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Robério Matos
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Enviada:
Ter Out 24, 2006 10:38 pm |
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Vozes interiores
Não percebei que perturbais os meus sonhos?
Que a vossa sombra traslada-se, incessantemente,
como o pêndulo a fustigar-me o relaxar?
Vós já imaginastes quão massificante
é o ajuntar pedras de um quebra-cabeça
quando o fazemos por dever ou ofício?
Os fracassos, os pesadelos, são salutares posto que
oferecem a oportunidade para o amadurecer.
Já os compromissos e as palavras “produzidas”
prestam-se aos escribas e oradores de retórica,
mormente se jorrados do intelecto estereotipado.
Não me curvarei, portanto a essas “vozes”
Inclinar-me-ei à magia da linguagem poética
dos vocábulos ditados pela sensibilidade;
Inseridos no pergaminho com todo o meu ardor
e esculpidos por mãos cuja leveza
contrasta com o ritmar mecânico do estenógrafo.
Como o lavrador, que reúne espécimes de sementes
e as esparge em solos férteis
(para no outono colher frutos de múltiplos sabores),
assim lanço ao vento os meus versos;
uns doces, outros amargos, conquanto para mim
tenham todos o mesmo paladar.
_________________
Carpe Diem, amigo(a)
Um beijo no coração
Robério Matos
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Comentário de Pupila:
Que esta inclinação mágica seja sempre de vários sabores!
lindo!
beijos poéticos |
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Robério Matos
Mensagens: 130
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Enviada:
Qui Out 26, 2006 1:15 pm |
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Eu Sou...
A madeixa que te embrulha,
Tecendo em ti o meu casulo.
Envolvente,
Acosso-te com o meu abraço
E penetro a tua intimidade,
Invadindo tua mente
E o teu corpo por inteiro.
Subjugo-te com os meus caprichos
E deixo-te inerte e sem espaço,
Seja no meio de um caminho
Ou no fim de uma estrada,
Aí estou! A exigir, a impor.
Aporto de repente,
Sutil, de mansinho,
E sem se quer apresentar-me.
Omito o meu nome,
A minha origem;
O porquê das ralas vestes,
Da minha compulsiva volúpia.
Ávida, impulsiva e misteriosa,
Apresso-me em envolver-te
Com o meu querer
E atormento-te horas a fio,
Seja ao meio dia
Ou à meia noite,
Até quando, em sussurros,
Deixo-te atônito
Com o meu insólito desejo:
Registra e divulga esse momento
E jamais o guarde só pra si
Pois ele poderá te sufocar.
Afinal, não quero calar:
Eu sou A Poesia. |
_________________ Carpe Diem, amigo(a)
Robério Matos
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 12:02 pm |
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O Túnel
Há um túnel.
Extenso!
Profundo!
De paredes coloridas.
Que atravessa rochas
E perfura o mundo.
Gira, transfigura-se,
Alternando suas cores,
Seus pigmentos
Cintilantes e multicoloridos.
Que hipnotiza
E a ele nos gruda.
Ora nos faz deslizar
E cair em suas trilhas.
Também nos prende
Em suas teias.
Outras vezes nos imobiliza
Apenas com o seu esplendor.
Não se avista um fundo.
Há, todavia,
Um caminho para ele
Que poucos
Têm coragem
De percorrer...
Mas que muitos
Gostariam de fazê-lo.
Há um túnel.
Extenso!
Profundo!
Mas existe também
Um caminho
E uma bússola...
A saída?
Ora...
Encontre primeiro
O túnel... |
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Robério Matos
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 2:52 pm |
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O Galo Mimoso
Do Oiapoque ao Chuí
ninguém uviu falá
istóra máis marcante
qui a qui vô lhes contá:
Sucedeu há muito tempo
no sertão do Seridó,
terra de cabra macho
quinem todos de Caicó.
P’ru ironia do distino
o nomi dele era Mimoso,
máis de manso num tinha nada
apois quiera valente e foigoso.
Muito franzino de corpo
máis ligêro de pernas e asa
muita gente ele enxotava
de vorta pra suas casa.
De suas proeza
seu Véi César se encantava
e dona Formosa, feliz,
num sabia se ria ô chorava.
Nenhum bicho ô gente
cum ele tinha vêis,
apois o penudo era fio
de galo carijó e galinha pedrês.
Seu Juca, Vaca Véia,
Marreta e Besourão,
sempre assustados, gritavam:
prende o galo, Torrão!
Amorosa, paciente, acudia
Pegóba, que aguniado isclamava:
Num tenho medo de assombração
e muito meno de alma penada!
Máis veio um dia um falatoro
qui a todos ismoreceu:
Minha gente!, Mimoso sumiu!
foi cumido por Zé Bedêu. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 2:59 pm |
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Jovem Senhora
Perdoa-me, ó jovem senhora,
A insensatez deste desconhecido
Por não reprimir o impulso descabido
De escrever-te este verso, esta hora,
Temendo que vás embora
Já que não poderia ir eu contigo. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 3:02 pm |
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O Inspetô Biato - CONTO
Lá pur vorta dos ano setenta eu trabalhava no Bank Brasil numa cidade do interiô do Pernambuco, quági no final daquela tira do dito istado.
Nóis, bancaro, morava numa pensão da Dona Ixpedita, prumode qui era mai barata, pra sobrá dinhêro pras cachaça.
Di vêis im quando chegava um inspetô no banco, pra vê si num tinha neguim misturando o dinhêro dele cum o do banco ô fazendo coqué coisa errada e aquela otoridade mitia um medo danado narrente!
Pôco dispôis dele tá lá, si achegô pra eu e dixe: você aí! Fuma?
- Fumo, má si o sinhô quisé eu dêxo! Dixe logo aquilo pra mostrá respeito pro homi.
- Eu só quero um cigarro... arrespondeu o chefe, o qui mi dexô todo incabulado.
O inspetô era diferente di todos os ôtro qui nóis conhecia, apôis qui gostava de fazê cúpi a tardinha e, adispôis, lá pras seis hora da tarde ia pra missa.
Aquele rituá deferente chamava logo a atenção do pessoá: Inspetô católico! Intonce deve sê um cara legal e num vai incomodá muito arrente não! Assim imaginô logo a cambada toda de negim inrresponsávi...
Certa vêis, quando tava a turma toda jantando (era um magote duns oito) numas quatro mesa incangada umas nas ôtra, sendo qui a do homi ficava separada da ralé e um pôco mai adiante, um colega do banco, sabendo qui eu era mêi dismantelado e qui era do Juazêro do Norte, terra di meu Padim Pádi Ciço, oiô pra eu e sapecô a pergunta, só pra vê o ispanto qui ia causá no inspetô biato:
- Ô Roméro! tu qui é lá do Juazêro, tira aqui uma dúvida darrente:
Dixe qui a estauta do Pádi Ciço qui fica lá inriba da Serra do Hôrto, lá no Juá, médi uns trinta metro de artura! É mêrmo verdade, sô?
Oiêi mêi prus lado e vi qui o “inspa” já tava cum as ôiça impé, só pur uvir o nomi do “santo”. Mi arripiêi todo... Mai cuma eu tinha tumado umas e ôtra di apiritivo, arrespondí:
- Bem... a artura certa eu num sei não. Agora digem pur lá qui só pra fazê as duas bola da estauta si gastô-si mai de cinqüenta saco de cimento!
Atu cutinu, o homi se alevantô da mesa; num quis mai a janta e saiu resmungano do refetóro.
Num precisava nem dizê qui no dia siguinte levei aquele cagaço do inspetô e ainda pur cima o causo foi resistrado na minha “má-fé de ofiço”, cum tinta vermêia qui fica pra sempre e qui isso, junto cum ôtras trapaiada qui fiz no banco, marcô e cumplicô a minha carrêra nos vinte e poucos ano qui passei naquele banco.
NOTA DO AUTOR: História baseada em fatos reais. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 3:04 pm |
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O Amor que me Faz Falta
Transborda nos mares da paixão
Da gente que mundo afora se arvora
Qual deuses de volúpia incontida
Que sem pudor, sem medida,
Deleitam-se no pecado da luxúria
Que contrasta com a lamúria
Dos mortais que sequer têm o pão.
Aflui no brilho do olhar dos transeuntes;
No sorriso doce e singelo das crianças;
Na ternura do enlace entre os amantes
Ou no gesto do ato do perdão.
O amor que me faz falta
Sobra nos olhos orvalhados de lágrimas;
Aninha-se no pobre travesseiro aluído
Por mais um esforço desmedido
De alguém que só um tanto precise
Do pouco amor que tenho
E que, não doando, parece me fazer falta. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:29 pm |
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Vejo Você
Nos altiplanos da tua rara beatitude
Brotando nua como uma plântula
Entre ásperos e selvagens espinhos
Sem carecer de esforço ou atitude.
Vejo você oscilando tal o pêndulo
Que atordoa e me instiga frenesi
E qual desprezando a minha lascívia,
Do todo se apodera e tudo quer pra si.
A estibordo da relutância do meu ser
E à destra do meu instinto primitivo
Ainda que volva minha face, vejo você
Que não me nota e ignora-me a paixão
E da tua excrescência e fulgor altivo
Desdenha, incita-me e aguça meu tesão. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:32 pm |
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Quadro de Giz
Ser criança é ser divino
Como as estrelas dos sonhos
E as flores da primavera.
Ser criança é desconhecer a treva
E brilhar como a luz
Que indica o caminho
Que a porto seguro conduz.
Divino é ser criança,
Só o bem compreender
E ignorar todo o mal.
Assim admitir-se, é brotar de novo
É transcender à pátria-mãe.
Estar criança é renascer da essência
É apagar a escrita do “quadro de giz”
Rescrevendo em forma de poesia
O que gostaria de ter feito,
Não o que fiz... |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:35 pm |
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Cartas para Deus
Natal, 13 de Agosto de 2006.
Deus (Quem):
Quando eu tinha por volta de dez/doze anos, eu te escrevia sempre.
Naquela época eu freqüentava, assiduamente, a Escola Dominical da Igreja Batista de minha terra-natal.
Talvez por isso – e por causa das “pressões” de meus pais – eu sentia mais necessidade, compulsiva até, de conversar mais amiúde contigo, Senhor.
Quiçá, também, porque eu conseguia te enxergar...
Eu te via naturalmente, como via ao meu pai genético. Sim. Eu te via, porque “ensinaram-me” que tu eras um ser belo, alto, forte, radiante, cujas vestes chegavam a ofuscar-me os olhos; e essas características me cativavam e me davam prazer.
Contudo, meu Deus, havia uma “coisa” em ti que me incomodava deveras: Eu tinha medo de ti. E quanto medo!
Temia até a tua eventual aproximação material (Já não bastavam as reprimendas, a censura e até, não raro, o rancor do meu genitor?).
Por isso, talvez, paulatinamente, fui-me afastando de ti. Começaram a surgir outras atenções; outros atrativos mais “significativos” e palpáveis... Daí foi “um pulo!”.
Deus (Que):
Passaram-se mais de quarenta anos!
Então, decidi escrever-te novamente.
Só há pouco compreendi que tu és a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Percebi, também, que “para crer-se em Deus, basta que se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pôde fazer alguma coisa." E o nada não existe.
Entendi, ainda, que tu és um Deus “diferente” daquele que eu “fantasiava”. Diferente do que muita gente apregoa.
Embora sendo imaterial e, como tal, não ocupas espaço, assemelha-te ao vento de travessia que acalanta nossas dores e suaviza nossas tristezas e desencantos.
Vejo-te com os olhos que vêem o balançar cadenciado das árvores; Ouço-te, com a audição que escuta o ronco do mar; Sinto-te, através do pousar de uma borboleta sobre os meus ombros. Mas ainda persistem algumas inquietações, e perdoa-me, Senhor, a sinceridade:
“Dizem” que só devemos agradecer... Que só devo enxergar as coisas salutares: a saúde; o teto; o trabalho...Que devo agradecer, ainda, por tudo que nos é pernicioso: a doença; os acidentes de percurso; as dificuldades econômico-financeiras, e por aí vai...
Mas, Meu Pai: eu sou uma criança diante de ti; diante dos teus propósitos...
Uma criança precisa...precisa...e só precisa. De carinho, afeição; de socorro. De amor, meu Deus! De amor e, acima de tudo, de amar...
Não te aborreças comigo, portanto. Afinal, o que tenho “exigido” de ti?
Dá-me a fortaleza de espírito; coloca lenha na pouca chama da minha fé e ensina-me a amar, eu te suplico!
De todo o coração,
O teu filho:
Robério |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:37 pm |
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O Corpo Que Me Deste
Como olvidar Tuas maravilhas
Se infindáveis são Tuas realizações,
Como o puro ar que infla nossos pulmões
E o sol que nos aquece e brilha.
Há o orvalho que a relva refrigera;
A chuva que rejuvenesce os rios;
O abrigo silvestre que afasta o frio
E o sono que as energias fortalece;
O dia, para as tarefas laborar;
Os sonhos, para embalarem as fantasias;
A lua, para ninar as maresias;
A noite, para o corpo descansar;
O corpo morno da companheira
Para aquecer e solidificar nossas lágrimas;
O beijo cálido, para abafar nossa dor
E ... E a tesura para fomentar o amor... |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:39 pm |
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O Brilho do Natal
de um Náufrago Sem Luz.
Do pouco que tive
nada doei.
Vago a esmo
por um turbilhão
de ondas descompromissadas.
Surfo na crista de vagas
(embora numa linha paralela)
que, para muitos,
exortam o prazer pelo prazer.
Sou carona de pescadores
sem nada querer
ou saber pescar...
Sei que um dia
o mundo reconhecerá
o meu direito inalienável
e soberano de morrer.
A minha parada
será o ponto de partida
daqueles que não querem
viajar comigo...
Sinto-me só,
conquanto cercado
por uma multidão
de sombras do passado
(e do futuro que se avizinha)
Às vezes imagino que
não sou digno
de minha própria companhia.
Ela, sozinha,
sente-se mais feliz
e confortável de que
se junto a mim estivesse...
Seria preciso
estender as duas mãos,
inda que na palma
de uma delas
sobrasse o meu “universo”
de amigos...
Se mais longe
fosse a minha vida,
mais curta
seria a felicidade
dos que me cercam...
Por isso, já vou... |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:43 pm |
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Não Faça da Brisa
uma Tempestade
Flutua...flutua, mais e mais
tal qual o papagaio colorido
livre e solto à mercê do vento.
Voa o mais alto que puderes!
Até poderes ver como somos
pequenos e indefesos lá em baixo.
Deixa-te fluir na carona da brisa
e volve-te à vontade e com leveza
no tapete mágico que te ampara.
Não! Não retornes agora!
Nada mudou aqui embaixo, ainda...
e o vento não sopra neste plano.
Desfrutas mais um pouco
desse espaço que é só teu
e que te escolheu por companhia.
Receias que a brisa se canse?
Isso só se tua tempestade influenciá-la
Pois apenas a ti ela escuta e obedece. |
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:45 pm |
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Apresenta-me o teu Deus,
Senhora!
Por que comigo, Senhor,
minha prece não Te alcança?
Há ruídos na comunicação
e imagens distorcidas,
sem nitidez.
Busco-Te diuturnamente,
com a força que me resta,
e... nada!
Falo Contigo
e não me ouves.
Seria por me teres deserdado,
ou por não Compreenderes
o meu dialeto,
ou porque falta sinceridade
e confiança nas palavras
que dirijo a Ti?
Não. Tu me escutas.
Contudo, Tens
outras prioridades
além do que o “Teu tempo”
nem sempre “bate”
com o “meu tempo”.
Claro! O que representaria
a minha quinta-feira
de um dia qualquer para Ti?
Que tolice, a minha!
Existem outros pessoas
mais necessitadas e fieis
do que eu
na “fila de espera” (...)
Penso, às vezes,
que como nos bancos,
preciso renovar
o meu “cadastro” Contigo.
Apresentar novos propósitos
e votos mais atualizados
e contundentes!
Preciso apresentar provas
de que, hoje,
estou plenamente “recuperado”;
que minhas ações e liquidez
são mais sólidas...
Seria necessário, ainda,
que alguém da Tua confiança
apresentasse-me a Ti?
Nesse caso, recorro
a uma “velha conhecida” Tua:
minha amiga e companheira,
para quem basta citar o Teu nome
e a emoção se aninha em sua face;
o brilho estampa no olhar confiante,
não importando a circunstância;
se de puro contentamento,
de intenso sofrimento,
ou de singular e terna alegria,
pois sabe que perto, mais adiante,
dela Tu estarás.
Então, minha senhora,
apresenta-me o Teu Deus!
e eu estarei com Ele,
junto contigo! |
_________________ Carpe Diem, amigo(a)
Robério Matos
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Robério Matos
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Enviada:
Sáb Out 28, 2006 6:47 pm |
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Ecos do Infinito
Me comprazo
No espaço aberto
Em minha densa
Solidão.
Ao abrigo
Do abraço
Da mórbida multidão.
Contemplo por trás
De minha cegueira
Traços informes
E agudos como o grito,
Diferentes da dor
Companheira.
“Longes” de mim.
“Pertos” do infinito. |
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Robério Matos
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