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wton



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MensagemEnviada: Qua Dez 08, 2010 8:16 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Cegueiras (In)curáveis

Hoje vi meu rosto pela primeira vez.

Era cego,
Ainda que algumas cegueiras sejam incuráveis,
Acompanhando-nos até a morte.

Tinha olhos verdes e imprestáveis.

Hoje sei que são verdes,
Da falta de serventia já sabia ontem mesmo.

Ensaiei minha cegueira durante toda minha vida,
Agora que já estava preparado,
Meus olhos renascem,
Verdes,
Lacrimosos em suas órbitas,
Perdidos entre uma imensidão de cores.

Grandes cínicos,
Enganando-me com a sua escuridão,
Verdadeiros preguiçosos,
Evitando a verdade inventada.
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wton



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MensagemEnviada: Qua Dez 08, 2010 8:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O Ator

O ator é uma criança brincando de ser adulto,
Uma brincadeira tão séria que seu sentimento fica oculto,
Transbordando sentimentos de outrem.

No palco sua alma é escancarada,
Exposto fica o coração,
O amor pelo outro, que na verdade é ele mesmo, denuncia um amor incondicional a arte,
Algo de vocação,
O cordeiro imolado do sistema,
Caminhando por vontade própria ao encontro da morte.

O ator morre sempre ao fim de um espetáculo,
O resto que renasce vai lentamente reconstruindo-se,
Esperando a próxima estreia.

O ator tem algo de alter-ego,
No teatro usamos máscaras,
Personificamos desejos ocultos,
Depravações impolutas de preconceitos,
Servimos a arquétipos, atléticos ou não,
Deixando os estereótipos para aqueles que se alimentam do ofício sem pudor - um dia hão de morrer de inanição –
Mal sabem que verdadeiros atores são o alimento.

Ontem fiz uma reverência ao ator que estava a minha frente olhando fixamente no espelho,
Logo depois ele sorriu um sorriso que já não era dele,
Era o sorriso dissimulado de um certo príncipe da Dinamarca.


Editado pela última vez por wton em Qui Dez 09, 2010 8:01 pm, num total de 1 vez
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MensagemEnviada: Qua Dez 08, 2010 8:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Auto Biografia

Quando suspira um deus entediado,
Só em sua soberba divina,
As galáxias nascem.

Quando suspira um poeta entediado,
Só em sua melancolia charmosa,
Letras povoam páginas.

Quando suspiro entediado,
Só em minha triste existência,
Nada acontece.
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wton



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MensagemEnviada: Qua Mar 09, 2011 4:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Bailes e Desejos

A mulher vestida de lua esperava o fim do baile.

Ébria de virtudes estava ali para agitar marés,
Desvirtuar poetas,
Seduzir marinheiros e
Iluminar a noite.

Sentia no tilintar do tamborim o compasso de seu próprio coração.

Falseava a boca mordida,
Sinal de luxuria,
Deixava as costas nuas,
Sinal de vaidade,
Escondia a melancolia da
Real’idade,
Sinal de desejo.

Desejava ser feliz durante o carnaval,
Nada mais.

O homem ébrio da própria condição masculina,
Esperava o começar de uma paixão,
Que durasse eternamente até a quarta-feira,
Nada mais.

No bater da bateria os corpos se tocaram,
Arrepiados pelo pulsar de um carnaval,
Envoltos de mascaras e hipocrisias deixaram se levar pelo compasso,
Ela de Lua e ele de Sol,
Eclipsados,
Bailavam banhados de suor e libido,
O carnaval tinha ali saciado sua devoção.

Foram três dias de felicidade.

Na quarta a ilusão acabou,
A banda calou,
A cabeça doeu,
O palhaço chorou,
A menina engravidou,
A família entristeceu,
O céu nublou e a lua não apareceu.

A mulher que se vestira de lua sonhava acordada,
Lembrava daqueles três dias onde não precisava ser o que era.

Desejava que todo dia,
Fosse dia de carnaval.
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wton



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MensagemEnviada: Sex Mar 11, 2011 7:47 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Teatro e Drummond

Quando eu nasci,
Um anjo mambembe, desses que vivem na coxia,
Disse:
Vai Welington, ser ator na vida.

As plateias enchem as cadeiras,
As cadeiras enchem os teatros e
De teatro se enche o meu coração.

O mundo chora e sorri,
Vendo o homem que escancara sentimentos,
Sentimentos que nem mesmo ele talvez tenha realmente vivido,
O homem que sofre no palco paga as contas com lágrimas,
Os sorrisos ele deixa para todos que amou.

O foco quente queima,
A penumbra escura esconde,
A arte se deixa
Para aquele que tem fome.

O palco sozinho é madeira,
O ator sozinho é só ego,
Juntos
Formam a catarse de transformar rotina
Em arte.

Ontem fui um mendigo,
Hoje sou rico e cruel,
Se amanhã serei rei ou plebeu,
Não sei,
Eternamente serei um ator.

Eu não devia dizer
Mas este destino inglório,
Deixa a gente satisfeito como o diabo.
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wton



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MensagemEnviada: Dom Mai 29, 2011 8:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Multidão de Solitários

Estava só na multidão.

Caminhei sem saber o porquê de estar ali,
Sem vontade de ser visto,
Ser bem quisto,
Sem vontade de ser.

As pessoas riam com a boca escancarada,
Nos olhos traziam o vazio das almas tristes.

Hoje se ri até da tristeza.

Eu não queria rir,
Sabia que não faria diferença,
Chorar também não me aprazia,
Lágrimas servem apenas para matar a sede da melancolia,
Companheira tantas vezes desprezada.

Eu queria apenas saber caminhar na direção certa.

Tem dias que a saudade me abraça,
Assim,
Só ela,
Tenho saudade das coisas etéreas, daquelas sem nome e que não conhecemos.

Tenho tanta saudade daquilo que não conheço.

Ser mais um na multidão é fácil,
A solidão é para poucos,
Quando se está só é preciso encarar a pessoa que mais se teme,
Sem mentiras,
Sem perdão.
Sem desculpas.

Ontem vi a esperança caminhando na multidão,
Carregava apenas um leve sorriso,
Falso,
Nos lábios.
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wton



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Localização: Florianópolis - Santa Catarina

MensagemEnviada: Dom Jul 17, 2011 6:39 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Medos e Poesia

Das fobias que tenho na vida,
A mais perigosa é aquela que do nada surge,
Num sábado de madrugada,
Na frente da TV,
Vendo vidas que não são minhas.

Enquanto embora ela não queira ir,
Fico eu.

Assim deixo meus minutos passarem,
Entre o negro da noite que se vai e o dourado do dia que ainda não chegou.

Meu tempo é uma flor que murcha em dias de chuva.
Minha alma é um pássaro com medo de altura.
Minhas lágrimas são melancólicas de falsidade.

O dia hoje foi bom,
Até bater esse medo desconhecido,
Medo de não ter um sonho bom,
Um sono bom,
Ser bom.

Sei que tenho paz de espírito,
Não escondo na fé o medo da solidão.

Vi ontem um beija-flor ser violentado por uma rosa,
É preciso ter em certas ocasiões pudor,
O mesmo que falta aos beija-flores.

Meus pensamentos gritam não me deixando dormir,
Assim escrevo,
Quando eles renascem nas páginas se calam,
E eu me esvazio e entristeço.

Morro aos poucos,
Cada poema leva um pedaço de mim.

Dos medos que tenho o mais forte é aquele que compartilhamos,
Todos nós,
O que surge a meia-luz,
O que canta o vento,
O que traz o pássaro negro ao bater a porta,
Um medo tão forte que dele sempre me esqueço,
Mas ele não se esquece de mim.

No alvorecer fecho os olhos e adormeço.
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Francisco Coimbra



Mensagens: 1388
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MensagemEnviada: Dom Jul 17, 2011 2:01 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Sobre Medos e Poesia

(...)
Cada poema leva um pedaço de mim.

Mais um poema a deixar um pouco do poeta, porque toda a realidade tem duas faces, uma que olha o Futuro outra que perscruta o Passado, o qual comento na passagem do Presente, deixando abraço.

_________________
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Fatima Varella



Mensagens: 268
Localização: SJCAMPOS-SP-BRASIL

MensagemEnviada: Dom Jul 31, 2011 8:37 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A multidão pode bem ser cada letra de um imenso poema dessarumado...agora um pouco melhor lendo o teu.

enquanto é verdade a triste risada:
"Hoje se ri até da tristeza."

...depois disto tudo, o olhar grave e o silêncio.

Te abraço
Fatima Varella



wton escreveu:
Multidão de Solitários

Estava só na multidão.

Caminhei sem saber o porquê de estar ali,
Sem vontade de ser visto,
Ser bem quisto,
Sem vontade de ser.

As pessoas riam com a boca escancarada,
Nos olhos traziam o vazio das almas tristes.

Hoje se ri até da tristeza.

Eu não queria rir,
Sabia que não faria diferença,
Chorar também não me aprazia,
Lágrimas servem apenas para matar a sede da melancolia,
Companheira tantas vezes desprezada.

Eu queria apenas saber caminhar na direção certa.

Tem dias que a saudade me abraça,
Assim,
Só ela,
Tenho saudade das coisas etéreas, daquelas sem nome e que não conhecemos.

Tenho tanta saudade daquilo que não conheço.

Ser mais um na multidão é fácil,
A solidão é para poucos,
Quando se está só é preciso encarar a pessoa que mais se teme,
Sem mentiras,
Sem perdão.
Sem desculpas.

Ontem vi a esperança caminhando na multidão,
Carregava apenas um leve sorriso,
Falso,
Nos lábios.

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wton



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MensagemEnviada: Seg Set 05, 2011 6:47 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Das Lendas Que Não Existem IV

No país dos bobocas se alastrou uma doença boba como eles,
A cada riso que um boboca proferia,
Três outros patrícios riam juntos.

Então na Bobocalândia só o que se ouvia eram risadas.

Isso se tornou um problema,
Ninguém mais se entendia,
Ninguém mais conversava,
Ninguém mais agüentava o som de tanta galhardia.

O boboca chefe,
Que já sofria da doença antes mesmo do contágio,
Orgulhava-se de comandar um país tão alegre.

Mas lá no fundão da cidade vivia um velho que não se importava em ser confundido com um boboca,
Poucos sabiam,
E outros fingiam não perceber,
Que ele nunca fora um filho legitimo dessa nação,
Ele nascera longe dali,
Num país onde a sapiência reinava,
Mas resolvera naquele país morar por tentar usufruir da água da região,
Uma água mágica e apaixonante,
Que secava a boca só de lembrar,
Tamanha a vontade de possuí-la.

Mas o velho sentia-se incomodado com a tal doença.

Decidiu por si só descobrir a cura,
Juntou uns papéis velhos,
Um tinteiro de pena de pavão e uma colher,
Pois sem colher nesse mundo não se vive,
E partiu em sua jornada insólita.

Antes de sair da cidade gritou a todos os pulmões:
“Irei trazer a cura para vocês, seus bobocas!”
Mas só o que ouviu de volta foi o som de gargalhadas.

Durante um bom tempo não se ouviu mais falar do ancião.

Num dado tempo,
Onde o sol, por estar entediado, resolvera brincar de esconder com a lua,
Apareceu na Bobocalândia um viajante das brisas chamado Abimael.

Chegara atraído por tamanha felicidade que trasbordava pelos muros da cidade,
E iria parar perto do caminho que levava a lugar nenhum.

Abimael trazia consigo o conhecimento de quem se move.

A esse momento o chefe dos bobocas não sentia mais tanto orgulho de sua nação,
Sorrir era um fardo muito pesado,
Deveria ser usado com maestria,
Somente nos momentos de extrema sensibilidade,
Nunca tirara de sua mente o velório de sua mãe,
Regado a flores e gargalhadas,
Um insulto que ele jurou não mais esquecer.

Abimael viu ali sua chance de tornar-se único.

Junto das tralhas que trazia,
Abimael guardava um pedaço de pergaminho com palavras que podiam ser usadas para curar qualquer coisa.
A ler tais palavras o riso cessou.

O rei, extasiado com tal perfeição persuasiva,
Ofereceu o céu de Bobocolândia a Abimael,
Esse por sua vez recusou tal presente,
Queria mesmo era ter o domínio da fonte que provia água a cidade.

Assim foi feito.

Hoje os bobocas vivem em total harmonia,
Mas bebem pouca água,
Abimael tem seus escolhidos e só a eles oferece tal dádiva,
Nunca mais se viu uma só gota de alegria.

Quanto ao velho, esse nunca mais voltou.

Dizem que descobriu por si só a produzir água,
Igual aquela de Bobocolândia,
E vive de saciar os povos por onde passa.
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wton



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MensagemEnviada: Ter Nov 01, 2011 6:14 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ao poeta resta apenas uma última gota de tinta.
Ele bebe um gole do uísque mais barato do mercado,
Traga uma bituca que teima em manter-se acesa,
Olha pela janela a cidade suja e cinza,
Pensa em flores, pássaros, no amor,
Pega a caneta e num traço impreciso escreve:
FIM.
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MensagemEnviada: Ter Nov 15, 2011 8:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Ao poeta resta apenas uma última gota de tinta.
Ele bebe um gole do uísque mais barato do mercado,
Traga uma bituca que teima em manter-se acesa,
Olha pela janela a cidade suja e cinza,
Pensa em flores, pássaros, no amor,
Pega a caneta e num traço impreciso escreve:
FIM.



wton...
O poeta sempre escreve FIM...
mas recomeça...
beijos poéticos

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MensagemEnviada: Dom Nov 27, 2011 1:21 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Estrada

No meio da estrada,
Parada,
Esperas.

Um carro,
Um sarro,
Um uivo,
Um berro.

A vida que ainda não passou,
Um vento que sopre o destino incerto.
Certo erro que te machuque,
Para assim te sentires viva.

No meio da estrada,
Parada,
Suspiras.

Pelo amor,
Pela dor,
Pela insensata paixão
A que teu coração se entregou.

Suspiras e teus olhos se entregam ao salgado veneno que é o choro.

No meio da vida,
Ressentida,
Esperas.

Pelo destino que a essa altura já morreu,
A morte que pelo destino não te encontra,
A sorte que por destino faleceu.

A estrada que te encontras é de barro.

No meio da estrada há um pouco de todos nós,
Parados,
Saudosos daquilo que não conhecemos.
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Pupila



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MensagemEnviada: Dom Dez 11, 2011 9:57 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Estrada

No meio da estrada,
Parada,
Esperas.

Um carro,
Um sarro,
Um uivo,
Um berro.

A vida que ainda não passou,
Um vento que sopre o destino incerto.
Certo erro que te machuque,
Para assim te sentires viva.

No meio da estrada,
Parada,
Suspiras.

Pelo amor,
Pela dor,
Pela insensata paixão
A que teu coração se entregou.

Suspiras e teus olhos se entregam ao salgado veneno que é o choro.

No meio da vida,
Ressentida,
Esperas.

Pelo destino que a essa altura já morreu,
A morte que pelo destino não te encontra,
A sorte que por destino faleceu.

A estrada que te encontras é de barro.

No meio da estrada há um pouco de todos nós,
Parados,
Saudosos daquilo que não conhecemos.



mistérios...
da estrada e de todos nós... o nó.
beijos poéticos

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MensagemEnviada: Sex Mar 16, 2012 1:37 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre o amor e versos

Amo-te na literatura,
Nos versos para ti escritos,
Minha alma é uma folha branca manchada pelos teus dedos.

Teu corpo envolve meus braços dormentes,
Minha mão denuncia um coração apressado,
Que bate descompassado, caótico, belo,
Uma beleza que só as mãos trêmulas de amor podem mostrar.

Amo-te na poesia,
Na falta de métrica, assim descontinuado como a razão de quem ama,
Na rima que fica oculta,
Como um sorriso que teima a sair,
Aquele perdido no canto da boca,
Junto do beijo mais doce.

Amo-te num ultimo verso,
Um eco impresso a nanquim,
Um suspiro de quem ama e escreve,
Esperando que as palavras denunciem um amor que perdure até a última gota de tinta,
Para assim no fim,
Que eu possa recomeçar essa mania louca que minha alma teima em manter,
A de ter entre meus lábios misturados aos versos,
O teu gosto.
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