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 Jornalismo
Daniel Angelo
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COLUNA DO EDITOR

Jornalismo: Profissão de Sonhos


Alguns anos antes de receber o diploma, tirar a carteira do sindicato e ser considerado oficialmente um profissional de comunicação, o estudante de jornalismo é acima de tudo um verdadeiro "expert" na arte de sonhar. Um mestre ou até doutor na prática de idealizar o futuro profissional.

O estudante sonha em ser redator de um grande jornal, colunista ou crítico de algum editorial, repórter ou âncora de alguma emissora de televisão, fotógrafo da "National Geographic". Com muita vontade e um pouco de sorte, sonha em ficar famoso, ganhar muito dinheiro, viajar o mundo inteiro, se tornar correspondente internacional ou, quem sabe, se tornar assessor de campanha política. Nem mais nem menos e, aqui entre nós, nada mal. Naturalmente, as diversas áreas disponíveis na profissão tornam os anseios dos acadêmicos tão abrangentes quanto a própria profissão.

Alguns estudantes de jornalismo chegam a "viajar" com seus pensamentos à órbitas mais distantes e destinados para poucos. Desejam ver suas obras literárias reconhecidas nacionalmente. Almejam ocupar uma das vagas na Academia Brasileira de Letras ou até em ganhar o prêmio Nobel de Literatura e ser um imortal aos olhos do mundo. São tão idealistas ao ponto de querer mudar o mundo com apenas papel e caneta. O que não é, convenhamos, nada fácil.

Entretanto, tudo isso é perfeitamente normal. Porque não sonhar? Ou melhor, criar metas à serem alcançadas. Refletir sobre o nosso futuro. Afinal, é para isso que buscamos conhecimentos numa universidade. E, através desse conhecimento adquirido, tudo se torna possível.

Comigo não acontece diferente. Sempre me pego pensando nos bastidores de um jornal. Na redação onde há tantas funções. Entretanto, no meu caso já há algo razoavelmente definido. Há uma queda pelo jornalismo esportivo. Pela crônica. Quero estar onde o futebol estiver. Quero ser mais que um jornalista. Quero ser como um Armando Nogueira, ou como um Nelson Rodrigues, ou como um Marcos Caetano. Apenas três grandes notáveis entre tantos do jornalismo esportivo do Brasil. Não estou aqui pedindo emprego, apenas compartilhando meus sonhos. Não custa nada sonhar.

Tenho consciência que estou longe de alcançar tanto status. Mas não tenho pressa e enquanto não chego lá, vou me aventurando em minha mais recente diversão: a internet. Ainda não fui reconhecido por qualquer usuário do Guia de Jornalismo SobreSites, mas propaganda é o que não falta. O que anda sobrando também são os e-mails de estudantes e jornalistas. Já fui chamado para listas de discussões. Recebi elogios, dicas de sites e até contribui com trabalhos de conclusão de curso. Vejo tudo como uma grande oportunidade. Uma vitória. Um trabalho sério, mas divertido.

O meu maior conselho para quem deseja crescer no jornalismo é nunca interromper o aprendizado. Procure ser um mestre e até doutor não só no exercício de sonhar, mais também na própria carreira de jornalista, até para que possamos fortalecer nossas faculdades de cada dia. Procure sempre anotar seus pensamentos. Escreva sempre, mais e mais, diversificando o tema, como poetiza Mario Persona: "Escreva como quem prepara um manjar dos deuses. E sirva acompanhado do néctar da paixão. Diversifique seus temas, pois não há dois leitores iguais. Nem mesmo um só leitor". Agora, acima de tudo, leia muito. Mas não procure saber apenas de quanto ficou São Paulo e Corinthians ou como está a seleção do Felipão. Do caderno de novelas então, passe longe.

Portanto, cabe a você estudante buscar munições para que não haja outra opção melhor do que você mesmo para aquele trabalho dos sonhos. Afinal, ninguém faz nada bem se não conhece bem o que quer fazer.


Daniel Angelo de Souza Gois


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