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jcm-medeiros



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MensagemEnviada: Sex Jan 08, 2010 9:22 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Olá, Francisco,

Permita-me invadir o seu espaço para assinar a leitura do texto acima. É uma justíssima exposição, aliás necessária, que dá um pouco de luz sobre a questão da construção da forma do poema. Acho engraçado como muitas vezes a discussão sobre a metrificação recai exclusivamente sobre a definição do verso. Tenho visto muitos debates no fórum do Recanto que discutem o uso dos decassílabos sáficos ou heróicos, dos diferentes alexandrinos, e vejo como isto se separa do ponto primordial, que é a união entre a forma e o conteúdo, aliás, a forma servindo ao conteúdo e vice-versa. Gostei muito do seu texto. Prova mais uma vez para mim como é meritória a admiração que tenho tido por você. Muito bom descubrir um olhar sensível e profundo que nos ensina sempre.

Grande abraço,
João

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João
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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sáb Jan 09, 2010 1:51 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

272

Olá João,
Grato pela atenção!...
Um comentário, para viajar:

SEM-FIM

«Conheci num curso de fotografia, o bom desse meu lado Pedro é a sinceridade.»*, frase estranha. Inicia [todo] um texto onde se entranha a história dum movimento que progride sem agredir, envolve sem abafar, liberta por fim a espiral – onde se move a tenção do que fica do que veio, é como um veio, melhor, é a espiral dum sem-fim.

* Andre Luis Aquino, in "As fronteiras de Raísa"
http://andre.aquino12.blog.uol.com.br/arch2010-01-01_2010-01-31.html#2010_01-08_16_18_51-8032011-0

SobrePoesia(s)
A COR DANDO A POESIA

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36330#36330
A BORBOLETA A FLOR
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36334#36334

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bbrian



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MensagemEnviada: Sáb Jan 09, 2010 10:22 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
272

Olá João,
Grato pela atenção!...
Um comentário, para viajar:

SEM-FIM

«Conheci num curso de fotografia, o bom desse meu lado Pedro é a sinceridade.»*, frase estranha. Inicia [todo] um texto onde se entranha a história dum movimento que progride sem agredir, envolve sem abafar, liberta por fim a espiral – onde se move a tenção do que fica do que veio, é como um veio, melhor, é a espiral dum sem-fim.

* Andre Luis Aquino, in "As fronteiras de Raísa"
http://andre.aquino12.blog.uol.com.br/arch2010-01-01_2010-01-31.html#2010_01-08_16_18_51-8032011-0

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A BORBOLETA A FLOR
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36334#36334



Francisco, sua conversa com o João é coisa de gente grande. Me abstenho.
Quanto AS "FRONTEIRAS DE RAÍSA" é encantador, vibrante. Grandes são os poetas fotógrafos das almas.Mais uma vez trouxe ao forum um presente. Obrigada, beijos no coração!

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Dom Jan 10, 2010 7:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

273

A leitura, a escrita e os seus jogos!
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?t=7248

Agradecimento para o Zé Albano!
http://www.novaguarda.pt/index.asp?id=15132&idEdicao=214&idSeccao=3071&Action=noticia

POESIA ERÓTICA

Um despretensioso levado à exaustão, deixaria de ter pretensão. Se há coisa que não falta em “Poesia Erótica” é pretensão, toda ela sem pretensiosismo. A Poesia, entendida da forma que melhor se entende, de forma lúdica, como jogo de comunicação, e entrega… às palavras: faz-se presente!
Foi presente de Natal, ocasião marcante desta data em que o livro me foi oferecido pela mão amiga de um dos seus autores. Acho que este facto não me tira a objectividade, pois este objectivo de partilha de gozo e jogo é por demais… evidente!
Primeiro é a mão, depois o pé, finalmente o corpo todo? A ordem nunca é arbitrária e é arbitrada, pela leitura do leitor. A quem ainda não leu o livro, para melhor falar dele, daria a ler o Índice, indo à descoberta do nome dos poemas.
Palavras, os nomes são substantivos próprios ou apropriados da substância do que se faz escrita do livro, aí temos também onde SE leia a ideia da(s) coisa(s), o SE/se de todo o poema, do livro. Um livro de Poesia, idealmente, é um poema, assim é este.
Apropriar-me das palavras, procurando passagens do jogo e do gozo mencionados? Escrever um pouco mais sobre os 26 poemas (13+13) que se desdobram em 52, lendo de forma independente a participação de cada autor. 52 semanas dum anos, 52 cartas dum baralho…
Baralhando e dando, sem barulho de fundo, sem ruído, de forma nítida. Não… obrigando à visualização tida do seguinte modo: de 3 em 3, já não chegaríamos a 9 que pediria 27; vamos de 4 em 4 dá 6, dará com exactidão os 24 e logo… os 26.
O 4º poema: «Corpos esfomeados/ E carenciados», há uma relação prosaica: um diz, o segundo avança A dança foi proposta por ela, é sempre ela quem começa.
O 8º poema: «Kamasutra/ A melhor fruta», indo das coisas para o seu sentido figurado, a metáfora deixa de ser meta, é um permanente ponto de passagem.
O 12º poema: «Lambo/ Descambo», a plena brincadeira, é a cadeira onde o leitor se senta se quiser ler sentado.
O 16º poema: «Peito hirto/ Mamilos lambidos», sem arrepio não se deve avançar na leitura, espere melhor altura…
O 20º poema: «Açúcar e mel/ O meu papel», o meu papel é o dois, o que vem depois, o primeiro a…
O 24º poema é já o último desta leitura salteada de quatro em quatro, é o antepenúltimo: «Toca-me/ Siga-me»:
«Amar é bom…/ Sobe de tom…», poetisa e poeta vão subindo de tom desde este(s) primeiro(s) verso(s) até ao último:
«Podes entrar./ Eu vou gozar.»
O gozo de cada leitora ou leitor está garantido, é deixá-lo entrar se for senhora, é deixá-lo penetrar se for senhor… Senhor, cada um creia no que queira.!.
A poesia (na Poesia ou seja onde for) só existe se se (SE/se) dá verdadeira, simples e comezinha. Não a quer comer? É simples, não leia. Mas, se ler até ao fim, e do princípio, começa assim:
1º poema: «Pecado/ Saboreado», último poema o 26º poema: «Deita-te… e sonha/ Na noite risonha», só não lê e se di_verte... quem não quiser.
Um Bom 2010, está quase aí! Já passou? O problema da leitura não é um verdadeiro problema, é só esperar o momento certo.
Termino dando o(s) primeiro(s) verso(s) do(s) primeiro(s) poema(s):
«Colocar as mãos no teu corpo/ Altera-lhe o estado amorfo», duma ideia sem forma, o poema transforma-se no que o leitor puder e souber! Menos que isto não é dito por Joaquim Evónio em 06 Outubro 09, escreveu no Prefácio:
«Já li mas não conto».
Pronto, agora é a sua vez. Ainda do último poema: (…)
«E lembra-te como foi bom,/ Subindo o amor de tom»
(…) «Sonha…/ Fica risonha…»
FIM, ter_mina…
22 do 12 de 2009
«Poesia Erótica», Isabel Fontes e Zé Albano na "Temas Originais", 1ª edição 2009.

Daqui:
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36343#36343
Dacoli…
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36353#36353
Fiz “RAMALHETE”

SobrePoesia(s)
Mim & Assim + Assim + eu

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36350#36350

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sáb Jan 16, 2010 12:11 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

274

Nem o R acompanhou esta série de poemas do Assim & Mim, vou registar apenas a existência da série:

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MINHA LUA & MEU SOL

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36375#36375
A EBULIÇÃO DO VERSO & DO VERSO À EBULIÇÃO
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36386#36386
AMO AGORA & AGORA AMO
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36393#36393

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MensagemEnviada: Sáb Jan 16, 2010 12:23 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
274

Nem o R acompanhou esta série de poemas do Assim & Mim, vou registar apenas a existência da série:

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MINHA LUA & MEU SOL

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36375#36375
A EBULIÇÃO DO VERSO & DO VERSO À EBULIÇÃO
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AMO AGORA & AGORA AMO
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Francisco, traz uma série densa, intensa, flamejante. Veste uma nudez encantadora a qual aprecio cada verso iguais tragos da fonte lírica. Parabens!
Beijos no coraçao!

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Sáb Jan 16, 2010 6:10 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

275

O TEATRO DA PALAVRA


A PALAVRA À MÃO
«Vem a palavra à mão como um fio de água»,
Gonçalo B. de Sousa

vem a palavra à mão experimentar a sorte
da expressão
enquanto a manipulo sem o manipulo
do braço
manivela dum motor à vela aberta agora
ao vento
deixando soprar o vento da inspiração
dá espaço:
SE o tempo se encontra no seu elemento

como saber se o poema é narrativo sem
contar nele uma história?
há pois coisas que não se sabem e sabe
sempre bem poder adivinhar
como os pares se casam nos impares
formando o conjunto todo
dos números naturais aos reais e mais
primos, irracionais, fraccionários, inteiros
como vem – a palavra à mão!

Dedico este “número” a uma análise interessante sobre o que possa ser um “poema narrativo”?
A tradição da Poesia Épica deve também alimentar os humores dum poema breve:

O ENCANTO

onde canta aquela ave
mora o encanto
do canto

fazendo meu
canto

canto que encanto faz
Assim

O Assim canta como Aquiles guerreou ou amou, nem o Aquiles quereria que fosse de outra maneira! À sua maneira, todo o herói é poeta.
Francisco

TEU CANTO

é o canto da ave que sou
tentando dizê-la
coração

uma pequena ave
cantando

escondida no meu peito
Mim

Quando era pequena era inventor o que queria ser, depois a minha ambição mudou, passei a querer ser artista: seguir pistas no ar sobre o que seja o voo, em todos seus momentos. Cedo percebi que não se inventa nada, embora, contraditoriamente ao que acabei de escrever, se possa inventar tudo.
Não, não era ser inventora o meu desejo, era ser inventor: uma imagem projectada pelo desejo de pertencer ao número daqueles que mudavam o rumo da História, os homens. Era ignorante, comigo toda uma tradição de ignorância.
Hoje poderia querer ser inventora, mas sou anti-artista. Inventei esta ambição, alimento-a a histórias, histórias que tenho de inventar. Como se inventa tudo? Criando, esta á a ambição criadora de criadora? Estive quase a ponto de criar um pseudónimo, mas cá continuo… militantemente anónima.
[Mina]

BB, encontramo-nos
À conversa na escrita
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36405#36405

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Assim&Mim + eu

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36404#36404

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MensagemEnviada: Ter Jan 19, 2010 7:02 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

276

Tudo dá uma história...

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36431#36431

SobrePoesia(s)
Assim & Mim + eu

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36430#36430

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MensagemEnviada: Qui Jan 21, 2010 11:35 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

277

ENTREVISTA
Agradeço à Sanjo, enviou-me o endereço e deu a reler; obviamente faço destaque para o entrevistador e para o site onde foi acolhida a entrevista:
http://66.228.120.252/entrevistas/1464775

Entrevista FRANCISCO COIMBRA (Literatura) - PORTUGAL
Quando conheci o português Francisco Coimbra, aqui mesmo neste Recanto das Letras, foi como um murro no estômago. Seus textos, literalmente, mudam qualquer entendimento conformado ou conformista, uma vez que ele nunca reproduz uma idéia de forma convencional. Antes fere, interfere, desestrutura, modifica, enlaça, subtrai, divide e soma os catetos poéticos contra a planície da hipotenusa. Sendo assim, quis entrevistá-lo, apesar de reconhecer que teria um "perigo à vista", pois o dito é o desassossego em pessoa. Foi difícil, demorou mais de um mês entre idas e vindas, mas ele provou-me sua constante renovação, por exemplo quando de cara propôs-me que respondesse as mesmas questões que fazia a ele, entre outros ineditismos que - acredito - só é possível quando se conversa com um ser inquieto como ele. Topei a empreitada, porém, e o resultado dessa interlocução vocês verão abaixo. Boa degustação...


1) Quem é Francisco Coimbra?

RESPOSTA DE FRANCISCO COIMBRA: Não pretendo ser um "autor fácil", mas podendo escolher preferia incomparavelmente sê-lo a ser um "autor difícil", são coisas que não se escolhem. Para dialogar necessito de quem faça da escrita um desafio, a vários níveis. Encontro sobretudo parceiras, para quem as emoções e a sensibilidade são o veículo privilegiado da palavra decididamente poética. A nível intelectual, a escrita como apelo à inteligência, alguns, muito pouco parceiros se conseguem cultivar, seria este o campo onde gostaria de definir um espaço para dialogarmos. Parece não ser possível, seria bom chamar a atenção para a alerta no Recanto das Letras sobre a universalidade, reflectida nas estatísticas, da dificuldade de descodificação das mensagens escritas. Isto está bom é para a Poesia e para o abstraccionismo, senão como domínio artístico, como prática cognitiva. Quando quiseres, sempre falarei como se de novo nos tornássemos a encontrar. Não vou é pensar, tentar expor ou explicar, onde poderei não ter sido bem entendido. Porque as perguntas que faças não têm todas de ser para a entrevista, as respostas que dê são sobre tudo para me distrair. Devo ter feito mal em responder tarde e a horas de estar cansado e com sono, redundou em dar lugar aos reflexos do dia sem aprofundar sobre eles uma reflexão. Fi-lo tranquilo, na suposição que "conversando é que as pessoas se entendem", num desafio implícito a não nos ficarmos por perguntas "standart". Ocorreu-me uma ideia, já algures no entretanto, será que não queres responder às perguntas do teu próprio questionário? Bom, seja o que for, hoje acontece outra vez o mesmo, é tarde, estou cansado (viajei) e vou-me deitar.

RESPOSTA DE ESCOBAR FRANELAS: Sou um praticante de letras e vídeos, apaixonado por muita coisa ao mesmo tempo, o que naturalmente resulta num cara fragmentado e desatento. Meu universo abarca desde a Arte tal como é entendida semiologicamente, como a procura às tontas por um sentido que a vida (e, consequentemente, o mundo) talvez nem tenham, mas é seu afã. Sem ser afetado demais, sem ser muito preso ao didatismo, ao capitalismo, ao radicalismo, enfim, qualquer "ismo". Sou um libertário, acho! Pelo menos tento ser.

2) Francisco Coimbra, essa paixão pela intertextualidade é o seu oasis(e dos seus leitores)? Você nunca sentiu-se fora do "meio" por praticar letras e de uma maneira tão inédita?

RESPOSTA DE FC: Esta pergunta são duas, começo pelo oásis. Se desejo que a intertextualidade seja em mim um oásis, não gostaria de admitir ser um deserto o que envolve a atitude inter-textual. Ela decorre do facto da publicação, que tenho feito, ocorrer na Internet. Os leitores, da nossa escrita, acabam por ser parceiros desta actividade que assumo e desenvolvo como forma lúdica pessoal com uma vertente de comunicação social desenvolvida pelo facto apontado. Porquê? Porque ao ler os meus parceiros, gosto de dar voz à arte que nos une. Daí os duetos sempre que posso, isso o que penso referes. Quanto ao “meio”, se a originalidade fosse um facto (continuarei a escrever facto, pois fato em Portugal é para vestir, não o fato brasileiro do nosso acontecer) comum, ela deixaria de ter o valor que lhe é atribuído merecidamente. Neste particular eu quero agradecer a pergunta, pela afirmação que a mesma comporta. Quanto à minha integração, ela aconteceu, verifico vai acontecendo, da forma mais natural e agradável possível. Não isenta de dissabores, embora só me lembre de um que espero fique como a excepção que permita continuar a confirmar a regra.
A resposta já não é curta, mas espero acrescentar algo que dê para… curtir. Um conto que ontem à noite era um parágrafo, hoje conclui-o de manhã. Ele mostra um tema, ideia, pre_ocupação que me é de certo modo recorrente: quem escreve escreve-se para quem ler ler-se, de certo modo o escritor escreve quem o lê. Além disso, tento escrever quem escreve dando continuidade a uma herança deixada por Pessoa, assim Assim é outro com Mim, fazendo parte de mim.

CAMINHO

«Caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao andar./ Ao andar faz-se o caminho,/ e ao olhar para atrás/ vê-se a senda que nunca/ se há-de voltar a pisar.», António Machado

Enquanto lia estava pensando, tanto pensei que acabei pensando "Por que não fazer um conto?". Já posso dizer o que desejei dizer com o que quis escrever, dar curiosidade sobre o que estaria eu a ler. Estava a ler uma prosa limpa, corrida e ia discorrendo se não escreveria dessa forma se escrevesse como falo. Deixei o que estava a ler, enveredando por veredas cuja existência tento agora relacionar com o caminho que encetei quando quis experimentar o verbalismo solto e desenvolto dum narrador na primeira pessoa, dizendo e acontecendo sobre aquilo que escreve.
Quando dei conta… percebi como facilmente abdicaria de quem sou para ser quem pensas que sou, para tanto bastando pensar quem sejas. Foi nesta altura, de teu leitor passei a ser tua leitura. Cabe aos dois a responsabilidade de saber como isso será possível, para tanto bastando continuar a escrever como se estivesse a ler-te. Deste modo não tenho a mais pequena dúvida, se conseguir dar continuidade à prosa como conversa, tenho ideia que conserva o essencial do que queria trazer para fazer um conto.
Há sempre o momento em que o sonho acaba, acordamos. Para o artista isso pode ser, no inicio, a meio ou no fim. O artista é você, você não me conhece, nem me inventa. Mas, repare, o conto avança de vento em popa. Ser feliz é tão importante para si como para mim, a mim tanto me faz como me fez e a si, tanto lhe fez como faz?

É só esperar a resposta… enquanto escrevemos há um diálogo que se forma. Vai mais longe que a forma, não é só o que vemos. Se durante algum tempo faltava um tema, ei-lo uma outra ideia para a ideia: – Eia, a felicidade é uma grande ideia! Ter, sentir, transformar um “tanto me faz” em algo de profundo e positivo, é esse o mundo, diria mesmo o Universo, que quero para habitar este lugar que se constrói da sua/tua atenção e minha. Falta-lhe um pouco de ilusão, esse sal precioso para a imaginação. Leva as mãos à cabeça, respira fundo, aumenta a inspiração. A primeira ideia que se junte às restantes, une o resta ao antes e já está. Podemos agora provar, saborear o molho, a base, um caldo do refogado em lume brando onde apuramos os sabores dos saberes que compõem não o dicionário, a enciclopédia. Vamos longe, florestas virgens, praias desertas, o drama, como o vivo, é vivido ao vivo: a inocência está perdida, a Felicidade bem a posso dar, mas como a ter?
Ainda bem que tu existes, só tu me podes dar a felicidade, a Felicidade construi-la-emos juntos, tu e eu, ele e ela, nós e vós, eles e elas, são todas as pessoas que somos. Deste modo vale a pena ainda escrever, respirar, fazer alguma coisa. Acabando aqui teríamos uma mensagem positiva mas, positivamente, a mensagem apenas a quero para massagem: estendo-te debaixo dos meus dedos, escrevo-me debaixo dos teus olhos. Dou por mim à espera da tua resposta, vou abrir o livro que ando a ler. Tu responderás das palavras que ler(es), o que estou eu a dizer? Eu continuarei a ler o que estavas a dizer, volto ao nosso diálogo.

Racionalizemos… como quem toma um chá com a pontualidade dum hábito servido a horas certas, eu estava a ler-te quando comecei a escrever. Agora comecei a escrever até que me leias, pelo caminho, são nossas todas as ideias. Está justificado o título? Um poeta escreveu "o caminho faz-se caminhando", agora todos o podemos citar. Quem não lhe lembra o nome, dirá: “como o poeta disse”… E, se me podia acusar da falta dum personagem com nome próprio, ofereço a memória do poeta. Esta estória, cuja história será a que lhe deres, só espera o que te peço agora. Imprime, depois de imprimires, dá-me um autógrafo.

Abraço-te… sem embaraço, sentes o coração a bater? Eu sinto, é o teu? Caminhemos, o caminho está feito, basta dizer que é este. Está feito? Ainda não. A perfeição está nas coisas incompletas que só acabam porque nós acabamos antes delas, assim deverá ser este conto. Contá-lo-ei até ao ponto onde já não esteja a contar nada, apenas ficará no ar a fala e com ela a voz que a fala fala. Sairemos daqui, como quem foi ao teatro e tenta lembrar-se das falas. Com elas até é capaz de compor uma história, essa com a qual dirá como foi o espectáculo, dando o sumo dum resumo.

Esta história, aquela com que falamos das coisas, essa memória... é verdadeiramente isto. Ter um caminho com o leitor, imaginar uma leitora para a leitura desejada? A história é sempre pouco ou nada, o que fica, o que conta, são as ideias que tivemos, as emoções que sentimos, o sentimento de que o vazio só fica preenchido quando a felicidade nos visita e resta, nem que seja apenas um conto que temos de reler ou uma poesia a pedir para a minha mão a escrever “como um verso SE sente antes de se saber” o que nos reserva o verso seguinte?
O caminho é este/esse, o que começa onde acaba e vice-versa.

RESPOSTA DE EF: Sempre me senti "partido ao meio" em dobro na prática da intertextualidade. Mas é um recurso pra poucos que - reconheço - uso sem muito critério. Por isso prefiro me sublimar vendo outros artesãos, como Francisco Coimbra, Uilcon Pereira ("A Educação Pelo Fragmento"), José Nêumanne ("O Silêncio do Delator"), Fernando Namora, Guimarães Rosa.

3) Você não sofre "angústias de parto" quando está parindo um trabalho e percebe que ele foge ao seu controle?

RESPOSTA DE FC: Explicando o que escrevi. Fiz uma citação onde se percebe que a minha resposta não é apenas resposta à pergunta, faz parte duma conversa. Continuam a ser assim as minhas respostas, assim a conversa continue. Desculpas para o atraso, retomar os trabalhos deu trabalho.
Nas leituras e escritas, é uma guerra ganha todos os dias, não pára. Isto diz que nunca ficará perdida? Hoje ficará ganha se, apesar da demora, perceberes esta resposta. Fico aguardando a tua (nova pergunta?)... Bom Domingo!

RESPOSTA DE EF: Sofro, sofro tremendamente pelo fato de ser deus e de repente a criação me foge, e às vezes ainda mostra a língua.

4) Você tem a compreensão de que seus textos são "barrocos", cheio de sombras, luzes, fímbrias, intestícios?

RESPOSTA DE FC: Quem escreve praticando a escrita como prática, pratica a arte de todos os artistas, procurar respostas onde não há perguntas. Mostrando - exactamente o contrário - que todas as perguntas estão há espera de respostas que demos ou dêmos. Essa é a diferença entre o artista e o artesão, o artesão faz o que tem procura... o artista procura a sua própria procura. Terei encontrado a pergunta?

RESPOSTA DE EF: Não, não são barrocos, meus escritos são de uma nitidez "clean".

5) Francisco, quantos anos você tem? Qual a sua "formação"? E desde quando pratica a paixão literária?

RESPOSTA DE FC: Caro amigo, esta pergunta tem todo o ar de ser da vindima já o lavar dos cestos; tenho 52, sou Engenheiro Técnico Mecânico, há três anos fiquei licenciado em Administração Escolar e Administração Educativa, finalidade, progredir na carreira de professor; escrevo desde os 18 anos, são 34 anos de letras procurando praticar Letras.

RESPOSTA DE EF: Tenho 40, profissional de mídias audiovisuais e escrevo desde criança. Escrever foi a forma que encontrei para entreter meu mundo, que era muito fechado num círculo familiar. Mas tenho irmãos mais velhos maravilhosos que me proporcionaram as primeiras viagens literárias e artísticas.

6) Na pátria de Fernando Namora, Miguel Torga, Lobo Antunes e Agustina Bessa Luís, sem citar, é claro, Pessoa, Camões e Saramago, que peso você sente de gerar e gerir temas novos e ser igualmente exemplar para as futuras gerações?

RESPOSTA DE FC: A resposta da Mim ao Assim, e uma resposta minha para a tua pergunta!

A ESCADA…

meu macio
hoje estou meiga
sem vontade de acrescentar
ao mundo nada ou
melhor dizendo
(devia calar-me)
escrevo estendendo
os meus braços
para ti!!

Mim

Herdei por Pátria a Língua e quero deixar de herança a dança integral do homem que em si vive a criança e todas as fases das suas metamorfoses: adulto, amante, personagem, heterónimo, procurando sinónimos de todas as palavras; abrindo caminhos a desbravar como um bravo, manso, meigo, leigo e eleito, levando a peito, mais para os lados, levando até às mãos esta dança: tentando a escrita. Quando ela se deixa seduzir e me seduz, tudo se deduz com facilidade, tudo se complica em liberdade, tudo. É no todo que toco o oco e procuro eco, é do caneco!...

RESPOSTA DE EF: Na terra de Guimarães Rosa, tanto quanto Pepetela, Mia Couto, Luandino Vieira e Camões, sim, sou "pesado" constantemente. É um desafio praticar letras em sinal de igualdade, mas ouso não desistir. "Ousar", este é o verbo que mais conjugo.

7) Este "não ser um autor fácil", percebido e descrito desde a primeira resposta e comprovado nas inúmeras intervenções e variações temáticas desta entrevista, oferece e enfrenta que tipo de bloqueio diante do leitor mediano?

PRIMEIRA RESPOSTA DE FC PARA ESTA PERGUNTA: Caro Franelas, uma boa noite te desejo antes de escrever a resposta a mais uma pergunta. Toda a leitura duma pergunta já contém o princípio da resposta possível, no meu caso tento ter e tenho inúmeras leituras para o mesmo texto. Ao ponto de concordar, dando corda... que cada texto depende de quem o lê.
Depois do parágrafo anterior fui ler a tua resposta à pergunta anterior; "ousar" é ousado, um bom verbo que deve ser usado, vamos ao Verbo.

SEGUNDA RESPOSTA DE FC PARA ESTA PERGUNTA: Felizmente não sinto qualquer tipo de bloqueio da parte dos leitores, isto a partir do momento em que obtive comentários dizendo perderem-se nas palavras físicas e encontrarem-se na sua presença quântica (escrevemos e ouvem a nossa voz, talvez sons sem sentido mas ainda canto?...). Nunca ninguém mo disse por estas palavras, mas quando me comentam dizendo não perceberem mas gostarem, ouço o leitor a ouvir o que digo indo para além do que escrevo. Este tipo de comunicação só é possível através da empatia, tia da simpatia, irmã da amizade, "prima" pela fraternidade. Como as palavras são uma enorme família promíscua, está tudo dito... quem me lê percebe o suficiente para eu sentir que comuniquei, mais que isto é sempre menos que isto. Quando alguém julga que nos compreende, julga-nos. Eu gosto de ser lido e aceite por quem sente que a verdade do texto é como o azeite a flutuar na água do texto, esta é que é a verdade Smile
Então o texto é só água?... Claro (nele se dissolvem todas as leituras, é um solvente)!

RESPOSTA DE EF: Carlos Drummond de Andrade já sentenciou certa vez "lutar com as palavras / é a luta mais vã. / No entanto lutamos / mal rompe a manhã", e esse é o meu maná na luta contra aqueles que intelectualmente (intelectualmente não, que é um elitista citar assim), aqueles que caducam, ou infantilizam, ou senilizam o pensar cotidiano.

Cool Diante disso, você já parou para observar qual é o seu público, quem o lê?

RESPOSTA DE FC: É uma tónica que sempre desenvolvo, a necessidade de ter em conta que uma resposta passa pela compreensão da pergunta. Mais, dentro duma pergunta, há, pode sempre haver, mais duma pergunta. Este dado, pondo-nos directamente perante a relatividade da possibilidade real de dar uma resposta cabal, acaba por me levar a destacar o próprio modelo da entrevista. Esta torna-se uma conversa faseada no tempo, um curioso diálogo. Onde a nossa compreensão se torna, a própria relação com o outro e com o “canal de comunicação”, a escrita.

Tendo pensado e escrito sobre a importância de compreender a pergunta, vou tentar dizer em que sentido a interpreto e o que vou tentar responder. Da aceitação, ou não, do que escrevemos, como a relação com o nosso leitor pode afectar-nos? Não é isto que está escrito, está escrita uma pergunta mais simples: quem me parece ser… quem me lê?

Só na aparência pode ser mais simples, depois mergulha na subjectividade e corresponde em saber como sou afectado pelos leitores. É essa afectação que me indica «quem me lê», a resposta é: todos os leitores. Depois acrescentar, sou lido de modos diferentes. Isto é óbvio, mas a curiosidade da pergunta é obter na resposta uma clarificação.

As maneiras ou modos de ser lido correspondem ao tipo de interesses que a minha escrita possa despertar, eu espero que sejam muitos. Vou tentar entre_ter-me a enumerá-los:

Há um jogo muito antigo que desenvolvo com a escrita, ela não é uma “paciência”, é mesmo uma “partida”, um jogo com principio, meio e fim, em cada texto e continuação indefinida para todos eles. Quem me lê deve saber que nunca me leu completamente, por outro lado, tem, deve saber, que eu o coloco do outro lado, é com ele que jogo. A sua capacidade de compreensão é a minha capacidade de me fazer compreender, eu preciso dele/a mas, ele precisa de mim: tento não me esgotar em cada texto. Logo, tenho estratégias várias de me prolongar dum texto para outro: o uso desse diálogo e apelo ao leitor para dar ao texto a sua leitura, é o apelo à atenção, depois é o uso da tenção, dar energia, emoção, sentimento, sangue e vida à palavra; uso do desdobramento, não necessariamente o uso de personagens como R, do heterónimo Assim, ou da presença da Mim, a meu ver mais uma personagem; junto-me a eles e também eu sou um personagem, heterónimo do meu heterónimo, também ajuda ser um Coimbra da cidade de Coimbra; depois uma certa exigência na escrita traduz-se num desafio ao leitor, todos estes são motivos para ter vários leitores com diferentes interesses. Tentando ser muito objectivo, creio que algumas destas características, mormente o escrever para, tem uma resposta ao público feminino que responde ao meu apelo. Sinto que fiz boas amizades transformando-me em “muso” de algumas poetisas que se sentem e são minhas musas, o que nos dá a Mitologia como explicação possível para uma compreensão que na sua génese era a procura e o encontro da resposta para tudo: os deuses. Se os leitores se sentirem deuses, se souberem que este mortal sabe que está nas suas mãos, talvez dêem a sua atenção e protecção. Amén!

RESPOSTA DE EF: Também tenho pensado muito nessa questão, a ponto de variar a resposta conforme o "humor" do dia. Comecei escrevendo para mim, isso é fato. Depois avancei os sinal e passei a escrever para as pequenas musas que cortejava na adolescência escolar. Desde então alimento a expectativa de ser "escritor". Se sou, alguém tem que referendar. As respostas que tenho obtido dão-me referência e alguma substância, mas, confesso, às vezes tenho dúvidas de minha vocação.

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Editado pela última vez por Francisco Coimbra em Qui Fev 11, 2010 11:43 pm, num total de 2 vezes
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MensagemEnviada: Sáb Jan 23, 2010 10:31 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

278

DUETOS E ENCONTROS


Não costumo publicar a maioria dos duetos, por eles serem em geral uma leitura que partilho com quem li. Por outro lado, geralmente são uma dispersão da atenção tentando conciliar o que por vezes não é conciliável. Mesmo assim, gosto do exercício. Por vezes faz lembrar a dobragem dos filmes, uma "tradução livre". A sobreposição dá o "dueto", o efeito de "mistura": ler (a) duas vozes!
Este parágrafo, estas considerações são sintomáticas da relação e reacção estabelecida. Caso distinto é o dos "encontros", fazer duma leitura (mesmo duma foto) o ponto de partida para escrever. Neste caso não há qualquer sobreposição ou dobragem é a "inspiração" no que ela tem de mais objectivo, pois para a mesma identificamos um objecto.
Finalmente, para ter uma "conclusão", todo o poema é a revelação dum sujeito através do objecto que produz. Uma frase em fase, o espaço da escrita preenchido: é como uma pintura, nas formas e cores, repousa aqui o destino da leitura a música das Letras.

Deixo correspondência, que se pode e deve estabelecer nos "encontro ou duetos".

Caro Fernando Cunha Lima,
Muito grato pela sua/tua acolhida a meus versos.
Registei e guardei o poema "UM APRENDIZ DE SONHOS", onde a forma empresta toda a força ao seu conteúdo. Vemos o poeta a pensar de forma pujante, alegre e cheia de vida, com salero!...
«Ter pensamento duma vida inteira» num poema, nem que seja num só verso – é a procura e o encontro – que pode, no poeta, ser duma vida procurando "a imortalidade num instante!"
Renovo dizer o meu agradecimento, tentarei deixá-lo expresso em "EXPRESSO".
Um "expresso" para lá de ser algo expresso através de uma qualquer forma de expressão, é um meio de transporte rápido e é um café tirado da máquina. Muito bom poder acompanhar este "EXPRESSO" com "dois dedos de prosa", agradecendo a inspiração para o escrever.
Grande abraço dos Açores, Portugal insular, aqui no Oceano Atlântico navegando em rocha, na bela ilha de São Miguel, 21 de Janeiro de 2010-01-21
Francisco Coimbra

/

Pegando carona no Expresso
De Açores ao Brasil. Rs.
Bravo Mestre Coimbra.
Fernando cunha lima. 22-01-10.
PS: Honra enorme em ver meus
Tímidos versos publicados,
Mande-me uma cópia.

/

Há-de ser no Fórum SobreSites.
Hoje deixei uma entrevista que gostei de reler e espero goste:
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36443#36443
Parabéns por mais um poema expresso Smile
Grande abraço, até amanhã! [é… hoje Smile]
21.01.10

/

Mestre Fernando Cunha Lima,
“Porque hoje é Sábado”…
O endereço da(s) nossa(s) publicação(ões)!
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36482#36482
Espero mereça o seu agrado.
23.01.10

Dei nova localização ao refrão "só para dizer", ficou: [ver em SobrePoesia(s);
como era:

PARA PENSARDES

já tenta gente disse para pensarmos por nós
digo-vos para pensardes por mim
chegando à conclusão muito antes ainda
de eu lá chegar no vagar de versos
lentos como lendo vou a ideia de dizer
o que hoje não chega um verso
só para dizer

só para dizer
se pensardes por mim dar-vos-ei
toda a poesia do mundo e arredores
mais duas caixas de elásticos
novos e muito bons
para fazer uma fisga na ponta dos dedos
atirando clipes

só para dizer
que o que disse pode ser perigoso
tanto para o gato da vizinha
como um papagaio de estimação
cujas tendências políticas
lança ao ar de forma estridente pelo bico

só para dizer
mais meia dúzia de versos e acabo
tão feliz como se tivesse agora nascido
são e salvo a nado
aproveitando as águas da noite
saio do dia para ir deitar!]

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MensagemEnviada: Ter Jan 26, 2010 10:51 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

279

TEXTE


A primeira coisa a fazer é acordar todas as manhãs. Se no princípio deste caderno o livro parecia uma coisa distante e que nunca mais ia acabar, neste momento, o caderno, já quase é o livro. Mais uma dúzia de páginas, mais meia dúzia de folhas, mais as palavras necessárias para as preencher, temos a obra feita.
Uma obra onde obro cada letra, cada frase, cada… coisa. Vou "coisar" um pouco mais e, não tarda, estou a acabar. Isto de escrever uma página por dia, limita a realidade. O que conta é o real, aí esforço-me por te dar a ler o que queira: o rosto e a face de Janus, o deus bifronte olhando Passado e Futuro.
É algo de surpreendente, de Belo, Bom, Bem, chegar ao fim do texto, levantá-lo como um testo e encontrar o aroma dum prato acabado de cozinhar. No exacto momento em que ele ainda é a comida a acabar de apurar, a escrita a ser escrita.
Não tarda, é mais um prato acabado e pronto a servir. Falta dar nome ao testo, podemos deixá-lo destapado. Podemos dar ao texto o nome de "testo", vamos fazer o teste? Teste a sua capacidade criativa, faça um teste, vamos chamar-lhe o que cada um quiser.

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MensagemEnviada: Qui Jan 28, 2010 9:18 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

280

DIZER A ESCRITA


Eu não digo hoje o que posso dizer amanhã, mas não espero por amanhã se o digo hoje. É o digo, digo. Não sei o que digo sobre este dizer, muito mais simples querer dizer o que escrevo. Escrever é coisa diferente de dizer, é preciso que isto se diga, se não o fizer… não estou a escrever. Deste modo, escrevo na medida em que digo. A diferença, basicamente, é esta:
Escrever é uma forma de associar os gestos a uma realização onde é possível descrever esses gestos, de escrever se escreve;
Dizer é o mesmo que estar calado, se não tivermos ninguém para nos ouvir;
Escrever é sempre escrever, haja ou não alguém para ler o que escrevemos;
Dizer, ouvimos o que dizemos, podemos até ver o que dizemos, mas apenas como facto, gráfico da voz a vibrar no momento em que ela é registada, passada, ouvida;
Escrever está, depois de escrito, para lá de mim: é partilhar a ilha com o mar!
As imagens e metáforas na escrita, a sua verdadeira forma: só vejo o que imagino. Daí saber ler, como escrita, escritas que não sei ler. Acho que, para acabar, era o que me apetecia dizer.
[Tal como ontem: Mina]

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CHAMA A CHAMA

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281

ACENTUAÇÕES MAIS ÍNTIMAS
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=27824#27824

Este é o título do primeiro poema que publiquei em SobrePoesia(s), nome dado para começar a coleccionar poemas em SobreSites. No princípio deste ano queria fazer uma alteração nesse poema inicial, acabei fazendo sem assentar a alteração feita. Faço-o hoje, sem chegar a ir ver que apontamento terei feito para dizer a alteração que fiz. Vou ficar-me por dizer qual foi a alteração: duma troca inicial de assentar por "acentar", procurava acentuar o facto da acentuação se fazer de muitos modos. Se a acentuação, gramaticalmente, trata de dar representação aos sons que se pretendem expressar, "as acentuações mais íntimas" erram como o poema caminhante se perde de forma delirante ou não pelos versos onde o poeta deixa trilho aberto na sua viagem pelas palavras. E pronto, chamei hoje atenção, para o facto. O fato do ato, numa nova ortografia que vai ter de ter mesmo duas grafias nalgumas palavras para se escrever o facto do acto.
Subscrevo um verso da Mim que me ficou: «haja paz no mundo», belo desejo poético!

SobrePoesia(s)
Assim & Mim + eu

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36523#36523
Assim & Mim
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36529#36529

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MensagemEnviada: Ter Fev 02, 2010 10:46 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

282

força de expressão

Hoje trago um texto meu que me deram a ler, deixando um comentário.
Fui dar a um texto Assim & Mim curioso, espero gostem, chama-se: "força de expressão".
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=649943
Vou publicar Poesia deles já de hoje.

SobrePoesia(s)
R - IDEIAS DO POEMA

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36535#36535
Assim & Mim - A TODA A HORA/A HORA TODA
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36537#36537

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MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 10:29 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

283

Ontem não vim publicar, de ontem deixo o endereço duma leitura:
http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/2059483

POEMA DIA - A PALAVRA QUE RESTA
http://poemadia.blogspot.com/2010/02/palavra-que-resta.html


SobrePoesia(s)
Assim & Mim + eu

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36550#36550

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