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Luiz Alberto Machado
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GUSTAVO DOURADO - Entrevista (página 1 de 2)
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Luiz - Quando se deu e como foi a descoberta pela Literatura, pela Poesia?

GD - Creio que vem de berço, como se diz lá no nosso Sertão de Ibititá/Irecê, nos contrafortes da Chapada Diamantina Setentrional... O interesse pela Literatura e pela poesia vem da forte tradição oral do Nordeste e da cultura negra e indígena da Bahia e também por influência destacada das cantorias, repentes, estórias, causos, anedotas, parlendas, adivinhas, missas, cultos, procissões, literatura de cordel e do burburinho das feiras populares e dos empórios comerciais (vendas, bodegas, armazéns) e das ruas, quintais e praças. O meu contato mais direto com a poesia deu-se muito cedo, muito precoce, nos primórdios da infância, lá pelos 3/4/5 anos, ouvindo o canto dos pássaros, da aves e o mugido das vacas e dos bois, das cabras e ovelhas e dos animais do Sertão de meu Deus e de todos os santos e orixás... Ouvi muito repente, causos e estórias nas portas de casa. De vez em quando os moradores arriscavam/tiravam/entoavam/puxavam versos, pensamentos, máximas, conselhos, adágios, pensamentos, aforismos, anedotas e adivinhas... e eu ali pequenino testemunhando a epopéia de um povo resistente, luminoso, valente, corajoso e poético por natureza... No âmago dessa gente tornei-me poeta a palestrar com trabalhadores rurais, gente do povo, nas roças e nas casas, nos ranchos e choupanas, nos arraiais, vilarejos e povoados sertanejos, nos mutirões/adjutórios, nas vaquejadas e contatos com poetas populares, contadores de histórias, vaqueiros, feirantes, mascates, ciganos, vendedores, tropeiros, moradores e viajantes, que embeberam-me de poesia e do gen da literatura... Convém ressaltar as leituras do ABC tradicional, das cartilhas, das taboadas, dos almanaques, do Lunário Perpétuo, dos folhetos de cordel-romances-abcs, dos catecismos, revistas da escola dominical e principalmente da Bíblia, com os Salmos de Davi e Provérbios do grande sábio-rei Salomão, além do Apocalipse de São João, livro repleto de enigmas e mistérios...sem esquecer do Pentateuco de Moisés... O Livro de Jó, o livro de Ezequiel e as profecias de Daniel. A marcante influência bíblica deu-se nos primórdios da infância até os 11 anos, quando comecei a frequentar a Biblioteca da Escola Polivalente de Irecê e participei intensamente do Clube de Leitura, inclusive como diretor e promotor de leitura. No mesmo período fui diretor cultural e orador do centro cívico da escola... Foi uma ótima oportunidade para ler diversos tipos de livros: romances, poemas, contos, crônicas, ensaios, biografias, narrativas, enciclopédias, coleções, livros infantis e juvenis, livros didáticos, dicionários, revistas, jornais... sempre fui um leitor contumaz, um devorador de livros. Li a Bíblia algumas vezes. Muito apreciava a leitura de dicionários, breviários, seletas, coletâneas, antologias diversas e a solução de palavras cruzadas. Fui colecionador de revistas em quadrinhos/gibis e livros de bolso, sobressaindo os de suspense, ficção científica e de espionagem (Tudo isso dos 10 aos 15 anos). Me marcou o livro "A Ciência e o Espaço Cósmico" e a leitura do Apocalipse. Depois dos 15 mudei para livros de literatura, basicamente de ficção: romance e poesia. Ouvi muitas histórias de reis, rainhas, heróis, condes, duques, duquesas, barões, baronesas, aventureiros, valentões (Juvenal e o Dragão), donzelas (Donzela Teodora) revoltosos- Coluna Prestes, coronéis, jagunços, cangaceiros, rezadeiras, benzedores, adivinhos, bêbados, feiticeiras, beatos, romãozinho, lamentações das almas, cavaleiros, aventureiros, Pedro Malazartes, João Grilo, Bocaje/Bocais, místicos e todos os aspectos míticos e arquetípicos da cultura mágica e poética do sertão nordestino, o nosso estado-país do Polígono das Secas, habitado por aleivosias e assombrações, almas do outro mundo e tantas crendices e lendas peculiares ao nosso destemido e forte povo sertanejo... remanescentes de Lampião, Maria Bonita, Corisco, Dadá, Antônio Silvino, Jesuíno Brilhante, Quelé do Pajeú, Manoel Quirino, Horácio de Matos, Militão Coelho, Hermógenes, Lucas de Feira, Volta Grande e do Bom Jesus Conselheiro de Canudos e de seus seguidores e descendentes.

Luiz - Como se deu a trajetória de um baiano de Ibititá, lá nos cafundós do Nordeste, até chegar a presidir sindicato da categoria em Brasília?

GD - Tudo se deu a partir de dezembro de 1975 quando concluí o primeiro grau lá no Sertão de Irecê, Terra do Feijão e de repente surgiu uma oportunidade de vir para Brasília. Foi num lampejo, jogo rápido. Foi a minha primeira grande aventura, o primeiro ato de rebeldia...vim para um mundo desconhecido com apenas 15 anos e foi interessante, muito instigante. Foi uma viagem e tanto... Meu Caminho de Santiago...De Irecê a Ibititá/Recife dos Cardosos, depos Canarana, onde pegamos uma camionete até Seabra... Quase um pau-de arara...depois fomos num ônibus da antiga viação Paraíso, até Barreiras...íamos com gente, bodes, galinhas e ovelhas, uma autêntica Arca de Noé dos Sertões, em triste/feliz partida para o desconhecido . Em Barreiras fizemos baldeação e pegamos outro ônibus que aos trancos e barrancos nos levou até Brasília. Foram 2 dias de viagem até aportarmos na capital federal...antes passamos por vários sacrifícios, dificuldades e atoleiros...ainda tinha um grande trecho de terra na BR-20-Brasília-Fortaleza, de Barreiras até Roda Velha e de lá até Posse/Alvorada do Norte... Foi uma autêntica aventura de um catingueiro nos cerrados do Planalto Central... Aqui aportei no dia 22 de dezembro de 1975, de mala e cuia, sem parente nem aderente e fui parar na Asa Norte, na 404, próximo à UnB, onde fiquei poucos dias, indo logo depois estudar no Colégio Agrícola de Brasília, próximo a Planaltina, Morro da Capelinha,Vale do Amanhecer e Pedra Fundamental, depois de passar em concurso entre os primeiros colocados, concluí após 3 anos o Curso Técnico em Agropecuária. Era uma escola-fazenda, de alto nível, no meio do Cerrado, aula o dia todo e muito estudo à noite. Lá morei por 3 anos e aprendi muita coisa. Fiz contatos com gente de todo o Brasil. Foi lá que li muitos livros: romances, poesia, ensaios, livros técnicos, foi um grande aprendizado para mim...a área era convidativa para a meditação, a reflexão e a poesia... e tinha uma biblioteca razoável, meio escondida e de difícil acesso aos livros...lá conheci a obra de Rosa, Machado, Drummond, Gibran, Jorge Amado, Graciliano, Robert Charroux, Reich e vários livros dos modernistas e regionalistas brasileiros, autores internacionais, científicos, espiritualistas, religiosos, místicos e ocultistas. Depois veio a UnB-Universidade de Brasília, o curso de Letras, os centros acadêmicos, DCE, UNE e por fim o Sindicato dos Escritores. Fui apresentado a alguns escritores quando estudava na UnB, no Departamento de Letras. Tive como professores Cassiano Nunes, Eudoro de Sousa, Domingos Carvalho da Silva, João Ferreira, Climério Ferreira (Parceiro de Fagner e Dominguinhos), Leda Breitenbach, Elício Pontes, Aloílson Pinto, Angélica Madeira, Venício Artur de Lima, Manuel Vilela Magalhães, Antônio Sales, Antônio Barros, Aglaeda Facó, Sérgio Waldeck de Carvalho, Cristina Leal, Stella Bortoni, Luiz Piva, Diana Bernardes, Maria de Jesus Evangelista, tudo isso ainda em 1979/80, em plena ditadura militar e na efervescência do movimento estudantil. Participei em 1979, com vários poetas da UnB e da cidade, da Primeira exposição literária do Departamento de Letras, coordenada por Sâmia Kouzak, que me deu a maior força e incentivo. Meu trabalho foi muito apreciado pelo público. Desenvolvi a veia repentista e cordelista e atuei como trovador e cantador de 1979 a 1985, fazendo uma performance destaque em Congresso Nacional de Repentistas em Ceilândia -DF(1980), com a Guerra do Armagedom, sendo entrevistado pela professora Silvie Raynal, da Universidade Sorbonne e Pottiers, França e elogiado por vários estudiosos e pesquisadores como Joseph Luyten, Sebastião Nunes Batista, Paulo Nunes Batista, Franklin Machado Nordestino, Sinésio Alves, Aírton Pimentel. Depois do Festival de Ceilândia fiz apresentações no Rio, São Paulo, Bahia, Minas, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Goiás e em várias escolas e universidades de todo o Brasil...Talvez tenha sido o momento mais agitado e criativo de minha vida...Conheci tantos poetas, pensadores e artistas nesse período(1977/1988) : Ferreira Gullar, Thiago de Mello, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Gilberto Gil, Mercedes Sosa,O ctávio Paz, Ernesto Cardenal, Zé Ramalho, Ednardo, Belchior, Vital Farias, Xangai, Elomar, Décio Marques, Raul Seixas, Renato Russo, Cássia Eller, Grupo Água, vários repentistas e cordelistas: Otacílio Batista, Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, Daudeth Bandeira, Rodolfo Coelho Cavalcante, Franklin Machado, Paulo Nunes Batista, Carolino Leobas, Maxado Nordestino, João Lucas Evangelista... e criadores como Paulo Freire, Norberto Bobbio, Duverger, Glauber Rocha, Nélson Pereira dos Santos, Rogério Sganzerla, Arrrigo Barnabé, José Celso Martinez, Itamar Assunção, Rachel de Queiroz, Bernardo Élis, Haroldo e Augusto de Campos, Darcy Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, Edenilton Lampião, Cora Coralina, Autran Dourado, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Oswaldino Marques, Cláudio Santoro, Antônio Houaiss, Francisco Alvim, Leila Miccolis, Cairo Trindade, Glauco Mattoso, Dinah Silveira de Queirós, Márcio Sousa, Ziraldo, Umberto Eco, Gianfrancesco Guarnieri, Caetano Veloso, Jorge Mautner, Jorge Melo, Grupo Uakti, Odete Ernest Dias, Sílvio Tendler, Geraldo Moraes, Vladimir Carvalho, Athos Bulcão, Maria Coeli, Hermeto Pascoal, Roberto Correia, Menezes Y Moraes e tantos outros. Foi aí que surgiu o pseudônimo Amargedom, devido a um poema-cordel que fiz sobre o fim do mundo e a guerra do Armagedon, que parece tão próxima, com os belicistas e falções de plantão...Paz... Foi nesse período que aumentei o meu cabedal literário, com uma freqüência constante à Biblioteca Central da UnB e a algumas livrarias. Daí veio uma participação ativa no movimento político e cultural da Universidade. Nos primeiros meses ainda morava em Taguatinga, uma progressista cidade - satélite de Brasília, onde criei o cineclube Gritto e participei da Associação de Arte e Cultura, do Grupo Caxadágua e da Faculta. Depois fui morar no CO-Centro Olímpico, onde ficava o alojamento estudantil. Foi um período de ouro, muitos contatos, muitas amizades, conhecimentos e dificuldades. Criamos eventos, shows, espetáculos, exposições...era um movimento de resistência ao clima de repressão instaldo na UnB e em Brasília. Vivíamos os estertores do regime militar e a UnB era conduzida por José Carlos Azevedo, reitor capitão de mar e guerra, que tinha muito poder junto aos militares...a UnB era conhecida por "Quintal do Planalto". Vivíamos vigiados e grampeados, dizem que tinha um espião em cada sala de aula e em cada apartamento...mas a época era favorável ao desbunde e às festividades. A conscientização política era controlada pelos poderosos de plantão. Foi aí que comecei a militar no movimento cultural, freqüentando os grupos culturais, Gritto, Caxadágua, Cabeças, Cuca, Expoarte, grupos de poesia, de música, de teatro e de cinema. Participei ativamente do movimento cineclubista no SESC, em Taguatinga e na Universidade. Tive relativa influência de grandes agitadores culturais: jornalistas Pompeu de Souza, Ézio Pires, Marcílio Farias, Maria do Rosário Caetano e Márcia Macedo, dos poetas Esmerino Magalhães, Celso Moliterno e Cassiano Nunes, da flautista Odete Ernest Dias, dos maestros Jorge Antunes, Emílio Terrazza e Cláudio Santoro e do Produtores culturais José da Mata, Antenos Gentil Júnior, Néio Lúcio e Maria Duarte, dos atores e diretores Ari Pararraios, Délson Antunes, Fernando Villar e B de Paiva, dos artistas Delei, Zé Nobre, Renato Matos, Renato Russo, Edgar Santana, Cláudio Geraldes, Maria José Costa Sousa, Alex Chacon, Carlinhos Ceará e Nélson Maravalhas e de muitos amigos e estudantes como Paulo Bandeira, Carlos Amaral, Newton Estrela, Fernando Machado, Raimundo Nilton, Chico Pünk, Polanski, Paulinho da 5, Rubinho, Jurema Lavor, Bernadete Nogueira, Marilene Tavares, Moema Campos, Rômulo Tavares, Marquinhos, Jorge da Capadócia/Ivonildo, Sâmia Kouzak, José Alves Donizeth,Vino, Jarbalino, Cid, Márcio Araújo, Beto Almeida, Érica Kokai, Afonso Magalhães, Alexandre Nominato, Joel de Assis, Ronaldo Mousinho, Paulo Afonso Barcarense, Ivaneck , Vera Lopes, Hélio Franco, Zé Cascão, Rudolfo, George Jesus Duarte, Tony Pessoa, Heloísa Helena, Luiz Carlos Mineiro, Paulo Caverna, Joaquim Nogales, Edson Portela, Marcelo e Flávio Montiel e os colegas do curso de Letras e moradores do Centro Olímpico, os grupos das Livrarias Galilei, Presença e do Bar Beirute. Destaco aqui fatos, grupos e pessoas que foram importantes no período, que me influenciaram em vários aspectos, gente de todo o Brasil e até do exterior. Comecei a militar no Sindescritores muito jovem, praticamente participando do auge de sua fundação, tendo à frente os escritores Alan Viggiano e Antônio Carlos Osório, ambos foram presidentes do Sindicato. A partir daí participei ativamente de reuniões, palestras, debates, protestos, comícios, performances, intervenções, dabacuris, instalações, encontros, seminários e eventos literários e culturais dos mais diversos níveis. Estávamos envolvidos em todos os movimentos importantes e de destaque em todo o DF. Criei na UnB, no Anfiteatro 9, o show do Arroto, após o almoço, nas terçãs e quintas-feiras. Foi um momento grandioso da UnB: Por lá passaram grandes artistas do Brasil e artistas mambembes de Brasília e de outros estados. Eu, o poeta e jornalista Anand Rao, Argemiro Neto, jornalista e cantor, demos início ao famoso show. Fizemos tudo no grito, reunimos os estudantes no bandeijão(restaurante) e os convocamos para o evento. Foi um sucessssso: Poetas, repentistas, agitadores, atores, estudantes, professores, servidores e visitantes, foi um espetáculo inesquecível. Depois tivemos o apoio de outros artistas e poetas como Paulo Bandeira, Eduardo Rangel, Zelito Passos, José Antônio, Alexandre Nominato, Lúcio Andrade, Carlinhos Ceará I e II e do pessoal da Arquitetura, de Letras e dos Centros Acadêmicos, do DCE e da UNE. Ao mesmo tempo criei o Centro Acadêmico de Letras onde fui dirigente e coordenador cultural, desaguando em movimentos importantes como a EXPOARTE e o FLIMPO, movimentos culturais de grande significado, que reuniam estudantes, professores, escritores, servidores e a comunidade. Foi no Show do Arroto, nas Expoarte 81, 82 e 83 e no Flimpo, que os artistas tiveram o seu palanque para a conquista de novos espaços. Por lá circulavam com freqüência Renato Russo e o seu Aborto Elétrico, a turma do futuro Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial , conhecido como Punks da colina, residência dos professores. Muitos freqüentadores e artistas eram filhos de militares, professores, empresários, servidores públicos graduados, diplomatas e até de alguns figurões da Ré- pública...os conhecidos "filhinhos de papai". Eu estava por ali meio deslocado, um filho de sertanejo, sem muitos recursos e algum talento, entretanto tive um papel importante, apesar da falta de dinheiro e de estrutura...Sobrevivi...E estou vivo até hoje...rssss, enfrentando a barra-pesada do dia-a-dia, com entusiasmo e esperança no futuro.

Luiz - Como é que se dá num país como o Brasil, de quase nenhum leitor, as atividades de sindicato de escritores e poetas?

GD - São atos de resistência contra o Apartheid Cultural estabelecido. Vivemos em uma sociedade elitista e segregacionista, onde quase tudo o que se faz é voltado para o "besteirol" e para a alienação dos jovens e das pessoas. O massacre é constante com os noticiários e manchetes jornalísticas que destacam a violência, o consumismo, as guerras, crimes, novelas, modelos, enlatados, acidentes e as notícias de cunho político. Boa Cultura é um fato muito raro...literatura quase nunca aparece, principalmente a partir dos anos 90, quando as redações foram quase todas dominadas pelos ditos "comunicólogos de carteirinha", na visão do Poeta Cassiano Nunes... que só entendem a linguagem da indústria cultural, das grandes gravadoras e editoras...Coitados dos poetas e artistas da periferia, jamais terão qualquer chance de divulgar os seus trabalhos. Já soube de vários relises de poetas e artistas que foram esnobados, ignorados e jogados no lixo...Será que é só em Brasília? Na verdade alguns pretensos "iluminados" nos acham uns "chatos". Não se valoriza o artista e o escritor que não seja apadrinhado por grandes empresas ou políticos poderosos. Brasília carece de infra-estrutura cultural de divulgação, pesquisa, edição e distribuição de livros e cds. O empresariado local não patrocina arte e a cultura da cidade, conseqüentemente a mídia pouco divulga e não apóia, porque não tem publicidade, gera-se um circulo vicioso... O trabalho do Sindescritores é árduo e difícil. É um exercício de resistência permanente. Conseguimos alguns avanços com alguns projetos autônomos, como a Estante do Escritor Brasiliense, O Encontro com a Palavra, O Fórum Permanente de Escritores, Recitais Poéticos e lançamentos de livros em bares , restaurantes e espaços culturais. Participamos de algumas Feiras de Livro em Brasília, Rio, São Paulo e de encontros, congressos e eventos em vários estados. Experiências vitoriosas desenvolvidas em minha passagem pela Secretaria de Cultura/Fundação Cutural, no exercício da Gerência de Literatura(1995/98). Atualmente, não temos nenhum apoio governamental, pelo contrário, somos sempre esquecidos, pois a inteligência incomoda os plantonistas do phoder, que não querem um povo que pense e questione. Eles querem uma sociedade de robôs, lacaios e escravos, que votem sempre sem questionar, nunca digam não e que de preferência não leiam nada e que só tenham como diversão as novelas, os desenhos, filmes de guerra, de costumes e que mantenham o estabelcido e o Status Quo...Quase ninguém quer saber de escritores, poetas, livros e bibliotecas...Acham melhor fomentar os comandos dos Schwazerneggers e Rambos da vida...tipo o que ocorre na vida real. Vide Bósnia, Kosovo, Afeganistão e Iraque...Ler, Pensar é muito perigoso...Enquanto isso os cadernos culturais dos jornais estão abarrotados de colunas sociais, palavras cruzadas, horóscopos, e$oterismos, fofocas, comentários de novelas e outras besteiras do tipo...Como alguns dizem: Poesia não dá dinheiro...não tem gancho para a notícia...a não ser que o sujeito tenha um empresário-editor por trás, dólares a rodo para publicidade. ...Ou seja sem dinheiro nada feito... como disse Cazuza: "Enquanto houver burguesia,não vai haver Poesia"...Entretanto nós resistiremos e sobreviveremos...pois os poetas são as antenas da raça...creio...Subsisito...Insisito...Persisto...
Luiz - Que atividades o Sindicato tem desenvolvido na promoção da Literatura? ?
GD - Realizamos poucas atividades, devido aos parcos recursos, entretanto o pouco que se exercita é fundamental para o desenvolvimento da literatura... Apoiamos e incentivamos palestras e debates literários nas escolas, UnB, faculdades, embaixadas, bibliotecas, bares, restaurantes e espaços culturais. Desenvolvemos uma política de direitos autorais, com orientação aos nossos sindicalizados. Atuamos na divulgação dos livros de nossos autores com relises para a mídia. Incentivamos os autores com a Estante do Escritor Brasiliense, já inauguradas na Universidade de Brasília, Católica, Michelangelo, Uniceub, algumas faculdades, escolas públicas e particulares, bibliotecas, espaços culturais e políticos, livrarias, cafés, bares e restaurantes. Participação em Feiras de livro e eventos literários diversos. Apoio a recitais poéticos e ao evento Noite de Poesia em bares, cafés e restaurantes. Apresentação de autores para captação de recursos junto ao FAC e ao Minc. Divulgação de concursos e eventos literários. Incentivo à construção de sites literários individuais. Divulgação das atividades sindicais e dos autores por meio de 3 sites literários: www.sindescritores.com.br www.sindescritores.hpg.com.br http://geocities.com/sindescrdf/index.htm Luta permanente pela regulamentação da profissão de Escritor e para estabelecer a Literatura Brasiliense nas Escolas. Incentivo à criação de bibliotecas e espaços culturais Orientação a estudantes e leitores sobre o papel do Sindicato dos Escritores e sobre vida e obra de nossos filiados. Apoio ao portal Usina de Letras e a outros portais e sites literários Publicação do Informativo Escriba, no momento em estudo para a criação do Escriba Virtual. Participação em comissões editoriais de revistas, sites, grupos e jornais, em bancas de concursos literários e de redação. Outras atividades diárias essenciais ao desenvolvimento da literatura e de nossos filiados.
Luiz -Como você vê a política editorial nacional e a situação dos que estão sem publicar por falta completa de recursos e de apoio?
GD - Vejo com muita preocupação e ansiedade. A política editorial brasileira é nefasta, injusta e prejudicial aos autores. Torna-se necessário a regulamentação da profissão de escritor de uma forma moderna e flexível. Uma lei mais rígida que garanta o direito de autor, inclusive na Internet. Como funciona hoje, só privilegia as grandes editoras e distribuidoras, os poucos autores canônicos e já consagrados. Sugeri ao Lula e aos políticos, a reativação do Instituto Nacional do Livro e a criação dos Institutos estaduais e municipais do livro. Seria importante a inauguração de bibliotecas funcionais em todos os municípios brasileiros. Esperamos que o novo governo seja mais atento e sensível para o desenvolvimento de uma política cultural e editorial mais justa e equilibrada. Muitos autores criativos e talentosos ficam sem publicar pq as editoras não querem apostar em literatura, muito menos em poesia. Eles querem ter a certeza do lucro, o que é muito difícil num mundo em cri$e permanente. Vivemos a Era da Incerteza. Ninguém tem bola de cristal. São poucas as galinhas de ovos de ouro. Vivemos a indústria dos best-sellers e dos livros didáticos. Só se dão bem os autores já estabelecidos, os apadrinhados por grandes editoras e distribuidoras e aqueles que têm espaço cativo nos jornais e na tv e que contam com as benesses oficiais. Realmente são muito poucos...É preciso uma mudança radical na área editorial no Brasil e urge campanhas de leitura, de valorização do livro, de combate ao analfabetismo e de barateamento do custo do papel. Enquanto as grandes editoras e bienais tem lucros astronômicos com a sua política editorial elitista e meramente comercial, bons autores amargam o anonimato e sofrem as agruras da falta de apoio e incentivo do governo e do mercado editorial. Alguns mais persistentes conseguem de quando em vez edições por meio de concursos literários, muitas vezes, de cartas marcadas e pouca credibilidade. O autor precisa além de muito talento, muita sorte, bom marketing e de algumas pitadas de magia...rssss.
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