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ARIANO SUASSUNA - ENTREVISTA

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Foi após realizar uma das suas aula-espetáculo que eu e Jaime Palmeira Celestino, instamos Ariano Suassuna para um bate papo.

Após discorrer por horas sobre poesia, cultura popular, reminiscências poéticas, influências e raízes culturais nordestinas, Ariano Suassuna, poeta, escritor e dramaturgo paraibano, fixado no Recife, que é considerado o maior prosador vivo da Literatura Brasileira, autor, dentre outras obras, de “Romance d´A Pedra do Reino”, o “Auto da Compadecida” e do cd “A poesia viva de Ariano Suassuna”, nos concede esta entrevista premiando os leitores do Guia de Poesia.

GP – Grande Ariano, o começo....

Ariano: Foi o escritor, eu comeceu muito menino, com doze anos, mais ou menos. Eu morava no sertão da Paraíba e, alfabetizado, virei um grande leitor, comecei a ler muito. Ainda hoje eu cultivo a paixão de ler muito. Entusiasmado com os livros que lia, as aventuras, principalmente, li um livro menino ainda, um dos meus prediletos até hoje, considerado de segunda ordem por tomo mundo, um de Rafael Sabatini. Os escritores, então, se tornaram meus heróis. Daí, comecei a escrever poemas. Mas só aos dezoito anos publiquei pela primeira vez um poema num suplemento literário de um jornal do Recife.

GP – A leitura então...

Ariano: O gosto pela leitura foi influência dos tios... também por eles, além dos meus irmãos mais velhos e um fato que foi decisivo: meu pai deixou uma biblioteca muito boa à minha disposição. Esses dois tios, Joaquim Duarte Dantas e Manoel Dantas Vilar, eles me iniciaram numa série de escritores, como Eça de Queiroz, Euclides da Cunha, além de A Vida de Dom Sebastião, Rei de Portugal, escrito por Antero de Figueiredo, este último me marcou muito.

GP – A partir daí as influências básicas do escritor Ariano para a criação de “A Pedra do Reino”?

Ariano: Sim, também, aquela linguagem meio preciosa do Antero, foi me tocar, inclusive, um pedaço dele eu transcrevo n´”A Pedra” quando falo da batalha de Alcáçar...

GP – E o Movimento Armorial?

Ariano: É a partir de 70, o Movimento Armorial é um movimento que reuniu um número de artistas como Madureira, Antonio de Nóbrega, Gilvan Samico, outros, e esse grupo se reuniu por se sentir a necessidade de lutar contra um processo de descaracterização e de vulgarização da cultura brasileira. Esse processo, infelizmente, ainda está em curso e é por isso que o Armorial não pode enrolar a bandeira, por enquanto. A gente tem de lutar contra esse processo até o fim. O movimento se destinava a lutar, ao mesmo tempo procurávamos uma arte erudita brasileira, baseada nas raízes populares da nossa cultura.

GP – Daí o choque com alguns movimentos de vanguarda?

Ariano: eu acho uma coisa boa na vanguarda, o processo de renovação é coisa natural. O que eu não gosto é em nome desse processo, passando a investir contra toda tradição. Eu sou contrário a isso. O Brasil, por exemplo, não há nenhuma necessidade de você tentar destruir o que do passado nos veio. Vou citar alguns casos: na escultura, temos Aleijadinho, o maior escultor do mundo do século XVIII. Não é só brasileiro, Aleijadinho é mundial. No campo da música, José Maurício Nunes Garcia, do Rio de Janeiro, ou tem José Joaquim Mesquita, do barroco mineiro do século XVIII.

No campo da poesia, Gregório de Matos Guerra e, mais recentemente, Jorge de Lima, que eu considero o maior poeta do século XX.

Então, esses mestres não há necessidade para a gente se afirmar, de investir contra eles, nem de tentar acabar com eles, uma tarefa inglória e inútil. Não se destrói Aleijadinho ou José Maurício, porque são indestrutíveis.

Agora, cultuar morbidamente o passado, é horrível, o que muitos confundem tradição com rotina.

Aleijadinho é vanguarda. Augusto dos Anjos, mestres como esses são contemporâneos e ternos de todas as gerações.

GP: Ariano, fala de Capiba e Ascenso....

Ariano: O meu primeiro contato com a poesia moderna foi através de Capiba e foi aí que conheci a obra de Jorge de Lima, pois eu ainda era menino quando Capiba fez uma música com Ascenso...

GP: E Hermilo?

Ariano: Eu entrei na faculdade no mesmo ano que Hermilo, Joel Pontes, Aloísio Magalhães, Carlos Maciel, José Loureiro de Melo.

Hermilo Borba Filho era 10 anos mais velho que eu, isso hoje não é nada e além das qualidades naturais de liderança que ele tinha, pois possuía uma biblioteca muito boa, grande conhecimento de teatro e foi em torno dele que fundamos o Teatro de Estudante de Pernambuco, que era um movimento sério e não cuidava só de teatro, mas de músicos, pintores, muita gente.

Nós, na faculdade de direito, ninguém tinha vocação para tal, e Hermilo era nosso líder.

Em 1958, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco nos convidou para fundar o curso de Teatro e mandei buscar Hermilo e criamos o Teatro Popular do Nordeste.

GP: Mas, voltemos para o prosador....

Ariano: É uma matéria discutível mas foi dito numa matéria, é uma coisa que depende do gosto pessoal, é uma opinião de jornalista que não me envaideço, a gente tem a convicção do valor da gente, mas é uma coisa feia quando sobe à cabeça...

GP: E os projetos, Ariano?

Ariano: Me dedicar à Literatura e escrever um livro que penso desde menino, um romance grande.


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