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Poemas- Joana Freitas- "O ar que eu respiro" Exibir próxima mensagem
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bbrian



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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:17 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

[quote="JOANA SOUSA FREITAS"]
bbrian escreveu:
JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
[size=9][color=blue]







Joana,
Naveguei na sua onda,parabens, beijos no coração!



Obrigada Linda Bia!


AMOR

Amar é promover as curas
Despir de mantos
Colar os cacos
Fazer a sangria

Amar é transpor o sol
Os horizontes
Mergulhar no fundo

Não podemos matar um jardim
Em nome de uma flor
Não podemos matar uma flor em nome de um jardim
Podemos sim, florir o mundo

Ser amado é ser tocado na alma
Por fadas, deusas, amigos,
Luas e beija-flores

Pedir respostas? Não temos
Precisamos zelar as missões
E sejam elas o foco, a luz interior.

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bbrian



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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:18 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:



Azul


Manto azul
Que me cobre os olhos
Rasga o olhar
Entranha nas garras da liberdade
Voo discreto
Que vai e não retorna
Que encanta e inventa
Cria o trilho que me guia
De olhos fechados
Dançando à força do vento
Em formas e fórmulas
Sem nome, terra ou lugar
Ave que segue
Me impera o corpo
Cultiva a alma
Colhendo cada um dos meus olhos
Manto azul
Olhos claros
Fusão dos oceanos
Vitoria das cores
Mistura de essências
Magia
Feitiço
Lago me afundo e confundo
Adormeço e sonho
Céu que me perco e encontro sem lugar certo
Azul…azul….azul


----------------------------------------

Grãos de Areia

Conto os grãos de areia que se misturam nas mãos
Caíem, libertam-se, soltam-se e encravam nas unhas
Escorrem entre os dedos
Como agua que se despeja, que não se prende ....
Posso ter a mão aberta ou fechada
ter os dedos cheios de areia
Concha que fecha mas não segura
Porque cai
Perde-se sempre
Misturando-se entre si, tal simbiose perfeita
Fusão cega
Construindo a mutação da terra
Sem palavras
Sem laços
Sem dados concrectos que nos marque ou queime as mãos
Mãos perfeitas que não prendem nada..
Assemelha-se ao amor
Que fica nas nossas mãos até assim o desejar
Não podemos fechar porque se solta
Escorre e funde-se num outro amor
Que não o nosso....
E nas unhas ficam grãos que restam de saudade
Que não partem
Não soltam
Adormeçem nos dedos para sempre



--------------------------------------------------------------

Madrugada

Caída ao relento
Perdida por aí
Algures no tempo
acompanhada do vento
alma penada
despida de tudo
vazia por dentro
esquecida por fora
mórbido momento
sordida realidade
impune do pecado
rasgado de lágrimas
inerte
triste
vagueando
ali, aqui....
Fico parada na noite
Feito candeeiro da madrugada
Aliciada pelo nada
Enganada por por este e aquele
Por mim e por ti
Coração em derrota
Barriga na fome
Morrendo de sede
Cabisbaixa
Pois esta é a vida que levamos
Feito animal, feito gente
Feito objecto, feito verbo
Alimento que não mata a fome
Sozinha nas ruas
Perdida no limiar da saudade
Entre o precipicio e o destino
Pedras da calçada
Que me removo e demovo
Balançando anestesiada pelo amor hoje esquecido
Feito mulher, feito criança
Sem marcas
Sem rasto
Do que outrora fui
E no estado que hoje me deixaste!



Labirinto



Grito da janela daquele quarto
Esquecido na avenida que viviamos
Olhando a calçada
Procurando o que resta de ti
O tempo que foi e te levou para uma outra rua
Longe da minha, longe da nossa...
Busco nas crianças que saltam à corda
O teu olhar....Aquele sorriso distindo da natureza que vivemos...
Nostálgia que me agarra e não larga
Que vive em cada beco sem saída da minha memória...
Labirinto este coração
Que vives
Não te esqueçe e não sais...
Não tens saída
Fechei todas as portas para que vivas em mim para sempre
Mesmo que não reconhecas a nossa avenida
As estradas
A calçada hoje de pedra
Os meus olhos vistos da janela procurando os teus
A nossa infãncia doce
O meu amor
Eterno amor
Que hoje apenas vive nas avenidas do meu coração
Labirinto em que vives....



Lisboa,28 Maio 2005


As ondas do mar


Olho os frutos do mar
Entre conchas abertas e gastas pelo tempo
Pedrinhas partidas, lascadas, multicores enterradas na areia...
Agua que vai e volta
Levando as conchas, algas, e tudo o que sobeja...
Vão as ondas
Voltam e rebentam aos meus pés
Cinzento este mar que vejo da beira
Reflectindo o céu que ameaça o dia
Chove miudinho
Com pena dos mais tristes
Cintilando feito luz
Feito gota
Penetrando na minha pela
Gélida, pequena, cortante....
Daqui não saio,
Fico parada e estática
Observando a melancolia que me tropeça na alma
Me corrompe os pés cortados
Me eleva ao nível do mar
Á sua grandiosidade da qual serei apenas uma gota...
Mas faço parte disto
Faço parte dele....
O mar é como tu, levou-me e depois me trouxe
Abandonou-me numa praia vazia qualquer
Com pedrinhas que me rasgam a pele,
À chuva
Ao relento da estação....
Num momento indefinido
Sem movimento
Melancólica
Numa espera constante de um outra onda que me leve ....

Lisboa,28 Maio 2005


AMOR

Amar é promover as curas
Despir de mantos
Colar os cacos
Fazer a sangria

Amar é transpor o sol
Os horizontes
Mergulhar no fundo

Não podemos matar um jardim
Em nome de uma flor
Não podemos matar uma flor em nome de um jardim
Podemos sim, florir o mundo

Ser amado é ser tocado na alma
Por fadas, deusas, amigos,
Luas e beija-flores

Pedir respostas? Não temos
Precisamos zelar as missões
E sejam elas o foco, a luz interior.

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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:



Azul


Manto azul
Que me cobre os olhos
Rasga o olhar
Entranha nas garras da liberdade
Voo discreto
Que vai e não retorna
Que encanta e inventa
Cria o trilho que me guia
De olhos fechados
Dançando à força do vento
Em formas e fórmulas
Sem nome, terra ou lugar
Ave que segue
Me impera o corpo
Cultiva a alma
Colhendo cada um dos meus olhos
Manto azul
Olhos claros
Fusão dos oceanos
Vitoria das cores
Mistura de essências
Magia
Feitiço
Lago me afundo e confundo
Adormeço e sonho
Céu que me perco e encontro sem lugar certo
Azul…azul….azul


----------------------------------------

Grãos de Areia

Conto os grãos de areia que se misturam nas mãos
Caíem, libertam-se, soltam-se e encravam nas unhas
Escorrem entre os dedos
Como agua que se despeja, que não se prende ....
Posso ter a mão aberta ou fechada
ter os dedos cheios de areia
Concha que fecha mas não segura
Porque cai
Perde-se sempre
Misturando-se entre si, tal simbiose perfeita
Fusão cega
Construindo a mutação da terra
Sem palavras
Sem laços
Sem dados concrectos que nos marque ou queime as mãos
Mãos perfeitas que não prendem nada..
Assemelha-se ao amor
Que fica nas nossas mãos até assim o desejar
Não podemos fechar porque se solta
Escorre e funde-se num outro amor
Que não o nosso....
E nas unhas ficam grãos que restam de saudade
Que não partem
Não soltam
Adormeçem nos dedos para sempre



--------------------------------------------------------------

Madrugada

Caída ao relento
Perdida por aí
Algures no tempo
acompanhada do vento
alma penada
despida de tudo
vazia por dentro
esquecida por fora
mórbido momento
sordida realidade
impune do pecado
rasgado de lágrimas
inerte
triste
vagueando
ali, aqui....
Fico parada na noite
Feito candeeiro da madrugada
Aliciada pelo nada
Enganada por por este e aquele
Por mim e por ti
Coração em derrota
Barriga na fome
Morrendo de sede
Cabisbaixa
Pois esta é a vida que levamos
Feito animal, feito gente
Feito objecto, feito verbo
Alimento que não mata a fome
Sozinha nas ruas
Perdida no limiar da saudade
Entre o precipicio e o destino
Pedras da calçada
Que me removo e demovo
Balançando anestesiada pelo amor hoje esquecido
Feito mulher, feito criança
Sem marcas
Sem rasto
Do que outrora fui
E no estado que hoje me deixaste!



Labirinto



Grito da janela daquele quarto
Esquecido na avenida que viviamos
Olhando a calçada
Procurando o que resta de ti
O tempo que foi e te levou para uma outra rua
Longe da minha, longe da nossa...
Busco nas crianças que saltam à corda
O teu olhar....Aquele sorriso distindo da natureza que vivemos...
Nostálgia que me agarra e não larga
Que vive em cada beco sem saída da minha memória...
Labirinto este coração
Que vives
Não te esqueçe e não sais...
Não tens saída
Fechei todas as portas para que vivas em mim para sempre
Mesmo que não reconhecas a nossa avenida
As estradas
A calçada hoje de pedra
Os meus olhos vistos da janela procurando os teus
A nossa infãncia doce
O meu amor
Eterno amor
Que hoje apenas vive nas avenidas do meu coração
Labirinto em que vives....



Lisboa,28 Maio 2005


As ondas do mar


Olho os frutos do mar
Entre conchas abertas e gastas pelo tempo
Pedrinhas partidas, lascadas, multicores enterradas na areia...
Agua que vai e volta
Levando as conchas, algas, e tudo o que sobeja...
Vão as ondas
Voltam e rebentam aos meus pés
Cinzento este mar que vejo da beira
Reflectindo o céu que ameaça o dia
Chove miudinho
Com pena dos mais tristes
Cintilando feito luz
Feito gota
Penetrando na minha pela
Gélida, pequena, cortante....
Daqui não saio,
Fico parada e estática
Observando a melancolia que me tropeça na alma
Me corrompe os pés cortados
Me eleva ao nível do mar
Á sua grandiosidade da qual serei apenas uma gota...
Mas faço parte disto
Faço parte dele....
O mar é como tu, levou-me e depois me trouxe
Abandonou-me numa praia vazia qualquer
Com pedrinhas que me rasgam a pele,
À chuva
Ao relento da estação....
Num momento indefinido
Sem movimento
Melancólica
Numa espera constante de um outra onda que me leve ....

Lisboa,28 Maio 2005


AMOR

Amar é promover as curas
Despir de mantos
Colar os cacos
Fazer a sangria

Amar é transpor o sol
Os horizontes
Mergulhar no fundo

Não podemos matar um jardim
Em nome de uma flor
Não podemos matar uma flor em nome de um jardim
Podemos sim, florir o mundo

Ser amado é ser tocado na alma
Por fadas, deusas, amigos,
Luas e beija-flores

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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:19 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Soltys escreveu:
maravilhosa!!! de uma serenojovialidade inconfundível....

com teus versos me identifiquei....

principalmente com estes:

Manto azul
Que me cobre os olhos
Rasga o olhar
Entranha nas garras da liberdade


teu poema é cheio de uma magia, de uma sensibilidade só sua.....

adorei ler-te...

eu sou a ave que te segue...sou um falcão, uma ave de rapina....que voa alto, refletindo na tua circunferência... Embarassed

azul.....é a tua aura cheia de idealismo e sonho... Rolling Eyes

até mais...


AMOR

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Fazer a sangria

Amar é transpor o sol
Os horizontes
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Não podemos matar um jardim
Em nome de uma flor
Não podemos matar uma flor em nome de um jardim
Podemos sim, florir o mundo

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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Soltys escreveu:
maravilhosa!!! de uma serenojovialidade inconfundível....

com teus versos me identifiquei....

principalmente com estes:

Manto azul
Que me cobre os olhos
Rasga o olhar
Entranha nas garras da liberdade


teu poema é cheio de uma magia, de uma sensibilidade só sua.....

adorei ler-te...

eu sou a ave que te segue...sou um falcão, uma ave de rapina....que voa alto, refletindo na tua circunferência... Embarassed

azul.....é a tua aura cheia de idealismo e sonho... Rolling Eyes

até mais...


AMOR

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Colar os cacos
Fazer a sangria

Amar é transpor o sol
Os horizontes
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Não podemos matar um jardim
Em nome de uma flor
Não podemos matar uma flor em nome de um jardim
Podemos sim, florir o mundo

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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 2:21 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
Em Ti


Pegas-me no texto
Na textura das minhas palavras
Vês todas elas, mesmo quando as folhas são gastas ou vazias
Entendes as letras
A sabedoria da fórmula
Mesmo que não haja conteúdo...Forma...Contexto.
Conto os versos um a um
E não formo nada
Canso-me
Descanso-te
Adormeço de caneta na mão
Perdida ao relento
Na historia que não escrevo
Na noite que me esqueço
No poema que não realizo...
Mas na tua alma
Nos teus braços
Nos teus lábios
Nos teus olhos...Que só eles vêm tudo o que escrevo...
Mesmo quando não escrevo nada...
Não preciso...Estão em ti todas as palavras
Despertando o livro, a sina...
Concretização do meu sonho.


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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 7:31 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

bbrian,
Teu "AMOR" merece amor, «Sensações do amor»! Smile
Bjs
F

bbrian escreveu:
bbrian escreveu:
Sensaçoes do amor contadas pela sensivel poeta, beijos no coraçao!


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bbrian



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MensagemEnviada: Seg Set 26, 2011 7:56 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Francisco Coimbra escreveu:
bbrian,
Teu "AMOR" merece amor, «Sensações do amor»! Smile
Bjs
F

bbrian escreveu:
bbrian escreveu:
Sensaçoes do amor contadas pela sensivel poeta, beijos no coraçao!


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Obrigada Poeta e rumo a poesia sempre! Beijos no coração!

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JOANA SOUSA FREITAS



Mensagens: 1136

MensagemEnviada: Qua Jan 02, 2013 3:18 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Se me ouves, guia-me, acerta-me o caminho, sopra por cada estrada para minimizar as pedras da calçada que me vão raspando as solas, e abrindo os meus pés.
Se me ouves, leva-me direita mesmo quando eu ando a deambular nestes caminhos oscilantes.
Estou meio perdida, azeda, cometendo erros crassos que me afastam de mim.
Não sei o caminho, a minha morada, sei apenas os marcos do trajecto e as marcas que me deixam nesta dor incomensurável, com esta ferida que sangra mesmo quando o transtorno me leva ao sabor das coisas estando elas insípidas e incolores.
Se me ouves, guia-me!
Leva-me a um lugar longe do desassossego e de encontro á minha paz de espírito e me faça sentir um pouco mais feliz.
Sinto-me meio sozinha, sem rumo, num vazio inconstante e num labirinto sem fim...Sem saída, sem tempo...
Ai, como me falta o tempo das coisas boas, saborosas, espontâneas e genuínas, falta-me o tempo das gargalhadas sonoras, das palavras ditas.
Falta-me hoje tantas coisas até parte da minha esperança.
Sobra-me os olhos marejados de lágrimas e os palavrões presos na garganta que não sabem exprimir palavras mansas, que não saem em formas de amor, soltam-se num silêncio absoluto, absurdo e absorto no universo das coisas tristes, das coisas mortas.
Tenho saudades do tempo das essências e dos reflexos
Saudades do cheiro a batatas fritas da cozinha pintada de amarelo
Do sabor dos morangos de antigamente
Dos concursos de dança ao som do gira Discos altamente moderno na altura
Do lado rezingão da Avó
Das correrias casa fora feito saltimbancos quando ainda éramos quatro.
Éramos quatro, também te lembrarás disso desse lado?
Fomos um quarteto realmente feliz, um quarteto que se perdeu num tempo que me deixou de sobra rastilhos de memórias, que por vezes ainda queimam.
Hoje o raiar de sol brilha nos arraiais mais pobres,
Aos meus olhos reflectem a textura de melancolia, sei que hoje te deixo palavras amargas, tão cheias de nada, tão recheadas de um passado que não há-de voltar nunca.
Se me ouves, guia-me, amansa-me esta alma que hoje está mais revolta, como as ondas do mar, e como os pássaros que hoje voam confusos e depressa á margem da minha terra, fugindo á tempestade...
Guia-me o caminho que já estou com os pés descalços, rasgados, cicatriza-me esta dor que o coração trás em momentos mais duros e pesados que outros.
Faz-me companhia, acompanha-me até ao anoitecer, com festinhas na cabeça como se fosse da idade dos meus filhos, com o olhar cheio de esperança e as mãos nos fios do meu cabelo como fizeste em dias meus tão difíceis, em dias gélidos de Madrid que já lá vão, em tempos que eu achava ter chegado ao fim do mundo, ao fim dos meus dias, mas antes terminaram os teus.
Sinto-me só, com os olhos raiados de lágrimas e a alma a nu e cru, em crosta aberta, que vai sangrando sempre quando estou tão frágil e desejo que não o faça desta forma, porque dói, dói tanto.
Não há uma distância física que nos separa, há muito mais, e o pior, é o facto de não saber o quanto mais, ou simplesmente o quê.
Faço asneiras de vez em quando, imprudente e por impulso, mas é incondicional, porque amo, amo tanto que me dá liberdade de respirar mesmo quando há momentos sem ar, e sem liberdade alguma, acontece assim, quando estou como agora, descalça, ferida e mesmo assim desato por aí a correr com esperança de encontrar o meu nome, a saída, ou até mesmo a ti.
Por vezes deixas-me assim, neste estado de absorção total, a escrever desalmadamente sem rumo, e quando escrevemos a duas mãos isto acontece, fico assim perdida, porque só vejo a minha mão, e não a tua, e sinto-me desabar entre a realidade das coisas normais e a loucura.
Fico aqui sem nome, á porta dos quarenta, sem saídas nem portas, sem saber para onde ir, sem brilho.
Hoje apagada por este frio, por esta textura em tons de cinza que me deixam na vontade de abraçar o edredão até que a vida te devolva.
Te traga de volta ao mesmo universo que o nosso, a um tempo em que éramos quatro, aos cheiros que me ficaram, ás gargalhadas, ao som da tua voz mais perto, ás correrias e a uma casa tão cheia de gente.
E sabes que mais?
Havia tempo! E hoje não me resta nenhum, é um princípio de ignorância que a vida me prepara e eu não sei, um precipício que me encontro em queda livre sem voz, sem forças para gritar a falta que me fazes.
Talvez seja um cansaço que me deixa neste estado de exaustão e entregue á desistência,
Um desespero que luto todos os dias e que apesar disso me dê força para me erguer da cama e sair á vida, á luta.
Não me falta na verdade nada, mas por segundos falta-me tudo em momentos destes que me são arrancados pilares que seguram a minha estrutura e que arrancam parte de mim, sangue do meu sangue, carne da minha carne.
E eu disse-te um dia entre o medo de te perder e a esperança de te ver acordada,
Entre o leito da vida e da morte
“Se o teu coração parar de bater, o meu parará junto do teu”
Não menti, porque uma parte do dele parou e morreu contigo.
Aninha-me
Porque sei que estás aí, algures, não sei bem onde, mas sei que estás
Mesmo quando não o sinto
Quando me sinto tão só
Quando os meus pés estão descalços, desgastados e feridos mas seguem rumo, não desistem.
E não é por acaso
Nada é por acaso
É porque parte das tuas mãos ainda me seguram, encaminham e nunca me deixam cair.

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MensagemEnviada: Qua Jan 02, 2013 9:56 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
Se me ouves, guia-me, acerta-me o caminho, sopra por cada estrada para minimizar as pedras da calçada que me vão raspando as solas, e abrindo os meus pés.
Se me ouves, leva-me direita mesmo quando eu ando a deambular nestes caminhos oscilantes.
Estou meio perdida, azeda, cometendo erros crassos que me afastam de mim.
Não sei o caminho, a minha morada, sei apenas os marcos do trajecto e as marcas que me deixam nesta dor incomensurável, com esta ferida que sangra mesmo quando o transtorno me leva ao sabor das coisas estando elas insípidas e incolores.
Se me ouves, guia-me!
Leva-me a um lugar longe do desassossego e de encontro á minha paz de espírito e me faça sentir um pouco mais feliz.
Sinto-me meio sozinha, sem rumo, num vazio inconstante e num labirinto sem fim...Sem saída, sem tempo...
Ai, como me falta o tempo das coisas boas, saborosas, espontâneas e genuínas, falta-me o tempo das gargalhadas sonoras, das palavras ditas.
Falta-me hoje tantas coisas até parte da minha esperança.
Sobra-me os olhos marejados de lágrimas e os palavrões presos na garganta que não sabem exprimir palavras mansas, que não saem em formas de amor, soltam-se num silêncio absoluto, absurdo e absorto no universo das coisas tristes, das coisas mortas.
Tenho saudades do tempo das essências e dos reflexos
Saudades do cheiro a batatas fritas da cozinha pintada de amarelo
Do sabor dos morangos de antigamente
Dos concursos de dança ao som do gira Discos altamente moderno na altura
Do lado rezingão da Avó
Das correrias casa fora feito saltimbancos quando ainda éramos quatro.
Éramos quatro, também te lembrarás disso desse lado?
Fomos um quarteto realmente feliz, um quarteto que se perdeu num tempo que me deixou de sobra rastilhos de memórias, que por vezes ainda queimam.
Hoje o raiar de sol brilha nos arraiais mais pobres,
Aos meus olhos reflectem a textura de melancolia, sei que hoje te deixo palavras amargas, tão cheias de nada, tão recheadas de um passado que não há-de voltar nunca.
Se me ouves, guia-me, amansa-me esta alma que hoje está mais revolta, como as ondas do mar, e como os pássaros que hoje voam confusos e depressa á margem da minha terra, fugindo á tempestade...
Guia-me o caminho que já estou com os pés descalços, rasgados, cicatriza-me esta dor que o coração trás em momentos mais duros e pesados que outros.
Faz-me companhia, acompanha-me até ao anoitecer, com festinhas na cabeça como se fosse da idade dos meus filhos, com o olhar cheio de esperança e as mãos nos fios do meu cabelo como fizeste em dias meus tão difíceis, em dias gélidos de Madrid que já lá vão, em tempos que eu achava ter chegado ao fim do mundo, ao fim dos meus dias, mas antes terminaram os teus.
Sinto-me só, com os olhos raiados de lágrimas e a alma a nu e cru, em crosta aberta, que vai sangrando sempre quando estou tão frágil e desejo que não o faça desta forma, porque dói, dói tanto.
Não há uma distância física que nos separa, há muito mais, e o pior, é o facto de não saber o quanto mais, ou simplesmente o quê.
Faço asneiras de vez em quando, imprudente e por impulso, mas é incondicional, porque amo, amo tanto que me dá liberdade de respirar mesmo quando há momentos sem ar, e sem liberdade alguma, acontece assim, quando estou como agora, descalça, ferida e mesmo assim desato por aí a correr com esperança de encontrar o meu nome, a saída, ou até mesmo a ti.
Por vezes deixas-me assim, neste estado de absorção total, a escrever desalmadamente sem rumo, e quando escrevemos a duas mãos isto acontece, fico assim perdida, porque só vejo a minha mão, e não a tua, e sinto-me desabar entre a realidade das coisas normais e a loucura.
Fico aqui sem nome, á porta dos quarenta, sem saídas nem portas, sem saber para onde ir, sem brilho.
Hoje apagada por este frio, por esta textura em tons de cinza que me deixam na vontade de abraçar o edredão até que a vida te devolva.
Te traga de volta ao mesmo universo que o nosso, a um tempo em que éramos quatro, aos cheiros que me ficaram, ás gargalhadas, ao som da tua voz mais perto, ás correrias e a uma casa tão cheia de gente.
E sabes que mais?
Havia tempo! E hoje não me resta nenhum, é um princípio de ignorância que a vida me prepara e eu não sei, um precipício que me encontro em queda livre sem voz, sem forças para gritar a falta que me fazes.
Talvez seja um cansaço que me deixa neste estado de exaustão e entregue á desistência,
Um desespero que luto todos os dias e que apesar disso me dê força para me erguer da cama e sair á vida, á luta.
Não me falta na verdade nada, mas por segundos falta-me tudo em momentos destes que me são arrancados pilares que seguram a minha estrutura e que arrancam parte de mim, sangue do meu sangue, carne da minha carne.
E eu disse-te um dia entre o medo de te perder e a esperança de te ver acordada,
Entre o leito da vida e da morte
“Se o teu coração parar de bater, o meu parará junto do teu”
Não menti, porque uma parte do dele parou e morreu contigo.
Aninha-me
Porque sei que estás aí, algures, não sei bem onde, mas sei que estás
Mesmo quando não o sinto
Quando me sinto tão só
Quando os meus pés estão descalços, desgastados e feridos mas seguem rumo, não desistem.
E não é por acaso
Nada é por acaso
É porque parte das tuas mãos ainda me seguram, encaminham e nunca me deixam cair.


Joana, seu retorno anuncia o ar fresco, sua presença um luxuoso 2013 para o forum. E as suas mãos guiam. Fico muito feliz com sua volta. Beijos no coração!

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MensagemEnviada: Qui Jan 03, 2013 12:57 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

bbrian escreveu:
JOANA SOUSA FREITAS escreveu:
Se me ouves, guia-me, acerta-me o caminho, sopra por cada estrada para minimizar as pedras da calçada que me vão raspando as solas, e abrindo os meus pés.
Se me ouves, leva-me direita mesmo quando eu ando a deambular nestes caminhos oscilantes.
Estou meio perdida, azeda, cometendo erros crassos que me afastam de mim.
Não sei o caminho, a minha morada, sei apenas os marcos do trajecto e as marcas que me deixam nesta dor incomensurável, com esta ferida que sangra mesmo quando o transtorno me leva ao sabor das coisas estando elas insípidas e incolores.
Se me ouves, guia-me!
Leva-me a um lugar longe do desassossego e de encontro á minha paz de espírito e me faça sentir um pouco mais feliz.
Sinto-me meio sozinha, sem rumo, num vazio inconstante e num labirinto sem fim...Sem saída, sem tempo...
Ai, como me falta o tempo das coisas boas, saborosas, espontâneas e genuínas, falta-me o tempo das gargalhadas sonoras, das palavras ditas.
Falta-me hoje tantas coisas até parte da minha esperança.
Sobra-me os olhos marejados de lágrimas e os palavrões presos na garganta que não sabem exprimir palavras mansas, que não saem em formas de amor, soltam-se num silêncio absoluto, absurdo e absorto no universo das coisas tristes, das coisas mortas.
Tenho saudades do tempo das essências e dos reflexos
Saudades do cheiro a batatas fritas da cozinha pintada de amarelo
Do sabor dos morangos de antigamente
Dos concursos de dança ao som do gira Discos altamente moderno na altura
Do lado rezingão da Avó
Das correrias casa fora feito saltimbancos quando ainda éramos quatro.
Éramos quatro, também te lembrarás disso desse lado?
Fomos um quarteto realmente feliz, um quarteto que se perdeu num tempo que me deixou de sobra rastilhos de memórias, que por vezes ainda queimam.
Hoje o raiar de sol brilha nos arraiais mais pobres,
Aos meus olhos reflectem a textura de melancolia, sei que hoje te deixo palavras amargas, tão cheias de nada, tão recheadas de um passado que não há-de voltar nunca.
Se me ouves, guia-me, amansa-me esta alma que hoje está mais revolta, como as ondas do mar, e como os pássaros que hoje voam confusos e depressa á margem da minha terra, fugindo á tempestade...
Guia-me o caminho que já estou com os pés descalços, rasgados, cicatriza-me esta dor que o coração trás em momentos mais duros e pesados que outros.
Faz-me companhia, acompanha-me até ao anoitecer, com festinhas na cabeça como se fosse da idade dos meus filhos, com o olhar cheio de esperança e as mãos nos fios do meu cabelo como fizeste em dias meus tão difíceis, em dias gélidos de Madrid que já lá vão, em tempos que eu achava ter chegado ao fim do mundo, ao fim dos meus dias, mas antes terminaram os teus.
Sinto-me só, com os olhos raiados de lágrimas e a alma a nu e cru, em crosta aberta, que vai sangrando sempre quando estou tão frágil e desejo que não o faça desta forma, porque dói, dói tanto.
Não há uma distância física que nos separa, há muito mais, e o pior, é o facto de não saber o quanto mais, ou simplesmente o quê.
Faço asneiras de vez em quando, imprudente e por impulso, mas é incondicional, porque amo, amo tanto que me dá liberdade de respirar mesmo quando há momentos sem ar, e sem liberdade alguma, acontece assim, quando estou como agora, descalça, ferida e mesmo assim desato por aí a correr com esperança de encontrar o meu nome, a saída, ou até mesmo a ti.
Por vezes deixas-me assim, neste estado de absorção total, a escrever desalmadamente sem rumo, e quando escrevemos a duas mãos isto acontece, fico assim perdida, porque só vejo a minha mão, e não a tua, e sinto-me desabar entre a realidade das coisas normais e a loucura.
Fico aqui sem nome, á porta dos quarenta, sem saídas nem portas, sem saber para onde ir, sem brilho.
Hoje apagada por este frio, por esta textura em tons de cinza que me deixam na vontade de abraçar o edredão até que a vida te devolva.
Te traga de volta ao mesmo universo que o nosso, a um tempo em que éramos quatro, aos cheiros que me ficaram, ás gargalhadas, ao som da tua voz mais perto, ás correrias e a uma casa tão cheia de gente.
E sabes que mais?
Havia tempo! E hoje não me resta nenhum, é um princípio de ignorância que a vida me prepara e eu não sei, um precipício que me encontro em queda livre sem voz, sem forças para gritar a falta que me fazes.
Talvez seja um cansaço que me deixa neste estado de exaustão e entregue á desistência,
Um desespero que luto todos os dias e que apesar disso me dê força para me erguer da cama e sair á vida, á luta.
Não me falta na verdade nada, mas por segundos falta-me tudo em momentos destes que me são arrancados pilares que seguram a minha estrutura e que arrancam parte de mim, sangue do meu sangue, carne da minha carne.
E eu disse-te um dia entre o medo de te perder e a esperança de te ver acordada,
Entre o leito da vida e da morte
“Se o teu coração parar de bater, o meu parará junto do teu”
Não menti, porque uma parte do dele parou e morreu contigo.
Aninha-me
Porque sei que estás aí, algures, não sei bem onde, mas sei que estás
Mesmo quando não o sinto
Quando me sinto tão só
Quando os meus pés estão descalços, desgastados e feridos mas seguem rumo, não desistem.
E não é por acaso
Nada é por acaso
É porque parte das tuas mãos ainda me seguram, encaminham e nunca me deixam cair.


Joana, seu retorno anuncia o ar fresco, sua presença um luxuoso 2013 para o forum. E as suas mãos guiam. Fico muito feliz com sua volta. Beijos no coração!


Concordo plenamente com bbrian, Seu retorno é um presente! beijos poéticos! Wink

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Francisco Coimbra



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MensagemEnviada: Qui Jan 03, 2013 4:29 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

SENTI(N)DO

ouvi-te e vi-te sentindo
por ser teu ouvinte,
por conseguinte

interpreto
perto

excelente elixir sentido
Assim

SENTINDO-O

sinto n vezes um valor
renovado sobre
a variável

invariavelmente
seduzida

sou letra de equação
Mim

Olá Joana,
Assim & Mim te lendo e eu, comentar para quê?...
Desejo a ti e a todos aqui neste Fórum
FELIZ 2013!!!
Subscrevo os comentários que já tiveste, por completo!
Beijo, a_braços!!

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