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Autor Mensagem
Francisco Coimbra



Mensagens: 852
Localização: Ponta Delgada - Açores/PORTUGAL

MensagemEnviada: Qua Abr 22, 2009 8:06 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

VARIAÇÕES

I
ENFEITAR DE SILÊNCIO
“meu Brasil brasileiro”

eu ia adorar saber
você desejar minha voz
para lhe acalentar

para poder me ouvir
para lhe acariciar

mas melhor ainda…
(deixar o silêncio
enfeitar sem enfeites)

II
TENTAÇÃO


já ontem havia havido
a tentação de cantar
minha voz soltando

ficou a tentativa
à qual junto hoje
mais desta tentação

(deixo ficar o que ficou
e não me vou sem
deixar ficar!)

III
DUAS GOTAS DE CHUVA


i
se fosse baladeiro
tocando um balada lenta
eu iria falando
bebendo uma água-benta
e estaria cantando

ii
à procura de algo verdadeiro…
sou deste modo

a meu modo um cantor
mudo do espanto
de sentir das cordas
tensas nu silêncio
onde é o ritmo pesado

cai chuva com força:
apanho duas gotas... !!

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MensagemEnviada: Qui Abr 23, 2009 3:51 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

POETA

no poeta
tem de haver
algo de diferente

imaginemos:
e se não houvesse?

a poesia não acontecia!
Mim

POETISA

na poetisa
tem de haver
toda uma poesia

chega_ria
uma parte dela?

a poesia não acontecia!
Assim

#

CONTAGEM PROGRESSIVA
a flor de lótus desabrochou,
in gitanjali, Rabindranath Tagore
(tradução - edições paulinas)
agradecimento: ao Jorge Vicente

dois dedos de versos passando ao teclado

o divagar do vagar da mente procurando
interagir com as coisas e seus acontecimentos
através do movimento - das palavras
formando pensamentos, captando ideias
numa teia de versos onde o poema
é essa rede delicada onde tentamos armar
no ar, mar e terra… o lugar perfeito
para a tentativa da perfeição que é a feição
da poesia a querer dar o ideal do ser
através do ser ideal do poeta?

há um filósofo em todo o poeta
capaz de se “presar” como caçador e presa
dum diálogo vivo e profundo com a realidade
neste mundo que não acaba na pele
pois ele (o) continua para o papel onde
tenta sentir a escrita num movimento mágico
do gesto das palavras que se interligam
sem a mecanização do ritmo num teclado
disposto à nossa frente servindo as letras
sempre na mesma posição como as notas
das teclas dum piano onde se pode tocar
seguindo-escalas-notas-tons-e-semi-tons

embora em última análise seja sempre
a procura duma música deste canto
onde o dizer ecoa ganhando para o eco
uma amplidão de imaginar sentindo
com a beleza levada à precisão nesta
precisão do que nos é tão necessário
como o dois mais dois dum quatro
no quadro duma contagem progressiva...

tento primeiro represar um verso,
logo soltar poema SE/se solta a poesia!
(esse itálico onde se entala a diferença
entre o que penso e o que digo na fala)

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MensagemEnviada: Sex Abr 24, 2009 11:23 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O POVO SAIU À RUA

I

na noite que uniu
o dia 24 ao dia 25
uma canção

serviu de código
e deu início à revolução

o MFA saiu à rua

II
os anos podem passar
“a razão que nos sustem”
essa continua

continuamos a celebrar
o 25 de Abril

quando o povo saiu à rua

III
eu canto a Liberdade
com o valor dado à data
onde ela foi dada

ao povo que a esperava
e a soube viver

como só se vive a poesia

(Poesia é Amor e Revolução!)
Viva o 25 de Abril de 1974!!!

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MensagemEnviada: Sáb Abr 25, 2009 5:38 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

CATEDRAL VAZIA

um silêncio profundo
semelhante a catedral vazia
encontra dentro de mim

este lugar de culto
onde o habito

até o escrever em verso!
F

NA HASTE

as manhãs com girassóis
movem-se na terra
como uma flor

na haste dum gesto
minha mão

vem escrever em verso!
Assim

HASTEANDO

hasteando ler-te
no gesto da escrita
falando… esta língua

onde nossos gestos
se procuram

tocar – a poesia!
Mim

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MensagemEnviada: Seg Abr 27, 2009 11:22 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

CONSTRUÇÃO
(a explicação do poema)

perguntem-me o que é a Poesia
[e] isto que construo será [a]
explicação do poema pelo poema

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MensagemEnviada: Qua Abr 29, 2009 10:10 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

ROSAS VERMELHAS

aceito tudo que são boas ideias
até fazer poesia de sangue e lágrimas
correndo sobre pétalas

em rosas rubras vermelhas
cor de fogo aceso nos tomates

maduros e com seus duplos sentidos.!.
Assim

VERMELHAS ROSAS

nu coração das lágrimas
este que choro de riso e felicidade
de ler-te com vida

como convida a poesia
e a nossa vida

esta alegria florida do riso a correr…
Mim

PROSAS VELHAS

os meus sapatos caminham
sozinhos enquanto eu caminho
perdido em sonhos

onde me levam os versos
e trazem os poemas

em cima de palavras despidas.?.
R

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Qui Abr 30, 2009 10:04 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

IRMÃ

irmã
a beleza faz de ti
uma pessoa muito bela

eu quero ser
apenas eu

este teu compositor
Assim

ÍMAN

íman
duma atracão
tão electromagnética

toda a imagética
nus irmana

de mão na mão…
Mim

+

BA(S)TO…
«bato à porta da sorte»

a felicidade
dos seres felizes
é a minha felicidade

não quero outra
além desta

basto-me basto!
R

+

PARA…
Raf

Paradoxalmente...
a poesia alimenta
esta dança do corpo
a perna, o braço
mais a postura
da cabeça no pescoço
em todas a línguas:
expressão sempre!
Quando damos conta
está lá tudo, mas
o que sabemos dizer
do que lemos?
O melhor é crescer,
sentir as raízes
a entrar na terra!
Poisa a mão
sobre um livro,
sente a curiosidade
subindo pelo pulso,
pára a leitura:
vou abrir o livro,
continuar a ler!

Grande abraço!!

Escrita(s)
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=34249#34249

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Pupila



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MensagemEnviada: Sáb Mai 02, 2009 12:56 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
IRMÃ

irmã
a beleza faz de ti
uma pessoa muito bela

eu quero ser
apenas eu

este teu compositor
Assim

ÍMAN

íman
duma atracão
tão electromagnética

toda a imagética
nus irmana

de mão na mão…
Mim

+

BA(S)TO…
«bato à porta da sorte»

a felicidade
dos seres felizes
é a minha felicidade

não quero outra
além desta

basto-me basto!
R

+

PARA…
Raf

Paradoxalmente...
a poesia alimenta
esta dança do corpo
a perna, o braço
mais a postura
da cabeça no pescoço
em todas a línguas:
expressão sempre!
Quando damos conta
está lá tudo, mas
o que sabemos dizer
do que lemos?
O melhor é crescer,
sentir as raízes
a entrar na terra!
Poisa a mão
sobre um livro,
sente a curiosidade
subindo pelo pulso,
pára a leitura:
vou abrir o livro,
continuar a ler!

Grande abraço!!

Escrita(s)
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=34249#34249


Francisco,
muita admiração pelos teus escritos,
fico aqui a olhar e a abraçar os teus versos.
belos e inteligentes
parabéns!
beijos poéticos

_________________
*ADESÃO AO POST ÚNICO - EM ASSUNTO: POEMAS DE...; DEPOIS use só o RESPONDER para novas postagens. *"INTERAJA com outros Membros";menos postagens e mais qualidade em comentários.
MAÍSA CRISTINA *Pupila
Membro Moderador do Fórum do Guia de Poesias.
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sáb Mai 02, 2009 10:19 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

FLORES
são pétalas sedosas
o interior das tuas coxas
lisas e acetinadas

flores no teu corpo
as articulações

todas dão palavras em flor!
Assim

CARÍCIAS

bem se articulam
teus versos tão livres
como peixes

nadando
dão do nado

a arte das carícias!...
Mim

DESENHANDO CARÍCIA

complexa a flor desenhada
pelas carícias trocadas
entre dois corpos

quando os move
um amor que os une

assim devem ser os poemas
R

+

CONSCIÊNCIA DE CLASSE
Dia do Trabalhador
onde «ninguém se livra
da morte e dos impostos»

I
só quero lembrar
ser sem livre vontade
mas escravizamo-nos todos
à ação do estado que nos (m)assa

II
aos que acreditam
ser obrigatório e necessário
prestar este servilismo
do qual nos servimos para estar
seguros? direi…

III
é verdade…
já só sobrevivemos
sem deixarmos viver nada
nem ninguém em paz

IV
será esta a maneira de celebrar
o Dia do Trabalhador?
reivindicar perante os patrões?
dinamizar os sindicatos?
a minha “consciência de classe”
coloca-me perante a escravidão

V
somos todos dentes
duma engrenagem que ri
da existência deste planeta
já saturado da nossa presença!


Pupila, parabéns por FACES,
obrigado pelo comentário!

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Seg Mai 04, 2009 10:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

NU AR
(O – U – redondo)

olho para dentro de mim
vendo-te a ti a cores
de ave canora

paira no ar quente
a imaginação

esta imagem fica viva!
Assim

S’OLTO V’OLTO
(voltas d’u voo)

pinta-me pintassilgo
de cores garridas
brilhando sol

reflectindo a cor
assim de cor

com teu canto solto!
Mim

#

II CHEGAR/ 2 COMPLETAR

nada de mais certo há num casal
que tratar-se dum par juntando
os dois em um num todo singular
onde cada um é um dos dois

não deixa de ser impar assim ser
sempre na certeza dum concerto
sinfónico feito perfeita sinfonia 2
concebendo da copula harmonia

desse modo interligar pés e mãos
dando dos membros ao coração
enquanto uma canção rasga II
na serenidade sem serena idade

acasalando pares a ritmado canto
onde do espanto retiro esta alma
tão necessariamente é espiritual
quanto do corpo física e química

a mais singular quadra seria esta
fechando em cunha todo o arco
entre o partir e respectivo chegar
a rima onde finalmente embarco

(II agora dito acabando 2 em um
poema que equaciona o número
manifestando com a quantidade
qualidade e natureza da poesia!?)

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MensagemEnviada: Ter Mai 05, 2009 9:02 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JÁ JÁ JÁ... (a tentativa)
«POEMA LONGO PARA NÃO SER LIDO NA INTEGRA, SÓ EM PARTES PARA DEPOIS DEITAR FORA»,
HellHound, in “SOMBRAS E FUMO: POEMAS DE NRV” (neste Fórum)

I
há alguns dias venho repetindo a leitura
pensando sempre chegar à escrita,
como será hoje o caso
se não se der
o caso de
dar em nada - - - - - -> a tentativa

II
não há o perigo de dar em nada,
mal ou bem alguma coisa
iniciada está,
só - falta saber
como s'irá acabar?

III
vou acabar…

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MensagemEnviada: Qui Mai 07, 2009 11:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A_CABO

a poesia entrega-se
a quem a define
a inacabá-la

no cabo nu
duma exclamação

l_ua inacabada nua?
Assim

+

POEMA PARA MINHA MÃE

I
o poema para a minha Mãe
deixei-o ficar só para ela,
agora neste resumo:

tudo o que eu penso
sobre a realidade,

todos somos assim, o quê?

II
a minha mãe não esperava
que engravida-se nela
feito de palavras

ligado a uma placenta
ultra-uterina

na latrina dum semeador…

III
o semeador de versos pai
vivia da sua surpresa
de gerar com vida

versos no estertor
dos orgasmos

num pasmo dos poemas!
Assim

+

ESTOU PENSANDO EM TI

sinto uma carícia na pele
uma impressão
ligeira

deixo a sensação
passageira

viajamos para o espaço!
Mim

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sáb Mai 09, 2009 2:33 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

CHÃO

pegar no fio
interior da sensação
deixá-la correr

fazer a meada
passar da mão…

ir ao chão da palavra
Assim

SOALHO

soa o soalho
tábuas de madeira
tua a maneira

a meu modo
sempre quis ser

a que se faz e é chão
Mim

+

TUA VOZ MELODIOSA

chega a pairar sobre as águas
evocando em mim o espírito dum deus suave
como voo de ave ou leveza de nuvem na carícia
dum canto de amor tornado presente a actuar

trouxe encanto transbordante
da líquida queda dum líquido gelatinoso creme
embalsamando-me em bálsamo todo eu insano
inchando caindo do alto sobre uma taça cheia

desenhou a taça por dentro
até a começar a moldar por fora com as formas
dum corpo bem resolvido onde pensando sigo
ser eu a taça por onde bebo a espessa espuma

já das imagens passei da visão ao tacto e sigo…

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Marianna



Mensagens: 401
Localização: SP

MensagemEnviada: Sáb Mai 09, 2009 8:37 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Poeta Francisco,

Que maravilha passear os olhos por tantos poemas tão bem escritos, é um deleite para a alma!

Abraços!
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Seg Mai 11, 2009 9:49 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O CONCEITO DE “SPREZZATURA”
Algo difícil que é veiculado e feito com a impressão de facilidade absoluta, leveza, ‘non chalance’

I
posso dizer que o poema nasce
do toque dos dedos
no teclado

ainda mais é possível
dizer acerca

uma cerca e é preciso saltá-la…

II
quando tens os meios
todos os teus fins
são possíveis

como estes versos
(eu) os faço

com esta simplicidade

III
a tua cumplicidade vem
total e absoluta
para ser!

a poesia resulta
como a palavra!

quando… pensamento!
Assim

POR ISSO…

tocam-me os teus dedos
sobre o teclado
sinto-os,

mas são palavras,
carícias,

por isso… sonho com elas!
Mim

+

TIR
Transporte Internacional R

encontrei um camião TIR
virado do avesso
na estrada

não parei para ver
e no entanto

não pude fechar os olhos
R

Obrigado Marianna!

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