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Por
Luiz Alberto Machado .
A
gente sempre gostou de ler. Isso, eu mesmo, desde
criança, quando ficava abestalhado com meu pai
debruçado sobre os livros.
Lá em casa mesmo, havia um quarto que meu pai
dedicou para sua biblioteca. E eram tantos e tantos
livros de sair pelo ladrão. E eu curioso que
só, não resisti à tentação
e mergulhei neles ainda na infância, não
conseguindo me desgrudar mais um dia sequer de me acompanhar
sempre de uma leitura.
Na
adolescência mesmo, ao lado das disciplinas
do curriculum escolar, reuníamos, eu, Mauricinho,
Gulu e outros amigos de copos e leituras, para debatermos
acerca dos livros que havíamos lido, tocar violão,
ouvir música, curtir uns leros e tomar umas
e todas.
Cada
um de nós dispunha em casa de estantes
de livros, não nos furtando de sempre invadir
bibliotecas alheias, dos colégios e a biblioteca
pública, onde D. Jessiva Sabino de Oliveira
sempre permitia que a gente levasse um ou outro livro
para queimar as pestanas.
Além do mais, a gente falava de tudo na nossa
embriagues: existencialismo, contracultura, marxismo,
Câmara Cascudo, arroubos e porralouquices. Uma
misturada danada, pudera, tudo ainda adolescente, avaliem.
Todo
dia alguém tinha que chegar com uma novidade
e com um detalhe: cheio de estardalhaço para
causar espanto no outro. Era, cada um mais faroso que
o outro: li isso, ouvi aquilo, tem uma coisa legal
aqui, compus isso, escrevi tal coisa e assim a gente
ia trocando idéias e informações,
sentados na praça em frente a uma igreja presbiteriana.
A
zoada que fazíamos era tamanha e a gente
só não era expulso de lá porque
a esposa do pastor era exatamente a bibliotecária,
professora e pesquisadora Jessiva Sabino de Oliveira
que, ao contrário, incentivava a gente a ler,
emprestando livros da biblioteca pública e também
indicando novidades. Até os livros proibidos
da época a gente tinha acesso por causa dela.
E olhe que a gente era rato de biblioteca mesmo.
Pois
bem, Mauricio Melo Júnior, o tal Mauricinho
Tataritatá Júnior de Dona Laura, era
um desses que ficava cheio de entusiasmo a dizer do
que leu e do que descobriu nas leituras feitas. E como
sempre foi o mais cheio de empolgação
contando as coisas, ele sempre conseguia levar um livro
emprestado da gente e deixar um dele para que a gente
tivesse a oportunidade de ler.
Anos
e anos assim: todos os dias a gente se encontrava
e trocava idéias sobre livros e discos, sempre
buscando novidades.
Eis que cada um vai para a faculdade e pega, cada
qual, o seu rumo na vida.
Passam-se
os anos e um dia lá, ligando o televisor
para assistir alguma coisa, me defronto com o dito
cujo entrevistando gente de peso da Literatura Brasileira.
Eu cá comigo disse: - Mas num é que é o
Mauricinho mesmo! -, e era. Verdade. Era um programa
que nunca tinha visto e num canal que eu apenas visitava
para saber a quantas ia o Congresso Nacional. Isso
mesmo, a TV Senado. Lá, todos os sábados, às
9:30 e às 20:00hs, e aos domingos, às
20:30hs, está lá o jornalista e escritor
Maurício Melo Júnior entrevistando escritores,
poetas, agentes literários e pessoas ligadas
direta e indiretamente à Literatura e, além
do mais, comentando livros.
Peraí, um programa de televisão dedicado à Literatura?
Falando de livros? Pois é, a exemplo do programa
Literatura, da TV Sesc/Senac, conduzido pelo jornalista
e escritor, Ricardo Soares, e um outro apresentado
pela escritora Bia Correa do Lago, na TV Futura, o
programa Leituras é um programa dedicado mesmo à Literatura
e os livros, com entrevistas e comentários críticos
acerca de obras publicadas no mercado editorial brasileiro.
Para
se ter uma idéia, agora em Janeiro está prevista
para o dia 03, uma entrevista com Sérgio Capparelli
e o comentário das obras Um homem chamado
Noel , de Mário Pontes e Melhores Crônicas ,
de José Castello.
No
dia 10, é a vez da entrevista com Luiz Antonio
de Assis Brasil e os comentários sobre as obras Harmonia
das Esferas , de Valesca de Assis e Sempre é tempo
de ninar um pai , de Léo Trombka.
No dia 17, vem Luiz Zanin Oricchio com uma abordagem
do jornalista acerca do livro Cabeça a prêmio ,
de Marçal Aquino e Mínimos, múltiplos,
comuns , de João Gilberto Noll.
No
dia 24, Berê Bahia e os livros Estrangeiros – Releituras ,
de Salim Miguel e Histórias dos nossos gestos ,
Luís da Câmara Cascudo.
Finalmente, no dia 31, Ismail Xavier e as obras Feliz
ano velho e Blecaute , de Marcelo
Rubens Paiva.
É possível, inclusive, ter uma melhor
idéia do programa e da obra do apresentador
ao acessar a entrevista que o Maurício Melo
Júnior concedeu ao Guia de Poesia .
Posso,
assim, asseverar que, para quem não
gosta de se deixar levar pelas mesmices e baixarias
da televisão brasileira, pode muito bem sintonizar
a TV Senado, nos dias e horários antes mencionados,
e ter a oportunidade de ver não só grandes
nomes da Literatura Brasileira, como autores novos
e novíssimos, além de tomar ciência
das novidades do mercado editorial brasileiro. Eu mesmo
assisto e recomendo.
Serviço:
Leituras ,
programa de Literatura, apresentado pelo jornalista
e escritor Maurício Melo Júnior.
Aos
sábados (às 9:30 e às 20:00hs)
e domingos (às 20:30hs) na TV Senado.
Contato: mmelo-jr@uol.com.br
PS:
conforme informação de pauta, dia
21 de fevereiro será a vez da entrevista de
Luiz Alberto Machado no programa Leituras ,
abordando o tema “ A poesia na Internet ”.
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