Fórum de Poesia
 Regras do Fórum  .  Busca  .  Membros  .  Grupos  .  Cadastre-se   .  Perfil   Login
PROJETO DULCINÉIA CATADORA Exibir próxima mensagem
Exibir mensagem anterior
Autor Mensagem
Luiz Alberto Machado



Mensagens: 1379

MensagemEnviada: Sáb Jan 19, 2008 5:51 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Projeto Dulcinéia Catadora
por Lúcia Rosa

Dulcinéia Catadora é um coletivo que publica livros de autores novos com capas de papelão pintadas à mão por catadores. Os livros são vendidos por R$5,00. Apóia-se em um tripé: social, artístico e cultural. É um projeto híbrido, transdisciplinar.

O projeto derivou do Eloísa Cartonera, um coletivo que iniciou suas atividades na Argentina há quatro anos, reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros.

Após a Bienal surgiu seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar no Brasil a partir de 2007.

Convém falar das premissas do projeto, que casam bem com o tema da Bienal: Como Viver Junto, inspirado por Roland Barthes (em seus cursos ministrados no Collége de France entre 1976 e 1977, escolhido para abordar uma das questões mais prementes da vida pública: como estabelecer uma base de comunicação viável entre grupos e nações que se escutam cada vez menos?

O projeto funda-se na percepção da vida cotidiana como processo criativo. Tem como conceito-pivô a troca, a interação, a ação. Essa ação não é simplesmente um meio de convivialidade, mas uma "ferramenta cognitiva", uma forma de gerar sentido e conteúdo.

O coletivo acredita que a convivência entre pessoas com origens, atividades, experiências e visões de mundo diversas, é benéfica e enriquecedora para todos os participantes. Os diálogos transformam o resultado do trabalho. Visa-se à valorização do catador, à inclusão social, abrir novas possibilidades de atividades profissionais, desenvolver seu potencial artístico. Ressalte-se que, antes de gerar renda, as atividades no atelier promovem a auto-estima, a troca de experiências, geram o prazer de criar. A oficina é um espaço aberto, que procura estabelecer encontros intersubjetivos. (Entenda-se intersubjetividade como a consciência de ambos os lados da experiência perceptiva: de que ela é formada através de técnicas e práticas externas e através das capacidades subjetivas do próprio corpo e do sistema nervoso do observador). O coletivo fundamenta seu trabalho no conceito de estética relacional, de Nicolas Bourriaud.



No entanto, é importante enfatizar que Bourriaud não considera a estética relacional como sendo simplesmente uma teoria da arte interativa. Ele a considera um meio em geral: a arte relacional é vista como uma resposta direta à mudança de uma economia – se desde o início do século XX ela fora baseada em bens, a partir das duas últimas décadas do século XX e mais marcadamente no início do século XXI, ela se volta cada vez mais para a economia de serviços. Isto implicaria, na arte, uma preocupação maior com o processo, a atividade desenvolvida com a colaboração do público, ou até pelo próprio público, independentemente, e não mais o produto, o resultado.



Na bienal, foi criada uma Instalação, que se modificou diariamente. É mais que uma instalação. É um lugar de encontros: "Festa" de despedida de integrantes do grupo Eloísa com alguns amigos, trabalhos feitos conjuntamente, comemorações...

Um lugar descontraído

Dessacraliza a obra de arte – é permitido rir, curtir, participar, sentir, mais do que contemplar

O público é incentivado a se expressar, a dançar, mais do que a analisar



Ressalte-se que esse convívio contempla não só a extrema harmonia. Há algo de tensão e antagonismo dentro do conceito defendido por Bourriaud. Há certa ironia, certa postura crítica. A própria reação de parte do público na Bienal, que viu com olhar quase que indignado a participação do Eloísa na Bienal mostra isso. São artistas e críticos formalistas, presos às noções de estética convencionais.



"As pessoas podem se sentir desconfortáveis com alguns dos projetos exibidos porque eles operam com um pé no domínio da arte contemporânea e outro no âmbito do chamado "mundo real". Temos de aprender a viver com esse desconforto, que é algo comparável ao final dos anos 1960, quando artistas começaram a desmaterializar o objeto de arte e trabalhar conceitualmente." (Folha, 12 de dez. Claire Bishop entrevista dada a J. Monachesi)



A ação, o processo são aspectos privilegiados; o trabalho mantém-se em fluxo contínuo, cujo significado é elaborado coletivamente. Nesse sentido, dilui-se a noção de obra autoral.



A estética relacional não alimenta a utopia de provocar uma mudança social, mas busca apenas encontrar soluções provisórias que funcionam como microtopias no presente (Figural – Lyotard)

A microtopia é o significado político fundamental da estética relacional.

Dulcinéia Catadora é o quarto projeto criado na América Latina: além do Eloísa, existe um núcleo no Peru, o Sarita Cartonera, e o Yerba Mala, na Bolívia. Os grupos mantêm contato, e sempre que há interesse os títulos poderão ser traduzidos do português para o espanhol e vice-versa. Essa rede de ação cultural composta por projetos-irmãos possibilita a divulgação dos novos autores por toda a América Latina, trabalhando na contramão do mercado editorial, abrindo seus próprios caminhos paralelos na história da literatura latino-americana.



Em síntese, é um coletivo que faz arte politicamente, o que significa, citando T. Hirschorn:



Fazer arte politicamente significa escolher materiais que não intimidam, um formato que não domina, um dispositivo que não seduz. Fazer arte politicamente não é submeter a uma ideologia ou denunciar o sistema, em oposição à chamada "arte política". É trabalhar com a mais plena energia contra o princípio de "qualidade".

(Hirschhorn está se referindo à idéia de qualidade defendida por Clement Greenberg, Michael Fried e outros críticos como um critério de julgamento estético".



Contato: dulcineia.catadora@gmail.com

(11) 81 98 0252

À Venda na:

Mercearia S. Pedro, Rua Rodésia, 54 – Vila Madalena

Pe João Gonçalves, 100 – Pinheiros, São Paulo, SP

Ou faça o seu pedido e enviamos pelo correio. "
Ver o perfil de UsuáriosVisitar a homepage do Usuário
Mostrar os tópicos anteriores:      
Responder Mensagem


 Ir para:   



Exibir próxima mensagem
Exibir mensagem anterior
Enviar Mensagens Novas: Proibído.
Responder Tópicos Proibído
Editar Mensagens: Proibído.
Excluir Mensagens: Proibído.
Votar em Enquetes: Proibído.


Powered by phpBB © 2001, 2002 phpBB Group :: Visite o SobreSites: www.sobresites.com