"Para exercitar uma história cultural de Mato Grosso, falta aos historiadores regionais justamente o capital etnográfico disponível na Antropologia, que capacita a uma diferenciação do olhar, liberto dos "enquadramentos" anteriormente consagrados, com ênfase exclusiva nos aspectos econômicos e políticos do sistema colonial. " Maria Fátima Roberto Machado - Departamento de Antropologia - UFMT
Estudando a arte dos povos indígenas, podemos verificar como é preciosa, tanto do ponto de vista artístico quanto histórico, na medida em que relata ao mesmo tempo que interage sem nunca ter sido teórica. Os diversos grupos étnicos que povoam o país nos tornam um dos mais ricos povos em diversidade cultural. Nesta já tão afamada diversidade o Estado de Mato Grosso é o segundo com maior número de sociedades indígenas, em torno de 38, o que corresponde a uma população de 25.000 ( vinte e cinco mil) índios conforme últimas estatísticas. Além do genocídio que sofreram, estas sociedades apresentam os mais diversos estágios de aculturação e é inegável que o contato com a sociedade nacional desvia uma grande parte das suas práticas ou para obtenção de uma renda monetária ou mesmo por um desconhecimento progressivo que se instala pouco a pouco. Não bastasse, alguns objetos desta cultura que datam dos séculos XVII, quando preservados, nem mesmo se encontram no Brasil! Só a título de ilustração, podemos citar os holandeses liderados por Maurício de Nassau que levaram do Nordeste, entre 1637e 1644 peças que hoje pertencem ao Museu da Dinamarca! O Brazil visita o Brasil...tão distante. Armas, cestaria, plumárias entre outros objetos da arte indígena, em concepções surpreendentes, expressam uma sociologia de emoções como diria Guerreiro Ramos, que desaparece aos poucos enquanto encontramos desenhos de crianças indígenas, produzidos com materiais alheios à sua cultura ( papel e tintas), ou ainda peças que tentam, conscientemente ou não, mitificar o acervo desta cultura em reproduções sem alma que não mais expressam seu universo peculiar. Por outro lado, encontramos um sem número de artistas da nossa sociedade reproduzindo os signos da arte indígena sem lhes conhecer o significado, nem a linguagem nem a herança... Já se disse que,
" A diversidade é o sal da terra. Sem ela, não existiriam culturas, que são fruto da hibridação. O movimento dialógico da diferença, para ser fecundo, não pode ser a repetição do repertório do Outro. " Na verdade, não é possível avaliar a grande influência das variadas culturas indígenas na cultura brasileira através de uma lista de ítens, pois esta influência é muito mais ampla e profunda do que meros aspectos observáveis do comportamento do brasileiro no seu dia-a-dia mas, urge lembrar que é a arte de cada povo que lhe dá caráter diferente de outros povos. Cabe preservar a evolução natural de cada cultura garantindo assim a evolução do caráter de cada povo . Evoluir não é copiar. Evoluir é crescer para o melhor e mais belo e assim tornar-se indispensável. Arte indígena verdadeira é indispensável. Maria de Fátima Seehagen é facilitadora em Criatividade Aplicada, Coordenadora do de Fátima atelier http://www.defatima.com.br fatelier@zaz.com.br (65) 627 6627
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