| Paffomiloff interview Diana Wynne Jones |
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Normalmente as opiniões de críticos assemelham-se a linhas paralelas: nunca se encontram. Diana Wynne Jones é uma extraordinária exceção. Inteligente, imaginativa e original, cria lugares e personagens tão críveis quanto surpreendentes. Alguns leitores pediram-me para mandar para Diana um presente do Brasil, para demonstrar como ela é amada pelos leitores brasileiros. Não se preocupem: eu mandarei. Geração Editorial edita os livros de Diana Wynne Jones no Brasil. E o faz bem. Obrigado a Alberto Carmo pela tradução. |
Qual é a diferença entre literatura juvenil e adulta? |
A diferença não é muito grande. Em geral, a literatura juvenil é mais voltada à fantasia, visto que os jovens encontram mais sentido nesse gênero do que em qualquer outro. A fantasia é infinitamente versátil e capaz de expressar assuntos muito complexos na forma de uma história. É por isso que tantos adultos também apreciam a literatura juvenil. Mas a diferença é que os adultos não lêem com atenção. Acho que, quando escrevo para adultos, tenho de ficar fazendo-os lembrar dos fatos essenciais da história. Os jovens lêem com muito mais atenção, portanto só preciso contar-lhes as coisas uma vez. Talvez uma resposta sucinta seria que a literatura juvenil pode ser curta.
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| Como você explica a supremacia britânica na Literatura Juvenil? |
Isso é difícil de explicar, não é? Talvez isso tenha a ver com as atitudes tradicionais para com as crianças nos diversos países. A tradição britânica não tem muito a ver com o contato físico. Eu NÃO quero dizer que não abraçamos, nem beijamos nossas crianças. Nós fazemos isso. Mas não as mantemos ao nosso lado por tanto tempo como o fazem as pessoas na maioria dos países. E para que elas se sintam amadas, e tranqüilas na hora de dormir, contamos-lhes histórias ou lhes damos livros. Acho que essa longa tradição de histórias, especialmente para crianças, surgiu dessa forma. Qualquer supremacia deve-se ao fato de os britânicos terem cem anos a mais de prática no ramo.
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Howl's Moving Castle está para se tornar um longa-metragem dirigido pelo ganhador do Oscar, Hayao Myiazaki. O que você acha disso? Você está envolvida nessa produção?
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Fico muito feliz em saber que esse filme está sendo feito. Miyazaki-san é um gênio, e tenho admirado seu trabalho há muitos e muitos anos. Quando ele decidiu fazer um filme baseado em HOWL'S MOVING CASTLE, não pude acreditar em minha sorte. Em sei, é claro, isso implica mudanças na história, mas normalmente são necessárias ao se fazer qualquer filme. Aceito isso. Mas eu mesma não tenho nada a ver com a produção. Fui consultada inicialmente sobre o tipo de paisagens que seriam necessárias, mas Miyazaki-san decidiu que as paisagens inglesas não são adequadas à sua visão e decidiu, ao invés disso, utilizar paisagens da Alsácia, na França, que eu não conheço. Estou muito entusiasmada e mal posso esperar para ver o filme.
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A maioria dos autores estão sob o fogo dos religiosos fundamentalistas. Você está a salvo?
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Não totalmente. Nosso afinador de pianos é um religioso fundamentalista. Eu dei um dos meus livros aos seus filhos e ele me devolveu porque falam de feitiçaria, o que, segundo ele, toma o nome do Senhor em vão.
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Como é sua relação com os computadores? |
Incômoda. Meu computador tem suas próprias opiniões. Eu o utilizo apenas para redigir as fases finais de um livro - antes disso eu escrevo à mão em folhas de papel sem pauta. No rascunho final, eu examino e reescrevo quase todas as sentenças. E brigamos, meu computador e eu. Ele desaprova a estrutura das minhas sentenças e, quase sempre, tenta fazer meu livro parecer com um documento de escritório. Ele também não gosta de ser desativado e, normalmente, ativa-se de novo muitas vezes depois que eu termino de trabalhar com ele.
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| Para você, quais são os melhores autores juvenis? |
Eu gosto de todos que contem uma história que nos obrigue a virar as páginas. Mas também gosto de rir. Acho que Terry Pratchett é um autor juvenil tremendamente bom por esse motivo. Adorei seu último livro, THE WEE FREE MEN.
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