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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qua Dez 14, 2005 3:29 pm |
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Triunfo
--- Walter Medeiros
Essa tristeza novamente,
Esse sofrer na despedida,
Essa tua nova partida,
Essa igualdade diferente.
Um novo adeus que entristece,
Uma nova hora da viagem,
Um novo avião nessa paisagem,
Que pelo céu desaparece.
A lágrima que cai, fria e brilhante,
Pelo rosto tão sofrido de uma mãe,
A repetir “Deus te acompanhe”,
Filho querido e triunfante.
Os olhares silentes e carinhosos,
A saudade que envolve e aquece,
Nessa hora que ninguém esquece,
Com solfejos pré-silenciosos.
E o tempo que a tudo nos conduz,
Até no esperar do reencontro,
Traz o consolo que tá sempre pronto,
De que voltará com amor e luz.
---
FELIZ 2012!
---
Cordel do Português, que mostra o fácil da nova ortografia
--- Walter Medeiros
O mundo é muito bom
Para quem sabe viver
E quem gosta de aprender
Sabe usar palavra e som;
Por isso vou escrever
O que já pude entender
Sem estresse ou frisson.
Falo da formulação
Da nova ortografia
Pois está chegando o dia
De virar obrigação;
E agora, quem diria!
Coisas que a gente escrevia
Não pode escrever mais não.
Não esquente, meu amigo,
Pois não é um teorema
Começando pelo trema,
Pois ele foi abolido;
Agora o novo sistema
Não é mais nosso problema
Só estrangeiro é mantido.
Para ser bem comedido,
Acho bom lhe explicar
Você só vai aplicar
O trema, quando ocorrido,
Se o nome que encontrar
For de país ou lugar
No estrangeiro definido.
Para se ter mais firmeza
Sobre as alterações
Novas normatizações
Para a língua portuguesa
Vêm de acordo dos bons
Que elimina os senões
E que traz muita certeza.
Brotando da natureza
Essa mudança tão boa
Foi assinada em Lisboa
Mas não é uma moleza
Pode não ter mais coroa
Mas é bela a ressoa
De Brasília a Fortaleza.
Sem ardil ou esperteza
Vamos ver o que mudou
O alfabeto ganhou
Três letras da língua inglesa
Todo mundo já usou
Pois não desacostumou
K, w, e y – beleza!
Quilômetro e quilograma
Têm símbolos com k,
Watt com w está
E o k em kafikiano;
Agora vamos grafar
Yang e show em pá
E playground todo ano.
Sem o trema vai ficar
Aguentar, arguir, bilíngue,
Cinquenta, sagui, delinque
Eloquente, ensanguentar
Equestre, frequente, ringue
Lingueta, quinquênio, brinque,
Tranquilo não mais terá.
Precisa também olhar
Toda acentuação;
Em muita situação
As regras irão mudar,
Mas não tem complicação
Basta prestar atenção
Para logo assimilar.
Vamos deixar de usar
Acento em ditongo aberto
Éi e ói não é mais certo
Na penúltima sílaba
Não olhe agora pro teto
Precisa ficar esperto
Prá nova forma encontrar.
A forma certa agora
É alcaloide, alcateia
Androide, apoia, plateia,
Asteroide e boia, ora!
Celuloide e colmeia
Claraboia e Coreia
Estreia, não te apavora.
Tem ainda debiloide,
Epopeia, estoico, estreia,
Geleia, heroico, ideia
Paranoia, paranoico,
Jiboia, joia, odisseia
enfim tramoia e plateia
O acento não é mais lógico.
Todos precisam saber,
Continuam acentuadas
As palavras terminadas
Com aquele mesmo dizer:
Papéis, herói, não mudadas
troféu, troféus muda nada
assim vamos escrever.
Quando for paroxítona
Vinda depois de um ditongo
O rol não é muito longo
Cabe nas cordas da cítara:
Baiuca, Cauila, um gongo,
bocaiuva até no Congo
e feiura sem barítono.
Vamos ver também aqui
Acentos que continuam,
Pois ainda se acentuam
No antes e no porvir;
tuiuiú, até na lua
tuiuiús, do campo à rua
E o majestoso Piauí.
Não se usa mais o acento
Em palavras terminadas
Em êem e ôo(s), cada,
Basta olhar num momento;
A escrita facilitada
Nestas letrinhas dobradas
Parece ser o intento.
Outra medida legal
Para ser apreciada
Pode ser logo adotada
Com o diferencial
Permanece acentuada
Pôde, pôr e quase nada
Só têm e vêm, e tchau.
Usando hífen agora
Não precisa se estressar
A palavra com h
Recebe o sinal na hora;
Quando um prefixo há
O termo composto está
Como em macro-história.
Também em proto-história
E sobre-humano hífen dá
Porém a exceção está
Na palavra subumano
Pois ela perde o h
E vamos ter de grafar
Sem motivo prá engano.
Quando vogais diferentes
Querem juntar as palavras
Hífen ali não se lavra
Nem para ser eloquente;
Forma o que se esperava
Do jeito que se falava
É feito um só elemento.
Aeroespacial
Coautor, coedição
Também autoinstrução
E agroindustrial;
Antiaéreo, irmão,
Autoescola em sua mão
Sem hífen é o normal.
Pode parecer maçante,
Mas é melhor acordar
Não precisa cochilar
Pois tem coisa interessante;
Como é aglutinar
Alguma vogal que há
Com umas certas consoantes.
Hífen vem com r e s,
Outras consoantes não
Como em autoproteção
Veja lá se não esquece
Aneprojeto, então,
Bem como coprodução
O acento não merece.
Parece consolação
Como um amigo disse
Quando se junta com vice
Aparece a exceção;
Não é nenhuma tolice,
Pois tem hífen, como disse,
Da capital ao sertão.
Vice-rei, vice-almirante
E por aí vai em frente
Mas a coisa é diferente
Quando a vogal vem antes
De elemento componente
Com r ou s iniciante
Duplica a letras da frente.
Antirrábico, ultrassom
Cosseno e contrarregra
Contrassenso, aí pega,
Antirracismo é bom
Antissocial é brega
Antirrugas, e a refrega
Minissaia e infrassom.
Para a mesma vogal
Deixar de se encontrar
O hífen tem de entrar
Na composição normal;
Veja contra-atacar
Como em semi-internar
Ficou assim bem legal.
Também com as consoantes
Acontece coisa igual
A mesma letra, e tal,
O hífen lá se garante;
Como em inter-racial
E inter-regional
Fica até bem elegante.
Diferentes consoantes
Se encontrando por ali
O hífen não vai surgir
Por mais que seja falante;
Hipermercado, já vi,
Superproteção senti,
E superinteressante.
Aqui não mostramos tudo
Pois era coisa demais
E nem mesmo os jornais
Mostraram tamanho estudo;
Quem quiser estudar mais
Pode ver os manuais
Que têm todo conteúdo.
Uma mensagem a vocês
Na hora de terminar
Precisam valorizar
Sendo assim o mais Cortez;
Língua mais bela não há
Aqui ou n’outro lugar
Que o nosso Português.
FIM
---
Mais cordéis - http://www.rnsites.com.br/cordeis.htm
---
Flores do dia a dia
--- Walter Medeiros
Caminho do trabalho,
Chovem-nos flores de ipê;
Roxas, claras, perfumadas, belas,
No pé de uma vasta duna.
Bela cena encanta,
Qual dia em Starnberg -
Ilha das Rosas, chuva de lírios
Brancos, perfumados, belos.
Qual encanto no chão,
Chuva de flores de jambo
Roxas, vivas, deslumbrantes,
Na esquina da minha rua.
---
Presença
--- Walter Medeiros
Algo sensacional
Domina meus sentimentos
No raiar de um novo dia.
Sinto algo sem igual
Envolver-me no momento
De tristeza ou de alegria.
É mesmo fenomenal
Como se um ameno vento
Rezasse a Ave Maria.
Um destemor pelo mal
Traz-me esse algo, lento,
Qual uma bela fantasia.
Mas isto não é normal
Nem é só meu pensamento
Que percebe: me arrepia.
Nem é noite de Natal
É minha mãe aqui dentro
Como em vida ela fazia.
E esse amor colossal
Abraço, lágrima, tempo,
Era tudo que eu queria.
---
Belo ducado
--- Walter Medeiros
Manhã ensolarada, inesquecível,
Momento de raríssima beleza,
Encantamento e brilho intensos
Em dois bilhões de corações acesos.
Pompas e circunstâncias bem reais
Deslumbram novamente nosso mundo
Dos plebeus aos nobres e cardeais
Num sintonizar tão raro e profundo.
Pairam sonhos dourados do cupido
Em busca de um olhar lindo, energético,
De princesa, de duquesa fatal,
Numa imensa multidão festeira.
Em tudo que se viu sentiu-se o belo
Que tanto bem proporciona aos olhos,
À alma, à mente, ao coração,
Neste mundo tão mal acostumado.
Pois o belo pode estar onde estamos;
O amor não tem farda ou véu de noiva.
No que amamos realizamos sonho,
E sempre há quem nosso reino louve.
---
Surpresa
--- Walter Medeiros
Uma saudade passou na minha frente, hoje.
Foi tão rápido, tão surpreendente!
Coisa linda essa, a saudade!
Que se foi pela avenida,
Segurando um cachorrinho pela coleira.
---
Apesares
--- Walter Medeiros
A gota d’água da chuva
Explodiu no chão da serra
E secou rapidamente
Ao sol, inclemente.
Era a última gota
Na seca do açude
E se desintegrou
No chão rachado e triste.
Aos olhos sedentos
Daquele nadador sertanejo,
Que sacode a poeira
Da roupa de couro de boi.
O facão desolado corta o coração,
Na ligeireza que passa
Do corte úmido do mandacaru,
Para molhar os lábios rachados.
A mão forte aperta a fé
E resiste em busca da vida,
Mesmo que sofrida, sedenta;
Mesmo que faminta.
---
Tsunami
--- Walter Medeiros –
Para aonde vai a Terra,
Com seu eixo desviado,
Seu povo submergido,
Suas urbes destruídas,
Governos desnorteados
Nesse imenso padecer?
Acho que vai passear,
Andando pelo universo
Feito a rês desgarrada
Que meu sogro procurou
Há mais de oitenta anos
Nos aceiros do sertão.
Ou vai expiar as bombas
Jogadas de aviões,
Navios, carros, canhões,
Nas cabeças inocentes
Por belicoso inimigo
Que despreza compaixão.
Neste dia da Poesia,
O que houver de lirismo
Está ligado ao Japão:
Pelos olhos da emoção,
Amor, solidariedade
E saudade no coração.
---
MOMENTO
--- Walter Medeiros
De repente algo forte
Em cada ponto do corpo;
Arrebate simultâneo
Que provoca um rubor
E pela face umas lágrimas
Na sensação de saudade
Que chaga no reencontro.
De repente forte abraço,
E um fluir de lembranças
De uns dias bem felizes,
Que marcaram a amizade,
Ora mais forte à distância;
E o feliz do rever,
Contando as novidades.
---
FRIEZA
--- Walter Medeiros
Passarinho pequenino
Debaixo de chuva
Procura comida,
Sacia a fome,
Pega uma palha
Na grama molhada
E, morto de frio,
Vai fazer seu ninho.
A frieza é grande,
No começo do inverno,
Mas ele canta e canta,
No verde do vale
E se junta a outros
Sacudindo a água
Do seu agasalho
De penas tão belas.
Que felicidade!
Nesta curta cena
De aves pequenas
No ar da cidade,
Coisa tão singela:
Começar o dia
Com tal romaria
Na minha janela.
---
BUSCA
--- Walter Medeiros
Que busco nas ruas
Escuras, úmidas,
Inquietas do mundo,
Senão o prazer do belo?
O belo da cor, do som,
Do gesto, da cena
- única de cada momento,
Da paisagem inesquecível,
Dos cheiros de cada hora...
---
SEMENTES
--- Walter Medeiros
Um dia as traças comeram um livro
E o livro foi embora para sempre
Deixando cá em mim uma semente,
Algo bem forte, duradouro e vivo.
Neste amanhecer que chega diferente
Hoje busco na memória um lenitivo
Pra rever certo passado tão ativo,
Animando vez por outra minha mente.
Nem a Internet me traz em um arquivo
Sobre amor e amizade, um incentivo
Nesta tela tão bela em minha frente;
Pois queria encontrar aqui, latente,
Aquele texto que se foi em frente
E nunca mais o li, mas bem cativo.
---
LISBOA
--- Walter Medeiros
As margens do Tejo
Respingam no peito
À brisa do jardim,
Enquanto o sol se vai.
A lua da minha noite
Leva-me para as ladeiras
De tanto amor e saudade,
Para ouvir o som do Fado.
No ar, as guitarras singram
Os corações emocionados,
Qual caravelas pelo alto mar
De tantos sonhos passados.
Lágrimas derramadas
Passam pelo rosto,
Emocionado pela voz
Da história de Lisboa.
---
ÂNSIA
--- Walter Medeiros – 08.08.2009
Dançarinos ilustram a bela toalha
Sobre a mesa do jardim de Mércia;
Brancos, tudo branco, sob o Céu nublado
Com esse azul úmido do veräo de Stuttgart.
Neste Céu passaram bombas, tantas bombas!
Criando uma montanha de escombros,
Mas hoje faço lentamente o meu caminho
Para sentir melhor o cheio das flores.
Amanhä estarei täo longe, täo longe,
Que a saudade faz questao de chegar antes
E já sinto a falta de täo amadas pessoas
Que vivem nessa terra bem distante.
Cada vez que volto aqui mais me apego
E na distâcia sempre a ânsia de voltar
Quero voltar logo, diminuir essa ânsia,
Mesmo uma distância maior do que o mar.
---
Isabella
--- Walter Medeiros
Uma sensação de amor fraterno
Tão forte quanto raro sentimento
Fisga o coração neste momento
Como se fosse um recado eterno.
A impressão é que esse pensamento
Vem da lembrança do teu rosto terno
Que hoje aparece em qualquer caderno
Mostrando ao mundo o teu sofrimento.
Pois Isabella, neste frio inverno,
Que faz o mundo bem mais friorento
Do que os homens queriam suportar,
Tua imagem aguça o amor paterno
Que precisa de um forte ungüento
Para a cada dia poder recomeçar.
---
Elos
--- Walter Medeiros
Elos distantes na vida,
Amores que se perderam
Pelos suspiros da noite
De olhares tão pidões.
Abraços longe no tempo
Perdidos como o perfume
Da pétala que murchou
E sumiu junto com o vento.
Elos da vida sentida
Com amor e afeição
Separados para sempre
Pelo passado perdidos.
Elos da ingenuidade
Da juventude fagueira
De tez tão aventureira
Desejo, amor, bondade.
Já sumiram tantos elos
Mas dentro do coração
Vê que nada foi em vão
Foram os feitos mais belos.
---
Zé Pereira
--- Walter Medeiros
Viva Zé Pereira,
Português danado,
Cabra sem enfado,
Pela vida inteira.
Viva o Carnaval,
Que tanto admiro,
Mas já me retiro,
Não me levem a mal.
Viva aquele samba,
Feito por Martinho,
Que canto baixinho,
Querendo ser bamba.
Viva a lembrança,
Do pó, do confetti,
Caetano, Zé Kéti,
Serpentina e lança.
Viva Paulo Maux,
Nosso eterno Rei,
Nunca esquecerei,
Mas sei que passou.
Viva nossos clubes,
De lindo passado,
Que está gravado,
Não há quem derrube.
Viva uma saudade,
Cá neste meu peito,
De amores sem jeito,
E de felicidade.
---
Luar da tarde
--- Walter Medeiros
O luar da tarde
Pelas palmeiras
Forma paisagem árabe
Na minha cidade
Tão nordestina.
O sol esquenta
A areia branca
Tão Saara
Aos pés ociosos
Que correm para o mar.
O palco da guerra
Banha o mundo
Com belas canções
Que cobrem as dunas
Na geografia da paz.
---
Certeza
--- Walter Medeiros
Sentir nas mãos os suaves lábios
que as beijaram
Como sentir o calor das belas mãos
que acariciaram
E sonhar.
Sentir que a vida deu raros momentos
de felicidade
Ao lado de alguém que tanto se desejou
com quem se viveu
E sofrer.
Sentir saudade ao lembrar alguma coisa
do amor
Que a natureza não pôde fazer impossível
por injusto
E lutar.
Sentir a vontade incontrolável de voltar,
de tê-lo
Porque é muito do que agora almeja
na vida
E esperar.
Sentir a certeza da volta em alguma hora
de fulgor
Por não acreditar na eternidade infeliz
do sofrer
E amar.
---
Fé
--- Walter Medeiros
Este amanhecer, cheio de encanto,
Tem sempre uma forte emoção;
Tão forte em meio à multidão
Tão alto qual a Torre de Anto,
Momento até de expor o pranto,
Vibrar bem solto cada coração;
Sentir assim a mais forte emoção,
De quem tocasse um sagrado manto.
É para mim um forte acalanto,
Para minha irmã e meu irmão,
Ouvir assim o som de uma canção
Traz-me tão bem que não sei quanto.
Madrugada de fé nesse recanto,
Grande festa da Apresentação;
Padroeira de um feliz rincão
Que nos protege de qualquer quebranto.
O aperto em meu peito é tanto,
Que sinto uma forte comoção,
Minha mãe com seu terço na mão,
Ali rezava com seu jeito santo.
A cada ano fico aqui, conquanto
Numa corrente feliz de oração,
Lembrando sua mensagem de união
Tão forte como pedra de amianto.
---
Quando partes
--- Walter Medeiros
Quando partes
Dói-me no peito
A tua ausência.
No pensamento,
Num momento
Vejo que penso
De imediato
Na tua volta.
Quando tu vais
Não tem jeito
A paciência.
É um tormento
Em meu intento
Como compenso
O triste fato
Depois da porta
---
Parnamirim de vitórias
--- Walter Medeiros
Forte torre do mundo, adiante!
Muito à frente do tempo a viver,
Bela à noite e ao amanhecer,
Sempre foste na luta gigante.
Tua história é bela e marcante,
Liberdade vive a florescer;
Ninguém pode jamais te esquecer,
Pois teu povo é o mais vibrante.
Parnamirim, Parnamirim,
Da vitória és o Trampolim.
Na história dos aviadores
És a base que ao mundo encantou;
Tua vida é um esplendor,
Desejada, oh! fonte de amores.
Para ti nós cantamos louvores,
Já que a história dignificou;
Uma linda paisagem formou,
Qual encanto das mais raras flores.
Parnamirim, Parnamirim,
Da vitória és o Trampolim.
Potiguar sempre determinada,
Tem um grande papel a cumprir
Todo o mundo te verá expandir
Na harmonia dessa gente amada.
Vai em frente, oh! Minha cidade,
Na verdade o bem construir,
Neste tom de chegar e partir
Abençoa tua sociedade.
Parnamirim, Parnamirim,
Da vitória és o Trampolim.
O progresso em ti fez morada.
És o bem do passado e futuro.
Tens a garra de um povo maduro
E uma vida entusiasmada.
Vou dar vivas, cidade amada,
Com o meu sentimento mais puro
Teu formoso estandarte seguro
Cada hora da feliz jornada.
Parnamirim, Parnamirim,
Da vitória és o Trampolim.
---
Partir agora
--- Walter Medeiros
O relógio passa, inexoravelmente, os segundos e minutos,
Fazendo as últimas horas dos últimos dias de trabalho aqui.
Aqui, significa um lugar para aonde viemos um dia,
Cheios de sonhos, esperanças, expectativas e vontades.
Aqui chegamos e fizemos o que o dia-a-dia permitia,
Principalmente amizades sinceras e duradouras.
Aqui vivemos, aos poucos, belos momentos importantes,
Entre eles alguns que trouxeram inesquecíveis emoções.
Aqui encontramos algo até então desconhecido e fascinante,
Que transformou nossas vidas em melhor que antes.
Aqui tentamos coisas que até nem conseguimos,
Mas faz parte da vida essa prática humana do tentar.
Aqui conseguimos coisas que jamais havíamos imaginado,
Pois a vida tem também dessas surpresas boas para nós.
Aqui tentamos apor marcas que fizessem a transformação,
E acreditamos que algumas delas algum dia serão notadas.
Aqui conseguimos enxergar o amor em tantos olhos,
Tantas vidas que chegam e saem em busca de dias melhores.
Aqui encontramos amizades que estavam tão bem guardadas
E depois de tantos anos surgem para existirem para sempre.
Aqui sentimos fragilidades humanas que se dissipam,
Porque a vida só precisa preservar o que chega ao futuro.
Aqui convivemos com olhares tão belos e profundos,
Que já guardamos para sempre com profunda admiração.
Aqui encontramos verdades amáveis e carinhosas,
Que a nós fizeram e continuarão fazendo tanto bem.
Aqui convivemos com mãos sonhadoras e de luta,
Que semeiam pelo corpo humano o fio da perfeição.
Aqui circulam incontáveis e saudáveis lenitivos,
Que todo dia curam e aliviam tantas dores.
Aqui vimos tanta gente se encontrando em sorrisos,
Festejando o encontro feliz dos cidadãos.
Aqui ressoa um poder de profissionalismo,
Que se enraizou no povo e se desenvolve.
Aqui encontramos agora o que não procurávamos,
Um momento assim, cheio de saudade. ADEUS!
---
Onde estará?
--- Walter Medeiros
“Dio, come te amo!”
Uma voz, um violão,
Uma belíssima canção,
atravessando os anos.
Distâncias, desencontros,
Despedidas, desenganos,
Atravessando os anos,
Os sentimentos são tantos.
Nem certezas prá chorar,
As dúvidas sempre matam,
As tristezas arrebatam,
Saudade corre no mar.
Chega um mar de saudade,
Transbordando na canção,
Aquela canção que invade
Nas horas de solidão.
---
Pegadas
--- Walter Medeiros
Manhã quente, o povo ferve
Nas calçadas do Alecrim*,
Onde piso umas pegadas
Deixadas há tanto tempo,
Nos dias da juventude,
Aos sonhos das madrugadas.
*Bairro de Natal (RN)
---
Amargor (Refrão Brega)
--- Walter Medeiros
Não quero mais te ver.
Não quero mais te ver.
Te amo, de adoto,
Mas não quero mais te ver.
(Vale uma explicação: essa declaração revoltada foi anotada como brincadeira para um amigo compositor completar uma música. Ele pôs o meu manuscrito no bolso e ali ficou. Na hora de lavar a calça, a mulher dele ficou furiosa, por achar que se tratava de um bilhete de alguma “outra”. Tive de explicar a ela do que se tratava).
---
Tempos
--- Walter Medeiros
A brisa do rio traz um forte
Palpitar do coração
Na hora de ultrapassar o
Portão do tempo.
A mesma cancela que usava
Naquela era tão jovem,
O cheiro que vem do chão
Transportam na lembrança.
---
AO CINEMA
--- Walter Medeiros
A vida seria uma LOVE STORE,
Quem sabe um ADEUS ÀS ILUSÕES
Ou DIAS DE VINHOS E ROSAS,
Pois meu DEUS, COMO TE AMO!
Mas A NOVIÇA REBELDE se foi
Talvez passasse em CASABLANCA,
Vez que QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER
Ás vezes aprecia o DR. JIVAGO.
No escuro pego um CANDELABRO ITALIANO,
Recordo a Sofia que amou EL CID
E aquela bela jovem que amou BEN HUR
Assistindo a paixão de DIRT DANCE.
Ah! Que linda a SINFONIA DE PARIS,
Onde já se pensava em UMA LINDA MULHER;
Não se fazia tanta PROPOSTA INDECENTE,
Tudo era profundo como GOHST.
Que bom é o PEFRUME DE MULHER,
Tipo as passageiras do TITANIC;
Viraram o SUPLÍCIO DE UMA SAUDADE,
Foram pela vida E O VENTO LEVOU.
---
Convivência
--- Walter Medeiros
Ao som dos galhos, que balançam com o vento da tarde,
Sob o Céu azul, aonde passam nuvens bem brancas,
Viajo no tempo e lembro uma tarde em que fui tão feliz.
E sinto que sou feliz somente por estar lembrando,
Teu rosto lindo, o mais lindo que um dia eu já vi,
Que, abençoado, guardo eternamente em minha memória.
Um passarinho chega e pousa em um daqueles galhos,
Solta o seu canto do alto, como que chamando o tempo,
Para de novo trazer aquele dia mais feliz da minha vida,
E no balanço da rede, que me leva pra tão perto agora,
Sonho com a breve chegada de uma nova aurora,
Enquanto o coração manifesta tudo que por ela eu sinto.
É um coração emocionado com o amor que sente,
Ligado a um único momento que um dia ele gravou,
Uma lembrança feliz que vale por toda existência,
Em meio aos galhos, flores vermelhas aparecem ao longe
Com o carmim que simboliza a história de um amor
Que o tempo fez surgir e nunca vai conseguir apagar.
---
Incógnito
--- Walter Medeiros
O líder de outrora é incógnito:
Ninguém o reverencia,
Não lhe conhecem,
Paira uma nuvem de indiferença.
Sumiram aquelas mãos que acenavam
Arriaram as bandeiras vibrantes,
Os retratos agora são lixo reciclado,
Apenas seu olhar liga ao passado.
No rosto, a emoção da lembrança,
No peito, uma palpitação da saudade,
Na rua nenhuma sombra curiosa,
Apenas aquele ser abandonado.
É isso mesmo essa vida.
Na sua consciência da história,
Sabe que de toda aquela sua lida
Resta somente para si sua glória.
---
Perfume
--- Walter Medeiros
Sinto no ar um perfume de rosas,
Daqueles que os anjos deixam ao passar,
Parece que anunciam ao meu redor,
Que uma santa paz reina neste lugar.
Agradável perfume, como te explicar,
Se as rosas estão em outro lugar?
Será que no vento trouxeste de longe,
Ou foi mesmo um anjo a me visitar?
Se foi mesmo um anjo, que felicidade,
Será que mereço tal visita, assim?
Ou será que em algum outro lugar,
Existe alguém rezando por mim?
Seja lá o que for, é uma bênção,
Que meus pais já não podem aqui dar,
Mas pelo tanto que neles eu penso,
Quem sabe, não são eles a me olhar?
---
Como explicar
--- Walter Medeiros
Como explicar o que sinto,
Se apenas vou sentindo
Tudo que prá mim vem vindo.
Só sei que parte de ti
Esta sensação ardente,
Que estremece meu peito
Sem deixar-me o direito
De organizar minha mente...
Como explicar o que sinto,
Se o que estou sentindo
É como algo se extinguindo
Num imenso labirinto;
Se não dá prá meditar
Nem querer saber agora
Como algo que evapora
E que quero aproveitar...
Como explicar o que sinto
Nesta vibrante energia
Que logo me contagia
Quando teus olhos eu fito,
Se toma conta de mim
E me deixa eletrizado,
Completamente tomado
De perfume de jasmim...
---
Vinte e nove de março
--- Walter Medeiros
Datas da vida e da sorte
Guardadas nas emoções
Pelo tempo e pelo espaço
Qual som de belas canções
Que trazem lembrança forte
Com o calor de um abraço;
Às vezes roubam o norte,
Geram grande confusão,
Esquentam feito mormaço
Como Isabella em aflição
Que teve bárbara morte
No 29 de março.
---
Eras
--- Walter Medeiros
De onde vem esta saudade,
Que faz lembrar distâncias,
E viajar feliz e triste no tempo,
Sentindo um leve envelhecer,
Dando valor à vida
E ao sonho de viver
Momentos, lugares, pessoas,
Grupos, lutas, saudade...
---
Tipográfico
--- Walter Medeiros
Na tipografia – oficina do tempo,
Brincando com as letras, a mulher
Dança um balé, organizando,
Uma a uma, as letras nas caixetas,
Montando um misterioso circuito,
Algo energético que define o amor.
No meio das artes gráficas, a fazer
Romances, poemas, contos, que,
Numa mágica costura, viram livros,
E embalam todos os sonhos do mundo.
---
Dia da poesia
--- Walter Medeiros
Pássaros cantando
No fio da Internet,
Nostalgia das passaradas
Das cercas do interior.
Mas a poesia amanhece
E vai feliz pelas ruas,
Levada em raios de sol
E na brisa do oceano.
Anunciando o seu dia,
Toca em cada coração,
No quadro, rio ou canção;
E assim mais nos contagia.
---
Isabella,
--- Walter Medeiros
O mundo viu um anjo
Pouco tempo entre nós,
Resgatando sentimentos
Que tão depressa partiu.
O mundo não merecia
Abrigar aquele anjo
Que veio para sofrer
Violência mais cruel.
Desconhecido infinito
Recebe o rosto inocente
De lembrança sorridente
Depois do atroz sofrido.
Nas marcas da sua ida
A humanidade sente
Um verdadeiro martírio,
E procura a verdade.
No rosto aqui esculpido
Fica o maior sentido
Em corações transcortados
Pela fúria da saudade.
---
Lona
-- Walter Medeiros
O palhaço, à paisana,
Costura os furos da lona
Estirada no chão da rua.
Ninguém sabe quem é ele.
Não sabem que aquele homem
De destino errante e incerto
É quem fez todos rirem
Na noite espetacular.
Mas o circo vai sem rumo
Levando corações partidos,
Deixando ilusões vividas,
Para o show continuar.
Segue no tempo da lida
Uma estrada tão comprida
Para nunca mais na vida
Novamente se encontrar.
---
Circense
--- Walter Medeiros
Corda branca torcida
Recebe o carinho
Da bailarina
Que sobe e dança
Envolvendo o corpo
De ouro e tão belo;
E Flutua no alto
Das notas sentidas
Do Danúbio Azul.
O braço elegante
Contorna o espaço
Desenhando
Um círculo de luz
Com a luva mais bela
Que alguém já viu;
E segue o movimento
De ritmo lento
Que a todos conduz.
Do alto imponente
Todo iluminado
Algo mais potente
Deixa extasiado
Um coração feliz
Cheio de emoção;
São seus olhos belos
Que ali se dirigem
Para a multidão.
---
Meu Circo
--- Walter Medeiros
Dentro de mim tem um circo,
Onde tocam “Cerejeira flor”
Numa orquestra bem afinada,
Bailarinas enchem o ar de cordas,
Feixes de olhos se unem ligeiro,
Corações saltam, vivem e amam,
Mãos se unem e vibram e torcem,
O tempo é algo tão diferente
No circo dentro de mim.
Explodem os calhambeques atômicos,
Sobressaltam o globo da morte,
Balança o arame equilibrista,
Voam tão livres os trapezistas
Por cima do respeitável público;
E todos comem pipoca e guaraná,
Espalha-se aquele cheiro de chiclette
Em meio aos risos, gargalhadas,
De quem olha os trejeitos dos palhaços.
Dentro de mim está o circo,
Mas não alcanço aquelas mágicas,
Não sei jogar no ar tantos chapéus
Nem equilibrar pratos branquinhos
Ou rodopiar no picadeiro;
Apenas sou feliz quando me lembro
Que no mistério da lona tem amor
E que neste circo vive, eterna,
Grande paixão que um dia me marcou.
---
Estética
--- Walter Medeiros
Contornos de deusa grega
Esculpida em tempo milenar;
Extrapola o espaço do coração,
Deixando transparecer o belo,
Na sua dimensão mais notável:
Seu formato mulher, monumental.
---
Que coisa linda, o Sertão!
--- Walter Medeiros
A minha inspiração
É como uma centelha
Um enxame de abelha
Ou uma chuva com trovão
Em tudo isso se espelha
Até na lã da ovelha
Quando passo no Sertão.
O Céu que se descortina
Com o imenso horizonte
Passa por cima do monte
E por dentro da campina
Contorna assim cada fonte
Percorrendo a minha ponte
Sem dizer aonde termina.
Que coisa linda, o Sertão,
Não existe nada igual
Tem coisa fenomenal
De grande satisfação
Eu acho muito legal
Parece um belo portal
Que mexe com o coração.
É uma vida tão sentida
Que cada um tem ali
No pico do Cabugi
Ou na rua tão querida
Confesso que já senti
Pois essa beleza eu vi
Na minha gostosa lida.
Que bela casa branquinha
O terreiro bem varrido
Para aguçar o sentido
A roseira vermelhinha
Agradando meu ouvido
Inda escuto um sonido
Da passarada todinha.
As pedras monumentais
Que vejo a toda hora
Mistura-se com a flora
De feijão e milharais
O roçado o rio adora
Estendido brejo afora
A beleza é demais.
Junto das carnaubeiras
Que estão em todo lugar
Nunca paro de olhar
Aquela paisagem inteira
O gado todo a pastar
Quando a seca não há
Em volta da arueira.
Quando finda a semana
Aí se vê mais farnel
Todo mundo de chapéu
Tem muita idéia profana
Na feira ou no beréu
Matuto e coronel
Todo mundo até se irmana.
Além de tudo que tem
O sertão tem muito mais
A gente sente uma paz
De pintinho no xerém
Ali até capataz
É sempre um bom rapaz
E não mexe com ninguém.
O sertão que sempre vejo
É o sertão que quero ver
Tranqüilo de se viver
Com gente que quero bem
Vendo o dia nascer
É sempre grande prazer
Quando se encontra alguém.
Uma feliz harmonia
Aquela terra invade
Cultiva-se amizade
Toda noite, todo dia,
Essa é outra verdade
Pois sinto muita saudade
De toda a freguesia.
Para entender o Sertão
É preciso andar a pé
Aprendendo como é
A terra de Lampião
Um povo cheio de fé
Em Jesus de Nazaré
Além do Frei Damião.
Pois foi nesse ambiente
Que um dia um paulista eu vi
Muito orgulho até senti
Em andar na sua frente
Mostrando nossas belezas
Exorcizando as tristezas
Que sumiram de repente.
Quando ele olhou prá estrada
Começou a apreciar
Tudo que via por lá
Com sua fala engraçada
Começou a festejar
Dizendo é um belo lugar
Gente boa e camarada.
De Natal a Mossoró
Fizemos uma viagem
Eu não era o seu pajem
Mas não lhe deixava só,
Ele olhava a aragem
Vendo como todos agem
Pertinho do Seridó.
Era um paulista bom
Que gostava do Nordeste
Mas tem uns cabras da peste
Que não usam um bom tom
Pois na vida se divertem
Com a imagem que veste
De maldizente frisson.
Era um grande jornalista
Que tinha seriedade
Na busca pela verdade
procurava boa pista.
Sua curiosidade
Chegava em cada cidade
Quase fazendo revista.
Ele se impressionou
Quando uma placa viu
Um grande prazer sentiu
Tanto que logo exclamou
Que coisa linda, sutil,
Como é belo esse Brasil
Que lindo interior!
A placa que ele olhava
Tinha escrito Caiçara
Mas o nome aí não para,
Por isso ele se encantou,
Vivendo um belo momento
Debaixo do firmamento
O nome ele completou.
O nome de uma cidade
Parece um nome bento
Cumpriu o maior intento
Caiçara, na verdade
Era a do Rio dos Ventos
Por conta de seus talentos
Virou uma novidade.
Ali mesmo ele parou
E fomos numa bodega
Não somos de fazer pega
Mas ele se esbaldou
Inda hoje ele não nega
Foi uma total entrega
O que ali ele olhou.
Tanto alho pendurado
Em cima da rapadura
Era a maior mistura
Que já tinha enxergado
Bolacha doce, figura,
E a alta temperatura
Que o deixava suado.
Rodeado de menino
Ele começou a rir
Resolveu distribuir
Confeito com todo tino
Quando precisou seguir
Foi mais uma vez sentir
As surpresas do destino.
Viu goma de tapioca,
E como o matuto chega
Comeu queijo de manteiga
Encontrou até pipoca
Lembrando da sua nega
Que todo dia lhe chega
Em seu lar lá na Mooca.
Chegando a Mossoró,
Cidade mais guardiã
Foi procurar Dorian,
Que não lhe deixava só
Ele era um grande fã
E trouxe o maior elã
Mas não dançou carimbo.
Na hora da despedida
Seus olhos lacrimejaram
Disse vocês me mataram
Pois vou deixar minha vida
Nesse chão que me mostraram
Pois vocês me conquistaram
Com tanta emoção sentida.
Já dentro do avião
Ele me disse depois
Que seu feijão com arroz
Agora lembra o sertão
E nunca mais prá nós dois
Deus junto a hora pôs
Não sei cadê ele não.
Termino assim essa história
Tão singela e emocionada
Com minha alma lavada
Pois prá mim foi uma glória
Ver minha terra encantada
Ser em São Paulo cantada
Acho uma grande vitória.
---
Netária
--- Walter Medeiros
O tempo marcou o rosto,
Com algumas rugas
E um olhar meio saudoso.
Mas firmou o seu sorriso,
Que supera até as dores,
Com o coração amoroso.
O tempo lhe fez menina
No sertão de Caicó;
Fez mulher forte e bela,
Para ser mãe e avó;
Já lhe deu noventa anos,
Brincando até com jiló.
Uma voz forte e amada
O tempo também lhe deu;
Feliz em cada jornada,
É o maior bem dos seus;
Como Deus manda no tempo,
Agradece tudo a Deus.
Exemplo de dignidade,
Faz uma história decente;
Firmeza e integridade
Todos em seus gestos sentem;
E não falta caridade,
Nem pode ser diferente.
Vida afora vai Netária,
Com parentes e amigos
Seja sisuda ou hilária
A cada um dá ouvidos;
Uma alegria diária,
Uma vida de sentidos.
Com toda sinceridade,
Do fundo de nossas almas,
Ela sabe que é verdade,
Pois é das pessoas calmas;
Parabéns! Felicidade!
E batemos muitas palmas!
---
Augustiano II
--- Walter Medeiros (31.12.2007)
A tristeza se abate sobre meu encanto
E para protegê-lo não vou fazer nada.
Estático, disfarço a minha dor
E a tristeza desses dias sofridos.
Mas é o último dia, que ânsia,
As horas passam e ele já avança,
Aonde posso buscar uma esperança
De ter um novo dia, de bonança...
Vai com as horas que se acabam,
Dia vazio, leva os desencontros,
E vê se em tua sina malfadada
És apenas o último deste ano.
Depois de tantos dias de jornada,
Talvez nem devesse ter aspiração,
Mas qualquer coisa, mesmo assim, anima,
Para sonhar com um Ano Novo bom.
---
PRESÉPIO
--- Walter Medeiros
Vi trinta Presépios de gênios,
Onde a luz do mundo se confunde
Com a beleza do Menino Jesus,
De manjedoura tão rústica,
Os visitantes atentos e curiosos,
Os anjos espreitando cada hora,
A apreensão de Nossa Senhora,
São José com seu cajado forte,
Os animais de olhos e focinhos,
E a paisagem de Jerusalém.
Vi Nossa Senhora em oração
Sentindo o cheiro das folhas,
Imaginando o destino do Filho,
E os visitantes de todo mundo,
Amigos, parentes e até reis,
Cada um com suas intenções,
E a notícia, que ia se espalhando,
De que ao mundo estava chegando
Para a terra o Messias Salvador
Num Manto branco de paz.
Vi o silêncio que tudo rondava
Naquela noite do mês de dezembro,
Com aquelas expressões de dúvida,
Peregrinos levados pela fé
Contemplando com firmeza o bebê
Naquele ambiente de beleza,
Apesar da pobreza que se vê,
Rodeado de uma santa nobreza
Superior a qualquer realeza
Que os homens inda iam conhecer.
Vi a glória da confraternização,
Músicas saudando o Filho de Deus,
O ar tomado por divina canção
E um pequeno pássaro no telhado,
Auréolas e mais auréolas belas
Fazendo do estábulo um santuário,
E daquela cobertura um altar,
Conectado com a luz do Céu
Para anunciar a chegada da vida
Daquele que seria a maior paixão.
Vi as essências daquele Mistério
Que preenchia tudo de beleza,
Realçando cada grão da natureza
Nas mãos postas e olhar bondoso,
Fazendo da pedra o berço do Divino,
Parecendo frágil e pequenino,
Como que num aplauso geral
Pelas mãos sempre tão postas
De tanto júbilo então sentido,
Como que um encanto esclarecido.
Vi as flores e folhas perfumadas,
Borboletas rondando o lugar,
O destino se formando devagar,
O menino se mexendo e sentindo,
O Espírito Santo com seu brilho,
E o fogo aceso em cada canto,
Uns presentes de longe lhe chegando,
Por Belchior, Gaspar a Baltazar,
A estrela no alto a orientar
O caminho para o novo anunciado.
Vi o rio banhando aquela terra,
Jesus no colo da amada Mãe,
O Pai pensativo pela relva,
Mas uma coisa faltou fazerem,
Não vi em nenhum quadro do mundo
O sorriso de Nossa Senhora,
Pois por mais tensa fosse a hora
A Mãe regeu uma alegria
Surgida justo naquele dia
Em que o seu Filho ali nasceu.
---
A verdade sobre a morte das vítimas do aborto
--- Walter Medeiros
No pé da Serra da Onça -
Alto sertão de Alagoas -
O povo gosta de loas
Mas tem a maior responsa:
Criança, jovem e coroas
Discutem as coisas boas
E combatem gente sonsa.
Pois numa noite bem mansa,
A lua branqueando o Céu,
Foi de tirar o chapéu
E não perder na lembrança
O filho de Dona Bel
Enfrentou seu Miruel
Num assunto que não cansa.
Seu Miruel é ateu,
Do bem ele quer distância;
Homem cheio de ganância,
Rouba até parente seu.
Uma triste discrepância
Que deixa muitos na ânsia
De vê-lo comendo breu.
Além de tudo é perverso,
Sem ética nem moral;
É mesmo gente do mal,
Mas está no Universo;
E seu maior ideal
É ver uma lei fatal
Nascer num novo processo.
Ele defende o aborto,
É homem muito falante,
Tem um tom repugnante
Mas não quero lhe ver morto;
Quero que ele se espante
Com a verdade de Dante
Que é matar um zigoto.
Ao vê-lo todo exaltado,
O filho de dona Bel
Que nunca foi bacharel
Nem tinha sido testado,
Olhou a barra do Céu
E até quem tava ao léu
Foi ouvir o seu recado:
- Neste dia iluminado
Da minha amada vida,
Esta pendenga sofrida,
Cheia de arrazoado,
Ganha a maior guarida
Para ser bem referida
Neste momento rimado.
- Pois neste mundo malvado,
De tanto conceito torto,
Vou também falar do aborto,
Que está sendo analisado
Da roça ao cais do porto,
Temos muito bebê morto
E outros sendo assassinados.
- Alguém terá desconforto,
Mas quero falar da vida
Que é sempre concebida
Como semente no horto,
Quando a mãe engravida
No instante dá guarida
Ao pequenino zigoto.
- Não sei por quê se duvida
Daquele exato momento
Onde surge o rebento
E a pessoa é concebida;
Nem mesmo o mais avarento
Teria outro pensamento
Sobre aquela nova vida.
Ao ver o homem rimando
O povo ficou feliz,
Pois um simples aprendiz
Estava ali ensinando
O que a gente boa diz
No templo e na matriz
E ele foi assimilando.
É mesmo sinal dos tempos
Tamanha aberração,
Pessoas sem gratidão
Que um dia foram rebentos,
Mas defendem punição
Pra quem não tem condição
De defender um intento.
Depois da vida formada
Seus direitos se garantem;
Nem mesmo o mais falante
Consegue mudar mais nada,
Pois se mudar é mandante
De um crime horripilante
Contra a vida iniciada.
Não pode ter exceção,
Nem ser regulamentada,
Se não pode fazer nada
Durante a operação
A mãe pode ser poupada
Mas a criança gerada
Também precisa atenção.
- O que ocorre, entretanto,
É que a coisa é diferente,
Pois tem muito delinqüente
Deixando gente em pranto,
Fazendo aborto indecente
Traumatiza nossa gente
Ou manda pro campo santo.
O filho de Dona Bel
Que tem pequeno apelido
É conhecido por Dido
Falou até de bordel
Foi bastante aplaudido
E se já era querido
Virou rival de Miruel.
- Aborto é incompetência
De pretensos governantes
Que podem ser bem falantes
Mas inventam na ciência
Motivos extravagantes
Pra matar feito marchantes
Muitos fetos, sem clemência.
O filho que foi gerado
Precisa mesmo nascer
Seu direito de viver
Tem de ser assegurado
E o país tem que fazer
Toda segurança ter
Pra não ser prejudicado.
Para evitar o aborto
Tanta gente sem apego
Só precisa de sossego
Não pode fingir de morto
Saúde, escola, emprego,
Formam o melhor arrego
E acaba este ideal torto.
A questão é complicada
De saúde e de moral
Em busca do ideal
Tem gente desesperada
Pois no âmbito legal
Também precisa de aval
Debaixo daquela espada.
Assunto tão vasto assim
Precisa de discussão
Para não ficar na mão
Ou pra não passar por ruim
Vamos ter reunião
Para saber a razão
De tanto aborto enfim.
Aborto é assassinato
De pequeno ser humano
Um gesto muito tirano
Um triste e horrendo fato
Pois o feto com os anos
Sem perigo de enganos
Pode ser Messias nato.
Uma criança, um filho,
É o que o feto é
Na barriga da mulher
Pode não ter todo brilho
Pois quando em Nazaré
Maria provou a fé
Jesus não foi empecilho.
Quem pode dispor na vida
Da vida de outro alguém?
Eu não conheço ninguém,
Pessoa tão atrevida
Que tenha tanto desdém
Para fazer algo além
Dessa missão recebida
Uma nova vida humana
Não pertence a ninguém
Nem mesmo a mãe detém
A potência tão profana
Pegar futuro nenén
Matar um Matusalém
Que dura poucas semanas
Miruel estava calado,
Ouvia a rima do Dido
Mas com um tom atrevido
Resolveu dar um recado
Que o aborto tinha sentido
Pois ele tinha ouvido
A fala de um deputado.
Dido então se concentrou
E virou-se pro seu lado
Com um tom emocionado
Rapidamente pensou
E naquele seu rimado
Sem se sentir rebaixado
Mais uma rima mandou:
- Já pensou, seu deputado,
Se a sua genitora
Fosse uma abortadora
Quando o senhor foi gerado?
O Brasil outro seria
O senhor não viveria
Tinha sido assassinado.
Mostrando conhecimento
Dido estava inspirado
E Miruel, meio acuado,
Já estava meio bufento
Já que tinha começado
Ficava todo animado
A cada novo momento.
Ninguém sabe de onde veio
A carga de informação
Talvez da televisão
Pois ele nunca fez feio
Assiste a programação
Se liga até no plantão
E nunca tem aperreio.
O jovem continuou
Sua bela prelação
Naquela situação
O aborto ele taxou
De morte sem compaixão
Pois lá na fecundação
A vida já se formou.
Aborto é infanticídio
Pois a mãe mata o filho
Que considera empecilho
Isso também deu no vídeo
Mas é também um martírio
Não digam que é delírio
Pois é tudo homicídio.
Tem quem diga que o aborto
É uma “interrupção”
Isso não é nada são
Por resultar em bebê morto
É uma intervenção
Sem qualquer contemplação
Deixa Miruel num oito.
Se trata de defender
Quem não pode protestar
Pois gerado já está
Deseja sobreviver
Mas alguém quer lhe matar
Se sua mãe abortar
Seu direito é só sofrer.
Além de ser natural
A ida tem algo mais
Deus disse “Não matarás”
Como lembra o Cardeal
O pastor não fica atrás
Diz que é o Satanaz
Que provoca tanto mal.
A ciência comprovou
Algo ainda mais triste
No feto o sistema existe
E ele sente muita dor
Mas a maldade persiste
O desumano não desiste
E anestesia indicou.
Sei que não falei de tudo
Disse Dido a Miruel,
Mas mostrei que é crurel
Você ficou meio mudo
Quem sabe se esse cordel
Não tira você do fel
E lhe faz menos sizudo?
Miruel se concentrou
Para dar sua resposta
Com a voz sempre imposta,
Mas uma lágrima rolou;
Como quem perde uma aposta
Ele admitiu que gosta
Do que Dido lhe falou.
Disse que ia refletir
Sobre coisa tão exata
Que seu amigo relata
Sem intenção de ferir
Sabe que aborto mata
E agora até se retrata
Querendo se redimir.
Dido então se despediu
Abraçando Miruel
Seu jeito de coronel
Parece que se esvaiu
Os dois olharam pro Céu
E como quem toma um mel
A dupla então se uniu.
Agora a causa da vida
Ganha um grande aliado
O homem chegou vaiado
No fim já tinha torcida
E aquela idéia sonhada
Pode ser realizada
Já está sendo aplaudida.
FIM
. |
_________________ Visite Poemas de CORDEL: http://www.rnsites.com.br/cordeis.htm
Editado pela última vez por Walter Medeiros em Qui Jan 05, 2012 11:17 pm, num total de 241 vezes |
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Pupila
Mensagens: 4061
Localização: São Paulo
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Enviada:
Qua Dez 14, 2005 6:40 pm |
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Walter,
bom ler teu texto, feliz por abrir este tópico único, teremos a chance de desfrutar dos teu trabalhos...continue sempre postando teus poemas, daqui para a frente, clicando em responder.
Aeroporto traz a lembrança, saudade e a partida... emociona...
beijos poéticos |
_________________ *ADESÃO AO POST ÚNICO - EM ASSUNTO: POEMAS DE...; DEPOIS use só o RESPONDER para novas postagens. *"INTERAJA com outros Membros";menos postagens e mais qualidade em comentários.
MAÍSA CRISTINA *Pupila
Membro Moderador do Fórum do Guia de Poesias. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
|
Enviada:
Qua Dez 14, 2005 8:32 pm |
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Embolada no mundo de Shakspeare
--- Walter Medeiros
Quero contar pra vocês
Uma história interessante
De um povo bem falante
Pois agora é minha vez
Sheakspeare é o autor
Da história de Otelo
Não sei se era donzelo
Pois nisso ele não falou
Desdêmona, sua mulher
Gerava desconfiança
Pois usava até trança
Iludindo a boa fé
Iago era o alferes
Um homem muito ardiloso
Dizem que era até dengoso
No trato com as mulheres
Ele convenceu Otelo
De que a sua bela esposa
Corria mais que raposa
Atrás de um homem mais belo
Iago roubou um lenço
Que só Desdêmona tinha
E com sua ma fé todinha
Deixou Otelo suspenso
Aquele alferes tão falso
Fez mais uma presepada
Pois o lenço da coitada
Ele entregou a Cássio.
E Otelo inda dizia
Para seu amigo Iago
Que o assunto era vago
Ruindade nela não via
A coisa era mais braba
Pois com tal descaramento
O Cássio, que home nojento,
Passou o lenço na barba
Pois o mouro de Veneza
Como Otelo era chamado
Findou sendo corneado
Em sua vida burguesa
Ele era um mouro nobre
Que a República servia
Trabalhava noite e dia
Em meio a ferro e cobre
Ao seu redor, senador,
Fidalgo e o alferes
Tinha o bobo e as mulheres
Nem amante ali faltou
Marinheiro, oficiais,
Gentis homens, mensageiros,
Arautos e violeiros,
Quase ele não tinha paz
Mas não foi só sobre Otelo
Que o Sheakspeare escreveu
Ele também discorreu
Sobre floresta e castelo
Ele era persuasivo
Em tudo que escrevia
Mesmo sendo fantasia
Era tudo muito vivo
Teve a Lady Macbeth
Que em sua persuasão
Convenceu o seu barão
A esquecer qualquer fé
Mandou que matasse o rei
Parecia até seu dono
Pois ela queria o trono
Mesmo por cima da lei.
Era muito egoísmo,
Invejas e ambições,
Dores, ciúmes, paixões,
Tinha até muito cinismo
Teve o Próspero, coitado!
Que numa estranha aliança
Buscou a sua vingança
Em espíritos aliado.
A maldade se reveza
Nas horas e nos minutos
Pois Cassius convenceu Brutus
A matar o Júlio César
E o rei da Dinamarca
Em fantasma transformado
Convenceu seu filho amado
Hamlet a lhe vingar.
E Romeu e Julieta
Que coisa triste e brutal
Era um feliz casal
Montéquio e Capuleto
Pois tanto eles se amaram
Mesmo contra os seus pais
Odientos e brutais
Que enfim se suicidaram.
Ainda nessa viagem
Encontramos a megera
Que nunca se desespera
Mas que levou desvantagem
O Petrúquio quem domou
A Catarina arredia
Dócil feito uma cotia
Submissa ela ficou
Aquele autor memorável
Mostrou a fraqueza humana
De forma muito bacana
Por isto é recomendável
Falou de força, fraqueza,
Também de felicidade,
Gozo, angústia, vaidade,
Era tudo uma beleza
Sheakspeare era fantástico
Dizem muitos entendidos
Em seus romances sabidos
Era leve e era drástico
Escrevendo tudo à mão
Era um autor medonho
Basta ler sobre o sonho
De uma noite de verão
Ali foi muito completo
Para Hermínia e Lisandro
Que de um elfo foi ganhando
Aquele seu novo afeto
Inefável, uma beleza
Que só pode emocionar
Quando ler e apreciar
O mercador de veneza
É uma tragicomédia
Onde Pórcia e Bassânio
Tiveram idéia de crânio
Shilock abala a platéia
Agora vou acabar
Pois senão acaba a graça
Vão ler o texto da farsa
Que eu quero agora lanchar
Por isso aqui me despeço
Vou saindo de fininho
Mas tudo eu fiz com carinho
Neste montinho de verso. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qua Dez 14, 2005 8:35 pm |
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NUA
--- Walter Medeiros
Nua te alisas,
correm essências
na água morna.
Nua te sentes
esqueces tudo
pensando o mundo.
Nua sozinha,
brilham os olhos,
sem perceberes.
Nua vagas
entre paredes,
molhada.
Nua tu vais
para o espelho,
teu retrato.
Nua deixas a sala,
e me empolgas
toda vestida. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qua Dez 14, 2005 8:37 pm |
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Fome
--- Walter Medeiros
Humoristas conversando
Sobre a estréia do espetáculo
No outro dia.
Não percebem
O que se passa ao lado,
Enquanto falam de tanta alegria.
Lentamente,
Emocionado, passado de dor,
Um desempregado conta o seu triste drama,
Chocando um amigo, com tanta desgraça.
Uma história nova, pior do que as outras.
Coisas de redação de jornal.
Cada um preocupado com as suas matérias,
Mas assistindo e vivendo as misérias.
O desempregado, havia meses
Também compunha o ambiente,
E, como vive a acontecer com muita gente,
Passava o drama do qual mais tinha medo.
Seu filho menor
Morreu de fome.
Busca ajuda
Para ver se enterra,
Contando da mãe e do que sobreviveu,
Este indagando quando o irmão volta.
Consegue a ajuda
Para fazer o enterro.
Sai, com fome, para o barraco.
E continua sua vida, já fraco,
Pelas ruas da cidade
Procurando emprego. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 6:11 am |
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ESCADA
--- Walter Medeiros
O amor, quando chega
às vezes leva a gente
(com os sonhos que traz)
por uma escada de tantos batentes
pela qual se sobe, sobe e se quer subir mais
e se termina subindo até o fim.
De repente, no fim da escada
não se tem por onde seguir.
Econtra-se uma parede fechada.
Não se entende por quê
(Como é que se faz uma escada dessas?)
Não se quer descer de volta.
Cada batente é uma lágrima,
uma saudade,
uma decepção,
uma resignação,
o fim indesejado.
Tem de se abrir uma porta,
nem que seja com as próprias mãos,
sacrifícios,
perseverança,
paciência,
fé,
pois não é de se acreditar que o amor
nos leve a nada ruim
e depois da parede tem de estar o que se procura:
a felicidade,
que terá ido para lá, não se sabe por onde,
depois de passar tantas vezes por nós
enquanto subíamos. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 6:16 am |
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Bar do Gordo
--- Walter Medeiros
Chegado da Chuva
O homem de paletó e pés descalços
Quis saber quando.
O dono do bar respondeu
Prontamente – de tarde: duas horas.
E era de manhã.
Ele achou ótimo
E ficou sob a marquise, esperando
Restos de comida.
No balcão de pedra
Uma mulher bebe uma dose de cachaça
E parece tão cedo.
Ela vê o jornal:
Amigos na página policial,
- presos de novo!
Chega uma amiga
Para tomar café com pão, fiado:
Ninguém lhe quis na noite.
Na mesa do canto
Outro dorme entre copos e garrafas
Abandonado;
Cansado da noite
Em que quis mandar na zona
E se arriou.
À sua espera
Uma conta desse tamanho
Na mão do gordo. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 6:19 am |
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Beatriz
--- Walter Medeiros
A fonte tão linda ampara romances,
Naquela penumbra permanente,
Onde sempre passa tanta gente,
De muitos lugares e nuances.
Qual anjo surgido do inexplicado,
Ao lado se posta uma bela mulher,
Semblante bonito, simpático, simples,
Parece que deixa bem mais sossegado.
Ela olha tão firme com aquele sorriso,
Exposto por todo seu rosto enigmático,
Decifrável quem sabe por um matemático,
Mas é certo que isso não será preciso.
Parece uma flor, circulando, faceira,
Discreta mas bela em meio ao jardim,
Pequeno toque de um tom carmim,
Parece sempre muito alvissareira.
Um anjo daqueles que sempre se quis,
E que qualquer dia a vida nos traz,
Para nos entregar um pouco de paz,
Um anjo de candura chamado Beatriz. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 9:32 am |
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Aeroporto
--- Walter Medeiros
Quantas emoções vividas,
Quantas histórias sentidas,
Quantas tristes despedidas,
Quantas horas a se ver.
Quantos sonhos na chegada,
Quantos sonhos na partida,
Quantas histórias de vida,
Quantas pessoas em ti.
Na primeira despedida,
Guardava cada instante
Daquela viagem elegante,
E uma hora tão sofrida.
Quanta tristeza senti
No embarque do meu irmão,
Quando morava tão longe;
Não há maior solidão.
N´outro dia, quantas cenas,
Daquelas de Casablanca,
Paixões e entregas francas,
Restando uma verbena.
Que vida... povo absorto,
Momentos que em ti passam,
Tantos destinos se traçam,
No chão do aeroporto. |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 11:24 am |
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Anônima
--- Walter Medeiros
Levaram uma lembrança de mim.
Disseram que isso é a vida;
que é só isso a vida.
Lembrança de uma corrida de pensamento
em busca de alguma coisa
de uma corrida de olhos
em busca de algum corpo
corrida de mãos
em busca de um afago.
Levaram uma lembrança de mim
para os lugares mais fáceis de se encontrar:
a rua,
o ônibus,
a praça,
a vida,
Levaram uma lembrança de mim
e a chamaram de saudade
Uma lembrança alegre
mas que chamaram de saudade
Levaram dizendo que qualquer dia
- faz tantos anos ... -
a gente poderia se encontrar
numa dessas partes
Levaram a lembrança
mas deixaram um recado anônimo. |
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Editado pela última vez por Walter Medeiros em Ter Abr 25, 2006 8:19 am, num total de 9 vezes |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Qui Dez 15, 2005 11:27 am |
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Sem ela
--- Walter Medeiros
Viver sem ela
É como amanhecer sem flores
É como enfrentar sempre o frio do temporal
É sentir a dor em seu mais alto grau
Pois ela foi o melhor de meus amores.
Viver sem ela
É como olhar e não ver cores
É como não ter imagem num pedestal
É como ter o castigo de quem fez o mal
Pois só consigo ver os seus valores.
Viver sem ela
É como ver ovelhas sem pastores
É como se perder um grande ideal
É como o impacto de um jornal
Pois ela para mim só tem pendores.
Viver sem ela
É como cultivar jardim de dores
É como querer doce e ter o sal
É como se não fosse natural
Pois se nela penso rufam tambores
Viver sem ela
É como um inverno sem cobertores
É como o fim do tom angelical
É receber um castigo colossal
Pois por ela viveria até horrores
Viver sem ela
É como ser o maior dos pecadores
É como não ter direito a um missal
É pagar o maior pecado mortal
Pois para ela só tenho favores |
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Editado pela última vez por Walter Medeiros em Qui Jun 22, 2006 8:42 pm, num total de 9 vezes |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Sex Dez 16, 2005 7:50 am |
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Uma noite
--- Walter Medeiros
Havia barulho do mar,
Atravessando a vidraça,
Havia um par de taças,
E um desejo de amar.
Havia olhares felizes,
Pela penumbra da noite,
E muitos gestos afoitos,
Alguns até sem matrizes.
Era o primeiro encontro
De um amor alimentado
Desde os dias da infância.
O desejo era tanto,
Que findaram entregados,
Na alcova, sem distâncias. |
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Editado pela última vez por Walter Medeiros em Dom Jul 30, 2006 7:07 pm, num total de 1 vez |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Sáb Dez 17, 2005 7:49 am |
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Havia um sonho
--- Walter Medeiros
Havia um sonho bem grande
por um mundo mais feliz
um sonho compartilhado
sonho vivido e cantado
que ora diz ora não diz
era um sonho tão grande...
Havia um sonho bem grande
sonho por melhores dias
muita gente ali lutava
e na luta se entregava
era com amor que fazia
aquele sonho tão grande...
Havia um sonho bem grande
sonho de transformação
cheio de luta e coragem
era uma camaradagem
no meio da multidão
fazendo um sonho tão grande...
Havia um sonho bem grande
por uma revolução
para mudar este mundo
todos queriam ir fundo
sem qualquer contemplação
Buscar o sonho tão grande...
Havia um sonho bem grande
fosse noite ou fosse dia
tudo que era preciso
enfrentando até granizo
buscávamos a alegria
Daquele sonho tão grande...
Havia um sonho bem grande
uma têmpera bem forjada
de buscar nova jornada
contra a desigualdade
no campo e na cidade
Era um sonho tão gande...
Havia um sonho bem grande
sonho que não acabou
da vida minha e da sua
um sonho que continua
um sonho feito de amor
que é um sonho tão grande... |
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Walter Medeiros
Mensagens: 483
Localização: Natal - RN
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Enviada:
Sáb Dez 17, 2005 10:15 am |
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Reencontro
--- Walter Medeiros
Quantos rostos não vieram
Comemorar esta data...
Onde estão aqueles rostos,
Cuja lembrança arrebata?
Que destino eles seguiram
Pela estrada da vida...
Onde estão aqueles rostos
Daquela era tão querida?
Algo nosso assim sumiu
Junto com aqueles rostos
Algo que a nós uniu
Na vida de tantos gostos.
Vamos buscar a nós mesmos
Onde quer que estejamos
Pois vêm do peito reclamos
nalgumas súplicas a esmo.
Pode ser na multidão
Quem sabe o seu destino?
Talvez tocando um sino
Ou fazendo uma oração.
Ao menos eu pensamento
Precisamos resgatar
O brilho de cada olhar
Mesmo que por um momento.
Vamos fazer isto agora
Num silencioso instante
Que uma luz bem brilhante
Ilumine-me esta hora. |
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Pupila
Mensagens: 4061
Localização: São Paulo
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Enviada:
Sáb Dez 17, 2005 1:14 pm |
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Walter,
que teus versos continuem a ecoar neste fórum,
belos e sentidos.
beijos poéticos |
_________________ *ADESÃO AO POST ÚNICO - EM ASSUNTO: POEMAS DE...; DEPOIS use só o RESPONDER para novas postagens. *"INTERAJA com outros Membros";menos postagens e mais qualidade em comentários.
MAÍSA CRISTINA *Pupila
Membro Moderador do Fórum do Guia de Poesias. |
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