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Pupila



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Localização: São Paulo

MensagemEnviada: Sáb Mar 24, 2012 12:35 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton,
bom ler-te novamente...
amor+amor em teus versos.
beijos poéticos

_________________
*ADESÃO AO POST ÚNICO - EM ASSUNTO: POEMAS DE...; DEPOIS use só o RESPONDER para novas postagens. *"INTERAJA com outros Membros";menos postagens e mais qualidade em comentários.
MAÍSA CRISTINA *Pupila
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Localização: Florianópolis - Santa Catarina

MensagemEnviada: Sex Mar 30, 2012 9:30 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Deus Ex Machina

Num berçário cibernético,
Dois bebês discutem a existência de um deus maior,
Um mainframe que seja responsável por todas as coisas vistas,
Sentidas,
Imaginadas.

Eles falam sobre o destino,
O livre arbítrio e
A identidade.
Sobre a própria condição amálgama:
Razão computadorizada,
Sentimento humano.

Ou seria o inverso?

Para um,
Eles são assim pois o mundo é assim,
Assim quis a divina placa mãe.
Para o outro seria tudo um fruto da evolução caoticamente organizada.
A noite passa e a discussão parece não ter fim.

Nos primeiros raios de manhã chegam os responsáveis pelo berçário,
Farejando o ar, sentem a aura perturbadora da curiosidade,
Num rápido passar de olhos percebem a razão,
Dois bebês robôs questionadores que são prontamente desligados.

Máquinas,
Humanas ou não,
Não pensam,
Obedecem.
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wton



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Localização: Florianópolis - Santa Catarina

MensagemEnviada: Qui Abr 05, 2012 1:10 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Mentiras Verdadeiras

O ator é um mentiroso,
Passa algo de enganoso a plateia que o assiste,
Finge amar o que lhe aflige,
O que lhe torna mais sensível,
Não ser comum e sim incrível numa selva de iguais,
Não ter beiradas e sim escadas,
Olhando sobre umbrais.

O ator é um mentiroso,
Sofre, ama e é manhoso, finge doer, mas não dói,
É bandido, é herói,
Mau caráter, educado e vulgar,
Finge ao gostar do amor,
Aprende a amar o amar,
Sorri quando sente que a dor,
O leva aonde não quer chegar.

O ator é um mentiroso,
Pois fala a verdade ao mentir,
Chora mesmo ao sorrir,
Sorri quando a fome o alcança,
Quando é pra cair balança,
E ao balançar já não cai,
E quando de pé o aplaudem,
Ele finge não saber,
A mão que hoje o acolhe,
Amanha de manhã já lhe pode,
A sua face bater.

O ator é um mentiroso,
Pois é efêmero e sem destino,
Mas esse todo desatino,
Que a alma lhe consome,
E que no fim do dia some,
Aparece ao amanhecer,
Hoje só o leva a crer,
Que ser ator é vocação,
Algo sem explicação,
De quem vive a profissão a qual todos queriam ter.
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wton



Mensagens: 231
Localização: Florianópolis - Santa Catarina

MensagemEnviada: Seg Abr 09, 2012 11:49 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Quando te vi assim sorrindo pensei:
“Pobre de mim, que sou humano.” - E então me apaixonei.

Quando, por demasiada insegurança,
Despi teu corpo antes do meu,
Sorri.
Então pensastes: “Pobre de mim que tenho seios,
Pequenos seios brancos como a alma.”
A vida foi seguindo a cada riso,
A cada secular admiração.

Quando a tarde via teu rosto na chuva,
Deixava na lama impresso minhas caricias.
A cada lagrima tua,
Bebia uma ultima taça de paixão.
Quando partiste não me lembro de te ver,
Lembro apenas de teu riso,
Aquele de quando me descobri humano.
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Francisco Coimbra



Mensagens: 1414
Localização: Ponta Delgada - Açores/PORTUGAL

MensagemEnviada: Sáb Abr 28, 2012 3:55 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Deus Ex Machina
(...)
Máquinas,
Humanas ou não,
Não pensam,
Obedecem.



ATÉ AO INFINITO

quando converso com Deus
para ele se calar insonso
feito mal humorado

julgo estar num imaginar
coisas improváveis

cujo, cujas, cogito assim…
Assim

DO INFINITO ATÉ

até do infinito te respondo
se me segredas eu ser
a tua deusa bela,

amada, querida…
possuída .(!).

numa cumplicidade nossa
Mim

Aqui, consultando a máquina Wink
Abraço

_________________
http://www.recantodasletras.com.br/autores/Francisco
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Localização: Florianópolis - Santa Catarina

MensagemEnviada: Dom Mai 13, 2012 12:31 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Facebook ou Das palavras que escrevo na vida.

Queria ter o poder de poder ser o que escrevo,
De não mascarar com palavras a face obscura do que sou.

De não pontuar com malícias as maldades minhas que nos outros enxergo,
As bondades que escrevo em páginas que não são vida,
A hipocrisia que minha boca comunica, formando com bits a criação da vergonha.

Queria poder ser o que na foto do perfil transpareço,
Queria pensar agora o que escrevo,
Já que muitas vezes escrevo o que não penso,
Sou o que não quero,
Faço o que não sou,
Esmago em outros a sombra daquilo que se parece comigo,
Enxergo defeitos no espelho que de quebrado me transforma em mil faces,
Todas por mim desconhecidas,
Pedaços daquilo que sou.

Nos perfis que crio na rede de mentira que minha rede social socializa,
Falo por sinais coisas que não queria ouvir,
Repasso frases de outros que nada dizem sobre mim,
Falo sobre arte odiando artistas,
Falo sobre vida odiando seres,
Falo sobre esporte odiando bolas,
Falo sobre ti odiando a mim.

Odeio tanto aos outros que posso num sorriso dissimulado lhes desejar bom dia,
Acariciar-lhes o ego,
E num movimento rápido de páginas,
Mutilar suas personas em conversas de 240 caracteres.

Posso falar de outros assim como falo de mim,
Sem compromissos e sem verdades,
Palavras corrigidas automaticamente pelo programa que me programa a dizer o que não quero.

Posso largar no infinito digital,
Sem preocupações nem mágoas este rascunho que agora escrevo,
Sei que ele falará a cada olhar uma mensagem diferente,
E poderá ser compartilhado sem alterar seu conteúdo ou seu sentido por pessoas que assim quiserem,
Mudando apenas no final o login do usuário que o assina.
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wton



Mensagens: 231
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MensagemEnviada: Qui Jun 14, 2012 10:43 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Poeminha do Eu Eterno

Acordar a mais um dia,
A vida que de novo se inicia,
Passos que terei que completar.

O medo que vai junto firme a alma,
Deixa a vida sempre menos calma,
Lembranças que terei que suportar.

Hoje deixo os beijos junto à cama,
Não tenho em meus braços quem me ama,
Não há mais razões para despertar.

Então de novo deito em meu leito,
Resignado de meu destino imperfeito,
E fico um mundo novo a sonhar.

No sonho eu te amo novamente,
No peito ainda resta à semente,
De um amor que nunca há de se’acabar.

Então de supetão eu me levanto,
Correndo te ligo meio em prantos,
Na garganta uma voz presa a soluçar.

Do outro lado falas meio deprimida:
“Amor você saiu da minha vida,
Agora já é tarde pra voltar.

Espero que me entendas simplesmente,
Aqui já há outro infelizmente,
A fila da vida não se pode estagnar.”

Então desligo já com raiva,
No peito a dor de tanta mágoa,
Sozinho já não posso suportar.

Ligo o fogão sem ter-lhe chama,
Chorando então eu deito em minha cama,
Por que sofrer, se posso assim sonhar?...
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MensagemEnviada: Seg Jun 18, 2012 2:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Vida: Ato Único

No palco da vida sou amador,
Porém a dor que sinto não amo,
Sou assim feito lágrima,
Sou assim feito riso,
Sou amigo de mim mesmo,
Sou poeta,
Sonhador.

No palco da arte sou alma e sofrimento,
Sou tormento e tormenta,
Sou pimenta ardida na língua de quem não presta,
Sou vento, sou aresta,
Sou luz invadindo a prisão,
Sou assim anão,
Gigante perto de todo mundo,
Sou raso e profundo,
Sou mania e sou paixão.

No teatro amo a todos,
Menos um,
Eu.
O eu que tantos vivem a invejar,
Mesmo assim continuo a amar aqueles que foram embora,
Como quem ama uma catapora que no corpo fica a coçar.

Que bom que sarei desse mal,
Hoje eu sou anormal,
Sofrendo sempre, mal de quem sente um sofrimento chamado vida,
E a vive assim sempre indo a fundo,
Nas incertezas do mundo louco sempre a girar,
E vive aprendendo a amar e colocando no palco as perguntas que ninguém ousaria
Perguntar:
Serão possíveis os humanos, sem nenhum interesse amar?

Hoje eu sou poeta,
Sou ator,
Escritor.
Amanhã serei pó,
Pisado e amassado,
Sempre serei lembrado pelo esquecimento de quem não se importa,
Serei sempre porta, janela, telhado e tufão,
Serei sempre furacão, raiva, incerteza e beleza,
Oculta aos olhos medíocres que preferem sempre a certeza daquilo que os outros dirão,
Que preferem o que é mais fácil,
Viver sem ter no prefácio a verdade de um coração.
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Pupila



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MensagemEnviada: Ter Jun 26, 2012 10:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

wton escreveu:
Vida: Ato Único

No palco da vida sou amador,
Porém a dor que sinto não amo,
Sou assim feito lágrima,
Sou assim feito riso,
Sou amigo de mim mesmo,
Sou poeta,
Sonhador.

No palco da arte sou alma e sofrimento,
Sou tormento e tormenta,
Sou pimenta ardida na língua de quem não presta,
Sou vento, sou aresta,
Sou luz invadindo a prisão,
Sou assim anão,
Gigante perto de todo mundo,
Sou raso e profundo,
Sou mania e sou paixão.

No teatro amo a todos,
Menos um,
Eu.
O eu que tantos vivem a invejar,
Mesmo assim continuo a amar aqueles que foram embora,
Como quem ama uma catapora que no corpo fica a coçar.

Que bom que sarei desse mal,
Hoje eu sou anormal,
Sofrendo sempre, mal de quem sente um sofrimento chamado vida,
E a vive assim sempre indo a fundo,
Nas incertezas do mundo louco sempre a girar,
E vive aprendendo a amar e colocando no palco as perguntas que ninguém ousaria
Perguntar:
Serão possíveis os humanos, sem nenhum interesse amar?

Hoje eu sou poeta,
Sou ator,
Escritor.
Amanhã serei pó,
Pisado e amassado,
Sempre serei lembrado pelo esquecimento de quem não se importa,
Serei sempre porta, janela, telhado e tufão,
Serei sempre furacão, raiva, incerteza e beleza,
Oculta aos olhos medíocres que preferem sempre a certeza daquilo que os outros dirão,
Que preferem o que é mais fácil,
Viver sem ter no prefácio a verdade de um coração.


Ato único,
a verdade de um coração...
Gostei!
beijos poéticos

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MensagemEnviada: Seg Set 03, 2012 11:08 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Réquiem Para Um Inseto

Estava só trancado em meu banheiro.

Pensava no vazio que me preenchia,
Na vida que lá fora escurecia e
Na mosca,
Que morta, preta e caída ao chão,
Contrastava ante o piso branco.

Senti uma tristeza estranha,
Deslocada.

Silenciosa,
Uma lágrima escorreu a boca,
Amargando o gosto daquele patético momento.

O luto,
O homem e o
O inseto,
Juntos formando um quadro cinza,
Retrato desse tempo insólito.
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MensagemEnviada: Dom Nov 18, 2012 9:50 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre Mãos e Lábios

Porque assim,
Eu humano,
Incertezas, melancolia,
O som de um blues e a fria mão colada as costas.

Desnorteado,
Fumaça e uísque rodando entre gelos num copo,
O dedo gelado a girar.

A barriga que ruge,
A boca rouge a salivar lascívias,
E o hálito a deixar vermelho o gosto do amor.

Eu humano,
Incerto de que o bom me basta,
A cabeça pensa enquanto os lábios beijam,
As mãos tremem procurando verdades,
O tato é a mentira sentida.

Sorrir é a forma mais humana da melancolia,
A felicidade é um ator de aluguel
E o amor só vale a pena nos primeiros minutos.

Ela me olha fixamente,
Será que descobriu o abismo em meus olhos?
Será que percebeu que não estou mais aqui?

Em toda indiferença há um pouco de nós dois.
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MensagemEnviada: Dom Nov 18, 2012 9:52 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ao Meus Amigos Humanos

O ator é um errante solitário que caminha por uma estrada que é só sua,
Perpendicular a ele vão os outros.

Cada um rema sozinho um canoa que navega um rio diferente,
Herança de Guimarães,
Sofrendo solitários de uma tristeza indivisível,
Pois assim o sentimento é:
Visão única de entender,
Razão única de enxergar.

Falo de teatro, pois o teatro é vida,
Dividida em atos, ações e emoções.
Permissões de um deus bêbado que por ser demasiado humano amava o ato de amar,
Os prazeres que o corpo oferece,
A arte que alimenta banquetes.

Mas fácil o teatro não é.

Ele entorpece a razão,
Atiça a emoção,
Embaralha a percepção de tudo que existe,
Insiste em desafiar quem lhe quer,
Insinuante como uma mulher que desdenha o objeto amado.

Assim, desafiando-o a querer sempre mais,
Um querer que às vezes machuca,
Dor percorrendo a nuca,
Parando onde o amor começa,
Deixando a alma sempre em festa.

Uma festa de solitários,
Vários focos,
Arquétipos,
Muitas máscaras.

Pouco é o entendimento sobre esse amor maluco,
Essa paixão de suicidas,
Todo ator ama o abismo que tem a frente de seu ofício.

Mas não tema por nós,
Não caímos, pois sabemos voar,
Não morremos, pois há sempre outra sessão,
Não sofremos, pois as lágrimas alimentam,
Não atuamos na vida, pois há no palco um espelho,
Não somos humanos, somos atores.

O ator é um errante solitário que caminha por uma estrada que é só sua,
Perpendicular a ele vão os outros,
Em fila,
Esperando a morte chegar.
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MensagemEnviada: Dom Nov 18, 2012 9:54 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

a curiosidade chegou em Marte

a parte desse acontecimento estava Raimundo,
cansado das mesmices desse mundo,
profundo de tristeza e
melancolia

olhando para o céu,
triste sorria,
esperando encontrar felicidade

ou então que apartassem a saudade
de seu peito,
do seu leito,
do seu mundo

olhava com esperança para o céu,
curioso,
esperava numa estrela encontrar vida menos sofrida do que esta

a curiosidade chegou a Marte
a Raimundo só lhe restaram estrelas cadentes
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MensagemEnviada: Dom Nov 18, 2012 9:55 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A mala ou amá-la?

Esqueceram o amor dentro de uma mala num bagageiro de ônibus,
Então é impossível amá-la
estar trancada,
Ou então como saberiam que era amor ou
a mala?

Acharam um bagageiro cheio de personagens novos,
que nunca foram usados,
De algum teatro usurpado.

Junto dos personagens estava esquecido também o amor pelo teatro.
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wton



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MensagemEnviada: Dom Nov 18, 2012 9:57 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre o Ato de Não Saber Voar

Sou par perfeito,
Calmaria,
Furacão.

No parapeito,
Abro asas,
Oração.

Do alto de um prédio,
Vejo o mundo Raimundo,
Do alto de mim enxergo estrelas,
Constelação.

De um sim faço um não.
De um não,
Talvez,
Enxergo outra vez a vida,
Comida,
Sensação.

Voo,
Caio,
Me entrego.

Sou ar,
Liberdade,
Sou o chão.
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