminar, ele ataca com uma composição de Billy Strayhorn, grande parceiro de Ellington, em "Take The A Train".
Mesmo com sua morte prematura, em 1999, com 36 anos, Michel Petrucciani manterá seu legado no jazz como um dos mais notáveis pianistas do gênero. Como Jarrett e Evans, ele provou que não é preciso "quebrar" o piano para seduzir e encantar.
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