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Diploma em Risco
No momento, a galinha dos ovos de ouro do Brasil é a educação. Mais de oito milhões de jovens concluirão o Ensino Médio só em 2002. Isto significa que a busca por um diploma de nível superior continua forte como sempre foi. Mas, no Brasil de hoje, este objeto tão valorizado e almejado corre o risco de perder seu valor.
Ignorando profissionais experientes, professores de universidades conceituadas e o Sindicato dos Jornalistas, a juíza-substituta Carla Rister suspendeu a lei referente à obrigatoriedade do diploma do curso de jornalismo. A referida juíza alega que o Brasil é o único país que exige diploma de curso superior para o registro profissional de jornalista. Critica também o fato de a regulamentação da profissão de jornalista ter decorrido de decreto expedido em momento de ditadura militar, esquecendo que a prática do jornalismo é muito mais antiga.
Resultado: uma sentença judicial que reduz a profissão ao nível do senso comum e do conhecimento vulgar, protegida pelo argumento de que "a profissão de jornalista não requer qualificações profissionais específicas", tal como ocorre nas profissões que podem colocar em risco a vida humana, mas tão somente uma sólida formação cultural e intelectual e que, ela conclui, não se obtém apenas freqüentando uma faculdade.
A decisão favorece as empresas que empregam com freqüência os não-diplomados e aumenta a oferta de mão-de-obra em uma categoria sem exigências ou fiscalizações que regulamentem e defendam esses trabalhadores. Conseqüentemente, os salários são reduzidos e as demissões poderão ser feitas sem que se tenha de dar satisfação a qualquer sindicato.
De fato, cursar quatro anos de Comunicação Social não forma necessariamente um jornalista, nem a assiduidade a uma lista de chamada de uma escola de nível superior assegura uma boa formação. Cumpre observar também que o talento literário e da redação não se adquire, desenvolve-se. Mas o risco de tal decisão está, injustamente, na abertura do jornalismo a qualquer interessado, derrubando assim quase um século de luta pela formação de um bom jornalismo com responsabilidade social e ética apurada.
Inegavelmente, o jornalismo é um campo capaz de acolher pessoas talentosas e autodidatas, desde que estas pessoas possuam condições propícias para uma prática bem fundamentada. O que não significa que este seja o melhor caminho para a formação de um profissional, não só em jornalismo, mas em qualquer área.
Não é, portanto, o diploma garantia de bom preparo e competência. Mas sentenciar que para o exercício do jornalismo basta uma formação cultural sólida resultante do hábito da leitura e da própria prática profissional é, no mínimo, uma atitude equivocada.
O jornalismo brasileiro conta hoje com diversos profissionais trabalhando nos maiores meios de comunicação de massa do mundo, além de dezenas de sindicatos de auxílio à categoria. A profissão não se reduz ao mero exercício da produção e publicação de artigos e textos. O jornalismo adquiriu um requinte técnico e uma importância tão grande para a sociedade brasileira que desafiam qualquer tipo de amadorismo.
Daniel Angelo de Souza Gois
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