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 Literatura Juvenil
Paulo Ferreira  "Paffomiloff"
Editor do seu Guia de Literatura Juvenil na Internet
Google
 
Web www.sobresites.com
ENTREVISTA 
Paffomiloff entrevista Peter Hunt

 

Peter Hunt não é apenas um professosr na Universidade de Cardiff, em Wales, mas um dos maiores especialistas em literatura juvenil em todo mundo.

Essa entrevista foi feita quando Peter estava viajando para Ozaka.


Abaixo, alguns de seus livros:

Literature for Children: Contemporary Criticism

Criticism Theory and Childrens Literature

An Introduction to Children's Literature

Understanding Children's Literature: Key Essays from the International Companion Encyclopedia of Children's Literature

Childrens Literature: An Anthology 1801-1902 (Blackwell Anthologies)

International Companion Encyclopedia of Children's Literature

Alternative Worlds in Fantasy Fiction (Contemporary Classics of Children's Literature)


Qual a diferença da literatura juvenil para a adulta?

Deveria ser (mas nem sempre é) que o escritor tenha em mente algum conceito de criança ou infância ao escrever o livro.

Isso significa que o leitor 'implícito' do livro é o que a cultura ou o que o escritor pensa do que é ser criança. Não acho uma boa idéia tentar definir a diferença em termos de conteúdo ou estilo, porque o fator controlador é (ou deveria ser, na minha visão) o que o escritor pensa da criança.

É claro que os editores normalmente concebem idéias bem simplistas sobre o que um livro infantil DEVIA ser, DEVIA conter - mas até isso é baseado, afinal de contas, no conceito de criança.

Como explica a supremacia britânica na literatura juvenil?

Principalmente devido ao papel do Inglês como linguagem internacional, parcialmente pela maior tradição britânica de impressão de livros que a da maioria dos outros países e também porque o florescimento do Império Britânico se deu no mesmo período do crescimento do uso dos livros.

Também pode ser pelo desenvolvimento do conceito de infância como condição diferenciada, que requer literatura diferenciada, ter sido desenvolvido na Grã-Bretanha mais cedo que em outros lugares.

Não creio que haja uma superioridade inerente no talento dos escritores britânicos.

Quando a Literatura Juvenil britânica abandonou o didaticismo?

Não abandonou nem pode fazê-lo - o didaticismo é construído nos livros infantis porque os adultos têm poder sobre as crianças e isso se reflete na maioria dos livros infantis.

Entrentanto, livros que obvia e deliberadamente partem para ensinar as crianças reduziram rapidamente em número de publicações a partir de aproximadamente 1860 e já se tornaram raras por volta dos anos 1930. (Isso está ligado com o declínio da religião).

Os fundamentalistas cristão estão em Guerra Santa contra Pullman e Rowlling?

Nos EUA, onde o princípio de 'religião certa' é forte, há grande reação a esses escritores - Guerra Santa é uma maneira forte de dizer! Com certeza, se há uma guerra, está sendo malograda!

No Reino Unido, há desaprovação de um grupo marginal. Apenas 2% da população britânica é freqüentadora de igrejas, a vasta maioria não acredita em coisas espirituais - Deus ou bruxaria, desta forma não conseguem ver a problemática.

Pamela Travers sofreu algum tipo de perseguição pelos fundamentalistas?

Não creio. Provavelmente ela sempre foi vista como uma excêntrica inofensiva (os fundamentalistas não parecem ter notado o quanto Travers desafiava com Mary Poppins!)

Qual a bibliografia básica da Literatura Juvenil?

Você quer dizer os mais importantes? É uma questão ampla! Provavelmente as dez primeiras - os mais conhecidos são:

Charles Kingsley - Meninos Aquáticos (editado no Brasil pela Ediouro)
Lewis Carroll - Alice no País das maravilhas
A.A.Milne - O ursinho Winnie (artigo de Márcio Caparica)
Arthur Ransome - Andorinhas e Amazonas
P.L.Travers - Mary Poppins
J.R.R.Tolkien - O Hobbit
C.S.Lewis - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas
Roald Dahl - A fantástica Fábrica de Chocolate
J.K.Rowling - qualquer livro de Harry Potter
As obras completas de Enyd Blyton

Se você quer dizer os melhores livros SOBRE literatura juvenil, depende de qual linguagem está falando! O Guia Comparativo de Literatura Juvenil de Emer O'Sulivan foi escrito em alemão, mas está sendo traduzido para o inglês. O mais abrangente livro em inglês é o Routledge International Companion Encyclopedia (1996), por mim editado - e Oxford Companion to Children's Literature editado por Humphrey Carpenter (1981) - e há outros muito bons livros especializados.

Se você quer saber quais eu penso serem os melhores livros, posso apenas dizer que os que gosto mais são:

Rudyard Kipling - Puck of Pook´s Hill
Russell Hoban and Quentin Blake - How Tom Beat Captain Najork and his Hired Sportsmen
Arthur Ransome - Swallows and Amazons
Louisa Alcott - Little Women
(Editora Best Seller tem títulos dessa autora)

Fantasia é a linha mestra?

Sim!

Quais são os principais temas da literatura juvenil atual?

Ainda é fantasia. O neo-realismo dos anos 1970 ainda está entre nós. O mercado editorial britânico está num período meio estagnado, com pouco ou nenhum material inovador.

Quem escolhe os livros, pais ou jovens?

Os pais começam escolhendo, mas depois, a partir dos dez anos, as crianças. Mas só depois que os livros forem publicados e postos nas livrarias e bibliotecas.

As crianças só podem escolher o que está exposto para escolha! Logo, a escolha real é feita pelas editoras, livreiros e bibliotecários.

A produção industrial como a de R.L.Stine é um fenômento tipicamente americano?

Isso acontece em todos os países - o mercado editorial tem a idéia de séries são um bom investimento. Stine é um tipo de exceção porque ele é uma pessoa só - a maioria das séries é escrita por um time de escritores.

Sobre Harry Potter:

  1. O que mudou na literatura juvenil após HP?
  2. A Semana da Bruxa influenciou J.K.Rowlling?
  3. Qual o futuro de Tanya Grotter?

 

  1. Suspeito que nada mudou depois de Harry Potter - muitos críticos dizem as coisas mais disparatadas sobre livros infantis, mas para os editores é apenas uma feliz anomalia.
  2. Influência - bem provável - mas todos os livros têm influências, conscientes ou inconscientes. HP está na tradição de histórias de escolas e histórias de bruxos, assim, há uma indubitável influência - mas nada no sentido de cópia direta.
  3. Não tenho idéia!

Philip Pullman não se considera um escritor de fantasia.

Não concordo com ele - obviamente ele fantasias - pode ser que fantasia não seja uma boa forma de descrevê-las - é muito genérico e pode induzir a erro. Especulação filosófica parece ser mais acurado.

 
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