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Maria de Fátima Seehagen
Editora do seu Guia de Técnicas de Pintura na Internet
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Web www.sobresites.com
ARTE NÃO CATALOGADA



Em épocas de globalização nos parece um tanto caricato o verdadeiro " marginalismo social " em que vivem as Artes Plásticas no Brasil.

A arte foi, através de um conceito restrito de contemporaneidade, transformada numa arte para ricos e intelectualizados, privilégio de poucos tanto por sua linguagem pouco acessível a maioria da população, como por seus valores vultuosos e ainda mais pelas definições usadas pelos críticos de arte que procuram, conscientemente ou não, usar uma terminologia com metáforas que transformam a compreensão da intenção do artista em verdadeiras charadas para o apreciador comum.

Com a inauguração da 1ª BIENAL DE SÃO PAULO, em Outubro de 1951, criada pelo Museu de Arte Moderna ( MAM), o Brasil iniciava esta transformação em sua própria arte copiando a mais antiga exposição do gênero, a Bienal de Veneza (1895).

Hoje, cinqüenta anos depois, o nosso público ainda enfrenta a mesma barreira do desconhecimento sobre o que representa a Arte Contemporânea.

Ao criar a Bienal, o industrial de origem italiana, Francisco Matarazzo Sobrinho, conhecido por "Ciccilo", pretendia confrontar a arte brasileira com a de outros países. Para a elite cultural paulistana, o clima que antecedeu a Bienal era de êxtase e só mesmo São Paulo, que já representava o ponto alta da economia brasileira pôde concretizar estes planos culturais tão distantes da nossa realidade...

Na verdade tudo nascia do conhecimento que apenas realizações na área política e cultural projetam o nome de uma família para além do meio empresarial. Era o que queria André Matarazzo, pai de Ciccilo. Qualquer semelhança com os nossos dias seria mera coincidência!

De lá para cá, verdade seja dita, a Bienal continua propiciando aos brasileiros encontros praticamente impossíveis porém, o sentido moderno da arte, excepcionalmente representando o ato significativo da criação, transformando o artista em um gênio criativo com uma função distinta do artesão, ou seja, do trabalhador manual hábil, não encontra eco em nosso povo ingênuo, essencialmente fazedor de sua arte. 

O rigor crescente de críticos " globalizados" leva a arte nacional a cortes imperdoáveis que desenham uma dinâmica contraditória entre aquilo que realmente produzimos e aquilo que queremos parecer produzir.


- Será possível sair desse círculo fechado em que as obras de valor acabam desaparecendo em paredes cegas? 
- Será possível respeitar a Arte, instituição que "existe para ser percebida", independente da sua contemporaneidade ou leitura? 

Naturalmente, entendo também como João Frayze-Pereira , professor do Instituto de Psicologia da USP e autor, entre outros, de Olho d'Água. Arte e Loucura em Exposição (Escuta-FAPESP), que a Arte de hoje tornou-se diferente uma vez que a angústia a perfura, subvertendo sua função, mas, compreender a arte moderna através de uma visão estereotipada que apenas pode ser lida com a ajuda de palavras de um outro , é ignorar a criatividade e a percepção do povo brasileiro, desarmado e sempre disposto a conferir novidades.

Óleos, aquarelas e nankins, cerâmicas populares, plumárias da arte indígena, verdadeiros códigos de uma linguagem não verbal, povoam a arte nacional transmitindo por todo o Brasil, ao público em geral, a real dimensão das contribuições mais vitais da arte brasileira num mapa para uma paisagem ainda em mudança :


- Contra a arte das Bienais? 
- Não! Quem poderia? Mas abertamente a favor de toda manifestação artística verdadeiramente nacional .

" A democracia traduz as formas mais belas da convivência humana, da qual a arte é uma superior expressão. Ambas exigem, para florescer, o mesmo clima de liberdade. E, para serem autênticas, não se podem desvincular de sua raiz comum, a vida do povo ". (João Goulart - discurso de abertura da VI BIENAL DE SÃO PAULO - 1961)



Maria de Fátima Seehagen é facilitadora em
Criatividade Aplicada,
Coordenadora do de Fátima atelier
http://www.defatima.com.br 
e-mail: fatelier@terra.com.br
fone: 65 3627 6627



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