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Luiz Alberto Machado
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DOIS OLHARES: UMA POESIA NOS RELEVOS REVELADOS

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Quando conheci Ana Glafira e Tchello d´Barros, a gente conversou tantas e tantas coisas que vi a hora nunca mais findar o papo. Verdade, dessas conversas acaloradas das mais aprazíveis, finaria até o tempo e a gente na maior troca de idéias. Ué, não findou nada porque ficou na minha idéia todo o espetacular aparato artístico que carregam: fotografias, poemínimos, pinturas, mostras, painéis, experimentações, multilinguagens, instalações, objetos, labirintogramas, mandalas & combogós e relevos revelados. Nossa, fiquei bestificado. Juro. Tanto é que estes “ Relevos revelados ” são resultados do excelente trabalho desenvolvido por ambos, possibilitando uma reflexão acerca da captura de coisas e imagens que aparentemente estão no simples cotidiano, quando, na verdade, são representações que, numa observação mais cuidadosa, deixam claro tratarem de revelações as mais surpreendentes. E, por isso mesmo, relevos revelados: o olhar desvelando.

É evidente que por força da correria cotidiana pela sobrevivência no meio do processo de transformação contínua presente, não seja possível olhar essas coisas com a devida atenção merecida, sendo este o fato de não se chegar a ver claramente o que encontra às nossas próprias vistas. Isso porque atarefados e freneticamente absorvidos pela gratuita mediocridade, até embalados pelo estresse e desarticulados do próprio tempo, é flagrante a falta de um olhar: o olhar poético, aquele olhar que se revela como uma iniciação. E este olhar se utiliza de todas as formas, linguagens, técnicas e materiais para descortinar a sombra da nitidez óbvia do comum, constatando na similaridade gratuita dessa trivialidade uma correspondência com uma série de símbolos os mais transcendentes. Quer dizer, o natural que é visto e flagrado pela ótica dos artistas, nada mais é que representação do que se considera oculto, quando não passam de eventos que estão na natureza e dispostos à nossa frente.

Essa a metáfora de “ Relevos Revelados ”: o olhar desvelando a mais simples expressão da vida no cotidiano.

Desta forma, Tchello d´Barros e Ana Glafira fazem uso de todo legado da liberdade para dessacralizar o que se supõe insólito, através de relevos em fachadas e construções, decodificando o símbolo em toda seu significado e experimentando o sabor da revelação que se encontra nas mais diversas formas de manifestação humana, desde a mais rudimentar utilização artesanal até a mais sofisticada forma artística. E isso através de dois olhares em dois formatos: o da fotografia e o da poesia visual. Na verdade, uma poesia no olhar em duas manifestações que interagem entre si e resultam num verdadeiro espetáculo de criatividade. Isto porque nos dois é a poesia que se sobressai. E não podia ser diferente: Tchello d´Barros é poeta, artista plástico e visual; Ana Glafira é professora de Artes e artista visual. Ambos experimentam de forma instigante a captura de expressões que redundam em poesia e flagram no corriqueiro o que sequer é notado pela simples olhadela, demonstrando a pluralidade de sentidos que se encontram imanentes como transcendentes no dia-a-dia. E como ambos são poetas, o que se encontra em “ Relevos Revelados ”, nada mais é que a vida revelada nos relevos que se tornam poéticos na expressão de Tchello d´Barros e Ana Glafira.

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