Luiz Alberto Machado
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Sáb Mai 19, 2007 9:28 am |
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Aroldo Chagas, um operário de palavras
Os Olhos Salientes do Crocodilo é o primeiro livro do poeta Aroldo Chagas, filho de um pai viajante, ferroviário, e nascido ao acaso, em uma das andanças do pai, na cidade do Naque, em Minas Gerais.
O sentimento de não-pertencimento a lugar algum e o ferro na alma, foi o legado do pai a este poeta. Tal qual Drummond, “orgulhoso, de ferro”, “com noventa por cento de ferro nas calçadas e oitenta por cento de ferro nas almas”, Aroldo, radicado no Vale do Aço há 30 anos e operário de usina, demonstra uma dureza na escritura moldando palavras da mesma maneira que se molda o ferro gusa quente para transformá-lo em aço.
Assim, os poemas são cortantes, pungentes, queimam o leitor em uma grande caldeiraria cujo léxico revela um clima de opressão e tensão inerentes a uma região industrial como o Vale – de Aço e de Lágrimas?
Aroldo, operário de palavras, funde em seu caldeirão “pedras, farpas e cacos”, a “terra seca”, a “rígida crosta”, a “vida inoxidável”, “as contíguas estruturas”, joga tudo na “betoneira do coração”, agita, e devolve ao leitor seus retratos perenes: “versos de concreto”. Com olhos argutos e luminosos como os de um crocodilo, o poeta des-vela as verdades encobertas, que surgem como um incômodo, e toda a escória social é denunciada – “finge-se de morto o poeta” por uma questão de sobrevivência, mas a palavra ilumina toda a dor por uma questão de vida e de morte.
A felicidade – “um barco com um furo no fundo” – só é possível no mundo inventado pela arte do poeta e do “abdome de latão” as palavras, “fios de seda”, nascem, acariciando os calos das mãos, a pedra na alma, as rugas e rusgas incrustadas, o nó da garganta, a pressão do coração.
Micheline Lage
Mestre em Literatura Brasileira - UnB
Doutoranda em Educação - UFMG
Professora de Teoria Literária/Unileste-MG
Coordenadora do Curso de Letras/Unileste-MG
Veja mais a respeito do livro: Os Olhos Salientes do Crocodilo de Aroldo Chagas acessando: http://www.clesi.com.br/ |
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