SobreSites > Literatura Juvenil > Entrevistas - Luiz Antônio Aguiar
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 Literatura Juvenil
Paulo Ferreira  "Paffomiloff"
Editor do seu Guia de Literatura Juvenil na Internet
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Web www.sobresites.com
ENTREVISTA 
Paffomiloff entrevista Luiz Antônio Aguiar

 

Luiz Antônio Aguiar é escritor, tradutor e presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, onde está batalhando para divulgar a literatura juvenil brasileira.

Como trabalha a AEI-LIJ?

A AEI-LIJ tem 4 anos de exitsência.

Em seus primeiros anos, lutou para expandir-se ao máximo poelos estados do Brasil, articular representações regionais, apresentar-se em feiras e eventos do mercado literário. Hoje em dia, estamos em fase de consolidação, pensando principalmente em efetivamente conquistar uma representatividade junto a escritores e ilustradores ligados à LIJ.

Para isto, um passo muito importante é nosso I Encontro Nacional, em São Paulo, dias 28,29,30 de novembro. Temos uma Lista de Debates/Yahoo, que já está alimentando as discussões de nosso Encontro, e nosso site, na docedeletra.com.br/aeilij.

Qual a diferença entre a literatura juvenil e a adulta?

Há uma prática diferente na maioria dos escritores de LIJ, que é dar grande importância à Literatura como um processo de comunicação literária , e à produção, como um diálogo, uma interlocução; ou seja, a literatura infantil e juvenil asuume, na maioria das vezes, seu papel de literatura articulada à cultura de massas, em produção no ambiente, valorizando a recepção, e se diferenciando assim da litertura adulta erudita (mas não da popular), que tem como referência o cânone literário (e não a recepção do leitor leigo).

Há, para mim, muito particularmente, um sentido também especial em ser escritor de LIJ, que é, de certo modo, termos o papel de pai, mãe, ou padrinho, madrinha, ou irmão mais velho, irmã mais velho, mas um sentido protetor em relação ao nosso leitor.

Não necessariamente uma proteção para evitar que ele se exponha á vida (e, consequentemente aos riscos de viver), mas talvez, muitas vezes, de evitar que ele perda a chance de viver. Somando estes dois diferenciais, acho que dá para fazer a distinção entre as duas literaturas, ressalvando que isto é um ponto de vista pessoal e que a LIJ está esteticamente ligada, é claro, ao Grande Domínio da Literatura -- nesse plano, estético, há poucas e sutis diferenças.

Fantasia, policial, ficção científica, casos verídicos... o que é melhor de se escrever e o que os leitores gostam mais de ler?

Há leitores que detestam ficção científica; há leitores que detestam ficção.

Há todo tipo de leitores, buscando livros que participem, seja como for, de suas vidas.

Quais os grandes temas desse milênio, na Literatura Juvenil?

Não sei. Talvez, a busca por compreender a especificidade de nosso tempo, coisa que ainda nem a literatura fez, nem a filosofia, nem ninguém. Machado compreendeu a especificidade de seu tempo, o começo da aceleração do tempo, a novidade da introdução e do contato com a novidade; seu mundo estava mudando, depois de um longo e modorrento ´segundo império.

As pessoas, é claro, mudavam também. Algumas ficavam para trás. Abandonadas pelo tempo. Está tudo em Esaú e Jacó e Memorial de Aires. Nós da LIJ, como a Literatura como um todo precisamos sintetizar nosso tempo e reoferecê-lo aos nosso semelhantes. Ou não. Nâo creio em Literatura com missões. Mas, talvez, para produzirmos uma literatura importante, seja isso o que devamos fazer.

Quando um autor escreve aos jovens, ele deve ser um professor ou um companheiro?

Acho que deve ser o que disse acima: pai, mãe, etc... Ás vezes, daquele pai perdido, que não tem respostas, que pode apenas viver ao lado do filho, colocar-se junto a ele.

Acho que a gente tem de ter um sentido de responsabilidade e de carinho, e amor (nem sempre paixão) pelo nosso leitor e leitora jovem ou criança. Aquela ânsia de lhe oferecer oportunidades de vida de que falei acima. Senão, não sai...

Quais os melhores livros e autores nacionais?

Difícil dizer, a não ser por livros específicos.

Os que mais me encantaram recentemente foram Dois irmãos, de Milton Hatoun e Budapeste, de Chico Buarque


Quais são a melhor e a pior coisa na tradução de um livro?

A melhor é ficar trabalhando, trabalhando no texto, buscando equivalências.

A tradução linear é impossível. Mas encontrar o termo com valor (significado etc.) o mais aproximado possível do termo estrangeiro é uma curtição. A pior é o preço pago por lauda, que corta esse barato.

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