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Poemas- Joana Freitas- "O ar que eu respiro" Exibir próxima mensagem
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Autor Mensagem
JOANA SOUSA FREITAS



Mensagens: 1136

MensagemEnviada: Sáb Jun 04, 2005 9:08 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

[quote="bbrian"]
JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
[size=9][color=blue]







Joana,
Naveguei na sua onda,parabens, beijos no coração!



Obrigada Linda Bia!

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Joana sousa Freitas
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MensagemEnviada: Sáb Jun 04, 2005 9:35 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

ÓDIO


Porque me deixas morrer aqui?
Só...Nos escombros que sobeja da natureza...
Aquela que destruíste à folia do teu ciúme.
Devastadora...Destrutiva embutido numa fonte que outrora existiu.
A tua memória é isso mesmo..Memorias que não se esquecem
Não perdoam, não falham, e desfazem-nos em cacos na fracção de um segundo...
Porque me deixas caída na rua?
Embebida nestes cheiros apodrecidos, pelos trapos velhos e rotos que me sobraram
Daquele amor...
Só! Vazia...Incompleta, perdida
Vagueando por aí
Entre a mentira e a verdade
Entre cá e lá
Sem saber por onde ir...
Sonhos que se desfazem nos sonhos que outrora se construíram
Noites em branco
Insónias que não me largam
Feridas na pele feitas à força do teu ódio
Que nos sobrou
Neste prato repleto hoje de ossos e espinhas
Não sobra nada
Não ficou mais nada
Somente uma crosta que sangra
Jamais cicatriza
Construída a cimento
No meu coração que outrora deu a vida por ti....

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MensagemEnviada: Dom Jun 05, 2005 7:27 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Cálice

Bebo dos teus lábios o mesmo vinho
Mata-me a sede da sabedoria
Congratulo-me
Orgulho-me
De pertenceres ao mesmo campo de guerra que eu
Lutamos pela mesma causa em pavimentos desconhecidos...
Adormeço contigo todas as madrugadas
Separada pela distância
Mas caída do teu lado
Com a alma entrelaçada na tua...
Bebemos dos mesmos lábios
Mesmo sem nunca nos beijarmos
Sem nunca os termos vistos....
Ficas aqui
Passando as mãos nos meus cabelos
Olhando-me nos olhos
Perdendo-te em mim...
Entrego-me a ti com o pecado da devoção
Com a natureza das coisas
Paixão carnal sem carne
Amor espiritual apesar do oceano que se encontra entre os nossos corpos...
Neste campo de guerra
Neste mundo que nos embala
Com a serenidade de outrora
Aquela em que me escreveste pela primeira vez....
Entrega Total....
Embebidos pelo mesmo copo
Pelo mesmo vinho
Cálice de amor platónico!


Nota: Dedicado.... Ele saberá quem é!

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MensagemEnviada: Dom Jun 05, 2005 8:37 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Mundo que desaba aos pés

Cai o mundo a meus pés
Quando te sentas perante mim
Inicias a fala com os olhos caídos
Descabida conversa
Sem pena, sem nexo
Triste fico com tal imagem
Ignorado meu coração
Que hoje não muda nada
Não te segura
Não te prende
Deixando o destino roubar-te de mim
Levar-te para um outro nó que não o meu
Para um outro coração além do meu...
Muda o universo à minha volta
Deixa de existir o sentido das coisas
Das palavras
Dos seres ...
Não me conheço
Desconheço-te agora
Parte outrora da minha vida
Sangue que se fundiu no meu
Corpo que me penetrava na loucura do dia e madrugadas
Alma que se perdia com a minha
Sem apetrechos ou palavras
Conexão perfeita em tempos que já lá vão...
Agora fico aqui perante o cheiro que me ficou na sala
O teu perfume entranhado no meu corpo
A saudade que já desperta dolorosa no meu coração
Não posso trazer-te de volta
No teu coração alguém me tirou
Choro mansinho
E estou caída sobre os teus pés

O mundo cai,
e eu com ele também caí...



Lisboa, 05 Junho 2005

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MensagemEnviada: Dom Jun 05, 2005 9:38 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Aguas

Como poderia eu desculpar o teu acto triste, desolado e incontestável....
Deitas-te na profundeza do oceano feito navio submerso, objecto perdido para lá do tempo os restos que me sobravam.
Soterraste a minha imagem de dor e melancolia, apatia que me gasta e desgasta e envelhece da noite para o dia, ficando afogada em magoas que não passam, que não se esquecem....
Faca que me atravessa o corpo pelas costas... Eu não aguardava esse minuto, esse segundo que mudaria a minha alma e a viraria do avesso...
Estou sem nome
Sem terra
Flutuando entre este rio, e aquele oceano imenso, debatendo-me com rochas, maremotos e bichos...Feito planta, pedra, barco desaguando no nada, feito vela desfeita afundada na terra.
Aguas me levam e me trazem
Sem horizonte definido
Queimada pelo sol
Marcada pela chuva
Lançada ao vento
Feito pássaro que não sabe voar....
Deixo-me ir
sozinha
Triste...Tão triste...
Afogada nas ondas a que me atiraste para sempre.


Lisboa 05 Junho 2005

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MensagemEnviada: Sex Jun 10, 2005 2:16 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Tu e eu...Eu e tu...


Cubro-me de magia
Feiticeira deste universo
Momento concreto
Discreto
Revirado do avesso
Corpo e alma
Alma e corpo
Ausência de factos
Invasões submersas de seres incompletos
Banho-me de essências
Incensos
Velas e luz da lua
Eu e tu
Tu e eu
Fruto do mesmo ser
Candelabro de origem
Quarto
Janelas do fundo da alma
Olhos nos olhos
Mãos nas mãos
Amor que se perde em fontes
Sentimentos imensos
À luz do nada
Tu e eu
Eu e tu
Irradiada pelo feitiço
Que brota em mim
A cada momento...
Me adormece quando deseja
Me acorda o corpo
Me ilumina a noite
Qual seja o precipício da escuridão....


Lisboa, 10 de Junho 2005


Destino

Sai do meu caminho
Pedra que se finge inerte e me move a vida inteira
Afasto-te dos meus pés
Porque me crias a queda
E tropeço quando menos espero
Surges na rua
Na calçada
Em casa
A qualquer lado que caminhe
Cruzas-me os passos
Confundes-me
Iludes-me
Magoas para além do facto corporal
Afasto-te do meu caminho
Pedra do meu destino
Corrosiva
Que não saí
Não extingue
Não se quebra mesmo à força das minhas quedas
Sai do meu caminho
Dor que me consome
Ferida que se abre e sangra
Rasgo da pele
Da mente
Do coração
Afasto-te do meu caminho
Mas tu insistes
Insistes em fazer parte desta estrada...
Caminhada
Destino que nos cruza insistentemente...
E não desiste
Tropeço em ti
Porque surges em todos os lados que te afasto.

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MensagemEnviada: Sex Jun 10, 2005 5:54 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pecado


Ofegante
Desesperada
Ansiada pela noite vir por si só...
Chegas com ela
Feito Homem, feito animal
Corroendo-me a alma
E remoendo o meu corpo...
Tortura louca
Divina
Feito de nós o pecado
Misturas quentes
Lânguidas
Selvagens
Penetrantes sem jeitos
Sem vícios
Sem rumores
Deleitados nos lençóis desarrumados
Enrugados com a mistura dos nossos corpos
Perdidos, buscando o outro...
Envoltos em beijos travessos
Sussurros perversos
Despidos de tudo
Virando do avesso a alma...
E a noite vem...Com ela trás a voz...
E dela nasce os nossos pecados
Mais puros...

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MensagemEnviada: Sáb Jun 11, 2005 9:55 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

...Se eu fosse uma fada
Enfeitiçaria os teus olhos para que estes jamais se perdessem dentro do meus
Realizaria os teus sonhos, somente aqueles em que eu vivo
Sonharia contigo para me procurar em cada um deles
Viveria da tua negligência
E saberia cada um dos teus desejos
Das tuas esquinas
Das tuas palavras
Dos teus pecados
Se eu fosse uma fada
Seria uma estrela cadente para te surgir todas as noites.
Escreveria com toda a presença do tempo
Faria parte de ti
E teríamos o mesmo sangue
Se eu fosse uma fada
Atravessaria o oceano que nos separa à velocidade da luz
E por instante seria tua
Realizando tudo que desejas...
Mas não sou uma fada
Não enfeitiço
Não tenho o dom
Apenas faço parte do mesmo sonho que tu...

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MensagemEnviada: Dom Jun 12, 2005 9:17 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sem as forças da manhã
Que me acompanharam algures no tempo
Tempo que se foi
Me deixa hoje muda...
Sem gestos
Acanhada nesta cama com o que resta do teu cheiro
Embrenhada na mágoa que me preenche
Que me dissolve
Me fomenta
Me consome
Alimento-me dos teus cheiros
Bebo da memória dos teus olhos
Procurando sobreviver
Cansada
Flutuando neste vácuo que me trespassa por inteiro
Inerte
Apurando os sentidos na esperança que estes me tragam um pouco de ti
Do que me sobra
Dos restos que ficam nas essências desta casa.
Fruto da tua ausência que se prenuncia sem palavras
Nas paredes
Nas cartas velhas e gastas
Nas fendas desta velha casa
Que não abandono mesmo à força do desespero
Porque aqui ficam as feridas que abriste
Aqui permanecem rasgos intemporais teus
E se partir
Alguém os consumirá, alguém que não eu
E tu pertences ao mesmo espaço que eu...
O sol nasce vago
O dia nasce vazio
Sem horas
Sem mais momentos que me renasçam...
Levaste-me contigo esta noite que passou....
Noite que me abandona o corpo
Me rouba a alma
Me renuncia
Me empobrece
Me deixa subitamente só

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Joana sousa Freitas
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Carlos Félix



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Localização: Brasil

MensagemEnviada: Dom Jun 12, 2005 9:54 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
...Se eu fosse uma fada
Enfeitiçaria os teus olhos para que estes jamais se perdessem dentro do meus
Realizaria os teus sonhos, somente aqueles em que eu vivo
Sonharia contigo para me procurar em cada um deles
Viveria da tua negligência
E saberia cada um dos teus desejos
Das tuas esquinas
Das tuas palavras
Dos teus pecados
Se eu fosse uma fada
Seria uma estrela cadente para te surgir todas as noites.
Escreveria com toda a presença do tempo
Faria parte de ti
E teríamos o mesmo sangue
Se eu fosse uma fada
Atravessaria o oceano que nos separa à velocidade da luz
E por instante seria tua
Realizando tudo que desejas...
Mas não sou uma fada
Não enfeitiço
Não tenho o dom
Apenas faço parte do mesmo sonho que tu...



Preciosíssima Jô,

Se não és uma fada, o que és, então?
Acho que és uma bruxinha... porque?
Tuas palavras têm feitiço e encantam
meu coração!
Wink
C.F
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JOANA SOUSA FREITAS



Mensagens: 1136

MensagemEnviada: Dom Jun 12, 2005 2:06 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ao rumo das folhas
Em função da estação
Sigo o vento em liberdade
Expectante ao rumo que me flúi
Outono desprovido
No centro de mesa que a primavera enfeita
Dia triste, cinza, chuvoso
Pétalas que caiem e se espalham nas minhas mãos
Passos que se ouvem no chocalhar da água da calçada de pedra e terra
Folhas esvoaçando
Se misturando nos dedos,
Na roupa
Nos cabelos
Alimentando-me dessa imagem que me trás a nostalgia
Saudade com um misto de apatia
Tempo que me trás tempos de tempestade no mar
Em caos de solidão
Acompanhada por nuvens e um barco cheio de fantasmas
Perdida na imensidão do oceano
Afastada da imagem triste que me ocorre
Sobre as folhas
As pétalas
O vento
Nesta correria em que não se vê gente.

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Joana sousa Freitas
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bbrian



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Localização: ES

MensagemEnviada: Dom Jun 12, 2005 2:28 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
Ao rumo das folhas
Em função da estação
Sigo o vento em liberdade
Expectante ao rumo que me flúi
Outono desprovido
No centro de mesa que a primavera enfeita
Dia triste, cinza, chuvoso
Pétalas que caiem e se espalham nas minhas mãos
Passos que se ouvem no chocalhar da água da calçada de pedra e terra
Folhas esvoaçando
Se misturando nos dedos,
Na roupa
Nos cabelos
Alimentando-me dessa imagem que me trás a nostalgia
Saudade com um misto de apatia
Tempo que me trás tempos de tempestade no mar
Em caos de solidão
Acompanhada por nuvens e um barco cheio de fantasmas
Perdida na imensidão do oceano
Afastada da imagem triste que me ocorre
Sobre as folhas
As pétalas
O vento
Nesta correria em que não se vê gente.


Joana,
Ainda ontem li sobre uma poetisa que dizia tirar positividade do silêncio e da solidão, espero que você assim como ela também aproveite esses momentos, afinal estar em sua compania é enriquecedor, tanto que nos presenteia com tão nostalgica descriçao de momentos mágicos.
Beijos no coração!

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Pupila



Mensagens: 4057
Localização: São Paulo

MensagemEnviada: Dom Jun 12, 2005 7:42 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Joana,
Tuas palavras exalam versos que arranca-nos os sentidos.....mas com leveza....nos faz sentir...
Esta tua coletênea.....mágica...faz sonhar...delirar...sorrir...chorar...
LINdÍSSIMA!
beijos poéticos
parabéns!

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Claudio Ferreira



Mensagens: 91
Localização: Manaus

MensagemEnviada: Seg Jun 13, 2005 3:10 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Joana,
A comparação das ondas do mar com histórias de vida. fechando num belo verso "Numa espera constante de um outra onda que me leve .... "
belíssimo !

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Claudio Ferreira
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LuMe



Mensagens: 97
Localização: Viseu/Portugal

MensagemEnviada: Ter Jun 14, 2005 7:10 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Talvez não muito lesto, junto-me a vós
todos quantos partilham o privilégio
de se emocionar com versos
como quem se arrebata com o perfume
de botões de rosa na alvorada
de cada nova primavera…
Que universo formidável alastra
em torno desse sentimento-consciência!
Eu só quero a certeza que,
cientes de este facto, todos vós
não deixareis de exultar
como parte da magia mais fulgurante
que brotou da nascente primordial:
O poema é aquela fala
de certos corações como o da Joana
e a Poesia é uma pátria... é a nossa
e o seu corpo somos todos nós!
Não é assim, Joana ?
(Nunca tive tanta certeza de adivinhar uma resposta!)
.
Luis Melo
www.lumelo.com
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