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Emerson Marques Lopes
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UPFRONT


David Sanborn é um saxofonista quase que "perdido" no mundo do jazz. Não é possível rotular o seu som. Ele não é um daqueles saxofonistas tradicionais de jazz como Joe Lovano ou Greg Osby, e muito menos um músico de smooth jazz, como Kenny G ou Kirk Whalum. 

Sanborn já ganhou seis vezes o Grammy. Começou com Paul Butterfield, passou por Gil Evans e Stevie Wonder até consolidar sua carreira solo nos anos 80. Uma boa maneira de entender o som de Sanborn é ouvindo o disco "Upfront", lançado em 1992.

Neste disco, o sax-alto de Sanborn comanda uma verdadeira orquestra. São mais de duas dezenas de músicos em nove faixas. O disco foi produzido pelo baixista Marcus Miller e traz no funk sua base para os arranjos de Sanborn. Logo na primeira música, "Snakes", o baixo de Miller dá o tom funk para os solos de Sanborn. O mesmo acontece com "Hey" e "Full House", que conta com a participação do guitarrista Eric Clapton. Vale aqui um registro especial sobre o organista Ricky Peterson. Ele é base de quase todas as músicas do disco, criando uma atmosfera que lembra os discos de Booker T. & The MGs.

Como em todo bom disco de sax, não faltam baladas para os apaixonados. Sanborn não decepciona com "Benny" e "Soul Serenade". Na faixa "Alcazar", o músico abre espaço para um som mais universal. O destaque fica com a percussão do brasileiro Naná Vasconcelos. Para não fugir de suas raízes jazzísticas, Sanborn escolheu uma composição do papa do free jazz, Ornette Coleman. "Ramblin" traz toda a genialidade de Coleman que, aqui, Sanborn tenta modernizar um pouco.

Para terminar, uma das canções mais populares do saxofonista, "Bang Bang". A pesar de ter sofrido críticas, esta música conseguiu levar Sanborn para as FMs. Com um clima meio caribenho, o músico cria um clima de festa latina com direto a backing vocais e muito swing. É quase irresistível ouvi-la e ficar parado.

Com esse disco, Sanborn afirma mais uma vez sua posição de destaque na música instrumental. Até hoje, ele é um dos músicos mais requisitados para gravações nos mais diversos gêneros musicais. Com sua maneira simples de tocar, Sanborn conquistou uma legião de fãs e o respeito da crítica especializada. O que, digamos, não é pouco depois de quase 40 anos de carreira.


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