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Ana Lúcia Vasconcelos é atriz, jornalista, escritora e tradutora, licenciada em Ciências Políticas e Sociais pela PUC de Campinas, Mestre em Filosofia da Educação, pela Unicamp, e está preparando um livro sobre Hilda Hilst.
A primeira pessoa que entrou na conversa sobre a homenagem que eu tencionava fazer sobre Hilda Hilst aqui no Guia de Poesia, foi exatamente Ana Lúcia Vasconcelos. Ela é atriz, jornalista, escritora e tradutora, licenciada em Ciências Políticas e Sociais, pela PUC de Campinas e mestre em Filosofia da Educação, pela Unicamp. Como jornalista, ela atuou nos mais importantes jornais, revistas e televisões do país. Atualmente trabalha em vários projetos: produção de livro sobre “As Aparições da Virgem Maria ao longo da história da cristandade”; produção de livro sobre “As Últimas Revelações de Jesus para os modernos profetas: Madalena Aumont, Vassula Ryden e Je Ne Sui Rien”; elaboração de livro de perfis e entrevistas com poetas, dramaturgos, diretores de teatro, escritores, cientistas, músicos, compositores, artistas plásticos, atores, que fez ao longo da carreira; pré-roteiro de uma História do Teatro Brasileiro com trechos de peças- para livro, CD e Vídeo.
Também edita o blog Sal da Terra Luz do Mundo http://saldaterra_luzdomundo.blogger.com.br na rede.
Sobre a Hilda Hislt, ela publicou uma matéria “Canto da amiga”, depois da sua morte-entrada para a vida.
Com vocês, Ana Lucia Vasconcelos.
GP - Ana, você é jornalista, atriz, escritora e tradutora, mas gostaria de começar pela pergunta de praxe: como se deu o seu primeiro encontro com a arte?
Ana Lúcia Vasconcelos - Olha Luiz Alberto, quero esclarecer para começar que não me considero uma tradutora de jeito nenhum - traduzi apenas um livro, do francês - Eu Vejo a Virgem, sobre as aparições da Virgem em Medjugorje ex Iugoslávia (hoje Bósnia Herzegovina) e só.
Acredito que ser tradutor é bem mais que isso. Bem posto isso, vamos à resposta: meu primeiro encontro com a arte posso dizer que se deu na infância - meu pai que era um comerciante bem sucedido de arroz e cereais, que tinha ascendência portuguesa - Teixeira Vasconcelos, mas adorava musica erudita e especialmente ópera italiana. Daí que cresci - eu e meus sete irmãos, já que éramos oito, ouvindo musica clássica. Eu não me lembro quando comecei a gostar, acho que já nasci gostando. E fora isso lia muito e também gostava de artes plásticas: fiz pintura em porcelana na adolescência e pintura em tecidos e ainda: estudei três anos de piano. Era apaixonada por piano, ainda sou, mas depois entrei por outros caminhos e não continuei. Isso sem falar que quando fiz ginásio tínhamos latim e depois no colegial - eu fiz clássico que naquele tempo era dividido - cientifico e clássico e tínhamos um curriculum enorme, que incluía vários idiomas: português, latim, espanhol, inglês, francês e grego, sendo que dessas três ultimas a gente escolhia duas. Minha irmã, por exemplo, que não gostava de francês que eu adoro, fez grego que hoje eu lamento não ter feito, porque ele é fundamental para o estudo da filosofia. Fora isso fiz francês na Aliança, inglês na Cultura, alemão no Goethe - tres anos, certo? Enfim arranho vários idiomas. Italiano nunca estudei, mas entendo um pouco, e leio também por causa do latim - aliás o latim é fundamental para se aprender as neo- latinas - o que não quer dizer que eu domine, pelo amor de Deus. Dá para a gente se virar.
Na juventude comecei a freqüentar cinema e já gostava de filmes de arte - a nouvellevague era a onda, e eu via todos os filmes dos grandes cineastas: Truffaut, Godard, etc. E também amava o cinema italiano: Fellini, Rosselini ,os russos, enfim, sempre vi filmes escolhidos - só os bons, os que hoje são os cults. E aos 19 anos comecei a fazer teatro em Campinas, e também lecionei história do teatro universal e brasileiro. E isso acontece ainda hoje - se quiserem saber de mim podem me encontrar em vernissages, cinemas de arte, em bons espetáculos de teatro e em bons eventos de musica erudita. Tenho amigos artistas plásticos aqui em Campinas e quando morava em São Paulo o MASP era um dos meus pointsprediletos. E lógico ia a cinema, teatro, galerias de arte, museus, eventos em geral e cobri mesmo no jornalismo a área de arte e cultura. Interessante que noto que são poucos os jornalistas, mesmo os que são da área que cobrem exposições: eu cubro.
GP - Vamos, então, começar pelo Teatro. Você é atriz, como se deu a experiência com o Teatro?
Ana - Eu estava fazendo o curso de Ciências Políticas e Sociais na PUC/Campinas, num prédio que atualmente é chamado de PUCC central porque há já algum tempo o Campus I e o II que ficam em bairro mais afastado da cidade, aliás, para dizer a verdade ficam próximos da Unicamp. Mas naqueles tempos - década de 60, só havia este prédio que inclusive é tombado pelo Patrimônio Histórico do Município porque foi a residência do barão de Barão de Itapura que fica justamente na esquina da Rua Marechal Deodoro com uma avenida bem central e famosa Francisco Glicério. Meu curso era à noite e por isso tínhamos aulas aos sábados a tarde e eis que, numa certa tarde eu fui buscar minha irmã que estava ensaiando com um grupo de teatro - o TEC -Teatro do Estudante de Campinas num prédio a duas quadras da PUCC - que era justamente a sede da Associação Campineira de Imprensa. A diretora do grupo - a Tereza Aguiar que é advogada também escrevia num dos jornais da cidade - o Diário do Povo - tinha uma coluna de teatro - e daí que conseguiu o sótão da referida associação para ser a sede do grupo. E então eu entrei, subi umas escadinhas e me vi diante de uma cena que até hoje está na minha memória - uma menina muito bonita, com um rosto quadrado e com umas covinhas no queijo e pensei: “mas que rosto moderno ela tem”, rodeada por dois rapazes. Eu cumprimentei o pessoal, minha irmã fez as apresentações e eu sentei num banco e fiquei observando a coisa toda. A menina bonita a que me referi era a Regina Duarte e um dos rapazes era um que queria namorá-la ou já namorava não sei. Mas naquele momento preciso eu fui, digamos, picada pelo vírus do teatro. E segundo conta a diretora eu fiz uma cara assim de esnobe como estava de branco, sempre usei muito branco, ainda uso, ela disse que eu olhei o banco com certa cara de quem duvida da limpeza do próprio, enfim minha fama era essa, mas eu juro que não eu era.
Bem, mas voltando a cena lá no sótão da Associação Campineira de Imprensa presenciando a cena e consegui depreender que a Regina estava saindo para uma aula de declamação e estava se despedindo. Lembro-me que ficamos ainda um tempo ali e em seguida todos saímos, mas na seqüência eu comecei a freqüentar os ensaios. Pronto, a coisa estava feita, não tinha volta. Comecei a freqüentar os ensaios com minha irmã e num certo dia, ou numa certa noite, uma das atrizes resolveu que não ia mais, enfim bateu em retirada e a Tereza me olhou e disse: “Ana é você mesmo, vem aqui fazer o papel da Joan”. Eu fui e fiquei - a peça era O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley e minha irmã fazia o papel central-a Kay, a irmã mais velha da família e a Regina fazia a caçula. Eu fazia a mulher de um dos irmãos delas.
Enfim, foi assim, e era maravilhoso conviver com aquela turma - vivíamos juntos mesmo. Depois do ensaio íamos para uns bares campineiros comer alguma coisa, beber pouquíssimo, falar de teatro, cantávamos, dançávamos. Na época havia um restaurante dirigido por um casal de franceses - o Armorial com musica ao vivo - um piano, e uma pequena pista de dança. Íamos muito lá, era uma delicia - nada a ver com os bares ruidosos da atualidade. Era um típico restaurante francês inclusive com um bar com aquelas mesas redondinhas e quem não ia comer só beber e conversar ficava ali. Bons tempos aqueles, pena que não voltam mais.
Bem, na seqüência eu fiz outras peças com o grupo - A Via Sacra de Henri Gheon, depois fiz uma peça infantil de uma jornalista e musicista campineira que até hoje é minha amiga e que tem, já tinha na época, um Conservatório de Musica, há muito tempo também tem um curso técnico de teatro - Léa Ziggiatti: Rapunzel, uma peça de Adamov: Somos como Éramos, e um quadro de Terrores e Misérias do Terceiro Reich de Bertold Brecht: O Delator. Em 1966 terminei o curso de Ciências Sociais e começamos a ensaiar uma tragédia grega - Electra, de Sófocles, e juntamente com a Tereza Aguiar, José de Oliveira, Sérgio Paulo Teixeira Pombo, Vicente Conti, (mais tarde entrou minha irmã Maria Luiza Teixeira Vasconcelos) fundei o Grupo Rotunda que foi o primeiro grupo semiprofissional de teatro de Campinas. Ensaiamos durante todo o ano de 1977 e estreamos a peça, em que eu fazia o papel titulo, em 1968. E aqui entra o jornalismo porque na verdade tenho que esclarecer que essas duas carreiras estiveram sempre entrelaçadas na minha vida. Aliás, escrevi uma matéria justamente intitulada Entre o teatro e o jornalismo que está nos meus blogs onde me apresento. Comecei a publicar no Diário do Povo de Campinas uma série de artigos sobre Tragédia Grega, além de releases sobre as peças que o grupo montava. Ou seja, desde o começo eu fiquei entre o teatro e o jornalismo, porque como eu, além da Tereza Aguiar, era a que mais gostava de escrever do grupo, era designada para fazer releases, até comecei a escrever uma coluna sobre teatro. Enfim eu e outros do grupo fazíamos já assessoria de imprensa sem saber que era assim que se chamava.
GP - Você teve também uma atuação marcante no jornalismo, conta para a gente dessa experiência.
Ana - Posso dizer que fiz um certo sucesso no jornalismo em São Paulo. Eu acho que também em função deste curso de Ciências Sociais que tem digamos um largo espectro, quer dizer nós tínhamos matérias como sociologia, lógico, mas economia, economia política, política internacional, psicologia social, sem contar história geral e do Brasil, geografia, antropologia. Ou seja, acredito que por causa dessa minha formação e também pelo meu interesse desde muito jovem por diversas artes: teatro, cinema, musica popular brasileira que na época - naquela, aliás, época áurea da década de 60 onde se começava a ter a bossa nova com aquela turma maravilhosa Tom, Vinicius, João Gilberto, Nara, e todos os outros. E havia ainda a nouvelle vague francesa, e o cinema novo brasileiro e todos aqueles cineastas franceses, italianos - Fellini, Rossellini, e os russos, enfim havia toda uma efervescência cultural também aqui no Brasil e isso tudo acredito que tenha sido fundamental na minha formação e posterior carreira.
Comecei escrevendo aí por 1963 e minha primeira matéria foi sobre a Aldeia de Arcozelo, fundada pelo já falecido ex-embaixador e amante do teatro e das artes em geral, Paschoal Carlos Magno que está na história do teatro brasileiro por vários motivos, inclusive por ter criado os famosos Teatros de Estudantes no Brasil inteiro. Por causa do teatro eu com 19 anos lecionei história do teatro universal e brasileiro no curso colegial de dois colégios: um em Jundiaí e outro em Campinas em que, aliás, eu estudara - o Culto a Ciência. Na verdade nunca fui chegada a aulas, mas novamente aqui o destino decidiu as coisas - a Tereza Aguiar, esta diretora a que me referi lecionava neste colégio em Jundiaí, alémde exercer sua profissão e fazer teatro, mas de repente ficou super ocupada e resolveu me indicar. Eu fui, ganhava uma coisa irrisória, mas estudava a beça para dar as aulas o que foi ótimo. Aí então aos 19 eu comecei a ler Brecht, Ionesco, Beckett, Strindberg, Tchecov, enfim os mestres do teatro universal e mais os autores brasileiros a começar lá dos começos até hoje. Enfim, o que quero dizer é que sempre li e estudei muito: ficção, teatro, filosofia, economia, política, etc. porque afinal a gente tem que saber tudo isso para escrever sobre cultura porque tudo isso é cultura.
Na Editora Abril, a Revista Escola que ajudei a formatar (ou seja mais uma vez estava participando da criação de um novo veículo). Aliás diga-se fiz isso outras vezes e adoro criar coisas novas. Na seqüência trabalhei como free lance em Mestres da Musica Universal, Suplemento Cultura de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Leia Livros, DO Leitura, Revista Senhor, Fatos e Fotos, Revista Círculo do Livro, Gazeta Mercantil , Jornal da Tarde, Ultima Hora, Isto É, Ele e Ela, Manchete, Etiqueta Moda Profissional, Revista Artes, Revista Visão , inclusive uma matéria de capa- A Família Está na Moda que foi reproduzida pela Seleções do Reader’s Digest e publicada em l9 países da Europa e Estados Unidos. Foi a minha primeira matéria publicada no exterior, espero que tenha sido a primeira de uma série. Eu fazia, portanto matérias de capa como free lance o que não é muito comum. Editores só fazem isso quando tem muita confiança na pessoa em questão.
Atuei ainda na TV em São Paulo como jornalista e atriz. Como atriz, fiz dois programas na nascente TV Cultura: Ator na Arena, dirigido pelo grande Ziembinski e um teleteatro: Natal na Praça, de Henry Gheon. Como jornalista fui assistente de produção e apresentadora do programa Semanário das Artes, que depois se chamou Em Cartaz e é o atual Metrópolis da mesma emissora. Na Rede Globo fui pesquisadora de arte da novela Os Gigantes de Lauro César Muniz.
Voltei para Campinas em 1978 e continuei trabalhando em São Paulo, até que em 1980/1981 fui trabalhar em Campinas como Editora de Lazer de um jornal recém lançado, chamado Jornal de Hoje, atualmente extinto, cujo diretor era um daqueles “cobras” citados acima, José Hamilton Ribeiro, com quem, aliás, eu encontrava às vezes nos elevadores da Abril : eu começando a carreira, e ele já o grande Zé Hamilton, um dos fundadores da maravilhosa Realidade, que fez aquela famosa matéria no Vietnã onde perdeu uma perna numa mina. E para não dizer que abandonei totalmente o teatro, em 1990 participei da peça Courage, baseada na Mãe Coragem de Brecht, um work in progress, dirigido pelo Mauricio Paroni, do Piccollo Teatro de Millano no 1o. Festival Internacional de Teatro realizado em Campinas, e produzido pelo ator e produtor cultural Marcos Kaloi e Rafael Vasconcellos, meu irmão, que à época era Diretor dos Teatros de Campinas, e mais uma equipe maravilhosa de atores da Unicamp. Pena que tudo que é bom dura pouco, especialmente em Campinas, e o Festival parou por aí por falta de verba.
GP. - Você acabou de concluir um livro sobre a Hilda Hilst. Fala um pouco a respeito desta obra.
Ana - Por incrível que pareça não fui quem teve a idéia do livro, meu terapeuta foi quem sugeriu, já que ele é uma pessoa muito culta, lê muito e também muito sensitivo. Ele me disse: “Ana você tem que escrever um livro sobre a Hilda. Campinas deve isso a ela”. Eu levei um choque porque mesmo tendo sido amiga dela, convivi com a Hilda no auge da sua vida, carreira e a tendo entrevistado várias vezes ao longo deste tempo, sentia que a responsabilidade era muito grande. E digamos se não fosse esse empurrão, eu acho que não teria ousado. De qualquer modo, quando aceitei a sugestão, comecei a escrever este livro não do nada, mas de trinta páginas que eu já tinha e que era um longo perfil que eu ia atualizando. Aliás, este perfil que afinal virou um ensaio está publicado no Cronopios - Literatura e Arte no Plural que pode ser lido neste link: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=1569. Veja que interessante - de todos os perfis que escrevi este era o único que eu atualizava com o passar do tempo. Veja aí a mão de Deus nisso tudo. Porque eu a conheci em 1967, 1968 quando fazia teatro e jornalismo. O Grupo Rotunda ia montar uma peça dela: As Aves daNoite mas por alguns motivos o projeto não deu certo. E na seqüência fui para São Paulo, entrei na Abril, e paralelo fazia teatro, só que a determinada altura me desliguei do Rotunda e fiz teatro em outras companhias. Mas continuei a freqüentar a Casa do Sol pelas afinidades com a Hilda e com sua obra que acho deslumbrante, lia tudo que ela escrevia às vezes em primeira mão.
No livro estou contando a minha vivencia com ela na Casa do Sol, e com os amigos que freqüentavam, enfim começo na primeira pessoa e vou falando desde que a conheci até sua morte e na seqüência conduzo o leitor para dentro da Casa e para dentro da obra da Hilda, citando muitos críticos, os antigos e os atuais, e também a citando bastante não apenas em entrevistas concedidas a mim, mas para outros jornalistas ao longo desses 40 anos. Aliás, esta história de conduzir o leitor para dentro da casa do Sol e da sua obra foi copiada de uma matéria minha mesmo - um perfil que fiz dela para o DO Leitura - o Suplemento de Cultura do Diário Oficial que foi uma certa época dirigido por um editor amigo com quem eu trabalhara na Revista Escola e que gostava - gosta porque ele está aqui ainda, da Hilda: o Wladimir Araújo. E também a cito falando do seu processo criativo inovador e inédito, já que nas minhas entrevistas e perfis eu fazia isso: trabalhava os processos criativos. Assim eu falo na primeira pessoa, mas faço uma panorâmica da obra dela, com muitas citações também dos seus livros, tanto os poemas quanto a prosa que é teatral e que faz as delicias de diretores e atores. Daí que entrevistei também diretores e atores que fizeram espetáculos sobre seus livros de prosa. Enfim, acho que ele vai ser uma referencia para quem não a conhece, e também para os que amam sua obra esplendorosa porque há coisas ali inéditas e é mesmo uma amostra do seu trabalho. Na verdade faço uma tentativa de ajudar o leitor a lê-la, decodificando digamos assim seu processo criativo, falando como ela criava seus livros considerados difíceis, intrincados, herméticos. Porque a Hilda é um oceano, e a cada dia surgem novos artigos sobre ela. Agora ela virou moda e há dezenas de pessoas interessadas na sua obra, graças a Deus. Comecei o livro no dia 5 de fevereiro de 2005, ou seja, um dia depois da missa de um ano que ajudei a articular na Casa do Sol e como te disse, parti de trinta paginas, que foi base das minhas palestras sobre ela logo depois da sua morte. Como estava mergulhada naqueles outros livros sobre espiritualidade, tive que ler obras dela que não havia lido sem contar dezenas de artigos escritos nos últimos dez anos e ajudar a articular exposições, e emprestar material para as próprias inclusive os originais do famoso e controvertido Caderno Rosa de Lori Lamby que ela me deu. Na verdade depois de ter convivido durante anos com ela e todo o pessoal maravilhoso que freqüentava a Casa do Sol em 1986 fui para o Rio, morei um tempo la, voltei para São Paulo, mas não perdia o contato com alguns amigos dela e meus que viviam em São Paulo - José Luis Mora Fuentes, escritor e artista plástico e sua mulher Olga Bilenki. Ou seja, perdi um pouco o contato com a Hilda, mas em 1990 voltei a freqüentar a sua casa com o compositor de musica erudita contemporânea - que é seu primo, José Antonio de Almeida Prado, que foi a pessoa que teve influencia nesta minha volta a Deus que começara em São Paulo em 1986. Foi ele quem me emprestou o livro que trouxera da Europa - Je Vois La Vierge que comecei a traduzir, já inspirada pela Virgem. Comecei me afastar de algumas coisas, já estava entrando noutro canal. Mas esta história conto depois se quiser
GP - Você está engajada num projeto de manutenção da Casa do Sol. Afinal, o que é este projeto?
Ana - Digamos que estou ligada de coração já que meu nome consta lá entre os fundadores da Instituição Casa do Sol Viva e tenha participado logo depois de sua morte de alguns eventos como palestras, depoimentos, ajudando a articular a missa de um ano que foi maravilhosa, mágica, debaixo da figueira que ela tanto amava, enfim, como te disse emprestando material dos meus arquivos pessoais para exposições que foram realizadas na seqüência. Posso citar entre elas uma que aconteceu no CEDAE - Centro deDocumentação Alexandre Eulálio, onde está todo seu acervo e que se chamou justamente O Caderno Rosa de Hilda Hist para qual emprestei matérias importantes e o famoso original de O Caderno Rosa de Lori Lamby que ganhei da Hilda. Ajudei ainda orientar uma atriz que ia fazer um conto dela para um evento realizado na CPFL/Campinas entre outras coisas como fornecer material e dar muitas entrevistas para estudantes de Jornalismo, Letras fazendo seus TCCs ou teses de mestrado mesmo. Atualmente estou mais ocupada em editar o livro que é uma empreitada nada fácil. Mas sei que o Mora Fuentes e a Olga Bilenki estão mandando projetos para várias entidades, enfim buscando recursos para reformar a Casa do Sol, para começar a tocar os projetos que se pretende desenvolver lá, que são cursos, palestras, construção de um pequeno teatro para encenações de obras da Hilda entre outras coisas.
GP - Você teve uma estreita amizade com Hilda Hilst, como está a receptividade e a expectativa acerca do seu livro sobre ela?
Ana - Bem grande posso dizer, pelo menos entre os aficionados da obra da Hilda que a cada ano cresce e isso muito em função da net. Há graças a Deus, centenas de jovens hoje que estão se identificando muito com seus poemas, sua prosa, que era já inovadora, mas algo restrita a um grupo de iniciados não por vontade dela nem de ninguém - apenas isso ocorria lamentavelmente. Sei de muita gente que está esperando ansiosamente a saída do livro-eu inclusive, só preciso de uma editora.
Além disso, tenho uma pagina no Jornal de Poesia com uma entrevista com o escritor, jornalista, colecionador de artes plásticas e promotor de cultura em Minas Gerais, Jose Aloise Bahia que conheci aqui na internet e de quem fiquei amiga e que considero uma pessoa maravilhosa:http://www.secrel.com.br/jpoesia/alvasconcelos1.html
GP - A Internet tem contribuído para a difusão das artes, tem contribuído para o seu trabalho?
Ana - Eu acredito que a internet tem tido um papel muitíssimo importante na divulgação das artes e de tudo que se relaciona a cultura - apesar dos pesares. Vejo mesmo a net como a nova mídia que veio para ficar e onde as coisas podem ser publicadas com uma rapidez jamais vista, mesmo falando em termos de mídia eletrônica. Mas isso lógico não significa qualidade. De qualquer modo vejo que há a cada fração de segundos temos uma nova ferramenta, um novo software, que permite a divulgação das artes – todas - artes plásticas, musica, teatro, cinema, literatura de forma maravilhosa. E tem sido mesmo o lugar, só para usar o termo em português, onde poetas, escritores, jornalistas que estavam, digamos, fora do mercado, podem divulgar e tornar conhecido seus trabalhos. E isso em nível planetário o que é super importante. E ainda: vejo a cada dia surgirem novos sites com colaboradores maravilhosos, poetas, escritores, designers, músicos, como nunca talvez visse em toda minha vida e que graças a internet podem ficar visíveis para all the world. Tenho conhecido artistas maravilhosos nesses últimos anos.
GP. - Você possui um blog, o Sal da Terra Luz do Mundo. Qual a proposta desse blog?
Ana - Na verdade minha idéia há anos era fazer uma revista no papel, para cobrir arte e cultura em Campinas, mas enquanto isso não acontecia, eu no meio tempo fiz mestrado na Unicamp, comecei a trabalhar naquele roteiro de uma história do teatro brasileiro, sobre o qual falei que precisa de uma equipe de especialistas para ser viabilizado e uma verba considerável. E sempre que tinha disponibilidade e a coisa digamos me interessava, eu escrevia matérias e assim fui ficando com um acervo de matérias importantes de arte e cultura. Daí que agora comecei entrar neste mundo novo que é a net com ajuda de pessoas que nem conheço comecei a colocar no ar este blog: www.saldaterraluzdomundo.blogger.com.br e adorei trabalhar neste novo veiculo. Fiz isso para desovar minhas matérias, já que elas não podiam ficar aqui no meu computador, precisavam ser dadas a luz, certo? Mas já eram matérias de reflexão como: O que é isto, cultura?, I love Rio ou Ai de ti Copacabana, eram memória como aquela da Betty Carter uma das maiores jazz women dos últimos tempos, recentemente falecida que vi no teatro do Centro de Convivência de Campinas, entre outras coberturas de importantes exposições que ainda não foram publicadas, ou entrevistas que estavam inéditas como a do Alceu Amoroso Lima, ou ainda matérias muito longas como OEnsaio da Ópera, que foi na verdade a montagem da ópera O Navio Fantasma de Wagner dirigida pelo Gerald Thomaz que fiz para a revista Manchete quando passei uns tempos no Rio. Por isso criei uma seção chamada Memória nos meus blogs e site, parapoder publicar este tipo de matérias. Na verdade tenho dois blogs - aquele já citado, este com outro template e matérias diferentes em relação ao primeiro www.saldaterra_luzdomundo.blogger.com.br e um site www.saldaterraluzdomundo.v10.com.br com matérias novas também, mas bem simples e desativados há algum tempo. Atualmente continuo publicando matérias inéditas e outras já publicadas em diferentes veículos de São Paulo, devidamente atualizados em dois sites importantes: Agulha e Cronopios - Literatura e Arte no Plural.
GP -. Quais os projetos, além dos que já conversamos aqui, você ainda têm por realizar?
Ana - Olha Luiz Alberto, pretendo terminar minhas peças, encenar as prontas, e continuar escrevendo minhas matérias - adoro fazer entrevistas e não descartei ainda a idéia de publicar meus perfis e entrevistas em livros, em vários volumes.
Bem sou super, digamos, inquieta se você quiser, mas na verdade vejo assim - Deus me deu muitos dons e eu vou tentando administrá-los. Não sei se consigo a contento... risadas...mas estou tentando. Dai que sim estou escrevendo vários livros na área de espiritualidade. Na verdade dois: um sobre as aparições da Virgem Maria ao longo da história da cristandade ou da humanidade e outro sobre as ultimas revelações de Jesus para esta humanidade que é na verdade uma compilação de três grandes - desculpa a repetição- revelações dadas a três modernas profetas: Madalena Aumont, Vassula Ryden e Je Ne Sui Rien. Ja estou publicado o livro sobre as aparições da Virgem em série no portal da Maytê, sendo que até agora saíram esses artigos:http://www.comunidademayte.com/Portal/artigos.php?id=1073&idCanal=25 e pretendo começar a publicar o livro das Revelações logo, mas se os leitores quiserem saber algo sobre o assunto podem acessar os links de algumas matérias que escrevi sobre: a cobertura do Primeiro encontro da A Verdadeira Vida em Deus ocorrido em Joinville em 2001 um pouco depois da queda das duas torres gêmeas- que está publicado no site da Vassula Ryden: http://www.tlig.org/pg.html, mais exatamente neste link:http://www.tlig.org/pg/pgJoinv0.html
Obrigado, Ana Lúcia.
Veja mais sobre Ana Lúcia Vasconcelos e Hilda Hilst acessando:
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?t=856&highlight=ana+lucia+vasconcelos
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