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Luiz Alberto Machado
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A POESIA NOSSA DE CADA DIA

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Por Luiz Alberto Machado

A poesia existe há muito tempo, século e séculos atravessando os sentimentos humanos. Por esta razão, seu conceito e definição é bastante dificultado, principalmente, claro, em cada época, em cada poeta, em cada período literário, a poesia adquire uma concepção própria.

No entanto, para se ter uma idéia, na Grécia antiga, a poesia era poièsis, do verbo poiein que significa fazer, indicando o ato que opera a passagem para o ser daquilo que antes não existia. Entende-se que todo labor humano estava identificado na arte poética.

E foi Platão, na antiga Grécia, quem distinguiu a poesia em três formas: a dramática, que era mimética e imitava os homens em ação; a lírica, que não imitava os homens em ação porque era subjetiva; e a épica, ambas anteriores utilizando tanto o diálogo direito, quanto a narração (Samuel et al, 1985).

Assim, conforme Samuel et al (1985), a poesia lírica "(...) renuncia à coerência gramatical, lógica e formal, pois necessita se libertar para poder ser mais autenticamente momentânea"; a épica "(...) com estilo narrativo onde o poeta narra, descreve e exalta fatos históricos e personagens heróicos"; e a dramática que "(...) encontra sua plena realização no espaço de um palco e num tempo restrito a esse tipo de representação, apoiada por recursos os mais variados...".

E foi a partir daí que vieram os tratados de versificação baseados na utilização do material fonológico para finalidades métricas, compreendendo o regramento da silabação e prosódia. Surge, então, o metro que se dividia em silábico, quando o número de sílabas é regulado; e o silábico-prosódico, quando além da contagem das sílabas, certas características são exigidas, tais como a quantidade, a intensidade e tonalidade. Conta-se, ainda, outros tipos métricos intermediários.
Com isso, toda uma tipologia de versificação com o passar dos anos foram sendo adotados, tais como o grego e seus hexâmetros; o latino do pentâmetro; o provençal com suas canções, pastorelas e debates; o francês dos decassílabos e alexandrinos rondéis e baladas; o italiano com seus parassílabos madrigais; espanhol com suas redondilhas e jogralescas coplas; o português com suas cantigas; o inglês com seus versos brancos; o alemão com seus versos aliterativos; em suma, como diz Delas & Filliolet (1975), que "constituem modelos de combinações métricas e sonoras recomendadas".

Assim sendo, o verso, conforme Cohen (1966), "(...) continua sendo até hoje o veículo corrente da poesia (...) é um processo de poetização" e que "(...) o metro e o ritmo têm a mesma função que a rima: assegurar aquele retorno sonoro que é a essência do verso" .

Quanto à rima, Burke observa que esta "(...) acentua habitualmente o princípio repetitivo da arte (...). Seu atrativo é o atrativo da forma progressiva desde que o poeta alcance seus efeitos com estabelecer, em primeiro lugar, e depois alterar, um esquema ritmático".

Contrário a esse regramento, surgem, então, os versos livres que são aqueles que não estão sujeitos a uma medida previamente adotada e que não se prende a nenhuma contagem, porque o poeta deixa que a sua inspiração flua à vontade, exprimindo o pensamento à sua maneira. O ritmo, no entanto, existe e está oculto.

Usando Delas & Filliolet (1975), a finalidade dessas considerações históricas era mostrar que a mudança da natureza das marcas da poeticidade, ligada à evolução do modo de consumo da poesia, impulsionou uma substancial evolução de formas. Isso ocorre com a emergência do poético visual que implicava no deslocamento da métrica normativa. Isso com a ocorrência da poesia concreta que elimina o verso como unidade rítmico-formal, numa tentativa de ampliar as possibilidades de expressão e comunicação do poema, a partir do ideograma chinês, propondo-se, assim, a utilizar o espaço gráfico como substituto da sintaxe.

Buscando uma conclusão nessa abordagem histórica da forma de expressão poética, Pound (1976) sugere que o poeta "(...) identifique a assonância e aliteração, rima imediata e retardata, simples e polifônica, tal como se espera de um músico que conheça harmonia e contraponto, assim como todas as minúcias de seus ofícios". E adverte: "(...) nunca se escreveu poesia de boa qualidade usando um estilo de vinte anos atrás, pois escrever dessa maneira revela terminantemente que o escritor pensa a partir de livros, convenções e clichês, e não a partir da vida".

É evidente que os temas aqui abordados de muito requereriam maior espaço, vez que cada um deles, por si só, já ocupariam, por certo, esta página. Neste caso, a nossa intenção foi abordar modestamente os formatos poéticos que se mostraram ao longo do tempo, requerendo, portanto, a devida complacência quanto a determinadas omissões para que pudesse fluir mais como sugestão do que propriamente um estudo aprofundado. Isto enseja, contudo, novas explanações a serem aqui exploradas.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
BURKE, Kenneth. Teoria da forma literária. São Paulo: Cultrix,USP, s/d.
CAMPOS, Haroldo (Org.). Ideograma: lógica, poesia, linguagem. São Paulo: Cultrix/USP, 1977
COHEN, Jean. Estrutura da linguagem poética. São Paulo: Cultrix, 1966
DELAS, Daniel & FILLIOLET, Jacques. Lingüística e poética. São Paulo: Cultrix/USP, 1975
PLATÃO. A república. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d
POUND, Ezra. A arte da poesia. São Paulo: Cultrix/USP, 1976
SAMUEL, Rogel (Org.). Manual de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 1985


 

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