Algumas coisas no mundo da música são difíceis de explicar. Nunca sabemos qual música fará sucesso e qual artista será aceito pelo público. Mesmo tendo um número reduzido de ouvintes, isso também acontece no jazz. Um bom exemplo é o guitarrista norte-americano Mike Stern, que tem no seu currículo discos com o Steps Ahead, Michael Brecker, Jaco Pastorius e Miles Davis, mas continua esquecido pela maioria.
Stern, um misto de Pat Metheny e John Scofield, é reconhecido e admirado por centenas de músicos de jazz e por alunos de guitarra ao redor do globo. O que impressiona na carreira do guitarrista, que já lançou 11 discos solos, é que 90% das músicas gravadas são da autoria do próprio Stern. Isso deixa claro que ele não se preocupa em apenas vender CDs, mas colocar para fora toda a sua inquietação musical. Um bom começo para um ouvinte iniciante é escutar o CD “Give and Take”, de 1997, no qual o guitarrista é acompanhado por Jack DeJohnette (bateria), John Patitucci (baixo) e Michael Brecker (sax). Aqui, Stern mescla composições próprias e de músicos como John Coltrane, Sonny Rollins e Jimi Hendrix. O estilo Stern de tocar está claro em composições como “Hook Up” e “One Liners”. Sua afinação e delírio nos solos são inconfundíveis. O mesmo acontece em versões de grandes músicos de jazz. Escute “Giant Steps”, de Coltrane, e “Oleo”, de Rollins. O disco traz ainda outros dois grandes momentos. Em “That's What you Think”, com participação do saxofonista David Sanborn, e em “Who Knows”, de Hendriz, com Stern solando pra valer ao lado do percussionista Don Alias. A música de Stern não tem fronteiras ou preconceitos. Hoje, com quase 50 anos de idade, o guitarrista continua à procura de novos caminhos e, de quebra, conseguindo encantar e conquistar alguns ouvintes de jazz pelo mundo.
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