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Luiz -
Quando se deu e como foi a descoberta pela Literatura,
pela Poesia? |
| GD -
Creio que vem de berço, como se diz lá no
nosso Sertão de Ibititá/Irecê,
nos contrafortes da Chapada Diamantina Setentrional...
O interesse pela Literatura e pela poesia vem da forte
tradição oral do Nordeste e da cultura
negra e indígena da Bahia e também por
influência destacada das cantorias, repentes,
estórias, causos, anedotas, parlendas, adivinhas,
missas, cultos, procissões, literatura de cordel
e do burburinho das feiras populares e dos empórios
comerciais (vendas, bodegas, armazéns) e das
ruas, quintais e praças. O meu contato mais
direto com a poesia deu-se muito cedo, muito precoce,
nos primórdios da infância, lá pelos
3/4/5 anos, ouvindo o canto dos pássaros, da
aves e o mugido das vacas e dos bois, das cabras e
ovelhas e dos animais do Sertão de meu Deus
e de todos os santos e orixás... Ouvi muito
repente, causos e estórias nas portas de casa.
De vez em quando os moradores arriscavam/tiravam/entoavam/puxavam
versos, pensamentos, máximas, conselhos, adágios,
pensamentos, aforismos, anedotas e adivinhas... e eu
ali pequenino testemunhando a epopéia de um
povo resistente, luminoso, valente, corajoso e poético
por natureza... No âmago dessa gente tornei-me
poeta a palestrar com trabalhadores rurais, gente do
povo, nas roças e nas casas, nos ranchos e choupanas,
nos arraiais, vilarejos e povoados sertanejos, nos
mutirões/adjutórios, nas vaquejadas e
contatos com poetas populares, contadores de histórias,
vaqueiros, feirantes, mascates, ciganos, vendedores,
tropeiros, moradores e viajantes, que embeberam-me
de poesia e do gen da literatura... Convém ressaltar
as leituras do ABC tradicional, das cartilhas, das
taboadas, dos almanaques, do Lunário Perpétuo,
dos folhetos de cordel-romances-abcs, dos catecismos,
revistas da escola dominical e principalmente da Bíblia,
com os Salmos de Davi e Provérbios do grande
sábio-rei Salomão, além do Apocalipse
de São João, livro repleto de enigmas
e mistérios...sem esquecer do Pentateuco de
Moisés... O Livro de Jó, o livro de Ezequiel
e as profecias de Daniel. A marcante influência
bíblica deu-se nos primórdios da infância
até os 11 anos, quando comecei a frequentar
a Biblioteca da Escola Polivalente de Irecê e
participei intensamente do Clube de Leitura, inclusive
como diretor e promotor de leitura. No mesmo período
fui diretor cultural e orador do centro cívico
da escola... Foi uma ótima oportunidade para
ler diversos tipos de livros: romances, poemas, contos,
crônicas, ensaios, biografias, narrativas, enciclopédias,
coleções, livros infantis e juvenis,
livros didáticos, dicionários, revistas,
jornais... sempre fui um leitor contumaz, um devorador
de livros. Li a Bíblia algumas vezes. Muito
apreciava a leitura de dicionários, breviários,
seletas, coletâneas, antologias diversas e a
solução de palavras cruzadas. Fui colecionador
de revistas em quadrinhos/gibis e livros de bolso,
sobressaindo os de suspense, ficção científica
e de espionagem (Tudo isso dos 10 aos 15 anos). Me
marcou o livro "A Ciência e o Espaço
Cósmico" e a leitura do Apocalipse. Depois
dos 15 mudei para livros de literatura, basicamente
de ficção: romance e poesia. Ouvi muitas
histórias de reis, rainhas, heróis, condes,
duques, duquesas, barões, baronesas, aventureiros,
valentões (Juvenal e o Dragão), donzelas
(Donzela Teodora) revoltosos- Coluna Prestes, coronéis,
jagunços, cangaceiros, rezadeiras, benzedores,
adivinhos, bêbados, feiticeiras, beatos, romãozinho,
lamentações das almas, cavaleiros, aventureiros,
Pedro Malazartes, João Grilo, Bocaje/Bocais,
místicos e todos os aspectos míticos
e arquetípicos da cultura mágica e poética
do sertão nordestino, o nosso estado-país
do Polígono das Secas, habitado por aleivosias
e assombrações, almas do outro mundo
e tantas crendices e lendas peculiares ao nosso destemido
e forte povo sertanejo... remanescentes de Lampião,
Maria Bonita, Corisco, Dadá, Antônio Silvino,
Jesuíno Brilhante, Quelé do Pajeú,
Manoel Quirino, Horácio de Matos, Militão
Coelho, Hermógenes, Lucas de Feira, Volta Grande
e do Bom Jesus Conselheiro de Canudos e de seus seguidores
e descendentes.
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Luiz -
Como se deu a trajetória de um baiano de
Ibititá, lá nos cafundós do Nordeste,
até chegar a presidir sindicato da categoria em
Brasília?
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| GD -
Tudo se deu a partir de dezembro de 1975 quando concluí o
primeiro grau lá no Sertão de Irecê,
Terra do Feijão e de repente surgiu uma oportunidade
de vir para Brasília. Foi num lampejo, jogo
rápido. Foi a minha primeira grande aventura,
o primeiro ato de rebeldia...vim para um mundo desconhecido
com apenas 15 anos e foi interessante, muito instigante.
Foi uma viagem e tanto... Meu Caminho de Santiago...De
Irecê a Ibititá/Recife dos Cardosos, depos
Canarana, onde pegamos uma camionete até Seabra...
Quase um pau-de arara...depois fomos num ônibus
da antiga viação Paraíso, até Barreiras...íamos
com gente, bodes, galinhas e ovelhas, uma autêntica
Arca de Noé dos Sertões, em triste/feliz
partida para o desconhecido . Em Barreiras fizemos
baldeação e pegamos outro ônibus
que aos trancos e barrancos nos levou até Brasília.
Foram 2 dias de viagem até aportarmos na capital
federal...antes passamos por vários sacrifícios,
dificuldades e atoleiros...ainda tinha um grande trecho
de terra na BR-20-Brasília-Fortaleza, de Barreiras
até Roda Velha e de lá até Posse/Alvorada
do Norte... Foi uma autêntica aventura de um
catingueiro nos cerrados do Planalto Central... Aqui
aportei no dia 22 de dezembro de 1975, de mala e cuia,
sem parente nem aderente e fui parar na Asa Norte,
na 404, próximo à UnB, onde fiquei poucos
dias, indo logo depois estudar no Colégio Agrícola
de Brasília, próximo a Planaltina, Morro
da Capelinha,Vale do Amanhecer e Pedra Fundamental,
depois de passar em concurso entre os primeiros colocados,
concluí após 3 anos o Curso Técnico
em Agropecuária. Era uma escola-fazenda, de
alto nível, no meio do Cerrado, aula o dia todo
e muito estudo à noite. Lá morei por
3 anos e aprendi muita coisa. Fiz contatos com gente
de todo o Brasil. Foi lá que li muitos livros:
romances, poesia, ensaios, livros técnicos,
foi um grande aprendizado para mim...a área
era convidativa para a meditação, a reflexão
e a poesia... e tinha uma biblioteca razoável,
meio escondida e de difícil acesso aos livros...lá conheci
a obra de Rosa, Machado, Drummond, Gibran, Jorge Amado,
Graciliano, Robert Charroux, Reich e vários
livros dos modernistas e regionalistas brasileiros,
autores internacionais, científicos, espiritualistas,
religiosos, místicos e ocultistas. Depois veio
a UnB-Universidade de Brasília, o curso de Letras,
os centros acadêmicos, DCE, UNE e por fim o Sindicato
dos Escritores. Fui apresentado a alguns escritores
quando estudava na UnB, no Departamento de Letras.
Tive como professores Cassiano Nunes, Eudoro de Sousa,
Domingos Carvalho da Silva, João Ferreira, Climério
Ferreira (Parceiro de Fagner e Dominguinhos), Leda
Breitenbach, Elício Pontes, Aloílson
Pinto, Angélica Madeira, Venício Artur
de Lima, Manuel Vilela Magalhães, Antônio
Sales, Antônio Barros, Aglaeda Facó, Sérgio
Waldeck de Carvalho, Cristina Leal, Stella Bortoni,
Luiz Piva, Diana Bernardes, Maria de Jesus Evangelista,
tudo isso ainda em 1979/80, em plena ditadura militar
e na efervescência do movimento estudantil. Participei
em 1979, com vários poetas da UnB e da cidade,
da Primeira exposição literária
do Departamento de Letras, coordenada por Sâmia
Kouzak, que me deu a maior força e incentivo.
Meu trabalho foi muito apreciado pelo público.
Desenvolvi a veia repentista e cordelista e atuei como
trovador e cantador de 1979 a 1985, fazendo uma performance
destaque em Congresso Nacional de Repentistas em Ceilândia
-DF(1980), com a Guerra do Armagedom, sendo entrevistado
pela professora Silvie Raynal, da Universidade Sorbonne
e Pottiers, França e elogiado por vários
estudiosos e pesquisadores como Joseph Luyten, Sebastião
Nunes Batista, Paulo Nunes Batista, Franklin Machado
Nordestino, Sinésio Alves, Aírton Pimentel.
Depois do Festival de Ceilândia fiz apresentações
no Rio, São Paulo, Bahia, Minas, Alagoas, Sergipe,
Espírito Santo, Goiás e em várias
escolas e universidades de todo o Brasil...Talvez tenha
sido o momento mais agitado e criativo de minha vida...Conheci
tantos poetas, pensadores e artistas nesse período(1977/1988)
: Ferreira Gullar, Thiago de Mello, Carlos Drummond
de Andrade, Vinícius de Moraes, Gilberto Gil,
Mercedes Sosa,O ctávio Paz, Ernesto Cardenal,
Zé Ramalho, Ednardo, Belchior, Vital Farias,
Xangai, Elomar, Décio Marques, Raul Seixas,
Renato Russo, Cássia Eller, Grupo Água,
vários repentistas e cordelistas: Otacílio
Batista, Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, Daudeth
Bandeira, Rodolfo Coelho Cavalcante, Franklin Machado,
Paulo Nunes Batista, Carolino Leobas, Maxado Nordestino,
João Lucas Evangelista... e criadores como Paulo
Freire, Norberto Bobbio, Duverger, Glauber Rocha, Nélson
Pereira dos Santos, Rogério Sganzerla, Arrrigo
Barnabé, José Celso Martinez, Itamar
Assunção, Rachel de Queiroz, Bernardo Élis,
Haroldo e Augusto de Campos, Darcy Ribeiro, Ignácio
de Loyola Brandão, Edenilton Lampião,
Cora Coralina, Autran Dourado, Fernando Sabino, Paulo
Mendes Campos, Oswaldino Marques, Cláudio Santoro,
Antônio Houaiss, Francisco Alvim, Leila Miccolis,
Cairo Trindade, Glauco Mattoso, Dinah Silveira de Queirós,
Márcio Sousa, Ziraldo, Umberto Eco, Gianfrancesco
Guarnieri, Caetano Veloso, Jorge Mautner, Jorge Melo,
Grupo Uakti, Odete Ernest Dias, Sílvio Tendler,
Geraldo Moraes, Vladimir Carvalho, Athos Bulcão,
Maria Coeli, Hermeto Pascoal, Roberto Correia, Menezes
Y Moraes e tantos outros. Foi aí que surgiu
o pseudônimo Amargedom, devido a um poema-cordel
que fiz sobre o fim do mundo e a guerra do Armagedon,
que parece tão próxima, com os belicistas
e falções de plantão...Paz...
Foi nesse período que aumentei o meu cabedal
literário, com uma freqüência constante à Biblioteca
Central da UnB e a algumas livrarias. Daí veio
uma participação ativa no movimento político
e cultural da Universidade. Nos primeiros meses ainda
morava em Taguatinga, uma progressista cidade - satélite
de Brasília, onde criei o cineclube Gritto e
participei da Associação de Arte e Cultura,
do Grupo Caxadágua e da Faculta. Depois fui
morar no CO-Centro Olímpico, onde ficava o alojamento
estudantil. Foi um período de ouro, muitos contatos,
muitas amizades, conhecimentos e dificuldades. Criamos
eventos, shows, espetáculos, exposições...era
um movimento de resistência ao clima de repressão
instaldo na UnB e em Brasília. Vivíamos
os estertores do regime militar e a UnB era conduzida
por José Carlos Azevedo, reitor capitão
de mar e guerra, que tinha muito poder junto aos militares...a
UnB era conhecida por "Quintal do Planalto".
Vivíamos vigiados e grampeados, dizem que tinha
um espião em cada sala de aula e em cada apartamento...mas
a época era favorável ao desbunde e às
festividades. A conscientização política
era controlada pelos poderosos de plantão. Foi
aí que comecei a militar no movimento cultural,
freqüentando os grupos culturais, Gritto, Caxadágua,
Cabeças, Cuca, Expoarte, grupos de poesia, de
música, de teatro e de cinema. Participei ativamente
do movimento cineclubista no SESC, em Taguatinga e
na Universidade. Tive relativa influência de
grandes agitadores culturais: jornalistas Pompeu de
Souza, Ézio Pires, Marcílio Farias, Maria
do Rosário Caetano e Márcia Macedo, dos
poetas Esmerino Magalhães, Celso Moliterno e
Cassiano Nunes, da flautista Odete Ernest Dias, dos
maestros Jorge Antunes, Emílio Terrazza e Cláudio
Santoro e do Produtores culturais José da Mata,
Antenos Gentil Júnior, Néio Lúcio
e Maria Duarte, dos atores e diretores Ari Pararraios,
Délson Antunes, Fernando Villar e B de Paiva,
dos artistas Delei, Zé Nobre, Renato Matos,
Renato Russo, Edgar Santana, Cláudio Geraldes,
Maria José Costa Sousa, Alex Chacon, Carlinhos
Ceará e Nélson Maravalhas e de muitos
amigos e estudantes como Paulo Bandeira, Carlos Amaral,
Newton Estrela, Fernando Machado, Raimundo Nilton,
Chico Pünk, Polanski, Paulinho da 5, Rubinho,
Jurema Lavor, Bernadete Nogueira, Marilene Tavares,
Moema Campos, Rômulo Tavares, Marquinhos, Jorge
da Capadócia/Ivonildo, Sâmia Kouzak, José Alves
Donizeth,Vino, Jarbalino, Cid, Márcio Araújo,
Beto Almeida, Érica Kokai, Afonso Magalhães,
Alexandre Nominato, Joel de Assis, Ronaldo Mousinho,
Paulo Afonso Barcarense, Ivaneck , Vera Lopes, Hélio
Franco, Zé Cascão, Rudolfo, George Jesus
Duarte, Tony Pessoa, Heloísa Helena, Luiz Carlos
Mineiro, Paulo Caverna, Joaquim Nogales, Edson Portela,
Marcelo e Flávio Montiel e os colegas do curso
de Letras e moradores do Centro Olímpico, os
grupos das Livrarias Galilei, Presença e do
Bar Beirute. Destaco aqui fatos, grupos e pessoas que
foram importantes no período, que me influenciaram
em vários aspectos, gente de todo o Brasil e
até do exterior. Comecei a militar no Sindescritores
muito jovem, praticamente participando do auge de sua
fundação, tendo à frente os escritores
Alan Viggiano e Antônio Carlos Osório,
ambos foram presidentes do Sindicato. A partir daí participei
ativamente de reuniões, palestras, debates,
protestos, comícios, performances, intervenções,
dabacuris, instalações, encontros, seminários
e eventos literários e culturais dos mais diversos
níveis. Estávamos envolvidos em todos
os movimentos importantes e de destaque em todo o DF.
Criei na UnB, no Anfiteatro 9, o show do Arroto, após
o almoço, nas terçãs e quintas-feiras.
Foi um momento grandioso da UnB: Por lá passaram
grandes artistas do Brasil e artistas mambembes de
Brasília e de outros estados. Eu, o poeta e
jornalista Anand Rao, Argemiro Neto, jornalista e cantor,
demos início ao famoso show. Fizemos tudo no
grito, reunimos os estudantes no bandeijão(restaurante)
e os convocamos para o evento. Foi um sucessssso: Poetas,
repentistas, agitadores, atores, estudantes, professores,
servidores e visitantes, foi um espetáculo inesquecível.
Depois tivemos o apoio de outros artistas e poetas
como Paulo Bandeira, Eduardo Rangel, Zelito Passos,
José Antônio, Alexandre Nominato, Lúcio
Andrade, Carlinhos Ceará I e II e do pessoal
da Arquitetura, de Letras e dos Centros Acadêmicos,
do DCE e da UNE. Ao mesmo tempo criei o Centro Acadêmico
de Letras onde fui dirigente e coordenador cultural,
desaguando em movimentos importantes como a EXPOARTE
e o FLIMPO, movimentos culturais de grande significado,
que reuniam estudantes, professores, escritores, servidores
e a comunidade. Foi no Show do Arroto, nas Expoarte
81, 82 e 83 e no Flimpo, que os artistas tiveram o
seu palanque para a conquista de novos espaços.
Por lá circulavam com freqüência
Renato Russo e o seu Aborto Elétrico, a turma
do futuro Legião Urbana, Plebe Rude e Capital
Inicial , conhecido como Punks da colina, residência
dos professores. Muitos freqüentadores e artistas
eram filhos de militares, professores, empresários,
servidores públicos graduados, diplomatas e
até de alguns figurões da Ré-
pública...os conhecidos "filhinhos de papai".
Eu estava por ali meio deslocado, um filho de sertanejo,
sem muitos recursos e algum talento, entretanto tive
um papel importante, apesar da falta de dinheiro e
de estrutura...Sobrevivi...E estou vivo até hoje...rssss,
enfrentando a barra-pesada do dia-a-dia, com entusiasmo
e esperança no futuro. |
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Luiz - Como é que
se dá num país como o Brasil, de quase
nenhum leitor, as atividades de sindicato de escritores
e poetas?
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GD - São atos de resistência
contra o Apartheid Cultural estabelecido. Vivemos em uma
sociedade elitista e segregacionista, onde quase tudo o
que se faz é voltado para o "besteirol" e
para a alienação dos jovens e das pessoas.
O massacre é constante com os noticiários
e manchetes jornalísticas que destacam a violência,
o consumismo, as guerras, crimes, novelas, modelos, enlatados,
acidentes e as notícias de cunho político.
Boa Cultura é um fato muito raro...literatura quase
nunca aparece, principalmente a partir dos anos 90, quando
as redações foram quase todas dominadas pelos
ditos "comunicólogos de carteirinha",
na visão do Poeta Cassiano Nunes... que só entendem
a linguagem da indústria cultural, das grandes gravadoras
e editoras...Coitados dos poetas e artistas da periferia,
jamais terão qualquer chance de divulgar os seus
trabalhos. Já soube de vários relises de
poetas e artistas que foram esnobados, ignorados e jogados
no lixo...Será que é só em Brasília?
Na verdade alguns pretensos "iluminados" nos
acham uns "chatos". Não se valoriza o
artista e o escritor que não seja apadrinhado por
grandes empresas ou políticos poderosos. Brasília
carece de infra-estrutura cultural de divulgação,
pesquisa, edição e distribuição
de livros e cds. O empresariado local não patrocina
arte e a cultura da cidade, conseqüentemente a mídia
pouco divulga e não apóia, porque não
tem publicidade, gera-se um circulo vicioso... O trabalho
do Sindescritores é árduo e difícil. É um
exercício de resistência permanente. Conseguimos
alguns avanços com alguns projetos autônomos,
como a Estante do Escritor Brasiliense, O Encontro com
a Palavra, O Fórum Permanente de Escritores, Recitais
Poéticos e lançamentos de livros em bares
, restaurantes e espaços culturais. Participamos
de algumas Feiras de Livro em Brasília, Rio, São
Paulo e de encontros, congressos e eventos em vários
estados. Experiências vitoriosas desenvolvidas em
minha passagem pela Secretaria de Cultura/Fundação
Cutural, no exercício da Gerência de Literatura(1995/98).
Atualmente, não temos nenhum apoio governamental,
pelo contrário, somos sempre esquecidos, pois a
inteligência incomoda os plantonistas do phoder,
que não querem um povo que pense e questione. Eles
querem uma sociedade de robôs, lacaios e escravos,
que votem sempre sem questionar, nunca digam não
e que de preferência não leiam nada e que
só tenham como diversão as novelas, os desenhos,
filmes de guerra, de costumes e que mantenham o estabelcido
e o Status Quo...Quase ninguém quer saber de escritores,
poetas, livros e bibliotecas...Acham melhor fomentar os
comandos dos Schwazerneggers e Rambos da vida...tipo o
que ocorre na vida real. Vide Bósnia, Kosovo, Afeganistão
e Iraque...Ler, Pensar é muito perigoso...Enquanto
isso os cadernos culturais dos jornais estão abarrotados
de colunas sociais, palavras cruzadas, horóscopos,
e$oterismos, fofocas, comentários de novelas e outras
besteiras do tipo...Como alguns dizem: Poesia não
dá dinheiro...não tem gancho para a notícia...a
não ser que o sujeito tenha um empresário-editor
por trás, dólares a rodo para publicidade.
...Ou seja sem dinheiro nada feito... como disse Cazuza: "Enquanto
houver burguesia,não vai haver Poesia"...Entretanto
nós resistiremos e sobreviveremos...pois os poetas
são as antenas da raça...creio...Subsisito...Insisito...Persisto... |
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Luiz -
Que atividades o Sindicato tem desenvolvido na
promoção da Literatura? ? |
| GD -
Realizamos poucas atividades, devido aos parcos recursos,
entretanto o pouco que se exercita é fundamental
para o desenvolvimento da literatura... Apoiamos e
incentivamos palestras e debates literários
nas escolas, UnB, faculdades, embaixadas, bibliotecas,
bares, restaurantes e espaços culturais. Desenvolvemos
uma política de direitos autorais, com orientação
aos nossos sindicalizados. Atuamos na divulgação
dos livros de nossos autores com relises para a mídia.
Incentivamos os autores com a Estante do Escritor Brasiliense,
já inauguradas na Universidade de Brasília,
Católica, Michelangelo, Uniceub, algumas faculdades,
escolas públicas e particulares, bibliotecas,
espaços culturais e políticos, livrarias,
cafés, bares e restaurantes. Participação
em Feiras de livro e eventos literários diversos.
Apoio a recitais poéticos e ao evento Noite
de Poesia em bares, cafés e restaurantes. Apresentação
de autores para captação de recursos
junto ao FAC e ao Minc. Divulgação de
concursos e eventos literários. Incentivo à construção
de sites literários individuais. Divulgação
das atividades sindicais e dos autores por meio de
3 sites literários: www.sindescritores.com.br
www.sindescritores.hpg.com.br http://geocities.com/sindescrdf/index.htm
Luta permanente pela regulamentação da
profissão de Escritor e para estabelecer a Literatura
Brasiliense nas Escolas. Incentivo à criação
de bibliotecas e espaços culturais Orientação
a estudantes e leitores sobre o papel do Sindicato
dos Escritores e sobre vida e obra de nossos filiados.
Apoio ao portal Usina de Letras e a outros portais
e sites literários Publicação
do Informativo Escriba, no momento em estudo para a
criação do Escriba Virtual. Participação
em comissões editoriais de revistas, sites,
grupos e jornais, em bancas de concursos literários
e de redação. Outras atividades diárias
essenciais ao desenvolvimento da literatura e de nossos
filiados. |
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Luiz -Como você vê a
política editorial nacional e a situação
dos que estão sem publicar por falta completa
de recursos e de apoio? |
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GD - Vejo com muita preocupação
e ansiedade. A política editorial brasileira é nefasta,
injusta e prejudicial aos autores. Torna-se necessário
a regulamentação da profissão de escritor
de uma forma moderna e flexível. Uma lei mais rígida
que garanta o direito de autor, inclusive na Internet.
Como funciona hoje, só privilegia as grandes editoras
e distribuidoras, os poucos autores canônicos e já consagrados.
Sugeri ao Lula e aos políticos, a reativação
do Instituto Nacional do Livro e a criação
dos Institutos estaduais e municipais do livro. Seria importante
a inauguração de bibliotecas funcionais em
todos os municípios brasileiros. Esperamos que o
novo governo seja mais atento e sensível para o
desenvolvimento de uma política cultural e editorial
mais justa e equilibrada. Muitos autores criativos e talentosos
ficam sem publicar pq as editoras não querem apostar
em literatura, muito menos em poesia. Eles querem ter a
certeza do lucro, o que é muito difícil num
mundo em cri$e permanente. Vivemos a Era da Incerteza.
Ninguém tem bola de cristal. São poucas as
galinhas de ovos de ouro. Vivemos a indústria dos
best-sellers e dos livros didáticos. Só se
dão bem os autores já estabelecidos, os apadrinhados
por grandes editoras e distribuidoras e aqueles que têm
espaço cativo nos jornais e na tv e que contam com
as benesses oficiais. Realmente são muito poucos...É preciso
uma mudança radical na área editorial no
Brasil e urge campanhas de leitura, de valorização
do livro, de combate ao analfabetismo e de barateamento
do custo do papel. Enquanto as grandes editoras e bienais
tem lucros astronômicos com a sua política
editorial elitista e meramente comercial, bons autores
amargam o anonimato e sofrem as agruras da falta de apoio
e incentivo do governo e do mercado editorial. Alguns mais
persistentes conseguem de quando em vez edições
por meio de concursos literários, muitas vezes,
de cartas marcadas e pouca credibilidade. O autor precisa
além de muito talento, muita sorte, bom marketing
e de algumas pitadas de magia...rssss. |
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