SobreSites > Literatura Juvenil > Entrevistas - Ana Maria Machado
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 Literatura Juvenil
Paulo Ferreira  "Paffomiloff"
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ENTREVISTA
Paffomiloff entrevista Ana Maria Machado

Ana e Andersen

 

Ana Maria Machado é uma das maiores escritoras do Brasil. Sua vida, desde a perseguição pela ditadura militar de 1964até a recente consagração na Academia Brasileira de Letras, não parece ter sido exatamente um passeio no parque.

Esse guia presta homenagem a essa simpática Acadêmica, que nos concedeu essa entrevista exclusiva.

 

Qual a diferença entre as literaturas para jovens e para adultos?

AMM - É uma boa pergunta e eu não sei a resposta. Para ser muito franca mesmo, eu não acho que exista realmente uma literatura para jovens, apesar de existirem muitos livros publicados especialmente para eles. Creio que eles são capazes de ir além e de ler muito mais, coisa de adulto. Mas considero ser muito dificil generalizar em termos de "um jovem medio". Os jovens sempre leram livros que não foram escritos especialmente para eles - de "Capitães de Areia" a "O Apanhador no Campo de Centeio". Talvez literatura para jovem seja apenas aquela de que ele se apropria e passa a considerar como sua.

 

A visão de pintora ajuda na elaboração dos textos?

AMM - Claro que ajuda. Tudo ajuda. Só que, pessoalmente, eu não sei explicar como. Já disseram que o que escrevo é muito visual, as cenas existem de modo muito nítido. Volta e meia me dizem que meus romances seriam perfeitos para filmar. Deve ser alguma coisa por aí.

 

O quão fundo a ditadura militar influenciou a sua obra e você? 

AMM - Influenciou muito a minha vida. Me fez conviver com o medo , com a frustração e com a raiva -- e não são sentimentos agradáveis. Me fez largar meu trabalho, ir para longe de meus pais e irmãos, sair de minha cultura e ir viver no exílio, como estrangeira, sem direitos, marginal. Cortou uma carreira onde eu começava de modo muito promissor. Afetou profundamente a vida do meu marido, dos meus pais, dos meus irmãos e sobrinhos, tudo com muita intensidade. Abalou meu casamento e o dos meus pais. Fez um filho meu nascer no estrangeiro, fez outro falar três línguas aos quatro anos de idade - e ficar meio tímido e fechado. Me fez trocar de profissão, parar de dar aulas,ser jornalista, me fez escrever para crianças. Me obrigou a ser independente. Enfim, me sacudiu por completo, até mesmo me dando algumas coisas boas. Tudo isso acabou influenciando minha obra.

 

Qual o sabor do chá da Academia? 

AMM - Hora do recreio. O chá é servido ao final de uma sessão de trabalho, para quem quiser ficar mais um pouco batendo um papinho. Não tem nada demais. Mas a primeira vez que o tomei, aos 19 anos, levada por Manuel Bandeira, me pareceu uma coisa do outro mundo. Nunca pensei que um dia estaria ali de pleno direito.

 

O que acha do atual momento da literatura juvenil?
AMM - Como já disse, não acredito muito em literatura juvenil, então fico sem saber o que dizer. Mas sempre há algumas coisas interessantes. Em termos mais amplos, infanto-juvenil, entre os novíssimos, eu destacaria a grata surpresa que tem sido o ilustrador Roger Mello como escritor e o primeiro livro de Adriana Falcão, "Mania de explicaçao". Há tambem varios nomes interessantes nos que não são tão novíssimos mas fazem parte do atual momento - como Rosa Amanda Strausz, Ana Claudia Ramos, Rogerio Barbosa, Luciana Sandroni, Leo Cunha, Luis Antonio Aguiar e muitos outros. Continua sendo uma literatura de muito vigor e diversidade.

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