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Carlos Fernando é jornalista esportivo e atualmente trabalha como narrador e apresentador da Band e do BandSports.
Daniel - Como você começou sua carreira de jornalista? Carlos Fernando - Eu comecei na rádio Cultura de Santos em 1979 como radialista, minha profissão principal. Também sou formado em jornalismo pela Faculdade de Santos e em propaganda e Marketing pela ESPM.
Daniel - Foi necessário trabalhar em outras editorias ou você já começou com esportes? Carlos Fernando - Sempre com esportes. Exceto em 91 quando fui um dos primeiros âncoras do jornalismo da rádio CBN.
Daniel - Você se sente um jornalista privilegiado trabalhando com esportes, uma atividade tão presente na vida do brasileiro? Carlos Fernando - Sim, pois o esporte apesar de ser um meio de competição, alivia as dores do povo, principalmente o futebol. E revela que o brasileiro é extremamente talentoso em outras modalidades. Basta ver o que acontecerá nos Jogos de Atenas.
Daniel - Não sei se você já notou, mas parece que existe uma tendência dos apresentadores de jornais esportivos de darem maior destaque à suas opiniões sobre como se comporta a mídia referente ao campeonato ou ao clube ou a algum jogador. Quero dizer, os jornalistas colocam em segundo plano a informação em si e passam a discutir o que seus colegas de profissão acham ou deixam de achar sobre aquele fato. O que você acha desse comportamento? Carlos Fernando - Se você se refere aos comentaristas de rádio ou TV concordo. A isto chamamos de achismo, que faz parte da intuição do jornalista. Os narradores começam a dividir as funções com os comentaristas, como existe na TV americana. Lá são chamados de "commentators", o que poderíamos traduzir como comentadores ou narraristas.
Daniel - Nos últimos anos muito se discutiu sobre a obrigatoriedade ou não do diploma de jornalista para se exercer a profissão. Alguns profissionais são contra a obrigatoriedade alegando que aprenderam muito mais na prática do jornalismo, nas ruas apurando a notícia. E no seu caso, você acredita que aprendeu mais na faculdade ou na profissão mesmo? Carlos Fernando - Claro que na profissão. Sou auto-didata e não precisava da faculdade para saber o que sei. Já li toneladas de livros, e não foi na faculdade que tomei esse hábito. Concordo com o Paulo Henrique Amorim: devíamos fazer só seis meses de jornalismo. O resto completaríamos em cursos de especialização em outras áreas.
Daniel - Uma outra grande discussão entre os profissionais é em relação à publicidade de produtos patrocinadores durante os programas de debates esportivos, entre uma matéria jornalística e uma opinião de um jogador ou técnico de futebol. Existe um sério confronto neste campo, onde figuras como Milton Neves, Avallone e Flávio Prado são a favor do merchandising e Juka Kfouri, José Trajano e Jorge Kajuru são contra. Qual a sua opinião sobre esse assunto? Qual seria a solução para o impasse? Carlos Fernando - Proibir-se o testemunhal e inserir-se a figura do apresentador de merchandising que aparece nos programas vespertinos de fofoca. Na Argentina o narrador de futebol também não lê os textos comerciais, pois há um profissional especializado nisso.
Daniel - Que perfil precisa ter um profissional para se destacar em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e conseguir oportunidades em grandes empresas como a Folha de SP, Rádio Jovem ou Band? Carlos Fernando - Talento, muito talento. Como em qualquer profissão hoje em dia.
Daniel - O que é mais estimulante no jornalismo esportivo: ser narrador de rádio ou televisão? Carlos Fernando - Ambos. São dois desafios diferentes. O rádio hoje em dia está muito pobre de valores. E os companheiros das emissoras 100% seguem a fórmula que implantamos no início dos canais esportivos em 94, quando discutíamos que linguagem usar nos veículos por assinatura.
Daniel - É importante para o profissional de TV ganhar experiência primeiro trabalhando no rádio? Carlos Fernando - Ainda é, muito. As técnicas de improviso nas transmissões ao vivo são fundamentais.
Daniel - Quais dicas você daria para os estudantes que pretende trabalhar como o jornalismo esportivo? Carlos Fernando - Estou lançando o primeiro Manual dos Locutores Esportivos do Brasil. Mais dois meses e estará nas livrarias com muitas dicas interessantes. Também disponibilizo em meu site pessoal os cursos que ministrei no Senac. O endereço para quem estiver interessado é: www.webamigos.net/cacafernando. | | |
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